Forte de São Julião da Barra

Oeiras, Lisboa - Portugal

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O “Forte de São Julião da Barra” localiza-se na margem direita da barra do estuário do rio Tejo, na ponta de São Gião, lugar de São Julião da Barra, freguesia de União das Freguesias de Oeiras e São Julião da Barra, Paço de Arcos e Caxias, concelho de Oeiras, distrito de Lisboa, em Portugal.

Reputada como o "Escudo do Reino", constitui o maior e mais completo complexo militar de defesa no estilo Vauban remanescente no país. Em sua origem, em conjunto com o Forte de São Lourenço do Bugio, com quem cooperava, tinha a função de controlo da entrada e saída de embarcações na barra do estuário do Tejo e o acesso ao porto de Lisboa.

História

A Torre de São Julião

A construção de uma fortificação no local foi recomendada por Manuel I de Portugal (1495-1521) a seu filho e sucessor, João III de Portugal (1521-1557). Seguindo o entendimento do seu Concelho, que sustentava que a defesa marítima do porto de Lisboa não deveria fundamentar-se unicamente no Castelo de São Jorge e na antiga cerca fernandina, e sim em modernas fortalezas abaluartadas junto à foz do rio, em 1549 este último criou o cargo de "Mestre das Obras de Fortificação do Reino, lugares d'Além e Índias" que confiou ao renomado arquiteto Miguel de Arruda, responsável por diversos complexos fortificados no ultramar português.

Terá sido Arruda, no exercício deste cargo, o autor dos planos da primitiva fortificação, uma torre abaluartada nos moldes da escola italiana, cujas obras terão sido iniciadas entre 1553 e 1556. Segundo alguns autores, a sua denominação deve-se ao fato de, no local, ter existido uma ermida sob a invocação do padroeiro dos barqueiros, São Gião; segundo outros, por a pedra fundamental ter sido colocada em dia de São Julião.

Desse modo, a defesa do porto e cidade de Lisboa passou a ser constituída por um complexo defensivo integrado pela Torre de Santo António de Cascais, a Torre de São Gião e a Torre de São Vicente de Belém, na margem direita do Tejo, e a Torre Velha da Caparica, na margem esquerda.

As obras ficaram a cargo de António Mendes, e pouco terão avançado até ao fim do reinado de D. João III, em 1559. Neste ano foi lançado um tributo especial o que permitiu que as obras da sua edificação se desenvolvessem mais rapidamente, e que, em 1562 Miguel de Arruda foi nomeado "Mestre-Vedor" das obras. Com ele terá trabalhado à época Isidoro de Almeida. Desse modo, a estrutura era dada como concluída já em 1568, ao término da primeira regência do Cardeal D. Henrique (1562-1568), sendo então conhecida como a “Fortaleza do Cardeal”. Obras complementares, entretanto, prosseguiam ainda em 1573, quando nas suas masmorras eram encarcerados aqueles que aguardavam degredo, ocupados em trabalhos forçados nas obras da própria estrutura. Data dessa época (1579) uma descrição e um desenho da fortificação, de autoria de João Baptista Gésio, espião a serviço de Filipe II de Espanha (1556-1598), que já então se preparava para assumir o trono de Portugal.

Quando da eclosão da Crise de Sucessão de 1580 a sua defesa, entretanto, não foi capaz de impedir o avanço das tropas espanholas sob o comando de Fernando Álvarez de Toledo y Pimentel, 3.º duque de Alba de Tormes, que a cercaram pelo lado de terra, tendo capitulado ao fim de 6 dias (13 de agosto de 1580), conforme negociações entre Tristão Vaz da Veiga e o comando das tropas invasoras. Neste momento a fortificação era composta por cinco baluartes de diferentes dimensões e, no interior, para além das instalações de aquartelamento e armazéns, dispunha-se no centro da praça de armas uma grande cisterna que constitui o seu núcleo central, à semelhança do que sucede nas praças de Mazagão e da ilha de Moçambique.

