Fort of Santiago de Sesimbra

Sesimbra, Setúbal - Portugal

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O “Forte de Santiago de Sesimbra", também referido como “Forte da Marinha”, “Forte da Praia” e “Fortaleza de Santiago”, localiza-se na freguesia de Santiago, no concelho de Sesimbra, distrito de Setúbal, em Portugal.

A povoação, tradicionalmente dedicada à pesca, era vítima constante dos assaltos de corsários e de piratas da Barbária. O forte, sobre a praia, a meio da baía, tinha como função proteger a vila e o seu ancoradouro. Em nossos dias integra o Núcleo Urbano Antigo de Sesimbra.

História

Antecedentes: a fortificação quinhentista

A primeira estrutura defensiva neste local remonta possivelmente a um baluarte quinhentista, erguido sob o reinado de Manuel I de Portugal (1495-1521).

A batalha da baía de Sesimbra

No contexto da Dinastia Filipina (1580-1640), durante a Guerra Anglo-Espanhola (1585-1604) esteve envolvida na chamada batalha da baía de Sesimbra (3 de junho de 1602), recontro naval entre duas forças navais inglesas, respetivamente sob o comando de Sir Richard Leveson e Sir William Mouson, e uma frota espanhola, sob o comando de D. Álvaro de Bazán e Federico Spinola, com destino à Flandres. Os ingleses lograram afundar duas embarcações espanholas, forçando as demais a retirar, rumando a Sesimbra, que atacaram com fogo de artilharia, atacando o forte então ali existente, ao qual causaram pesados danos, inutilizando-lhe as peças de artilharia, e apresando a nau São Valentim que, vinda das Índias Portuguesas carregada de bens com destino a Lisboa, ali arribara, sendo conduzida para a Inglaterra, onde chegou com as demais embarcações a 25 de outubro.

Relatos ingleses da batalha dão conta de que existiam 10 mil soldados inimigos na praia de Sesimbra, que o navio apresado era um galeão, que estava defendido por oito galés, e que o vento soprava de terra para o mar, dados considerados fantasiosos pelos estudiosos. O episódio encontra-se registado em iconografia do pintor neerlandês Hendrick Cornelisz Vroom (“Attack on Spanish Treasure Galleys”, Portugal, 1602).

O Forte de Santiago

No contexto da Guerra da Restauração da Independência (1640-1668), as carências defensivas da vila de Sesimbra foram assinaladas numa carta intitulada “Advertência que D. Álvaro Pereira faz a Vossa Majestade sobre a fortificação e defesa da Costa de Sesimbra, Arrábida e Albufeira”. Nela, D. Álvaro, nomeado Capitão-mor da vila em 17 de junho de 1641, remete ao Conselho de Guerra de João IV de Portugal (1640-1656) uma relação das condições necessárias para uma conveniente defesa daquele trecho do litoral. Nomeadamente com relação à defesa da vila de Sesimbra, D. Álvaro refere que, na impossibilidade de se fazer uma construção definitiva, mandara realizar, no Verão de 1641, ao longo da praia, um entrincheiramento provisório, o qual fora parcialmente destruído durante o Inverno. A esse respeito, o historiador Carlos Pereira Callixto refere esse entricheiramento seria “possivelmente apoiado no Reduto que existia no local onde, mais tarde, foi edificada a Fortaleza de Santiago”. (CALLIXTO, Carlos. A praça de guerra de Sesimbra. Diário de Notícias, 30 de abril de 1988)

A atual estrutura foi iniciada em 1662 possivelmente sobre os restos da anterior, o Forte de Ancua. O seu projeto ficou a cargo do jesuíta neerlandês Joanes Cieremans (João Cosmander). O seu projeto consistia numa fortificação com dois baluartes, com capacidade para albergar, pelo menos, seis peças de artilharia cada um. As obras estavam concluídas 1648, e o seu primeiro capitão-mor foi Diogo Garcês Palha.

Na análise da planta mais antiga da fortificação de que dispomos, datada de 1693, destaca-se a dicotomia entre a área voltada ao mar, eminentemente militar, e a área voltada a terra, de aspeto nitidamente civil.

As suas instalações foram utilizadas como residência de Verão pelos filhos naturais de João V de Portugal (1706-1750), os chamados “Meninos de Palhavã”. A partir de 1712, uma ala do forte, a norte, foi utilizada como sede do Governo das Armas da região, superintendendo todos os fortes costeiros desde a Torre do Outão (Forte de Santiago do Outão), à lagoa de Albufeira, passando pelas fortificações do Portinho da Arrábida (Forte de Santa Maria da Arrábida), ponta do Cavalo (Forte de São Teodósio), Baralha (Forte de São Domingos) e do cabo Espichel (Forte de Nossa Senhora do Cabo), funções que manteve até ao século XIX. À época (século XVIII), o Forte de São Pedro de Areias Brancas (ou da Foz) já se encontrava bastante deteriorado.

