Fort of Santiago da Barra

Viana do Castelo, Viana do Castelo - Portugal

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O "Forte de Santiago da Barra", também referido como "Castelo de Viana", localiza-se na freguesia de União das Freguesias de Viana do Castelo (Santa Maria Maior e Monserrate) e Meadela, na cidade, concelho e distrito de Viana do Castelo, em Portugal.

Juntamente com as fortificações de Caminha, Valença e Monção, é uma das quatro grandes fortalezas em que assentava a defesa do Noroeste português, a qual era complementada por uma rede pequenos fortes.

Em posição dominante na margem direita da barra do rio Lima, tinha a função de defesa do ancoradouro e povoação de Viana da Foz, atual Viana do Castelo.

História

O castelo medieval

Visando a defesa e o desenvolvimento daquele trecho do litoral, pelo fomento à atividade pesqueira e mercantil, Afonso III de Portugal (1248-1279) fundou a vila de Viana, outorgando-lhe carta de foral em 1258, onde afirmava: "Quero fazer uma povoação no lugar que se chama Atrio na foz do rio Lima e a esta povoação dou de novo o nome de Viana". Posteriormente, confirmou o foral (1262). Datará deste reinado a primeira fortificação do local, posteriormente reparada e ampliada sob o reinado de Dinis I de Portugal (1279-1325).

Em meados do século XV, Viana constituía-se em um dos principais portos marítimos do país, mantendo comércio com portos da Galiza, da França e da Flandres. Nesse momento, os seus procuradores nas Cortes de Lisboa (1459) queixam-se da pirataria Francesa e Galega, o que levou, acredita-se, à construção de uma fortificação na embocadura do rio, possivelmente constituída por um pano de muralha de planta quadrangular, tendo no meio uma torre – o embrião da Torre da Roqueta.

A Roqueta

Aberto o caminho marítimo para as Índias (1499), e visando a proteção da barra do Lima, por volta de 1502 Manuel I de Portugal (1495-1521) determinou a construção de uma torre abaluartada no campo de Santa Catarina, extremo oeste da vila. O seu modelo seria semelhante ao do Baluarte de Cascais (iniciado em 1498), e anteciparia o da Torre de Belém (em 1515), na defesa da barra do rio Tejo. Possivelmente artilhada com um pedreiro, que lhe teria dado a designação de Torre da Roqueta, esta primitiva estrutura possuía um baluarte voltado para o rio Lima, demolido em campanhas posteriores.

O Forte de Viana

Os imperativos da defesa da barra levaram à necessidade de modernização e ampliação da fortificação. Desse modo, em 1566 o fidalgo Vasco Lourenço Barbudo esteve em Viana para se ordenar a construção de uma fortificação na vila, de modo a defendê-la dos Franceses. Entre maio de 1568 e junho de 1572, por ordem de Sebastião I de Portugal (1554-1578), foi-lhe acrescentada uma cerca externa de planta retangular, cujos estudos preparatórios se haviam iniciado em 1567.

O senado vianês, na sessão camarária de 11 de junho de 1569 deliberou "(...) na entrada desta villa se faça ho forte para defesa porque ho dito forte estava parte dell efeyto". Neste momento veio a Viana o Provedor da Comarca, que aprovou os projetos do forte, e tomou medidas financeiras para a sua conclusão: decidiu-se que a Coroa daria 200 cruzados e o rendimento da imposição da vila e os moradores dariam 3% sobre o valor das mercadorias entradas no porto. Para execução deste projeto foram sacrificados parte do Campo do Crespo de Santa Catarina, a bouça da mesma santa, cinco leiras e toda a lagoa da Botelha. Mediria cerca de 40 por 30 metros e aproveitava a antiga Torre da Roqueta, no cunhal sudeste. Para a abertura dos fossos ao longo da muralha foi utilizada a mão-de-obra dos lavradores do Concelho. Emadeirou-se o quartel, um sino de alarme foi instalado no alto da Roqueta, e numa vara hasteou-se a bandeira da "muy nobre vila de Viana", pintada em sete varas de linho. Entretanto, os procuradores pediram ao soberano o envio de quatro peças grossas de artilharia e duas esferas de metal. Por Despacho de 8 de agosto de 1571 obtiveram uma peça grande de metal e duas de ferro coado.