A Dinastia Filipina

No contexto da Dinastia Filipina (1580-1640), o duque de Alba determinou ao engenheiro militar Giovan Giacomo Palearo Fratino que projetasse os meios para reforçar a defesa de Lisboa. Para a fortificação de São Julião, que em poucos dias capitulara diante das tropas espanholas, Palearo procedeu a correções no traçado do fosso, fez erguer novas baterias, e ampliou as defesas do flanco oeste. A partir de 1582 procedeu-se a edificação da esplanada baixa do lado leste, adicionando-se os baluartes sob a invocação de São Filipe e de São Pedro. Em maio de 1589 a frota de Sir Francis Drake (cerca de 150 navios) decidiu não arriscar forçar a barra do Tejo diante das 60 peças nos muros de São Julião. Sir William Monson, que então integrava a frota e que se tornaria um dos grandes almirantes da Inglaterra, referiu aquela defesa como "(...) uma das mais inultrapassáveis fortalezas marítimas da Europa". Em 1591 foram elaborados projetos para um novo edifício em seu interior, que entretanto não se materializaram.

A partir de 1597 o engenheiro militar cremonense Leonardo Torriani assumiu a direção das suas obras de ampliação e reforço. No conjunto, elas transformaram o Forte de São Julião na maior e mais poderosa fortificação do reino de Portugal, à época. No mesmo período, as instalações da fortificação passaram a ser utilizadas como prisão política do Estado português, função que se manteve nos séculos seguintes até à 1.ª República portuguesa.

A Restauração da Independência

No momento da Restauração da Independência (1640) a fortificação sofreu o seu segundo cerco por terra, agora pelas tropas leais ao duque de Bragança, que seria aclamado como João IV de Portugal (1640-1656). Na ocasião destacou-se a iniciativa de D. Fernando de Mascarenhas, 1.º conde da Torre que, aí detido politicamente, levou o governador espanhol da praça, D. Fernando de La Cueva, a negociar os termos da rendição, em troca de substancial recompensa (12 de dezembro de 1640).

A facilidade dessa conquista levantou uma vez mais a questão da fragilidade do sistema defensivo da barra do Tejo. No contexto da Guerra da Restauração da Independência (1640-1668) o governador da praça, Martim Correia da Silva (neto), reportou ao soberano a urgência de obras de reparo (1645). Assim, dentro de um plano de reforço da fortificação do litoral lisboeta, a partir de 1650, novas obras de ampliação e reforço tiveram lugar em São Julião da Barra, destacando-se a construção, pelo lado de terra, de um novo revelim, única parte executada de um amplo projeto a cargo de Nicolau de Langres, visando dotar a fortificação de uma nova defesa pelo lado de terra. A esta se seguiu a construção de quartéis e alojamentos para a guarnição (1655).

O consulado pombalino

Sob o reinado de José I de Portugal (1750-1777) sofreu novas obras de recuperação e de ampliação, agora na muralha pelo lado do rio, na Casa do Governador, nos quartéis e nas cisternas (1751). Sofreu danos causados pelo terramoto de 1 de novembro de 1755, o mais grave talvez a queda do farol, da respectiva torre que se elevava no centro da praça, conforme fontes coevas (apud "Memória do Pe. Matias Marques Cardoso" in: Luís Cardoso (Pe.). "Dicionário Geográfico de Portugal".). As obras de recuperação do farol implicaram na elevação da sua torre em trinta palmos de altura (cerca de seis metros), tendo voltado a funcionar em 1761. Enquanto isso, o primeiro-ministro, marquês de Pombal, aí faria encarcerar 124 jesuítas a partir de 1759.

Uma notícia de 1777 dá conta de que a fortificação se encontrava em bom estado de conservação.

O século XIX

Quando às vésperas da Guerra Peninsular (1808-1814) as tropas francesas sob o comando do general Jean-Andoche Junot alcançaram os limites de Lisboa (30 de novembro de 1807), a vila de Oeiras e o Forte de São Julião foram transformados em Quartel-General das tropas de ocupação francesas sob o comando do general Jean-Pierre Travot, enquanto a barra do Tejo era bloqueada pela marinha inglesa. O forte só passou para as mãos britânicas após a Convenção de Sintra, em 2 de setembro de 1808.

A partir de 1809, o Forte de São Julião, o mais importante da linha de Oeiras (que constituía a 3.ª das 4 linhas defensivas de Lisboa, as chamadas "Linhas de Torres Vedras"), voltou a ter um Governador militar português. Sob orientação britânica foram erguidos neste litoral uma série de pequenos redutos de marinha que complementavam a defesa de terra de São Julião, com a finalidade de proteger o reembarque das tropas britânicas em caso de necessidade.