A estrutura sofreu danos causados pelo terramoto de novembro de 1755, em virtude do que sofreu obras de reconstrução da muralha norte, da Porta de Armas e do Quartel do Capitão-Mor. Em 1781 encontra-se registada a caiação da muralha norte, tendo a cor ocre sido substituída pelo atual branco.

Do século XIX aos nossos dias

Em 1815 a fortificação encontrava-se em estado de ruína sendo, por esse motivo, necessária a quantia de um conto de réis para as obras de restauro, justificando-se que as suas muralhas “apresentam grande perigo para as sentinelas”.

No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), o Relatório de inspeção de 1831, descreveu a Praça de Sesimbra como um “forte com uma bateria para a baía de 2 pequenos meios baluartes unidos por uma cortina, elevada acima da praia 3 braças, com parapeito de cantaria de 32 ½ polegadas d’altura. Do lado da vila estão os excelentes quartéis do governador, e mais edifícios, todos descobertos do mar. (…) Tem quartéis para 100 praças, ainda está o destacamento d’Artilheiros da Corte, composto de um Cabo e de seis Soldados. É governador o coronel Duarte de Mello da Silva Castro d’Almeida”. (op. cit.) Nesse mesmo ano foi objeto de nova intervenção, no decurso de um pedido do governador da Praça para “(…) a construção de um novo paiol nas abóbadas que ficam por baixo do cavaleiro, visto ser pequeno o que existe naquela praça, e além disso, está muito exposto aos tiros do mar (…)”, o qual foi deferido pela Coroa. Em 1832 foi abandonado pela guarnição.

O último registo relativo à existência de uma guarnição sediada no forte data de 1846. Posteriormente as suas instalações foram ocupadas como quartel da Guarda Fiscal (1879) até que foram cedidas à Alfândega (1886), encontrando-se, volvidos três anos (1889), em avançado estado de ruína.

Em 1930, encontra-se documentado, nas páginas do periódico local “O Cezimbrense”, o avançado estado de degradação de uma das guaritas do forte, tendo, passados dois anos, o imóvel sido alvo de obras de restauro, nomeadamente na Casa do Governador e numa das casernas, para instalação do Clube Naval de Sesimbra.

Em 1934 foi iniciada uma nova campanha de reparações, uma vez que as muralhas exteriores encontravam-se muito degradadas, ameaçando ruir. Esses trabalhos estavam concluídos no ano seguinte.

A partir de 1938, com a inauguração da Colónia Balnear Infantil da Guarda Fiscal, foram efetuadas algumas alterações no interior do forte, nomeadamente ao nível da construção de balneários e de tanques, estruturas totalmente desenquadradas da génese estrutural do edifício, cuja evidência chegou aos nossos dias.

Na década de 1960 a Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) elaborou um projeto de adaptação do antigo forte a estalagem, que entretanto não chegou a ser executado.

Em 1976 a DGEMN procedeu-lhe reparação dos rebocos e telhados, refechamento de juntas e limpeza de cantarias, a que se seguiram outas intervenções, na segunda metade da década de 1980: beneficiações nas coberturas (1987), beneficiação da instalação elétrica (1988), iluminação exterior (1989) e reparação do troço da muralha sul (1999).

Encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto nº 129/77, publicado no Diário da República, I série, n.º 226, de 29 de setembro.

Nova intervenção teve lugar em 2004, pela reparação com colmatação da lacuna e refechamento das juntas em toda a muralha sul, revisão da cobertura, reparação da fechadura e caixilharia de exteriores.

Em junho de 2005 a Carta de Risco do imóvel foi elaborada pela DGEMN. Estando a Câmara Municipal a desenvolver diligências para conseguir obter a posse do imóvel, em 2006 alcançou-se um acordo com a Guarda Nacional Republicana (GNR) que permitiu a abertura do espaço exterior ao público desde 4 de maio, Dia do Município. As diligências da Câmara prosseguiram, até que em 2008, a GNR subscreveu a proposta de cedência apresentada pela autarquia que, no mesmo ano apresentou um primeiro programa de ocupação, incluído na candidatura da Valorização da Frente Marítima de Sesimbra, apresentada pela Câmara Municipal e aprovada pelo QREN.

A formalização da cedência deu--se em 2010. Com este acordo, a autarquia tomou posse plena da ala leste, que correspondia sensivelmente à metade dos edifícios, durante um período de 87 anos. Apesar de limitada, essa solução serviu para abrir caminho aos trabalhos de recuperação. Já com as obras em curso, foi finalmente alcançado um acordo que deu a posse definitiva da totalidade do monumento à Câmara Municipal, decisão que alterou os pressupostos da intervenção, pois permitiu olhar para o conjunto arquitetónico no seu conjunto, e criar novas valências.

