Fort of Santa Cruz

Praia da Vitória, Autonomous Region of Azores - Portugal

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O “Forte de Santa Cruz”, também referido como “Forte do Porto”, localizava-se na freguesia de Santa Cruz, concelho de Praia da Vitória, costa Leste da ilha Terceira, na Região Autónoma dos Açores, em Portugal.

Com a função de defesa do primitivo porto da vila, cruzava fogos com o Forte da Conceição, a Leste, e com o Forte de São Pedro, a Oeste.

História

DRUMMOND, acerca da fortificação da Praia no contexto da Crise de Sucessão de 1580, referiu: "(...) e dentro da bahia da Praia construiram-se 12 fortes e baluartes, com o que se pôs em inteira defesa; (...)" (DRUMMOND, 1981:vol. I, p. 233)

Após a conquista da Terceira (julho de 1583) por D. Álvaro de Bazán, 1.º marquês de Santa Cruz de Mudela, foi inventariado o seguinte material bélico neste forte:

"Em outro forte, chamado Santa Cruz: Um canhão reforçado de bater, de trinta e cinco quintais e sessenta e quatro arráteis, com as armas do turco e flores de lices; outro canhão pedreiro, com as mesmas armas; três peças de ferro coado, de a onze quintais; dois berços de bronze, com seus servidores; dois barris de pólvora; cento e oito balas pera todas, com carregadores e atacadores." (FRUTUOSO, 1998:Livro VI, cap. 26, p. 87)

No contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714) encontra-se referido pelo marechal Castelo Branco na relação "Fortificações nos Açores existentes em 1710", como "O Forte de Santa Cruz no Porto." (Arquivo dos Açores, vol. IV, 1882, p. 178)

O padre António Cordeiro, em 1717 complementou: "A vila é cercada de muralha com quatro baluartes e quatro portas, a do Porto, a do Rossio, a de Nossa Senhora dos Remédios e a das Chagas." (CORDEIRO, 1981:258)

Com a instalação da Capitania Geral dos Açores (1766), o seu estado foi assim reportado:

"27º - Forte de Santa Cruz. Tem cinco canhoneiras, precisa abrir-se-lhe uma; tem quatro peças, uma de bronze e tres de ferro, todas boas e seus reparos capazes, precisa mais duas peças com os seus reparos, e para se guarnecer seis artilheiros e vinte e quatro auxiliares." (JÚDICE, 1767)

Encontra-se referido como "Forte de Santa Cruz" no relatório "Revista dos fortes e redutos da ilha Terceira", do capitão de Infantaria Francisco Xavier Machado (1772) com planta poligonal irregular e os muros rasgados por quatro canhoneiras e dependências de serviço no terrapleno pelo lado de terra.

Encontra-se referido como "26. Forte de S. Crus naquella b.ª [da Praia]" no relatório "Revista aos fortes que defendem a costa da ilha Terceira", do Ajudante de Ordens Manoel Correa Branco (1776), que lhe aponta os reparos necessários: "Este Forte careçe algú piqueno conserto, expecialm.e na rais da muralha para se evitar a sua ruina, alem disto perciza duas portas nas suas cazas, e seu portáo."

Encontra-se assinalado como "8 Forte de Santa Cruz" na "Planta da Bahia da Villa da Praia. para a Intiligencia do Molhe e Projecto do Ill.mo e Ex.mo Sñr. Conde de S. Lourenço Governador e Capitão General das Ilhas dos Açores" (Angra, 1805).

A "Planta da Bahia da Villa da Praia", desenhada por Francisco Xavier Cordeiro, anexa ao relatório "Muralha na Villa da Praya, para resguardar os edificios da mesma Villa dos estragos do Mar", do 1.º Tenente de Artilheiros António Homem da Costa Noronha, em 17 de agosto de 1827, assinala o "Forte do Porto", com planta quadrangular, sobre o cais (Biblioteca da Ajuda, Ms. Av. 54-XIII-25, n.º 10).

