Fort São Francisco Xavier

Porto, Porto - Portugal

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O “Forte de São Francisco Xavier”, também referido como “Castelo do Queijo” e “Fortaleza do Queijo”, localiza-se à Praça de Gonçalves Zarco, na freguesia de Nevogilde, concelho e distrito do Porto, em Portugal.

Sobre o oceano Atlântico e a pouca distância da foz do rio Douro, é conhecido como “do Queijo” por, segundo a tradição, ter sido edificado sobre uma rocha de granito arredondada, e com um formato similar ao de um queijo, o penedo do Queijo.

História

Antecedentes

Afirma-se que o penedo do Queijo foi um lugar de culto sagrado para os Draganes, uma tribo celta que terá chegado à península Ibérica no século VI a.C.

No mesmo local, no século XV terá existido um primitivo forte marítimo.

O Forte do Queijo

No contexto da Guerra da Restauração da independência portuguesa (1640-1668), em 1643 João IV de Portugal (1640-1656) determinou a construção de um novo forte, com traça do engenheiro militar francês Miguel de l'Ècole, às custas da Câmara Municipal do Porto.

Em 1651, os Juízes e vereadores municipais da Câmara do Porto pediram um parecer ao capitão-de-mar-e-guerra António Pires Picão e a mais sete outros capitães de naus e navios, que concluíram que o lugar escolhido não seria o mais apropriado para a fortificação, por não haver naquele trecho - de pedraria e costa brava - livre desembarcadouro, havendo quem preferisse a Pedra da Foz ou a Boca do Caneiro. O engenheiro-mor do reino, frei João Torriano (O.S.B.), foi chamado para dar a sua opinião, vindo assim a ser escolhido o lugar da Pedra do Queijo, aproveitando os alicerces do primitivo forte.

Em 1661 ou 1662, estando as costas do norte do país ameaçadas pela Armada da Galiza, da Marinha Espanhola, tiveram início as obras do forte. (Henrique Duarte de Sousa e Reis. "Apontamentos para a História do Governo Militar do Porto até ao séc. XIX")

Essas datas constam, a primeira, de um auto onde se define o local escolhido para a construção do forte, e, a segunda, de um ofício cujo texto permite depreender que, por essa altura, já as suas obras iam adiantadas. A 18 de junho de 1662, dirigidas por Fernando César de Carvalhais Negreiros - capitão honorário da Armada Real, intendente da Marinha nortenha e provedor da Companhia das Almas do Corpo Santo de Massarelos -, estavam tão adiantadas que, em agosto, já se cogitava da artilharia com que o forte deveria ser dotado.

Em 1707 ou 1708 o seu governador era o tenente de Infantaria Martim Afonso Barreto

No início do século XVIII, entretanto, a 1 de janeiro de 1717, a Câmara do Porto, responsável pela sua manutenção, requereu a sua desativação a João V de Portugal (1706-1750), justificando que o castelo chamado do Queijo era “inútil e supérfluo, que nenhuma utilidade é a dele, pois aquela costa por si se defende" e que apenas servia para fazer uma grande despesa ao cofre da Cidade, no pagamento dos oficiais que se criaram para a assistência do dito Castelo, onde nunca residem, aproveitando-se da conveniência do soldo. O parecer do Conselho de Guerra do soberano, entretanto, indeferiu este requerimento em janeiro de 1721.

Mais tarde, em 1751, foi dotado de Capelão privativo para assistência aos militares ali destacados. Na mesma época, após o terramoto de 1755, nas “Memórias Paroquiais”, o abade Manoel da Silva Pereira, informou que existiam no forte um tenente com patente de capitão, um condestável, um sargento supra, onze artilheiros e um cabo de esquadra, além do destacamento, que não tinha número fixo e só ia de tempos a tempos, pertencente ao regimento do Porto (11 de abril de 1758). Estava artilhado à época com 11 peças de ferro: 9 montadas (6 de calibre 16 e 3 de 6), e mais 2 de calibre 8, desmontadas, além de balas e palamenta.

Em 1762 havia menos uma peça de 6.

Ao alvorecer do século XIX foi considerado ultrapassado, não preenchendo os requisitos para enfrentar um conflito segundo as táticas da época (1804). Efetivamente, quando da Guerra Peninsular (1808-1814) não teve qualquer papel defensivo para a cidade, nomeadamente quando da invasão pelas forças do marechal Nicolas-Jean de Dieu Soult (1809).