Neste período, continuamente utilizado como prisão política, um de seus mais famosos detentos foi o general Gomes Freire de Andrade, acusado de suposto envolvimento numa conspiração contra a presença inglesa. Executado, o seu corpo foi queimado e as suas cinzas deitadas ao Tejo em 18 de outubro de 1817.

No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), coadjuvou o fogo do Forte de São Julião da Barra e do Forte de São Lourenço do Bugio sobre a esquadra francesa que, sob o comando do almirante Albin Roussin, forçou a barra do Tejo (11 de julho de 1831), indo ancorar no porto de Lisboa, onde apresou 8 navios e impôs a Miguel I de Portugal (1828-1834) as condições humilhantes do Tratado de 14 de Julho de 1831. Em 1834 as forças liberais retomaram o forte.

O século XX

Tendo perdido as funções defensivas, diante da evolução dos meios bélicos, mas sempre ocupado como prisão política e farol, em meados do século XX foi desclassificado como fortificação militar e entregue à presidência do Conselho para ser adaptado a funções de representação da Defesa Nacional (1951). Já no exercício dessas funções, foi utilizada para a recepção do general norte-americano Dwight David Eisenhower (1951) e a do marechal britânico Bernard Law Montgomery (1952), heróis da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A partir de então, os antigos quartéis foram adaptados para o uso civil como salões, sala de jantar, biblioteca e capela, tendo a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) iniciado uma longa e cuidadosa série de intervenções de consolidação e restauro, em diversas campanhas (por conta própria em 1952-1954, 1962-1969, 1975, 1994-2000, e em parceria com o IST/LNEC de 1998 a 2001).

O conjunto do “Forte de São Julião da Barra / Farol de São Julião” encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 41.191, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 162, de 18 de julho de 1957.

O terramoto 28 de fevereiro de 1969 causou danos ao conjunto.

Entre 1975 e 1981 o Presidente da República (que era cumulativamente Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas) detinha autoridade sobre São Julião da Barra. No entanto, o então Presidente António Ramalho Eanes declarou em 1983 que “(...) não tem qualquer pretensão relativamente ao Forte de S. Julião da Barra, parte integrante do património militar e que, como tal, considero deve ser definitivamente mantido na dependência das Forças Armadas, através da sua afectação ao respectivo Estado-Maior-General.” (Despacho do Presidente da República de 8 de junho de 1983.)

Esta situação manteve-se até 1994 quando o então Ministro da Defesa Nacional, Fernando Nogueira (1990-1995), “(…) transferiu a responsabilidade pela gestão do referido imóvel do EMGFA para o Ministério da Defesa Nacional, confiando a sua administração à respectiva Secretaria-Geral, mantendo-se o seu uso para fins de representação.” (Informação prestada pelo Gabinete de Comunicação e Relações Públicas do Ministério da Defesa Nacional) Foi o próprio Nogueira quem atribuiu, neste mesmo momento ao seu próprio Gabinete a “(…) coordenação da respectiva utilização (…)” (Despacho n.º 22 do Ministro da Defesa Nacional de 26 de Janeiro de 1994) e a decidir viver nas instalações do Forte, prática seguida desde então, como acima já se referiu. Uns a título permanente e mesmo com familiares outros apenas em alguns períodos.

Com relação à afirmação de que, na atualidade é a residência oficial do Ministro da Defesa Nacional de Portugal, na realidade, embora a generalidade dos titulares da pasta da Defesa Nacional desde Fernando Nogueira lhe tenham dado esse uso, uns mais do que outros, tal classificação não tem suporte legal.

Características

Exemplar de arquitetura militar, estilisticamente no limiar do Barroco, implanta-se em posição estratégica e integra-se no sistema defensivo da barra do rio Tejo.

