Fort of São Mateus

Angra do Heroísmo, Autonomous Region of Azores - Portugal

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O “Forte de São Mateus”, também referido como "Reduto de São Matheus" e “Forte da Igreja”, localizava-se na ponta de São Mateus, freguesia de São Mateus da Calheta, concelho de Angra do Heroísmo, costa Sul da ilha Terceira, na Região Autónoma dos Açores, em Portugal.

Em posição dominante sobre este trecho do litoral, última enseada a oeste de Angra com condições para se efetuar um desembarque, constituiu-se em uma fortificação destinada à defesa deste ancoradouro contra os ataques de piratas e corsários, outrora frequentes nesta região do oceano Atlântico. Erguia-se entre o Forte da Calheta e o Forte do Terreiro, com quem cruzava fogos, a cerca de 22 metros de distância da Igreja Velha de São Mateus da Calheta, arruinada pelo ciclone de 1893. A atual Igreja de São Mateus foi erguida, anos mais tarde, em novo local, junto ao porto de São Mateus da Calheta.

História

Era aqui, na altura da freguesia de São Mateus, que as naus de torna-viagem das Índias, em busca do porto de Angra, salvavam pela primeira vez. (FRUTUOSO, 1998:Livro VI, cap. 3, p. 15)

No início do século XVII, acerca da fortificação da Terceira no contexto da Crise de Sucessão de 1580, um anónimo referiu:

"Naquele tempo [crise de Sucessão de 1580], (...) e pois não havia em toda esta ilha Terceira outro forte ao longo do mar, mais que uma fortaleza, que se chama de São Sebastião; a qual El-rei D. Sebastião mandou fazer, depois que se tomou a ilha da Madeira pelos franceses pelo Caldeira [Pierre Bertrand de Montluc], que depois foi tomado, e foi feita dele justiça na cidade de Lisboa; e temendo-se esta ilha que fizessem outro tanto, (...)." (Anónimo, Relação das Coisas que aconteceram em a cidade de Angra, Ilha Terceira, depois que se perdeu El-Rei D. Sebastião em África, 1611. In: Arquivo dos Açores, vol. IX, 1887, p. 16)

E complementou:

"Depois de idas as sobreditas armadas [no ano de 1581], entrava o inverno, e determinaram o corregedor [Ciprião de Figueiredo e Vasconcelos (1578-1582)], e os mais que regiam a ilha, de fazerem com brevidade todas as fortalezas na ilha; (...) E mais ao diante [do forte da Prainha] outro forte, que se chama a fortaleza de S. Mateus; (...)." (Op. cit, p. 19)

A mesma informação foi utilizada por DRUMMOND no século XIX:

"Não havia naquele tempo em toda a costa da ilha Terceira alguma fortaleza, excepto aquela de S. Sebastião, posto que em todas as cortinas do sul se tivessem feito alguns redutos e estâncias, nos lugares mais susceptíveis de desembarque inimigo, conforme a indicação e plano do engenheiro Tomás Benedito, que nesta diligência andou desde o ano de 1567, depois que, no antecedente de 1566, os franceses, comandados pelo terrível pirata Caldeira, barbaramente haviam saqueado a ilha da Madeira, e intentado fazer o mesmo nesta ilha, donde parece que foram repelidos à força das nossas armas." (DRUMMOND, 1981:vol. I, p. 230)

E complementou:

"Edificou-se mais adiante [da Prainha] a fortaleza de S. Matheus, (...)" (DRUMMOND, 1981:vol. I, p. 231)

No contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714) encontra-se referido pelo Marechal Castelo Branco como "O Reduto de S. Matheus." na relação "Fortificações nos Açores existentes em 1710" (Arquivo dos Açores, vol. IV, 1882, p. 178).