No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), quando do episódio do cerco do Porto (1832-1833), esteve ocupado pelas forças absolutistas de Miguel I de Portugal (1828-1834), apesar do bombardeio combinado da artilharia das baterias da Luz e dos navios da esquadra liberal de D. Pedro, 16º duque de Bragança, que bastante castigaram a sua estrutura.

Em 1839 beneficiou de algumas obras de reparação, ano em que foi entregue à guarda de quatro praças da Companhia de Veteranos, com a incumbência de afugentarem o contrabando e os ladrões que ali procuravam guarida.

Durante a Patuleia (1846-1847), foi ocupado pelas tropas da Junta do Porto, e alvejado pela fragata Íris, fiel ao governo de Maria II de Portugal (1826-1828, 1834-1853). Depois da jornada do Lordelo do Ouro, foi abandonado e saqueado pela população, que lhe furtou portas, janelas, tarimbas, madeiramento e mesmo pedras de seus muros.

A legenda de uma planta do forte, datada de agosto de 1860, refere que apresentava ponte levadiça, casa do governador, capela em ruínas, casa para os oficiais militares também arruinada, rampa para subir à esplanada, fosso seco, partes inundadas pelo mar, esplanada interiormente taboleada, quartel para os soldados, contando na altura com quarto e cozinha dos soldados, paiol e grande casa abobadada própria para resguardar os mantimentos e gente armada.

Em 15 de dezembro de 1890 foi entregue à Guarda Fiscal que a conservou até 15 de dezembro de 1910, tendo servido como posto fiscal.

Do século XX aos nossos dias

Com a expansão da malha urbana do porto, a abertura da avenida Boavista alcançou em 1916 os terrenos do forte. A Câmara Municipal solicitou então a posse da fortificação, o que foi indeferido.

Mais tarde, entretanto, a Câmara adquiriu às autoridades militares, por escritura de 23 de janeiro de 1932, os terrenos da esplanada do forte, com uma área total de 51.659m², pelo montante de 259.250$00.

O forte encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto nº 23.684 publicado pelo Diário do Governo, I série, nº 65, de 20 de março de 1934.

No ano de 1938 a Comissão Municipal de Arte e Arqueologia propôs que o forte fosse adaptado a museu. Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), em que Portugal se manteve neutral, em 1942, após as obras de restauro, o forte entrou novamente em fase de abandono, como reportado na imprensa à época. Diante do desenvolvimento do conflito, no ano seguinte (1943), foram instaladas baterias antiaéreas nas imediações do forte, por receio de ataques da Luftwaffe Nazi. Neste momento, como forma de angariar receita para ajudar a pagar as custas de um guarda permanente no forte, as suas portas foram abertas ao público, como miradouro, pelo preço de 1$00. A Junta de Freguesia de Nevogilde solicitou a cedência de algumas dependências do forte para aí instalar a sua sede, o que lhe foi concedido em abril de 1944. Entretanto, no ano seguinte (1945) recebeu ordem de despejo por parte da Direcção Geral da Fazenda Pública, o que provocou a indignação da Câmara Municipal.

Em 1949, ainda ocupado pela Junta de Freguesia, o imóvel foi cedido à Legião Portuguesa, servindo de quartel ao Destacamento n.º 1 da Brigada Naval do Porto, que ali esteve instalado até ao 25 de Abril de 1974. Neste período foram-lhe promovidas obras de reparação e conservação (Legião Portuguesa, 1953), e conclusão das obras de adaptação e beneficiação (Delegação nas Obras de Edifícios de Cadeias, das Guardas Republicana e Fiscal e das Alfândegas, com orientação da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, 1959).

A sua Zona Especial de Protecção (ZEP) foi definida por Portaria publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 99, de 26 de abril de 1961.

A Declaração de Retificação n.º 442/2013, publicada no Diário da República, II Série, n.º 69, de 9 de abril de 2013 retificou a "ZEP do Passeio Marítimo e Avenida de Montevideu coincidente com a do Castelo do Queijo" para "ZEP do Passeio Marítimo e Avenida de Montevideu conjunta com a do Castelo do Queijo".

