Tower of São Lourenço

Oeiras, Lisboa - Portugal

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A chamada “Torre de São Lourenço”, também referida como “Torre do Bugio” e “Forte de São Lourenço da Cabeça Seca”, localiza-se a meio das águas da foz do estuário do rio Tejo, na freguesia de União das Freguesias de Oeiras e São Julião da Barra, Paço de Arcos e Caxias, concelho de Oeiras, distrito de Lisboa, em Portugal. Inclui na sua estrutura o Farol do Bugio.

Ergue-se sobre um banco de areia formado pelo assoreamento da foz do rio, fruto da dinâmica da confluência de suas águas com as do oceano Atlântico, ao ritmo das marés. Sendo o único da região com a superfície acima da linha de marés durante todo o ano, ficou-lhe a toponímia de cabeço ou cabeça seca. A toponímia bugio pode ser atribuída, entre outras versões, ao francês “bougie” (vela), devido à semelhança da sua estrutura circular e da primitiva torre encimada por farol, como uma vela acesa sobre o seu castiçal. Outra versão sustenta que, como a primitiva estrutura assentava sobre estacas, a toponímia "bugio" deve-se ao fato de, em Portugal, essa palavra designar um tipo de bate-estacas.

História

Antecedentes

A importância da defesa marítima de Lisboa era, desde o reinado de João II de Portugal (1481-1495), uma preocupação efetiva para a Coroa portuguesa. Embora tivesse sido edificado um conjunto de fortificações no perímetro entre Cascais, Caparica e a barra do Tejo em Oeiras até aos primeiros anos do século XVI, este tornou-se insuficiente, pelo que no reinado de João III de Portugal (1521-1557) iniciou-se a construção do Forte de São Julião da Barra, na ponta de São Gião.

Apesar das dimensões e da modernidade estrutural dessa fortificação, a entrada da barra continuava exposta, pelo que, no reinado de Sebastião I de Portugal (1568-1578), o arquiteto Francisco de Holanda, na obra “Da fábrica que falece a cidade de Lisboa” (Lisboa, 1571), sugeriu a construção de um baluarte no areal da Cabeça Seca, fronteiro a São Julião, com o objetivo dotar a entrada do rio com o cruzamento de fogos de ambas as fortificações.

O soberano encarregou, em 1578, D. Manuel de Almada de erguer essa estrutura. Diante da crise sucessória que se instalou com a morte de D. Sebastião na batalha de Alcácer-Quibir (4 de agosto de 1578) e diante da possibilidade de um ataque a Lisboa por uma armada de Filipe II de Espanha (1556-1598), optou-se por erguer uma estrutura de campanha de pequenas dimensões sobre grossa estacaria de madeira, que entulhada com pedras, serviu de alicerce para uma plataforma com algumas peças de artilharia. Rendida sem dificuldade pela armada espanhola em 1580, foi posteriormente desartilhada. A fragilidade do material, entretanto, aliada à instabilidade do banco de areia e à ação das correntes e das marés, em pouco tempo comprometeu irremediavelmente a sua estrutura.

O início das obras: Giovanni Casale

À época da Dinastia Filipina (1580-1640), Filipe II de Espanha (1580-1598) contratou o arquiteto militar italiano frei Giovanni Vicenzo Casale (O.S.M.) incumbindo-o de um estudo para melhorar o sistema defensivo da barra de Lisboa (1586), então sob ameaça de corsários ingleses e neerlandeses. Foi empreendido um novo projeto de defesa e fortificação da barra do Tejo que, numa primeira fase correspondeu a obras de ampliação na Fortaleza de São Julião da Barra e à construção do Forte de Nossa Senhora da Luz, em Cascais. Depois da conclusão destes empreendimentos iniciou-se uma segunda fase construtiva, que estendia a "rede" de fortalezas da barra da capital ao Estoril e à Cabeça Seca.

Em dezembro 1589 o soberano incumbiu Casale de traçar a planta do forte da Cabeça Seca. Em janeiro de 1590 Casale apresentou o projeto, que contemplava as obras de engenharia necessárias à implantação da fortificação no ilhéu de areia fronteiro a São Julião da Barra, com duas planimetrias distintas: uma estrelada (atendendo a uma sugestão de André de Prade, na Corte de Madrid) e outra circular (inspirada no Castel Sant'Angelo em Roma, na Itália). A opção foi por esta última, mais sólida diante da dinâmica das águas e que permitia um melhor posicionamento da artilharia. Nesse mesmo ano expediu-se ordem para se proceder ao desenho das "barcas e machinas" necessárias para o transporte e lançamento das pedras que serviriam de fundamentos debaixo de água, tarefa concluída em 1593, como reportado por Casale ao soberano.