Com a instalação da Capitania Geral dos Açores (1766), o seu estado foi assim reportado:

"34º - Reducto de São Matheus. Precisa porta nova; tem tres canhoneiras com tres peças de ferro boas e os seus reparos bons, e para se guarnecer precisa de tres artilheiros e doze auxiliares." (JÚDICE, 1767)

Encontra-se referido como "31. Reducto de S. Matheus da Calheta" no relatório "Revista aos fortes que defendem a costa da ilha Terceira", do Ajudante de Ordens Manoel Correa Branco (1776), que assinala: "Este reducto náo careçe de obra algua."

A "Planta da Bahia de S. Matheus levantada por António Homem da Costa Noronha em 22 de Julho de 1827", anexa ao relatório "Bahia do Terreiro de S. Matheus e sua Costa", do mesmo autor, então 1.º Tenente de Artilheiros, s.d. [17 de agosto de 1827], assinala: "12. Reducto de S. Matheus" (Biblioteca da Ajuda, Ms. Av. 54-XIII-25, n.º 10b).

No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834) revestiu-se novamente de importância estratégica, recebendo vigias no Verão de 1828 (SAMPAIO, 1904:649-663). O seu alçado e planta, constam sob o n.º 23, na "Colecção de Plantas e Alçados de 32 Fortalezas dos Açores, por Joze Rodrigo d'Almeida em 1830", atualmente no Gabinete de Estudos Arqueológicos da Engenharia Militar, em Lisboa ("Forte de São Mateus e Forte do Negrito, José Rodrigo de Almeida, 1830 (c.), ilha Terceira, Açores."). Data do mesmo período a carta "Circuito da Ilha Terceira (...)" de Joaquim Bernardo de Mello Nogueira do Castello, em março de 1831, que lhe regista: "8.º DISTRITO – S. MATHEUS Comprehende 2 Freguezias: S. Bartholomeu e S. Matheus. Está defendido por 5 Fortes: 1.º Negrito; 2.º da Igreja p. 2 c 18 [2 peças calibre 18]; 3.º do Terreiro; 4.º Forte grande p 4 c 12, 2 c 18 [4 peças calibre 12; 2 do 18]; 5.º Má ferramenta p 1 c 24 [1 peça calibre 24] de rodizio."

A "Relação" do marechal de campo Barão de Basto em 1862 informa que se encontrava incapaz desde longos anos (BASTO, 1997:267).

Quando da realização do tombo, em 1881, foi inspecionado pelo tenente de engenharia António Belo de Almeida Júnior, que o encontrou em bom estado de conservação, embora reparasse na fraca consistência das barreiras em que assentava, apenas protegidas pela rocha baixa que as orlava (Damião Pego. "Tombos dos Fortes da Ilha Terceira").

Em 28 de agosto de 1893, um ciclone excepcionalmente forte foi-lhe fatal, assim como à vizinha Igreja de São Matheus.

Encontra-se relacionado por BAPTISTA DE LIMA (1982), que o indica como desaparecido.

Características

Exemplar de arquiteura militar, abaluartado, marítimo.

De pequenas dimensões apresentava planta no formato de um trapézio isósceles, ocupando uma área de 204 m². Em suas muralhas, de cantaria de pedra, rasgavam-se quatro canhoneiras, duas pelo lado menor e uma em cada um dos lados não paralelos. No intervalo das canhoneiras, a muralha era guarnecida por banquetas para a fuzilaria. No vértice leste erguia-se uma pequena edificação com a função de paiol e de casa da palamenta.

O acesso era feito, a partir de uma estrada pública, por uma rampa até um portão simples rasgado na muralha oeste até ao cordão, tendo 1,4 metros de largura.



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Contribution

Updated at 21/09/2018 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (6), Projeto Fortalezas Multimidia (Mayra) (1).


  • Fort of São Mateus

  • Forte da Igreja

  • Fort

  • 1581 (AC)

  • 1582 (AC)



  • Portugal


  • Missing

  • Monument with no legal protection





  • Disappeared

  • 204,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Autonomous Region of Azores
    City: Angra do Heroísmo



  • Lat: 38 -40' 51''N | Lon: 27 16' 35''W




  • 1767: 3 peças antecarga, de alma lisa, de ferro.
    1831: 2 peças antecarga, de alma lisa, do calibre 18.






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