No ano seguinte (1572) registou-se a conclusão da obra, tendo o juiz de fora, João de Ruão, entregue o primeiro Governo da praça a Baltazar Fagundes, descendente do navegador João Fernandes Fagundes, eleito pela Câmara.

No período que se estendeu de 1574 a 1588, Viana foi atacada com frequência por corsários franceses, ingleses e neerlandeses. Como exemplo, pouco após a sua inauguração, oito barcos franceses foram desviados da barra, do mesmo modo que embarcações inglesas após a vitória sobre a Armada Invencível (1588).

Em 1580 tiveram lugar trabalhos de limpeza nas trincheiras, e iniciam-se os fortes auxiliares de Santa Luzia e de Nossa Senhora da Conceição (hoje desaparecidos).

O Forte de Santiago de Viana

Com o advento da Dinastia Filipina (1580-1640), ao tempo de Filipe II de Espanha (1556-1598), por volta de 1589 o Mestre de Campo Pedro Bermúdez de Santisso foi portador de uma carta com o Selo Real, dirigida ao Senado vianês, informando a necessidade de reforçar o sistema defensivo da fortificação, de acordo com técnicas novas e atualizadas.

O início das obras foi assinalado por missa solene celebrada pelo cónego Gaspar Paes, e pelo som de charamelas e trombetas. As muralhas, de perímetro alargado, passaram a incluir a Capela de Santa Catarina - de devoção dos marítimos - e adquiriram planta pentagonal com baluartes triangulares nos vértices voltados a terra.

Com direção de um dos irmãos Fratin ou mesmo de Tiburzio Spanochi, e sob a orientação, em obra, do Mestre de Campo, D. Pedro Bermúdez de Santisso, as obras tiveram o visto do arquiteto militar Filippo Terzi, que esteve em Viana entre dezembro de 1588 e março de 1589, o qual elaborou, posteriormente, um plano de reforma da fortificação.

Uma vez mais recorreu-se à mão de obra dos camponeses da região para o transporte de pedras e terra. A pedra proveio do lugar da Povoança (depois chamado de Pedreira), no monte de Santa Luzia. Para acelerar o andamento dos trabalhos, e obter a colaboração da Câmara e dos moradores, foi-lhes prometida a isenção da obrigação da aposentadoria.

Em 1593 já se pensava em artilhar a fortificação, que tinha novo governador, o espanhol D. Francisco Bermudes de Castro.

No interior do forte mantém-se o escudo de armas do Mestre de Campo D. Pedro Bermudez de Santisso, sobre cartela onde se indica a data de conclusão das obras - 1596 -, e se lê: "FUNDO I GUARNECEO ESTE CASTILLO EL MAESTRO DE CAMPO D. PEDRO BERMUDES DE SANTISSO".

Entretanto, Filipe III de Espanha (1598-1621), por Alvará de 19 de outubro de 1610 passado em Ventozela, deu plena satisfação à queixa apresentada pelos "homens do mar" de Viana, que viram interdito o seu acesso à Capela de Santa Catarina (agora no interior do forte), fazendo o soberano erguer outra, que subsiste, junto à doca. A capela no interior da fortificação passou para a invocação de São Tiago, padroeiro das Espanhas.

Quando da Restauração da Independência Portuguesa (1 de dezembro de 1640), logo a 19 de dezembro a população da vila acorreu ao forte, cercando-o e impondo a capitulação do seu último governador espanhol, D. Bernardim Polano y Santillana.