Desse modo, a partir de 2011 iniciou-se uma ampla intervenção de conservação e restauro com um investimento de 1,5 milhões de euros, financiado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), através do POR Lisboa - Programa Operacional Regional de Lisboa do QREN, incluídas no “Programa Integrado de Valorização da Frente Ribeirinha de Sesimbra”.

Os trabalhos desenvolveram-se em duas etapas: a primeira, centrada no arranjo das fachadas, coberturas, terraços e muralhas e na remoção de paredes, pisos e estruturas que não faziam parte da construção original; a segunda abrangeu os espaços interiores e consistiu, sobretudo, na substituição dos pisos antigos que se encontravam degradados, especialmente na zona da Casa do Governador e das antigas camaratas, construção de instalações sanitárias, infraestruturas de águas, gás, esgotos, eletricidade e telecomunicações, e preparação das salas para acolher as diversas valências que preenchem o edifício, para além das intervenções exteriores que privilegiaram as acessibilidades e a iluminação pública.

Desse modo, o forte foi reaberto ao público em julho de 2014. Entre as melhorias destacam-se, no baluarte oeste a instalação de uma cafetaria com esplanada e, no antigo Quartel do Ajudante, do posto de turismo. O forte passou a contar ainda com espaços para exposições e outras atividades culturais. Está projetada a instalação do Museu do Mar de Sesimbra (2015).

Características

Exemplar de arquitetura militar, em estilo maneirista, marítimo, urbano, isolado.

Apresenta planta poligonal estrelada, composta por corpo retangular central em cujos vértices se adossam baluartes, dois triangulares a norte, dois trapezoidais a sul.

No interior, do lado norte, erguem-se diversos edifícios de planta retangular, de volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhados de quatro águas. Neste alçado, virado para a vila, entre os dois baluartes elevados, de pano murário em talude e parapeito rasgado por canhoeiras, com guaritas cilíndricas, ergue-se edifício de dois andares rematado por cimalha, com reentrância em que se rasga o portal em arco de volta perfeita (encimado por pedra de armas com o escudo nacional). Os baluartes são vazados por vãos quadrangulares dispostos irregularmente; o edifício por janelas de verga contracurvada, de sacada sobre o portal. No alçado sul, sobre a praia, a plataforma reforçada pelos dois baluartes de muro em talude e parapeito rasgado por canhoneiras, com guaritas nos vértices extremos. A plataforma é separada da praça de armas, num nível inferior, por murete rasgado por escadaria. Para esta abrem as fachadas dos edifícios, rematadas por cimalha, de volumes irregulares marcados por cunhais apilastrados, com janelas de rasgamento idêntico às da fachada principal. O acesso dá-se por arco redondo com as armas da Ordem de Santiago no fecho, rasgado no corpo saliente. Encontram-se arcadas no 1.º piso do corpo central. Nos dois extremos da praça de armas, escadas de dois lances dão acesso aos terraços sobre os baluartes do lado norte.

O portão é encimado por um escudo real, onde se inscreve a data da inauguração do forte: "1648".

No pátio existiu uma pintura sobre madeira, remontando aos meados do século XVII, figurando Santiago, a cavalo empunhando a espada, investindo sobre um grupo de muçulmanos.

Durante a recente intervenção, os trabalhos no baluarte leste identificaram uma muralha e outras evidências de que a atual fortificação foi construída sobre os restos do primitivo Forte de Ancua.



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Forte de Santiago de Sesimbra
Website Costa Azul, versando sobre o Forte de Santiago de Sesimbra, o qual teve sua construção concluída em 1648. Localiza-se na cidade de Sesimbra, no Distrito de Setúbal, em Portugal.

http://www.costa-azul.rts.pt/directoria/detalhes_entidade.php?id=853&c...

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Contribution

Updated at 28/02/2016 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (1).


  • Fort of Santiago de Sesimbra

  • Forte de Ancua, Forte da Marinha, Forte da Praia, Fortaleza de Santiago

  • Fort

  • 1642 (AC)

  • 1648 (AC)



  • Portugal


  • Restored and Well Conserved

  • National Protection
    Encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 129/77, publicado no Diário da República, I série, n.º 226, de 29 de setembro.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Setúbal
    City: Sesimbra



  • Lat: 38 -27' 26''N | Lon: 9 6' 4''W




  • 1743 (c.): 12 peças de artilharia antecarga, de alma lisa.


  • 1976: a DGEMN procedeu a reparação dos rebocos e telhados, refechamento de juntas e limpeza de cantarias, a que se seguiram outas intervenções, na segunda metade da década de 1980: beneficiações nas coberturas (1987), beneficiação da instalação eléctrica (1988), iluminação exterior (1989) e reparação do troço da muralha sul (1999).
    2004: reparação com colmatação da lacuna e refechamento das juntas em toda a muralha sul, revisão da cobertura, reparação da fechadura e caixilharia de exteriores.
    2011: intervenção de conservação e restauro.




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