Fort of the Chagas

Praia da Vitória, Autonomous Region of Azores - Portugal

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O "Forte das Chagas" localizava-se na freguesia de Santa Cruz, concelho de Praia da Vitória, costa Leste da ilha Terceira, na Região Autónoma dos Açores, em Portugal.

FARIA refere-o também como "Forte de São Francisco" devido à sua proximidade com o convento desse nome, onde hoje se localiza o Auditório do Ramo Grande (FARIA, Manuel. Apud FAGUNDES, Helena. Na costa Terceirense Fortes ao Abandono. In: Revista DI, n.º 357, 14 fev 2010, p. 7); MELO (1994), complementa que se erguia onde está hoje o primeiro pontão que divide a praia Grande da praia dos Sargentos (op. cit., p. 62).).

História

A sua designação veio do fato de ter sido erguido em terreno pertencente ao Convento ou Recolhimento das Chagas, instituído pelo fidalgo Domingos Homem da Câmara e sua esposa Rosa de Macedo, em 1543, para recolhimento das filhas solteiras do casal. Poderá remontar ao período do povoamento, sendo assim uma das "duas fortalezas velhas, que se fizeram quando se amurou a vila":

"(...) e logo na ponta deste calhau, onde está o porto da vila, correndo o areal um tiro bom de besta, estão as duas fortalezas velhas, que se fizeram quando se amurou a vila, as quais têm muita artilharia grossa de bronzo [bronze], a melhor que há na ilha, como é uma águia e uma fermosa esfera, e muitos pedreiros, e falcões pedreiros e de dado, e berços." (FRUTUOSO, 1998:Livro VI, cap. 2, p. 7)

DRUMMOND, acerca da fortificação da Praia no contexto da Crise de Sucessão de 1580, referiu: "(...) e dentro da bahia da Praia construiram-se 12 fortes e baluartes, com o que se pôs em inteira defesa; (...)." (DRUMMOND, 1981:vol. I, p. 233)

Após a conquista da Terceira (julho de 1583) por D. Álvaro de Bazán, 1.º marquês de Santa Cruz de Mudela, foi inventariado o seguinte material bélico neste forte:

"Na fortaleza, às Chagas: Uma meia colibrina, oitavada, com as armas de França, de dezoito quintais e noventa e cinco arráteis; quatro peças de ferro coado, de a doze quintais; duas bombardas de ferro; cem balas, com carregadores pera todas." (FRUTUOSO, 1998:Livro VI, cap. 26, p. 87)

Após a conquista da Terceira (julho de 1583) por D. Álvaro de Bazán, 1.º marquês de Santa Cruz de Mudela, foi inventariado o seguinte material bélico neste forte:

"Na fortaleza, às Chagas: Uma meia colibrina, oitavada, com as armas de França, de dezoito quintais e noventa e cinco arráteis; quatro peças de ferro coado, de a doze quintais; duas bombardas de ferro; cem balas, com carregadores pera todas." (FRUTUOSO, 1998:Livro VI, cap. 26, p. 87)

Entretanto, o mesmo autor prossegue a sua descrição, dando conta da existência de um outro forte, vizinho:

"Em um forte que está na Praia, chamado São Francisco: Uma peça de ferro coado, de quinze quintais; outra peça de ferro, de catorze quintais; outra de ferro, de oito quintais; outra de ferro, de doze quintais; outra de ferro, de oito quintais; um barril de pólvora, com balas e carregadores pera todos." (FRUTUOSO, 1998:Livro VI, cap. 26, p. 87)

Não se encontra referido pelo marechal Castelo Branco na relação "Fortificações nos Açores existentes em 1710". (Arquivo dos Açores, vol. IV, 1882, pp. 178-181)

CORDEIRO, em 1717, refere este forte, dando-o artilhado com 2 peças, (CORDEIRO, 1981:257-258) e complementa: "A vila é cercada de muralha com quatro baluartes e quatro portas, a do Porto, a do Rossio, a de Nossa Senhora dos Remédios e a das Chagas." (Op. cit., p. 258)

Com a instalação da Capitania Geral dos Açores (1766), o seu estado foi assim reportado em 1767:

"25º - Forte das Chagas. Está reformado de novo e precisa a sua porta ser concertada, tem seis canhoneiras e tres peças de ferro boas com seus reparos capazes, precisa mais tres peças com seus reparos e para se guarnecer seis artilheiros e vinte e quatro auxiliares." (JÚDICE, 1981)

Encontra-se referido como "24. Forte das Chagas na mesma b.ª [da Praia]" no relatório "Revista aos fortes que defendem a costa da ilha Terceira", do Ajudante de Ordens Manoel Correa Branco (1776), que lhe aponta os reparos necessários: "Necessita de tarimba na sua caza, o tilhado composto de algú pequeno conserto no dito Forte e portáo novo."

Encontra-se assinalado como "H Forte das Chagas" na "Planta da Bahia da Villa da Praia. para a Intiligencia do Molhe e Projecto do Ill.mo e Ex.mo Snr. Conde de S. Lourenço Governador e Capitão General das Ilhas dos Açores" (Angra, 1805), e, no mesmo período, dele existe alçado e planta, com o título "Forte das Chagas", de autoria do sargento-mor do Real Corpo de Engenheiros, José Rodrigo de Almeida (1806). ("Alçado e planta dos fortes da Luz, das Chagas, Santo Antão e Santa Catarina do Cabo da Praia, 1806, Praia da Vitória, ilha Terceira, Açores". In: Arquipélagos.org)

A "Planta da Bahia da Villa da Praia", desenhada por Francisco Xavier Cordeiro, anexa ao relatório "Muralha na Villa da Praya, para resguardar os edificios da mesma Villa dos estragos do Mar", do 1.º Tenente de Artilheiros António Homem da Costa Noronha, em 17 de agosto de 1827, assinala o "Forte das Chagas" (Biblioteca da Ajuda, Ms. Av. 54-XIII-25, n.º 10).