No contexto da Guerra da Restauração (1640-1668), recebeu obras de remodelação, conforme placa epigráfica sobre o portão de armas:

"FEZ-SE ESTA OBRA NOS ANOS DE 1652 ATÉ O DE 1654 - GOVERNANDO AS ARMAS DESTA PROVÍNCIA DE ENTRE-DOURO E MINHO, DOM DIOGO DE LIMA [e Brito Nogueira] NONO VISCONDE DE VILA NOVA DE SERVEIRA"

Subsiste ainda o escudo filipino, que passou a ser ladeado por dois escudos de composição plena com as armas de D. Diogo de Lima, sobrepujando a Cruz de Cristo.

Neste último ano (1654) registou-se a construção do baluarte de São Pedro.

No pano da muralha voltada a nascente, no setor sul da fortificação, junto à base de uma das cortinas que dava para uma porta por onde se ia para o forte, uma epigrafia transcrevia os dizeres do Foral Marítimo de 1657:

POR MANDADO DE SUA MAGESTADE, SEJA NOTORIO ÀS EMBARCAÇÕES PORTUGUEZAS, QUE PASSAREM POR ESTA FORTALEZA, QUE NEM À ENTRADA N'ESTE PORTO, NEM À SAÍDA D'ELLE ME DEVEM SALÁRIO, PROPINA, NEM DIREITO ALGUM, NEM A ELLA, NEM ÀS PESSOAS, QUE N'ELLA SERVEM E ÀS EMBARCAÇÕES ESTRANGEIRAS, SEJA NOTÓRIO, QUE POR ENTRADA NÃO ME DEVEM TAMBÉM COUSA ALGUMA E À SAÍDA ANDE PAGAR UM CRUZADO POR CADA EMBARCAÇAM E NENHUMA OUTRA COUSA MAIS. LISBOA XIX DE NOVEMBRO, MDCLVII” (FERREIRA, Pedro Augusto. "Commercio Portuguez", apud PINHO LEAL, p. 337.)

Em 1669 o engenheiro militar Michel de l'Ècole queixou-se de que os oficiais da Câmara Municipal de Viana usavam a pedra que se tinha quebrado nos fossos da fortaleza para a fábrica do cais que então se fazia.

Entre 1686 e 1703, sendo governador da praça D. João de Sousa, executaram-se várias obras, dirigidas inicialmente por Michel de l'Ècole e depois por Manuel Pinto de Vilalobos. Foram erguidos dois revelins, um voltado a leste, a proteger a entrada principal (sobre a entrada deste revelim encontra-se o brasão de armas de D. João de Sousa), e outro a norte, sobre o Campo da Agonia, alguns edifícios no interior, nomeadamente os quartéis para os soldados, os armazéns de armas e munições (paiol) e cavou-se o fosso ao redor das cortinas viradas a terra (flancos norte, nordeste e leste). À época a vila prosperava com a exportação dos vinhos da região do Douro para centros como Dunquerque, Ruão, Veneza, a Inglaterra, a Suécia e até mesmo a Rússia.

Entre 1693 e 1699 o Conselho de Guerra determinou que o engenheiro Vilalobos procedesse a reparações da fortaleza. Data ainda do século XVII uma planta do forte, onde se assinala a cisterna junto à capela, a qual deve ter sido reformada na mesma centúria.

Uma descrição da Comarca de Viana no início do século XVIII, refere:

"Tem na boca da doca da barra uma inexpugnável fortaleza, respeitada das nações estrangeiras, com um letreiro na porta que diz: 'todo o Mundo me temerá e só o tempo me vencerá'. Tem muitas peças de artilharia e um fosso de lodo à roda que sorve tudo o que nele cai." (COSTA, António Carvalho da. "Corografia Portugueza e Descripçam Topografica do Famoso Reyno de Portugal (…)", 1706-1712, vol. I.)

É de autoria de Vilalobos o desenho mais antigo do forte, com data de 5 de novembro de 1713.

Em 11 de dezembro de 1745 a Câmara Municipal autorizou a Confraria dos Militares a estabelecer-se na Capela de São Sebastião.