No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834) revestiu-se novamente de importância estratégica, voltando a ser guarnecido no Verão de 1828 (SAMPAIO, 1904:649-663). Teve parte ativa na Batalha da Praia (11 de agosto de 1829) contra as forças de Miguel I de Portugal (1828-1834). Na ocasião, o forte encontrava-se guarnecido por 1 artilheiro, 6 marinheiros e 5 soldados de infantaria, sob o comando do Alferes Simão António Albuquerque e Castro. Estava artilhado com apenas 1 peça, da qual partiu o primeiro tiro do combate, contra a capitânia, a nau D. João VI, a qual terá atingido, matando um homem, ferindo outro e causando grandes avarias a bordo. Disparou ainda mais 37 tiros, sendo reduzido ao silêncio pelo poder do fogo da esquadra absolutista. Quando se iniciou o desembarque, sobre o areal que o separava do Forte do Espírito Santo - o último da baía da Praia, encostado à escarpa da serra de Santiago -, para lá se dirigiu o Tenente Caldas Osório à frente de um pequeno grupo de 22 homens. Diante da intensidade do fogo, o grupo refugiou-se aqui, no Forte do Porto. Ao tentarem sair para deter o inimigo, o Tenente Osório foi atingido por uma bala, tombando sem vida. (DRUMMOND, 1981:vol. IV, p. 226-227) Encontra-se assinalado como "D Forte do Porto" no desenho "Poziçao dos Navios da Esquadra Portuguesa na Bahia da Villa da Praia (Ilha Terceira) no combate do dia 11 de Agosto de 1829" (Biblioteca Nacional de Portugal). Data do mesmo período a carta "Circuito da Ilha Terceira (...)" de Joaquim Bernardo de Mello Nogueira do Castello, em março de 1831, que lhe regista: "4.º DISTRICTO – VILLA DA PRAIA Comprehende 3 Freguezias: S. Catharina do Cabo da Praia, S. da Penna das Fontinhas e S. Cruz da V.ª da Praia. Está defendida por 10 fortes: 1.º S. Cath.ª p 5 c 18 [5 peças calibre 18]; 2.º S. José p. 3 c 18 2, 24, 1 [3 peças calibre 18, 2 do 24, 1?]; 3.º S. Caetano p 3 c 18, 2 c 32, 1 [3 pecas calibre 18, 2 do 32, 1?]; 4.º S. Antão p 2 c 18 e 24 [2 peças, 1 calibre 18 e 1 do 24]; 5.º S. João p 2 c 18 [2 peças calibre 18]; 6.º Chagas p 3 c 10, 1 c 18, 2 [3 peças calibre 10, 1 do 18, 2?]; 7.º S. Fran.co; 8.º Luz p 2 c 12 e 24 [2 peças, 1 calibre 12 e 1 do 24]; 9.º Porto p 3 c 12, 18 e 24 [3 peças, 1 calibre 12, 1 do 18 e 1 do 24]; 10º Espírito Santo p 3 c 12 1 c 18, 2 [3 peças calibre 12, 1 do 18, 2?]."

A "Relação" do marechal de campo Barão de Basto em 1862 informa que se encontrava em bom estado. (BASTO, 1997:273.)

Foi duramente castigado pelas tempestades de 1879 e de 1880, que praticamente o destruíram (e aos fortes vizinhos), tendo-lhe custado as muralhas e a artilharia, e deixando-lhe de pé apenas uma canhoneira. As imediações ficaram obstruídas com os grandes blocos das muralhas derruídas, tendo ficado de pé apenas as suas edificações abobadadas (Forte do Porto. Tombos dos Fortes da Ilha Terceira. 1881). À época do tombo de 1881 encontrava-se abandonado e completamente arruinado. (Op. cit.)

Sem que houvesse sofrido obras de reparos, a população subtraiu-lhe as pedras de cantaria arrancadas pelo mar para a edificação das suas moradias, tendo o antigo forte desaparecido.

Encontra-se relacionado por BAPTISTA DE LIMA (1982), que o indica como desaparecido no século XX.

Características

Exemplar de arquitetura militar, abaluartado, marítimo.

De pequenas dimensões, apresentava planta poligonal irregular, em cujas muralhas se rasgavam, originalmente, 4 canhoneiras. Construído em cota pouco elevada em relação ao nível do mar, era resguardado apenas pelo enrocamento que o circundava.

No seu interior, adossadas à gola, erguiam-se 3 edificações: a Casa da Guarda, o paiol de pólvora e a Casa da Palamenta. A servidão fazia-se pelo areal da praia.



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Contribution

Updated at 21/09/2018 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (10).


  • Fort of Santa Cruz

  • Forte do Porto

  • Fort

  • 1581 (AC)

  • 1582 (AC)



  • Portugal


  • Missing

  • Monument with no legal protection





  • Disappeared

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Autonomous Region of Azores
    City: Praia da Vitória



  • Lat: 38 -44' 6''N | Lon: 27 3' 20''W




  • 1583: "(...) Um canhão reforçado de bater, de trinta e cinco quintais e sessenta e quatro arráteis, com as armas do turco e flores de lices; outro canhão pedreiro, com as mesmas armas; três peças de ferro coado, de a onze quintais; dois berços de bronze, com seus servidores; (...)." (FRUTUOSO)
    1767: 4 peças antecarga, de alma lisa, 1 de bronze e 3 de ferro, montadas em seus reparos.
    1831: 3 peças antecarga, de alma lisa, 1 do calibre 12, 1 do 18 e 1 do 24.






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