Atualmente restaurado e em perfeitas condições, desde 1977-1978 encontra-se sob a guarda da Associação de Comandos (Delegação do Norte) que ali mantém um museu histórico-militar e uma programação de eventos culturais e de animação, aberta ao grande público.

Características

Exemplar de arquitetura militar, marítimo, de enquadramento urbano, isolado, na cota de 3 metros acima do nível do mar.

De pequenas dimensões, apresenta planta trapezoidal baseada num triângulo equilátero cujo vértice aponta ao mar, com muralhas em alvenaria de pedra de granito, canhoeiras, e guaritas pentagonais nos vértices, rematadas por cúpulas coroadas por pináculos boleados. A guarita do sudoeste destaca-se por sua insólita configuração, suportada por três robustas mísulas com dispositivo de mata-cães no pavimento.

A porta de armas, em plano reentrante, rasga-se pelo lado de terra, precedida por uma ponte, primitivamente levadiça, em madeira, assente sobre mísulas. Em aparelho rústico, apresenta a forma de arco perfeito, encimado pelas armas de Portugal, e permite o acesso à praça de armas, onde se dispõem a Casa do Comando, quartéis de tropas, paiol e cisterna. Um oratório, sob a invocação de São Francisco Xavier, encontrava-se primitivamente disposto na sala da Casa do Comando. Uma rampa, numa das extremidades da praça, dá acesso à bateria.

No túnel de entrada, lado esquerdo, em placa de bronze, lê-se a seguinte inscrição:

NÃO VOLTAMOS TODOS... / COM LÁGRIMAS QUE SE NÃO VÊEM, / COM O CHORO QUE SE NÃO OUVE, / AQUI ESTAMOS, EM SENTIDO SILENCIOSOS... / COMO ELES, / PRESTANDO-LHES A NOSSA HOMENAGEM. / COMANDO - 9 MARÇO 1985.

Externamente, pelo lado de terra, é cercado por fosso.



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Forte de São Francisco Xavier do Queijo
Website do ARIKAH versando sobre o Forte de São Francisco Xavier do Queijo, que se localiza na freguesia de Nevogilde, no Concelho e Distrito do Porto, em Portugal.

http://www.arikah.net/enciclopedia-portuguese/Forte_de_S%C3%A3o_Franci...
Forte de São Francisco Xavier
Website do Instituto Português do Património Arquitectónico, versando sobre o Forte de São Francisco Xavier, que se localiza na cidade do Porto, Portugal.

http://www.ippar.pt/pls/dippar/pat_pesq_detalhe?code_pass=74496
Fortificações Portuguesas - Distrito do Porto e Distrito de Viseu
Página de blog, do website do Windows Live, versando sobre as fortificações do Distrito do Porto e do Distrito de Viseu, em Portugal. São elas: Fortaleza de São João Baptista da Foz, Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção ou Forte de São João Baptista, Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição, Forte de São Francisco Xavier, Forte de Leça da Palmeira, Castelo de Aguiar de Sousa e Coruto de Castelo de Penalva.

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Contribution

Updated at 20/11/2016 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

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  • Fort São Francisco Xavier

  • Castelo do Queijo, Fortaleza do Queijo

  • Fort

  • 1661 (AC)



  • John IV of Portugal

  • Portugal


  • Restored and Well Conserved

  • National Protection
    Encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 23.684 publicado pelo Diário do Governo, I série, n.º 65, de 20 de março de 1934.
    A sua Zona Especial de Protecção (ZEP) foi definida por Portaria publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 99, de 26 de abril de 1961.
    A Declaração de Retificação n.º 442/2013, publicada no Diário da República, II Série, n.º 69, de 9 de abril de 2013 retificou a "ZEP do Passeio Marítimo e Avenida de Montevideu coincidente com a do Castelo do Queijo" para "ZEP do Passeio Marítimo e Avenida de Montevideu conjunta com a do Castelo do Queijo".





  • Historical military museum

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Porto
    City: Porto



  • Lat: 41 -11' 53''N | Lon: 8 41' 24''W




  • Em 1758 estava artilhado com 11 peças antecarga, de alma lisa, de ferro: 9 montadas (6 de calibre 16 e 3 de 6), e mais 2 de calibre 8, desmontadas, além de balas e palamenta.
    Em 1762 havia menos uma peça de 6.






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