Uma planta de 1753 localiza na Roqueta a prisão "aspérrima". Indica ainda que a defesa desta fortaleza era reforçada por um cais, de planta em L., "obra velhíssima" e em ruína, que partia da proximidade do baluarte de São Gabriel, onde as águas mansas e bravas, do rio e mar, batiam, registando que, se ele caísse, sentir-se-ia grande prejuízo na barra e deixava inútil a plataforma que tinha no topo.

De acordo com as “Memórias Paroquiais” de 1758, o cónego prior João de Alpoim de Lima relata, em 28 de maio, que a fortaleza e castelo de Santiago podia alojar 3.000 soldados nas suas 10 cortinas e muralhas, tinha "3 fortes revelins", era cercada de trincheiras e fossos, onde podia entrar a água do mar, tinha alojamento para a infantaria e para a cavalaria, com "muitos e bem formados quartéis" e um templo dedicado a São Tiago, com 3 altares e sacrário, para administração dos sacramentos aos seus habitantes; encontrava-se suficientemente guarnecida de artilharia, de bronze e de ferro e, fora do forte, existiam uns quartéis bem feitos em que assistiam os soldados da guarnição da praça.

Data de 25 de março de 1759 um desenho da fortificação, assinado pelo ajudante de Infantaria e Engenheiro da Província do Minho, José Martins da Cruz. Em outro desenho, com data de julho de 1777, de autoria do Capitão engenheiro José Joaquim Champalimaud de Nussane, salienta-se a representação, a tracejado, das passagens abobadadas para a defesa das cortinas entre os baluartes, duas guaritas em balcão no meio das cortinas do campo da Agonia, a capela com adro e, junto desta, um poço.

Em uma lápide sobre a porta do corpo central do edifício oeste da parada, lê-se: “OBRA FEITA / GOVERNANDO AS AR / MAS DESTA PROVIN / CIA O ILM E EX. S.T. GAL / DAVID CALDER / ANO DE 1799". As cavalariças, obra iniciada no tempo de Calder, foram terminadas sob o governo do tenente-general Gonçalo Pereira Caldas.

Um segundo revelim foi erguido em 1793 para facilitar as sortidas sobre o campo da Agonia. No ano seguinte (1794), o Governador de Armas, Pereira Caldas, pretendendo meter água no castelo, mandou romper os seus muros, o que gerou uma reclamação dos pescadores junto à Câmara, por lhe dificultarem ou impedirem a lavagem das redes, já que eles detinham, desde 1502, a posse administrativa da praia fluvial da margem direita do rio, desde Gontim até Santa Catarina, o que lhes foi acedido. No mesmo ano, data de 28 de agosto um desenho da fortificação, de autoria do Capitão Engenheiro Filipe Néri da Silva, representando a construção das casas da guarda junto à porta principal da parada, algumas ampliações no pano norte da capela, vários armazéns na fachada posterior do edifício oeste da parada; não representa as duas guaritas nas cortinas do campo da Agonia; dentro do recinto do paiol, percebe-se ainda a construção de um alpendre

Em 1795 tem lugar a reedificação da fonte do Campo do Castelo da Barra e o encanamento de sua água para o interior da fortificação; o general David Calder foi nomeado governador das Armas da Província do Minho.

Nova campanha de obras foi promovida em 1799, por determinação do general Calder; construção de quartel afastado do forte sob a direção do governador de Armas de Província (hoje desaparecido); ampliação do edifício central que passou a ser o dos armazéns, acrescentando às duas alas paralelas uma terceira; construção da torre do relógio no edifício implantado a sul. Data ainda da passagem do século XVIII para o XIX a construção da casa do Governador no topo oeste do edifício sul da parada.

O século XIX

No contexto da Guerra Peninsular (1808-1814), serviu de acantonamento para uma Companhia de Ordenanças, com a missão de conter um destacamento de tropas napoleónicas sob o comando de Nicolas Jean de Dieu Soult (1809).

