Fort of São Filipe de Setúbal

Setúbal, Setúbal - Portugal

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O “Forte de São Filipe de Setúbal”, também referido como “Castelo de São Filipe” e “Fortaleza de São Filipe”, localiza-se na freguesia da União das Freguesias de Setúbal, no concelho e distrito de Setúbal, em Portugal.

Na margem direita da foz do rio Sado, ergue-se em posição dominante sobre um outeiro vizinho à cidade, e tinha a função de controlo do acesso ao seu porto.

Modernamente, estudiosos como Rafael Moreira entendem que o principal objetivo da sua edificação terá sido o de garantir a manutenção de uma guarnição fiel à Dinastia Filipina (1580-1640), assegurando desse modo o controlo da população setubalense, que havia indiciado várias demonstrações de oposição à dominação espanhola.

História

Antecedentes

O sítio de Setúbal foi ocupado desde à pré-história, sucessivamente por fenícios, e cartagineses e romanos. Com a presença destes últimos, entre os séculos I a IV, constituiu-se "Cetóbriga", um importante núcleo urbano e industrial ligado principalmente à salga de peixe, que se estendeu pelas duas margens do rio, integrando "Tróia". Diante das invasões bárbaras e a posterior ocupação muçulmana, a zona habitada foi sendo progressivamente abandonada devido ao avanço das areias. Atalaias como Palmela, portos mais abrigados como Alcácer do Sal, e vales férteis como Azeitão, foram os locais escolhidos pelos muçulmanos para se fixarem.

No contexto da Reconquista cristã da região, após a conquista de Palmela aos muçulmanos (1147) e do estabelecimento da Ordem de Santiago, Setúbal foi repovoada, inicialmente pela colina de Santa Maria e, progressivamente, pela zona baixa que se estende até ao atual bairro de Troino. Em 1249, D. Paio Peres Correia, então mestre da Ordem, outorgou-lhe a primeira carta de foral.

As muralhas da vila

Ver Muralhas de Setúbal

Diante das dificuldades faceadas pelos habitantes no que diz respeito à entrada e venda de produtos trazidos de Sesimbra, Palmela e Alcácer, em 1343 o então mestre de Santiago, D. Garcia Peres, deu execução a uma carta de Afonso IV de Portugal (1325-1357), que delimitava o termo de Setúbal, tendo sido erguida uma cortina de muralhas protegendo a povoação. As obras estariam concluídas no reinado de Pedro I de Portugal (1356-1367).

Ao longo do século XV, a vila desenvolveu atividades económicas, ligadas sobretudo, à indústria e ao comércio, obtendo elevados rendimentos com os direitos cobrados pela entrada de embarcações em seu porto.

O Forte de São Filipe

O projeto de uma fortificação moderna para defesa deste trecho do litoral remonta ao século XIV, com a construção do Forte de Santiago do Outão, destinado ao controle da barra do rio Sado, acesso ao burgo medieval. Visando ampliar essa defesa, no reinado de João III de Portugal (1521-1557), Brás Dias recebeu Regimento no cargo de “administrador das obras da Praça e Castelo de Setúbal” (31 de julho de 1526). As dificuldades financeiras da Coroa, que à época inclusive conduziram ao abandono das posições ultramarinas no Norte de África (Praça-forte de Azamor, Praça-forte de Arzila, Praça-forte de Alcácer-Ceguer e Praça-forte de Safim), terão atrasado o desenvolvimento desses trabalhos.

À época da Dinastia Filipina (1580-1640), no contexto da remodelação da defesa de Lisboa, Filipe II de Espanha (1556-1598) determinou a construção desta fortificação para reforço da defesa de Setúbal. Tendo visitado a cidade em 1582, terá assistido em pessoa ao lançamento da pedra fundamental da nova fortificação.