Mediante o falecimento de Casale em Lisboa (1593), foram nomeados para dirigir as obras dois discípulos seus, Tibúrcio Spannochi e Anton Coll, sob a justificativa de que ambos eram conhecedores do “modo de fabricar y manejar los instrumentos” e para que a “traça començada” não fosse alterada. Para a preparação dos blocos de pedra utilizada na fundação e nas muralhas, foi erguido um canteiro de obras em terra, vizinho a São Julião da Barra (também em obras à época), que ficou conhecido como “Feitoria das Obras da Cabeça Seca” ou simplesmente “Feitoria d'El-Rei”, conforme referência de João Vaz, Juiz Ordinário e dos Órfãos do reguengo de A-Par-de-Oeiras (1596). A mesma fonte dá conta de que a cantaria pronta era transportada para as obras do forte por trinta mestres de barcas (ver Bateria da Feitoria).

O desenvolvimento das obras: Leonardo Torrianni

A partir de 1598 a direção da obra foi assumida pelo engenheiro militar e arquiteto cremonense Leonardo Torriani, nomeado Engenheiro-mor do Reino, e como encarregado dela, Gaspar Rodrigues (Gaspar Roiz). A partir de então o projeto entrou numa nova fase, dadas as alterações que Torriani lhe introduziu, ampliando-a.

Em 1601 estava finalizada a colocação das pedras das bases.

Embora Torriani tivesse apresentado um projeto oval para a fortificação, Rodrigues deu início à edificação do forte segundo a planta de Casale. No entanto, foram introduzidas algumas modificações na estrutura, como por exemplo o alargamento do diâmetro, para melhorar a operacionalidade do forte, e modificações no edifício central da praça de armas, com o objetivo de reduzir os gastos e o tempo de edificação, que se arrastava há vários anos.

Entre os problemas vivenciados à época, cita-se uma dúvida sobre o fundo da barra: provavelmente devido a problemas com o transporte das pedras. Desse modo, em 1607 foram feitas sondagens na Barra, “por cinco engenheiros que foram presentes e por outras pessoas práticas e pilotos” que atestaram que esta estava boa e capaz de poderem entrar por ela as naus vindas da Índia. No ano seguinte (1608) os pilotos da barra da Cascais declararam sob “juramento dos Santos Evangelhos”, que sondaram e mediram a barra, e que ela se encontrava em boas condições para a entrada de naus vindas da Índia.

A conclusão das obras: João Torriano

Quando da Restauração da Independência portuguesa (1 de dezembro de 1640), ainda em obras mas já guarnecida e artilhada, o seu Governador espanhol, João Carrilho Rótulo, rendeu-se às forças do duque de Bragança (2 de dezembro de 1640). Assumindo o trono como João IV de Portugal (1640-1656), por Decreto Real este determinou que as obras fossem concluídas e que um engenheiro português assumisse os trabalhos (1643), conforme placa epigráfica de bronze primitivamente sobre o portão do forte (hoje no polo museológico da Direcção de Faróis, em Paço de Arcos) que reza:

"O MVITO ALTO E MVITO PODEROSO REI DE PORTUGAL D. IOAO 4 DE GLORIOZA MEMORIA MANDOV FAZER ESTA FORTALEZA A ORDEM DO CONDE DE CANTANHEDE D. ANTONIO LUIS DE MENEZES DOS SEUS CONSELHOS DE ESTADO E GVERRA VEADOR DA FAZENDA E GOVERNADOR DAS ARMAS DE CASCAIS QUE COMESSOV NO ANNO DE 1643"

Iniciou-se assim uma nova etapa construtiva, sob a supervisão do Governador das Armas da Praça de Cascais, D. António Luís de Meneses (1642-1675), 3° conde de Cantanhede, tendo como encarregado o frei João Torriano (O.S.B.), assistido por Mateus do Couto, até serem dadas como concluídas em 1657. Torriano redesenhou a planta do forte, visando um maior poder defensivo, bem como um aumento da operacionalidade.

No final do século XVII, um Decreto estipulou que esta fortificação passaria a ter comando separado do Forte de São Julião da Barra, ao qual até então se subordinava (1675). Neste período terá servido como prisão (1679).

No ano de 1681, a guarnição do Bugio, era assim constituída:

1 governador

1 tenente

1 sargento vivo (vitalício)

1 sargento supra (auxiliar)

1 tambor

2 capelães

1 almoxarife

1 escrivão de almoxarife

3 cabos-de-esquadra

30 soldados

1 barbeiro

1 condestável de artilharia

12 artilheiros.

O Farol do Bugio

Em planta datada de 1693 já se encontra figurada uma torre encimada por um farol. O relatório de inspeção efetuada em 1751 ao farol, mostra que o mesmo operava com azeite, no período de outubro a março, e que se encontrava em razoáveis condições. Esta estrutura, destruída pelo terramoto de 1755, foi reedificada como um dos seis faróis erguidos na costa portuguesa para auxílio à navegação, conforme determinação de um Alvará do Marquês de Pombal datado de 1758. O novo farol entrou em funcionamento em 1775.

