Fort of Nossa Senhora da Luz

Praia da Vitória, Autonomous Region of Azores - Portugal

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O "Forte de Nossa Senhora da Luz", também referido como "Forte da Luz" e "Forte da Alfândega" por se ter erguido perto do antigo edifício da mesma (MELO, 1994:69) atual Posto Territorial da Praia da Vitória, localizava-se junto ao Largo José Silvestre Ribeiro, na freguesia de Santa Cruz, concelho de Praia da Vitória, costa Leste da ilha Terceira, na Região Autónoma dos Açores, em Portugal.

História

Remonta a uma primitiva fortificação erguida pelo capitão do donatário da Capitania da Praia, Álvaro Martins Homem (1474-1483), com traça do provedor das fortificações da ilha, Pedro Anes Rebelo, ou por seu filho e sucessor no cargo, Antão Martins Homem (1483-1520), responsáveis pelo amuralhamento da vila. Foi contemporâneo e vizinho ao Mosteiro da Luz, erguido entre 1480 e 1490.

Esse raciocínio é corroborado por FRUTUOSO (c. 1590) quando, em sua descrição da baía da Praia, refere que, partindo "do porto da vila, correndo o areal um bom tiro de besta, estão as duas fortalezas velhas, que se fizeram quando se amurou a vila." E acrescenta: "Está a vila da Praia... cercada de boa muralha, com seus fortes e baluartes toda em redondo". (FRUTUOSO, 1998:Livro VI)

Em 1579, o corregedor dos Açores, Ciprião de Figueiredo e Vasconcelos, determinou que a Câmara Municipal da Praia melhorasse o baluarte junto ao primitivo Mosteiro da Luz.

DRUMMOND, acerca da fortificação da Praia no contexto da Crise de Sucessão de 1580, referiu: "(...) e dentro da bahia da Praia construiram-se 12 fortes e baluartes, com o que se pôs em inteira defesa; (...)." (DRUMMOND, 1981:vol. I, p. 233)

Após a conquista da Terceira (julho de 1583) por D. Álvaro de Bazán, 1.º marquês de Santa Cruz de Mudela, foi inventariado o seguinte material bélico neste forte:

"No forte chamado Nossa Senhora da Luz: Uma meia colibrina, com as armas de Portugal, de vinte e oito quintais; um berço de bronze, com as mesmas armas e servidores; três peças de ferro coado, de a dezasseis quintais; noventa balas pera todas e carregadores." (FRUTUOSO, 1998:Livro VI, cap. 26, p. 87)

No contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714) encontra-se referido pelo marechal Castelo Branco na relação "Fortificações nos Açores existentes em 1710", como "O Forte de Nossa Senhora" (Arquivo dos Açores, vol. IV, 1882, p. 178).

CORDEIRO, em 1717 complementou: "A vila é cercada de muralha com quatro baluartes e quatro portas, a do Porto, a do Rossio, a de Nossa Senhora dos Remédios e a das Chagas." (CORDEIRO, 1981:258)

Com a instalação da Capitania Geral dos Açores (1766), o seu estado foi assim reportado em 1767:

"26º - Forte de Nossa Senhora da Luz. Tem tres canhoneiras e tres peças de ferro esfuguenadas e os seus reparos bons, precisa para guarnecer-se tres artilheiros e doze auxiliares." (JÚDICE, 1981)

Encontra-se referido como "Forte de N. Sa. da Luz" no relatório "Revista dos fortes e redutos da ilha Terceira", do capitão de Infantaria Francisco Xavier Machado (1772), representado com planta pentagonal irregular com os muros rasgados por 3 canhoneiras pelo lado do mar, e dependências de serviço no terrapleno pelo lado de terra.

Encontra-se referido como "25. Forte de N.ª S. da Lus junto a mesma V.ª [da Praia]" no relatório "Revista aos fortes que defendem a costa da ilha Terceira", do Ajudante de Ordens Manoel Correa Branco (1776), que lhe aponta os reparos necessários: "Ade mister rachado, goarnecido, e rebocado, tarimba , e porta na d.ª caza."

Encontra-se assinalado como "7 Forte da Luz" na "Planta da Bahia da Villa da Praia. para a Intiligencia do Molhe e Projecto do Ill.mo e Ex.mo Sñr. Conde de S. Lourenço Governador e Capitão General das Ilhas dos Açores" (Angra, 1805) e, no mesmo período, dele existe alçado e planta, com o título "Forte de N.ª Snr.ª da Luz", de autoria do sargento-mor do Real Corpo de Engenheiros, José Rodrigo de Almeida (1806). ("Alçado e planta dos fortes da Luz, das Chagas, Santo Antão e Santa Catarina do Cabo da Praia, 1806, Praia da Vitória, ilha Terceira, Açores". In: Arquipélagos.org)

A "Planta da Bahia da Villa da Praia", desenhada por Francisco Xavier Cordeiro, anexa ao relatório "Muralha na Villa da Praya, para resguardar os edificios da mesma Villa dos estragos do Mar", do 1.º Tenente de Artilheiros António Homem da Costa Noronha, em 17 de agosto de 1827, assinala o "Forte da Luz" (Biblioteca da Ajuda, Ms. Av. 54-XIII-25, n.º 10).