Com traça atribuída durante largos anos ao arquiteto e engenheiro militar italiano Filippo Terzi (1520-1597), sabe-se hoje que foi desenhada por Giovan Giacomo Palearo Fratino em 1583. As suas obras à época terão estado a cargo de Terzi, que assinou uma planta e corte da fortificação (8 de julho de 1594, a mais antiga que conhecemos da fortificação), remetida ao Conselho de Guerra, em Madrid, (MOREIRA, 1986:149) que se serviu dela em uma consulta em setembro daquele mesmo ano. Diante do seu falecimento, foi designado para as obras o cremonense Leonardo Torriani, que as deu como concluídas em 1600.

Quando da Restauração da Independência portuguesa (1 de dezembro de 1640), foi o último reduto em Setúbal a sustentar resistência espanhola. No contexto da Guerra da Restauração (1640-1668), sob o reinado de João IV de Portugal (1640-1656), o seu estado foi assim descrito:

Há nesta fortaleza nove peças de artilharia de diferentes calibres, a saber: quatro canhões, duas colubrinas, um pedreiro e duas peças mais. Necessita de nove peças mais, de artilharia miúda. E de alçaprimas e lanadas. E de cartuchos, por ter poucos. E de se lagearem duas praças, para correr melhor a artilharia.

Dos canhões, um é encampanado, e o outro rendido pelos munhões. Esta artilharia está encavalgada. Necessita de reparos de sobresselente. Há algumas rodas por ferrar, e havendo coronhas e eixos se poderão fazer quatro ou cinco reparos.

Balas de artilharia há em abundância para tirarem 20 peças de artilharia. Mosquetes biscaínhos, noventa e tantos. Arcabuzes, cento e quarenta e tantos. Trezentos piques. Morrão em abundância. De pólvora, sessenta barris, que parecem ser de duas arrobas. Soldados, oitenta, pouco mais ou menos, que é a lotação desta fortaleza. Nove artilheiros. Necessita de mais, havendo mais artilharia. Tem bastantes ferramentas.

É necessário argamassar toda esta praça, e retelhar os quartéis dos soldados, porque chove em tudo. Há mister duas estacadas, cordas e cabos e pedras pelas muralhas, por ser a melhor defesa que há em castelos roqueiros.

Bastimentos tem nenhuns.

E diz António de Barros Cardoso, governador desta fortaleza, que em mão de Brás Aranha há cento e oitenta mil réis procedidos dos bastimentos passados, e que tem por arrecadar coisa de cinquenta mil réis dos soldos que devem os soldados, para arrecadação dos quais há mister tempo. E que o dinheiro que está feito bastará para azeite, vinho e legumes, e com Sua Majestade dar biscoito ficará esta praça abastecida.

E que tem esta fortaleza quarenta e tantos mil réis para as obras em mão do tenente Sanches.
” (“Relação da gente paga, artelharia armas munições carretas mantimentos e mais cousas que ha nas fortalezas da barra desta cidade e nas de Setuual, e do que necessita cada huã dellas”, anexa à consulta do Conselho de Guerra de 12 de agosto de 1644 (ANTT, CG, Consultas, 1644, maço 4-B).

O Governador das Armas de Setúbal, João de Saldanha, executou a ampliação desta defesa pela adição de uma bateria baixa entre 1649 e 1655. Acredita-se que esta nova estrutura visava cobrir a deficiência da artilharia em cobrir o acesso fluvial ao porto.

Na primeira metade do século XVIII a capela em seu interior foi revestida com azulejos, assinados por Policarpo de Oliveira Bernardes (1736).

Sob o reinado de José de I de Portugal (1750-1777) não terá ficado imune ao terramoto de 1 e novembro de 1755, tendo ainda sido utilizada nesse período como Escola de Artilheiros.

Em meados do século XIX um incêndio destruiu a Casa do Comando, então residência do Governador das Armas de Setúbal e os quartéis da tropa.