Em 1821 registou-se uma nova queixa dos pescadores contra o governador por este querer proibir os pescadores de lavarem e secarem as redes no campo próximo do castelo. No ano seguinte (1822) têm lugar trabalhos de reparação das portas e janelas de alguns edifícios dos quartéis.

No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), foi aberta uma porta de comunicação direta entre o castelo e o fortim da barra (1830). Uma planta deste momento representa já completa a sequência de pequenos armazéns na fachada posterior do edifício das cavalariças oeste, e as próprias cavalariças já estavam ampliadas (novembro de 1830).

No contexto da "Patuleia" (1846-1847), o Regimento de Infantaria n.º 3, não tendo aderido ao movimento, recolheu-se no forte, dando-se depois a sua tomada. Registou-se ainda o episódio da procissão que saiu da Igreja de São Domingos, com a cruz alçada, o clero e o povo entoando cânticos, e que logrou vencer a resistência dos "pata ao léu" (23 de outubro de 1846). Na mesma data, ocorreu o assassinato do tenente Jacinto Mendes de Oliveira (o "Pinotes"), com um tiro certeiro de alguém que estaria entrincheirado na ponte junto à praia do Salva-vidas. O seu corpo, preso a um cavalo, foi arrastado pelas ruas de Viana. Apenas em 1896, à hora da morte, é que "Raite", sacristão das Almas e antigo soldado do Regimento de Infantaria n.º 3, confessou ter sido ele o autor do tiro.

De 28 de fevereiro a 7 de abril de 1847 foi cercado pelas forças da Junta do Porto, sob o comando de Francisco Xavier da Silva Pereira, 1.º conde das Antas, sublevadas contra o regime dos Cabrais. A 7 de abril registou-se a retirada da guarnição e o Comandante da Praça, Francisco Maria Melquíades da Cruz Sobral, dirigiu-se a Lisboa para entregar a Maria II de Portugal (1834-1853) as chaves do forte, gesto de lealdade que a soberana premiou elevando a então vila de Viana da Foz do Lima (na Carta Régia referida como Viana do Minho) à categoria de cidade (20 de janeiro de 1848), passando a chamar-se, para memória dos fatos, Viana do Castelo. Cruz Sobral foi promovido a major por distinção, tendo-lhe sido conferida a condecoração da "Ordem da Torre e Espada" pela soberana.

Em 1876 a Direcção das Obras Públicas entregou ao Diretor do Telégrafo Postal um farolim para montar no interior da fortaleza.

Daqui partiram os contingentes que participaram da Expedição à Índia Portuguesa (1895-1896).

Do século XX aos nossos dias

No início do século XX foram construídas três casernas para albergar os destacamentos militares em trânsito para a I Guerra Mundial.

Entre 1961 e 1966 aqui foram preparados destacamentos para a Guerra do Ultramar (1961-1974). Em fins da década de 1960, o Regimento de Artilharia Ligeira n.º 5 foi transferido para Penafiel.

Encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 47 508, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 20, de 24 de janeiro de 1967. A sua ZEP foi estabelecida por Portaria publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 149, de 27 de junho de 1973.

Em 1977 ainda servia de quartel militar, aproveitando-se o seu terreiro da parada para a realização da "Festa do Traje", durante as festas da Senhora da Agonia. No ano seguinte (1978) regista-se a retirada do seu último destacamento militar, o Batalhão de Caçadores n.º 9. Em dezembro de 1979, encerram-se as suas funções militares e as dependências do forte foram transferidas para o Ministério das Finanças.

