Fort of São Francisco

Praia da Vitória, Autonomous Region of Azores - Portugal

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O “Forte de São Francisco” localizava-se sobre a baía de São Fernando, na freguesia de Porto Martins (no limite da freguesia de Vila de São Sebastião), no concelho de Praia da Vitória, costa Sudeste da ilha Terceira, na Região Autónoma dos Açores, em Portugal.

Em posição dominante sobre este trecho do litoral, constituiu-se em uma fortificação destinada complemento da defesa do Porto Novo contra os ataques de piratas e corsários, outrora frequentes nesta região do oceano Atlântico. Cruzava fogos com o Forte de São Fernando.

História

A mais antiga referência à fortificação deste local é de FRUTUOSO que, ao descrever a costa Sul da Terceira em fins do século XVI, registou:

"Na ponta da Ribeira Seca, da banda da capitania da Praia, onde está um calhau raso, está feita uma nova fortaleza pequena, que responde a outra fortaleza grande e antiga, que está adiante, na capitania de Angra, na jurdição da vila de São Sebastião, a qual nova fortaleza se fez por rezão de poder pescar qualquer navio que passasse da fortaleza grande pera dentro, por estarem ambas em a grande baía e perto da vila de São Sebastião, defronte uma da outra, (...)." (FRUTUOSO, 1998:Livro VI, cap. 2, p. 9)

No início do século XVII, acerca da fortificação da Terceira no contexto da Crise de Sucessão de 1580, um anónimo referiu:

"Naquele tempo [crise de Sucessão de 1580], (...) e pois não havia em toda esta ilha Terceira outro forte ao longo do mar, mais que uma fortaleza, que se chama de São Sebastião; a qual El-rei D. Sebastião mandou fazer, depois que se tomou a ilha da Madeira pelos franceses pelo Caldeira [Pierre Bertrand de Montluc], que depois foi tomado, e foi feita dele justiça na cidade de Lisboa; e temendo-se esta ilha que fizessem outro tanto, (...)." (Anónimo, Relação das Coisas que aconteceram em a cidade de Angra, Ilha Terceira, depois que se perdeu El-Rei D. Sebastião em África, 1611. In: Arquivo dos Açores, vol. IX, 1887, pp. 16)

E complementou, possívelmente com referência a este forte:

"Depois de idas as sobreditas armadas [no ano de 1581], entrava o inverno, e determinaram o corregedor [Ciprião de Figueiredo e Vasconcelos (1578-1582)], e os mais que regiam a ilha, de fazerem com brevidade todas as fortalezas na ilha; (...) ao diante [da fortaleza da vila de S. Sebastião fez-se] outra; (...)." (Op. cit, p. 19)

A mesma informação foi utilizada por DRUMMOND no século XIX:

DRUMMOND, acerca da fortificação da Terceira no contexto da Crise de Sucessão de 1580, referiu:

"Não havia naquele tempo em toda a costa da ilha Terceira alguma fortaleza, excepto aquela de S. Sebastião, posto que em todas as cortinas do sul se tivessem feito alguns redutos e estâncias, nos lugares mais susceptíveis de desembarque inimigo, conforme a indicação e plano do engenheiro Tomás Benedito, que nesta diligência andou desde o ano de 1567, depois que, no antecedente de 1566, os franceses, comandados pelo terrível pirata Caldeira, barbaramente haviam saqueado a ilha da Madeira, e intentado fazer o mesmo nesta ilha, donde parece que foram repelidos à força das nossas armas." (DRUMMOND, 1981:vol. I, p. 230)

E complementou: "(…) e muito mais seguro ficou [o Porto Novo] depois que se lhe fez o forte de S. Francisco, que só por si pode varrer toda aquela vasta baía até São Fernando, outro bom forte, já ambos no termo da Praia." (DRUMMOND, 1981:vol. I, p. 233)

No contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714) encontra-se referido pelo Marechal Castelo Branco como "O Forte de S. Francisco." na relação "Fortificações nos Açores existentes em 1710". (Arquivo dos Açores, vol. IV, 1882, p. 178)

Com a instalação da Capitania Geral dos Açores (1766), o seu estado foi assim reportado:

"16º - Forte de São Francisco da Ribeira secca. Foi feito de novo a fundamento e falta-lhe a plataforma, tem seis canhoneiras e quatro peças de ferro capazes com os seus reparos bons, carece de mais duas peças com os seus reparos e para se guarnecer seis artilheiros e vinte e quatro auxiliares." (JÚDICE, 1767)

Encontra-se referido como "15. Forte de S. Fran.co no dito lugar da Ribeira Secca" no relatório "Revista aos fortes que defendem a costa da ilha Terceira", do Ajudante de Ordens Manoel Correa Branco (1776), que apenas assinala: "Este Forte achase redificado de novo, e só careçe de hua tarimba na sua caza."