No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), na iminência da Batalha da Praia (11 de agosto de 1829) a defesa da baía privilegiou a construção de trincheiras diante do areal onde se presumia viesse a ocorrer o desembarque das forças absolutistas, pelo que, à época, o Forte da Luz se encontrava desartilhado. Encontra-se assinalado como "F Forte da Luz" no desenho "Poziçao dos Navios da Esquadra Portuguesa na Bahia da Villa da Praia (Ilha Terceira) no combate do dia 11 de Agosto de 1829" (Biblioteca Nacional de Portugal), e como "28. Forte da Luz." na gravura "Ataque da 3.ª no dia 11 de Agosto de 1829. / Pelo Tenente Gualvão do Regimento dos Voluntarios da Rainha, e augmentada com os nomes das embarcações e forteficações" (c. 1830). Data do mesmo período a carta "Circuito da Ilha Terceira (...)" de Joaquim Bernardo de Mello Nogueira do Castello, em março de 1831, que lhe regista: "4.º DISTRICTO – VILLA DA PRAIA Comprehende 3 Freguezias: S. Catharina do Cabo da Praia, S. da Penna das Fontinhas e S. Cruz da V.ª da Praia. Está defendida por 10 fortes: 1.º S. Cath.ª p 5 c 18 [5 peças calibre 18]; 2.º S. José p. 3 c 18 2, 24, 1 [3 peças calibre 18, 2 do 24, 1?]; 3.º S. Caetano p 3 c 18, 2 c 32, 1 [3 pecas calibre 18, 2 do 32, 1?]; 4.º S. Antão p 2 c 18 e 24 [2 peças, 1 calibre 18 e 1 do 24]; 5.º S. João p 2 c 18 [2 peças calibre 18]; 6.º Chagas p 3 c 10, 1 c 18, 2 [3 peças calibre 10, 1 do 18, 2?]; 7.º S. Fran.co; 8.º Luz p 2 c 12 e 24 [2 peças, 1 calibre 12 e 1 do 24]; 9.º Porto p 3 c 12, 18 e 24 [3 peças, 1 calibre 12, 1 do 18 e 1 do 24]; 10º Espírito Santo p 3 c 12 1 c 18, 2 [3 peças calibre 12, 1 do 18, 2?]."

As suas dependências foram utilizadas como moradia pelas famílias dos soldados ali destacados. Em 1851 ali vivia o soldado veterano Francisco Joze Cardoso, (Óbit. Stª Cruz, Liv. 9, fl. 88, apud MELO, 1994:69) casado com Victorina Roza Ignacia, falecida a 10 de agosto daquele mesmo ano.

A "Relação" do marechal de campo Barão de Basto em 1862 informa que se encontrava em bom estado. (BASTO, 1997:273)

Encontra-se relacionado por BAPTISTA DE LIMA (1982), que o indica como desaparecido desde o século XIX.

Características

Exemplar de arquitetura militar, do tipo abaluartado, marítimo.

Apresentava planta pentagonal irregular, constituindo-se numa plataforma lajeada sobre um embasamento elevado. Na muralha rasgavam-se 3 canhoneiras. Adossada à gola encontrava-se a edificação para Quartel da Tropa e Casa da Palamenta. Era acedido por uma rampa pelo lado de terra.



 



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Contribution

Updated at 20/09/2018 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (9), Projeto Fortalezas Multimidia (Mayra) (1).


  • Fort of Nossa Senhora da Luz

  • Forte da Luz, Forte da Alfândega

  • Fort

  • Between 1491 and 1500 (AC)




  • Portugal


  • Missing

  • Monument with no legal protection





  • Disappeared

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Autonomous Region of Azores
    City: Praia da Vitória



  • Lat: 38 -44' 7''N | Lon: 27 3' 32''W


  • Antigo edifício da Alfândega, hoje posto da G.N.R.


  • 1583: "(...) Uma meia colibrina, com as armas de Portugal, de vinte e oito quintais; um berço de bronze, com as mesmas armas e servidores; três peças de ferro coado, de a dezasseis quintais; (...)" (FRUTUOSO)
    1767: "(...) tres peças de ferro esfuguenadas e os seus reparos bons (...)." (JUDICE)
    1831: 2 peças antecarga de alma lisa, 1 do calibre 12 e 1 do 24.






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