Na década de 1980 alguns edifícios foram utilizados como creche e jardim-de-infância pela Santa Casa da Misericórdia. Em 20 de outubro de 1982, um Despacho do Diretor-Geral do Património do Estado autorizou a cessão do forte, a título precário e gratuito, à Comissão Regional de Turismo do Alto Minho, tendo a respectiva escritura sido assinada a 5 de maio de 1983. A Comissão Regional de Turismo, no seu programa de atividades de 1985, propôs a reabilitação e restauro do forte, apresentando em julho, para aprovação, o Relatório Base de aproveitamento do forte para Turismo e Cultura, de autoria do Gabinete de Apoio Técnico do Vale do Lima. Aprovado, no ano seguinte (1986) tiveram início as obras de recuperação e adaptação do forte para instalação da sede da Região de Turismo do Alto Minho, com projeto de arranjos exteriores a cargo dos arquitetos Luís Coutinho Ramos, Luís Faro Viana e Paulo Trindade; a requalificação do espaço público envolvente teve projeto da autoria do arquiteto Paulo Trindade; as obras tiveram financiamento do Plano Integrado de Desenvolvimento Regional do Alto Minho e assistência técnica a cargo do Gabinete de Apoio Técnico do Vale do Lima, constando de:

- desmantelamento de todos os apêndices que descaracterizavam a fortaleza (camaratas existentes no topo norte e sul);

- recuperação de todo o recinto muralhado;

- limpeza do fosso e iluminação monumental;

- restauro da Capela de Santiago e do paiol;

- recuperação da zona envolvente da torre da Roqueta;

- instalação na torre da Roqueta de uma copa interligada por monta-pratos ao piso superior, instalações sanitárias;

- obras de restauro do edifício central, os antigos quartéis de cavalaria, e sua adaptação para instalação, no piso térreo, do centro de congressos, com um auditório, com capacidade para 405 lugares, salas para conferências e exposições, e, no segundo piso, para instalação da sede da Região de Turismo do Alto Minho;

- construção de armazém e instalações sanitárias, sob o terrapleno, de apoio ao complexo, e com o qual comunica por uma galeria envidraçada;

- recuperação do edifício da torre do relógio para Núcleo da Escola de Hotelaria do Norte;

- construção de um corpo a oeste deste edifício para outros serviços da escola;

- melhoria de toda a zona envolvente com estudo paisagístico e ligação do castelo ao plano Estratégico da cidade de Viana (Programa Polis): manutenção das espécies vegetais existentes;

- criação de zonas verdes e organização do trânsito e estacionamento automóvel;
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- construção de uma ciclovia com trajecto e pavimentação definitiva completado no âmbito do "Programa Polis";

- plantação de um exemplar de magnólia branca, no extremo do percurso pedonal;

Ainda em 1986 ali funcionou temporariamente a Escola Superior de Tecnologia e Gestão.

A Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) procedeu a obras de conservação (1990), de beneficiação do paiol (1992-1993), conclusão dos trabalhos de conservação da Torre da Roqueta (2002), conclusão dos trabalhos de pintura das novas instalações e tratamento dos logradouros circundantes do Núcleo Escolar de Hotelaria e Turismo de Viana do Castelo (edifício com torre) (2006-2007).

A 3 de dezembro de 1994 teve lugar a inauguração da nova sede da Região de Turismo do Alto Minho - Costa Verde, instalada no edifício do antigo quartel de cavalaria.

A estátua “Homenagem à mulher Vianesa”, executada pelo escultor vianense Manuel Gonçalves Rocha, constituída por um plinto granítico de 5 metros de altura, encimado por escultura feminina em bronze também com 5 metros de altura, com a carnação feita em folhas de ouro de 24 quilates, foi inaugurada na frente ribeirinha (5 de outubro de 1999).

Após a recuperação do edifício da torre, a sul do pátio de armas, a Escola de Hotelaria e Turismo de Viana do Castelo começou a funcionar (2007).

Atualmente as dependências do Forte de Santiago da Barra compreendem ainda um moderno Centro de Congressos (Centro de Congressos do Castelo de Santiago da Barra), com um auditório e salas equipadas para diversos tipos de eventos. O antigo Paiol e a Capela de Santa Catarina encontram-se requalificados como salas de exposição, destacando-se ainda a entrada do antigo Armazém e a cisterna subterrânea.

Características

Exemplar de arquitetura militar, abaluartado, de enquadramento urbano, marítimo, situada a 4 metros acima do nível do mar.