Do século XX aos nossos dias

O "Castelo de São Filipe" encontra-se classificado como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 23.007, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 196, de 30 de agosto de 1933. A ZEP / Zona "non aedificandi" encontra-se definida no Diário do Governo, II Série, n.º 176, de 27 de julho de 1962. O Castelo de São Filipe e a sua área delimitada encontram-se incluídos no Parque Natural da Arrábida pelo Decreto-Lei n.º 622/76, publicado no Diário da República n.º 175 de 28 de julho.

Na década de 1940 foi objeto de intervenções de conservação e restauro a cargo da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN).

Data de 1964 o projeto de adaptação da estrutura às funções da atual pousada, afiliada ao Grupo Pestana Pousadas (Rede Pousadas de Portugal), inaugurada como Pousada de São Filipe.

Sofreu novos danos, causados pelo sismo de 28 de fevereiro de 1969, tendo a recuperação sido concluída no ano seguinte. Intervenções pontuais foram executadas desde então, visando a conservação e beneficiação do conjunto e seu entorno.

A Pousada encerrou portas a 1 de novembro de 2014 por problemas de instabilidade estrutural. Em outubro de 2015 a Câmara Municipal de Setúbal declarou pretender assumir a gestão da fortificação, o que ocorreu, tendo lugar, a 31 de março de 2017 a reabertura das instalações do bar e esplanada. Permanecem interditas ao público algumas zonas de risco na fortificação.

Características

Constitui-se em exemplar de arquitetura militar, maneirista, de enquadramento rural, isolado no alto de um outeiro, sobranceiro à cidade, à barra do rio Sado e ao oceano Atlântico.

Inspirada no Castelo de Santelmo, em Nápoles, (Moreira, 1986:149) apresenta planta poligonal irregular orgânica (adaptada ao terreno) com seis baluartes, muro em talude, guaritas nos ângulos, integrando fosso exterior e plataforma de tiro contínua, para mosquetaria, pelo lado de terra, com cerca trapezoidal, adossada a leste, na encosta sobre o rio.

Os 6 altos e robustos baluartes, com embasamento em talude até ao início do parapeito, delimitado inferiormente por cordão, mostram guaritas prismáticas com cúpula nos ângulos flanqueados.

A porta de armas, rasgada a oeste entre 2 baluartes, dá acesso a um átrio e deste a uma larga rampa com degraus em dois lances, coberta por abóbada, (com patamar intermédio com entrada para as casamatas) que conduz às plataformas superiores, onde estão implantados os edifícios da fortaleza; à esquerda, a pequena capela de São Filipe, de planta retangular, coberta por abóbada a berço, com portal com frontão de volutas e torre sineira, entre pilastras. O interior da capela é totalmente revestido a azulejos em azul e branco, com cenas da vida de São Filipe, assinados e datados: "Policarpos a. Boliua Be (rnar)des Fecit 1736".

No interior da fortificação, as antigas casamatas e alojamento do Governador, hoje adaptadas a Pousada, estão voltadas para o mar.

Bibliografia

MOREIRA, Rafael. "A Arquitectura Militar". in: "História da Arte", vol. 7. Lisboa, 1986.



 



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Updated at 17/03/2019 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

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  • Fort of São Filipe de Setúbal

  • Castelo de São Filipe, Fortaleza de São Filipe

  • Fort

  • 1582 (AC)

  • 1600 (AC)

  • Giovan Giacomo Palearo Fratino

  • Philip II of Spain

  • Portugal


  • Featureless and Well Conserved

  • National Protection
    O "Castelo de São Filipe" encontra-se classificado como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 23.007, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 196, de 30 de agosto de 1933. A ZEP / Zona "non aedificandi" encontra-se definida no Diário do Governo, II Série, n.º 176, de 27 de julho de 1962. O Castelo de São Filipe e a sua área delimitada encontram-se incluídos no Parque Natural da Arrábida pelo Decreto-Lei n.º 622/76, publicado no Diário da República n.º 175 de 28 de julho.



  • +351 265 545 010


  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Setúbal
    City: Setúbal

    Estrada Castelo de São Filipe,
    2900-300 Setúbal


  • Lat: 38 -32' 56''N | Lon: 8 54' 34''W










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