No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834) sofreu remodelações em 1829, tendo-lhe sido reduzidas as canhoneiras de cinco para três, e acrescentada uma banqueta para fuzilaria na face virada ao porto da Ribeira Seca, além de construída uma espaçosa casa, de encosto à gola, para a guarnição. (FARIA, s/d.) Encontra-se relacionado como "Forte de S. Francisco" em alçado e planta na "Colecção de Plantas e Alçados de 32 Fortalezas dos Açores, por Joze Rodrigo d'Almeida em 1830", atualmente no Gabinete de Estudos Arqueológicos da Engenharia Militar, em Lisboa. Entretanto encontra-se nele representado ainda com planta pentagonal em cujos muros pelo lado do mar se rasgam seis canhoneiras e se indica dependência de serviço no terrapleno, pelo lado de terra. Data do mesmo período a carta "Circuito da Ilha Terceira (...)" de Joaquim Bernardo de Mello Nogueira do Castello, em março de 1831, que regista: "3.º DISTRICTO – PORTO MARTINS Comprehende 2 Freguezias: S. Sebastião e S. Bárbara da Fonte Bastarda, e está defendido por 5 Fortes: 1.º S. Seb.ão p. 2 c. 12 18 2 [2 peças, 1 calibre 12 e 1 do 18, 2?]; 2.º S. Fran.co p. 3 c. 12, 1 c. 24, 2 [3 peças calibre 12, 1 do 24, 2?]; 3.º S. Fernando p. 1 c. 12 [1 peça calibre 12]; 4.º Nazareth p. 1 c. 24 [1 peça calibre 24]; 5.º S. Bento p. 1 c. 18 [1 peça calibre 18]."

A "Relação" do marechal de campo Barão de Basto em 1862 localiza-o em Porto Martim e informa que "Tem algumas ruinas a cuja reparação se está procedendo." (BASTO, 1997:273)

O tombo de 1881 encontrou-o abandonado e em ruínas, com as suas dependências utilizadas como abrigo de rebanhos pelos moradores das redondezas. (Damião Pego. "Tombos dos Fortes da Ilha Terceira")

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) os seus restos foram reguarnecidos por um ninho de metralhadoras, cujos vestígios chegaram até aos nossos dias. (FARIA, s/d.)

Encontra-se relacionado por BAPTISTA DE LIMA (1982), que indica dele subsistirem apenas vestígios.

Atualmente é de propriedade da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, subsistindo apenas vestígios da sua estrutura.

Características

Exemplar de arquitetura militar, abaluartado, marítimo.

Apresentava planta pentagonal orgânica (adaptada ao terreno), tendo sido erguido sobre rocha basal, em cantaria. Ocupava uma área de 303,48 m².

Primitivamente com seis canhoneiras em seus muros, o Tombo de 1881 encontrou-o com apenas três e, na espessura da muralha, talhada na cantaria, com uma banqueta para fuzilaria.

Junto da gola, erguia-se, à esquerda, o paiol, e, à direita, uma casa para a guarnição.



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Contribution

Updated at 20/09/2018 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (5), Projeto Fortalezas Multimidia (Mayra) (1).


  • Fort of São Francisco


  • Fort

  • 1581 (AC)

  • 1582 (AC)



  • Portugal


  • Abandoned Ruins

  • Monument with no legal protection





  • Ruins

  • 303,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Autonomous Region of Azores
    City: Praia da Vitória



  • Lat: 38 -41' 42''N | Lon: 27 4' 19''W




  • 1767: 4 peças antecarga, de alma lisa, de ferro, montadas em reparos.
    1831: 4 peças antecarga, de alma lisa: 3 do calibre 12, 1 do 24.






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