De planta pentagonal com baluartes triangulares nos vértices voltados a terra, e guaritas de planta circular nos ângulos salientes, caracteriza-se por diversas fases construtivas.

Integrada no ângulo voltado ao rio, a chamada Torre da Roqueta remonta ao século XVI. Apresenta planta retangular, divida internamente em dois pisos, o superior com três salas intercomunicantes cobertas por abóbadas de berço, terminando em terraço com parapeito ameado, com ameias de corpo largo, tendo na face virada a terra três guaritas sobre consolas, duas delas atualmente incompletas, bem como brasão nacional entre esfera armilar e cruz da Ordem de Cristo. Interliga-se à fortaleza por um redente, denominado na documentação por plataforma de São Tiago, que acaba formando um falso baluarte, mas que também deverá possuir fases distintas de construção, já que apenas o ângulo sudeste, de traçado irregular, é percorrido por cordão. É através de um arco rasgado na face interna do redente, contendo um outro mais pequeno, que se acede ao piso inferior da Roqueta, ainda que esta possua outro acesso, ao nível do terraço do redente.

As cortinas que partem da Roqueta, voltadas ao rio e ao oceano, são bastante mais compridas, tendo por isso, a meio, guaritas, concentrando-se as obras de defesa no lado virado a terra, não só pelos baluartes, que têm orelhão direito apenas num dos lados em dois deles e de ambos os lados nos outros, mas também pelo fosso circundante, inundado pela água do mar, e pelos dois revelins, o da porta já do século XVIII e maior que o outro; os baluartes com orelhão – sob a invocação de São Rafael (à direita de quem entra), São Pedro (sobre os estaleiros) e São Filipe (sobre o mar) - apresentam o flanco recuado vazado por amplo arco abatido e são acedidos por poternas em arco de volta perfeita. São ligados entre si pelas casamatas com seus corredores. Sobre a única porta de entrada da praça, existe corpo elevado, dando-lhe maior elevação e domínio, funcionando como cavaleiro. É acedida por uma larga ponte sobre o fosso, conduzindo a um portal de arco de volta perfeita ladeado por pilastras, encimado pelo brasão de armas de D. João de Sousa, governador do forte em 1700, e rematado na cornija pelo escudo de armas de Portugal.

No interior destaca-se o edifício do antigo quartel de cavalaria, primitivamente com duas alas paralelas, e ampliado ao final do século XVIII com uma nova ala, conservando, no entanto, os antigos vãos da frontaria; estes foram mantidos nas obras de reabilitação da década de 1980, as quais uniformizaram a volumetria e o esquema das fachadas, muito alterado com obras realizadas ao longo dos tempos. A norte situa-se a Capela da Santiago, de planta longitudinal, com capela-mor retangular e frontispício terminado em empena, com sineira à direita. Fronteiro a ela situa-se o paiol, de planta quadrangular de um registo, com portal de volta perfeita encimado pelo escudo de Portugal e rematado em empena triangular. Internamente é composto por duas células de armazenamento de diferentes tamanhos, conservando o típico sistema complexo de ventilação por meio de canais a partir das frestas.

A fortaleza era abastecida por uma nascente interna (de chafurdo), que lhe garantia autossuficiência em termos de água potável.

  • Fort of Santiago da Barra

  • Castelo de Viana

  • Fort

  • 1459 (AC)




  • Portugal


  • Restored and Well Conserved

  • National Protection
    Encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 47 508, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 20, de 24 de janeiro de 1967. A sua ZEP foi estabelecida por Portaria publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 149, de 27 de junho de 1973.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Viana do Castelo
    City: Viana do Castelo



  • Lat: 41 -42' 40''N | Lon: 8 50' 18''W




  • 1571: 1 peça antecarga, de alma lisa, grande de metal (bronze) e 2 de ferro coado.
    1706: "muitas" peças de artilharia (antecarga, de alma lisa, de bronze e de ferro, dos diversos calibres)






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