No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), quando da Batalha da Praia (11 de agosto de 1829) contra as forças de Miguel I de Portugal (1828-1834) encontrava-se desartilhado, assim como o vizinho Forte da Luz. À época, optou-se estrategicamente por defender aquela frente, onde um desembarque seria mais provável, com um entrincheiramento para fuzilaria. Encontra-se assinalado como "E Forte das Chagas" (e a linha entrincheirada como "AB") no desenho "Poziçao dos Navios da Esquadra Portuguesa na Bahia da Villa da Praia (Ilha Terceira) no combate do dia 11 de Agosto de 1829" (Biblioteca Nacional de Portugal), e como "27. Forte das Chagas." na gravura "Ataque da 3.ª no dia 11 de Agosto de 1829. / Pelo Tenente Gualvão do Regimento dos Voluntarios da Rainha, e augmentada com os nomes das embarcações e forteficações" (c. 1830). Data do mesmo período a carta "Circuito da Ilha Terceira (...)" de Joaquim Bernardo de Mello Nogueira do Castello, em março de 1831, que lhe regista: "4.º DISTRICTO – VILLA DA PRAIA Comprehende 3 Freguezias: S. Catharina do Cabo da Praia, S. da Penna das Fontinhas e S. Cruz da V.ª da Praia. Está defendida por 10 fortes: 1.º S. Cath.ª p 5 c 18 [5 peças calibre 18]; 2.º S. José p. 3 c 18 2, 24, 1 [3 peças calibre 18, 2 do 24, 1?]; 3.º S. Caetano p 3 c 18, 2 c 32, 1 [3 pecas calibre 18, 2 do 32, 1?]; 4.º S. Antão p 2 c 18 e 24 [2 peças, 1 calibre 18 e 1 do 24]; 5.º S. João p 2 c 18 [2 peças calibre 18]; 6.º Chagas p 3 c 10, 1 c 18, 2 [3 peças calibre 10, 1 do 18, 2?]; 7.º S. Fran.co; 8.º Luz p 2 c 12 e 24 [2 peças, 1 calibre 12 e 1 do 24]; 9.º Porto p 3 c 12, 18 e 24 [3 peças, 1 calibre 12, 1 do 18 e 1 do 24]; 10º Espírito Santo p 3 c 12 1 c 18, 2 [3 peças calibre 12, 1 do 18, 2?]."

A "Relação" do marechal de campo Barão de Basto em 1862 informa que se encontrava em bom estado. (BASTO, 1997:273)

Quando da realização dos "Tombos", em princípios de 1881, o mesmo foi encontrado devoluto, sendo o terreno usado há vários anos como logradouro do Comandante Militar da então Vila da Praia. À época encontrava-se arruinado e abandonado, após ter sido, durante anos, vigiado por um sargento reformado que tomava conta do mesmo. (PEGO, 1996)

Até à década de 1940 encontrava-se em bom estado. (FARIA, Manuel. Apud FAGUNDES, Helena. Na costa Terceirense Fortes ao Abandono. In: Revista DI, n.º 357, 14 fev 2010, p. 7) Em meados do século XX (MELO, 1994:62) os seus restos foram demolidos, tendo a sua cantaria sido subtraída por empresas construtoras para servir de alicerce às edificações da atual Avenida 25 de Abril.

Encontra-se relacionado por BAPTISTA DE LIMA (1982), que o indica como "(...) desaparecido há cera de 15 anos;" [c. 1967].

Características

Exemplar de arquitetura militar do tipo abaluartado, marítimo.

Apresentava planta no formato pentagonal, em aparelho de cantaria de pedra.

Até à primeira metade do século XIX é representado com 6 canhoneiras nos lados voltados ao mar. O tombo de 1881 indica-lhe uma área de 980 m², figurando-o com apenas 4 canhonheiras.

No terrapleno possuía casa para a guarnição e paiol.

MELO (1994) refere que possuía razoáveis proporções, semelhante às dos vizinhos Forte de São José e Forte do Espírito Santo, mas menor que o Forte de Santa Catarina (Op. cit., p. 62).



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Contribution

Updated at 27/09/2018 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (10), Projeto Fortalezas Multimidia (Mayra) (1).


  • Fort of the Chagas

  • Forte de São Francisco

  • Fort

  • 1576 (AC)




  • Portugal


  • Missing

  • Monument with no legal protection





  • Disappeared

  • 980,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Autonomous Region of Azores
    City: Praia da Vitória



  • Lat: 38 -44' 15''N | Lon: 27 3' 40''W


  • Antigo Convento de São Francisco (atual Auditório do Ramo Grande)


  • 1583: "(...) Uma meia colibrina, oitavada, com as armas de França, de dezoito quintais e noventa e cinco arráteis; quatro peças de ferro coado, de a doze quintais; duas bombardas de ferro; (...)." (FRUTUOSO)
    1717: 2 peças antecarga, de alma lisa.
    1767: 3 peças antecarga, de alma lisa, de ferro, montadas em reparos.
    1831: 4 peças antecarga de alma lisa, 3 do calibre 10, 1 do 18.






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