Apresenta planta irregular quase pentagonal, de volumes constituídos por complexa articulação de vários elementos defensivos. Da praia da Torre à de Carcavelos, profundo e largo fosso de topos rematados por altas muralhas isola o forte, descrevendo um "V" muito aberto em cujo vértice se lança a ponte, em aço e alvenaria de ligação e acesso ao forte (já não levadiça) dirigida à porta elevada sobre amplo terreiro que dá acesso às portas principais abertas em túnel e fortemente defendidas. Um outro fosso menor protege o revelim, ligando-se ao fosso principal. Poderosos baluartes, altas cortinas, grandes esplanadas de baterias, construídas em socalcos, interligadas por várias rampas e por caminhos de ronda, completam a defesa. Para nascente ergue-se imponente massa do baluarte do Príncipe ou de El-Rei D. Fernando; na face do mar, os baluartes do poente multiplicam cortinas, reentrâncias, avançados diedros, baterias. O de Santo António é o mais espetacular, subordinando a forma à sapata de penedos. A cisterna, em segmento de círculo, 3 naves de diferentes tramos e com abóbada de cruzaria sobre colunas toscanas, é o núcleo principal. A torre do farol com guaritas nos cunhais e de 3 pisos divididos por moldura, ergue-se no eixo transversal e é ladeada por alojamento da guarnição. Para além de outros cómodos, possui biblioteca, capela, casamatas, algumas com clarabóias e um conjunto de habitações que serviam de alojamento aos elementos da guarnição e suas famílias.

A torre do farol tem uma altura de 24 m, a luz encontra-se a 39 m de altitude e o seu alcance luminoso é de 14 milhas (c. 26 km), com característica luminosa de ocultações de cor vermelha, com um período de 5 segundos.

Jaime Martins Barata faz os desenhos das tapeçarias "Infante D. Henrique" e "Chegada de Vasco da Gama a Calecut".



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Links relacionados 

Fortaleza de São Julião da Barra
Artigo de Apoio na Infopédia, da Porto Editora, sobre a fortificação.

http://www.infopedia.pt/$forte-de-s.-juliao-da-barra
Fortaleza de São Julião da Barra
Website Guia da Cidade, versando sobre a Fortaleza de São Julião da Barra, que se localiza na cidade de Oeiras, em Lisboa, Portugal.

http://www.guiadacidade.pt/portugal/?G=monumentos.ver&artid=803&distri...
Fortaleza de São Julião da Barra
Website Castelos de Portugal, versando sobre a Fortaleza de São Julião da Barra, que se localiza à margem esquerda da barra do Rio Tejo, em Oeiras.

http://www.tintazul.com.pt/castelos/lsb/oer/sjbarra.html
Fortaleza de São Julião da Barra
Website Viajar, versando sobre a Fortaleza de São Julião da Barra, que está localizada em Oeiras, Lisboa, Portugal.

http://viajar.clix.pt/tesouros.php?id=73&lg=pt
Forte S. Julião da Barra
Página do Governo de Portugal / Ministério da Defesa versando sobre o Forte de São Julião da Barra.

http://www.portugal.gov.pt/pt/os-ministerios/ministerio-da-defesa-naci...
Fortificações de Oeiras
Website do município de Oeiras, Portugal, versando sobre as seguintes fortificações localizadas nesta localidade: Forte de São Julião da Barra, Forte de Catalazete, Forte de São João das Maias, Forte de Nossa Senhora de Porto Salvo (Forte da Giribita), Forte de São Bruno e Forte do Bugio.

http://www.cm-oeiras.pt/voeiras/Turismo/OndeIr/Paginas/ArquitecturaMil...
Fortificações Marítimas de Oeiras
Website versando sobre as Fortificações Marítimas de Oeiras, na entrada da barra do Tejo, em Oeiras, Portugal.

http://www.tintazul.com.pt/castelos/lsb/oer/fort-maritimas.html

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Contribuições

Atualizado em 08/07/2018 pelo tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contribuições com mídias: (1), Carlos Luís M. C. da Cruz (9).


  • Forte de São Julião da Barra

  • Fortaleza de São Julião da Barra

  • Forte

  • Entre 1553 e 1556 (DC)

  • 1568 (DC)



  • Portugal


  • Restaurada e Bem Conservada

  • Proteção Nacional
    O conjunto do “Forte de São Julião da Barra / Farol de São Julião” encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 41.191, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 162, de 18 de julho de 1957.





  • Unidade Militar Ativa

  • ,00 m2

  • Continente : Europa
    País : Portugal
    Estado/Província: Lisboa
    Cidade: Oeiras



  • Lat: 38 -41' 32''N | Lon: 9 19' 32''W




  • 1589: 60 peças de artilharia antecarga, dos diversos calibres.



  • Fortificação das Linhas de Torres Vedras



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