Do século XIX ao XXI

Quando da eclosão da Guerra Peninsular (1808-1814), já estava ocupada pelas tropas napoleônicas (1807). O coronel Vincent, comandante da Engenharia das tropas de Jean-Andoche Junot, considerava o Bugio uma fortificação inadequada à defesa marítima de Lisboa, "(…) um fraco obstáculo contra o inimigo que, com vento favorável, tentasse forçar a passagem da barra".

Essa visão foi confirmada quando, no contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828–1834), o Bugio foi alvo do fogo da artilharia da esquadra francesa que, sob o comando do almirante Albin Roussin, forçou a barra do Tejo (11 de julho de 1831), indo ancorar no porto de Lisboa, onde apresou 8 navios e impôs a Miguel I de Portugal (1828-1834) as condições humilhantes do Tratado de 14 de julho de 1831. Datam desta fase alguns projetos de alterações que não chegaram a ser implementados. Ao final do século XIX foi classificada como Praça de Guerra de 2.ª Classe, ocasião em que se encontrava artilhada com 18 peças de bronze e 2 obuses (1880).

No alvorecer do século XX, entre 1902 e 1903 o capitão de engenheiros Augusto Vieira da Silva, procedeu-lhe reformas na cisterna e iniciou a construção de estruturas para acesso de carga que não chegaram a ser concluídas. Encontrava-se guarnecida por artilheiros ainda em 1911. Nas décadas de 1930 e de 1940 foram procedidos trabalhos de dragagem no seu entorno. Ao término da Segunda Guerra Mundial, sem valor defensivo, foi entregue pelo Ministério da Guerra à Direcção dos Serviços de Faróis do Ministério da Marinha (1945).

Encontra-se classificada como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 41.191, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 162, de 18 de julho de 1957.

Severamente danificado pelo tempo e pela erosão das águas, a partir da década de 1950 sofreu diversas intervenções de consolidação, reparos e conservação sob a responsabilidade da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) e da Direcção dos Serviços de Construção e Conservação (DSCC) (1952, 1954, 1958-63, 1980 e 1982), da APL (1969) e mais recentemente, uma vez mais pela DGEMN (1993, 1995, 1996-2000).

Atualmente é utilizada como farol de apoio à navegação.

Características

Considerada modelo de fortificação renascentista, apresenta planta no formato circular perfeito, em alvenaria de pedra. É composta por:

- muralha externa com alambor (base circular, com 62 metros de diâmetro por 6 metros de altura), rasgada por porta em arco de asa de cesto precedida por alguns degraus de acesso;

- muralha interna (formato circular, com 33 metros de diâmetro por 7 metros de altura). Aqui se inscrevem as dependências de serviço (21 compartimentos). O terrapleno é lajeado, com baterias tendo, a espaços regulares, quatro guaritas, de planta circular com cúpula esférica.

- torre central (formato circular, com 3 metros de diâmetro por 16 metros de altura), dividida internamente em dois pisos separados por moldura, com porta em arco de asa de cesto. No topo da torre se encontra instalado o moderno farol.

As dependências de serviço são constituídas pela Casa de Comando, quartéis, paiol, depósitos, cisterna e Capela. Nesta última, sob a invocação de São Lourenço, destaca-se um retábulo-mor em estilo maneirista com embrechados de mármore, tendo as paredes e o teto forrados em madeira pintada.

O Forte do Bugio, inspirado no Castel Sant'Angelo em Roma, na Itália, por sua vez serviu de modelo para o Forte de São Marcelo em sítio semelhante, na cidade do Salvador na Bahia de Todos os Santos, Brasil, cuja traça se deve ao Engenheiro-mor Francisco de Frias da Mesquita (desde 1603), em 1622.

Bibliografia

VEIGA, Carlos Margaça. A Herança Filipina em Portugal. Lisboa: CTT, 2005.



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Related links 

Fortificações Marítimas de Oeiras
Website versando sobre as Fortificações Marítimas de Oeiras, na entrada da barra do Tejo, em Oeiras, Portugal.

http://www.tintazul.com.pt/castelos/lsb/oer/fort-maritimas.html
Forte de São Lourenço do Bugio
Website Castelos de Portugal, versando sobre o Forte de São Lourenço do Bugio, que se localiza na estrada da Barra do Rio Tejo, em Oeiras.

http://www.tintazul.com.pt/castelos/lsb/oer/bugio.html
Forte de São Lourenço do Bugio
Website do IPPAR (Instituto Português do Património Arquitectónico), versando sobre o Forte de São Lourenço do Bugio, que se localiza na estrada da Barra do Rio Tejo, em Oeiras.

http://www.ippar.pt/pls/dippar/pat_pesq_detalhe?code_pass=72323
Fortificações de Oeiras
Website do município de Oeiras, Portugal, versando sobre as seguintes fortificações localizadas nesta localidade: Forte de São Julião da Barra, Forte de Catalazete, Forte de São João das Maias, Forte de Nossa Senhora de Porto Salvo (Forte da Giribita), Forte de São Bruno e Forte do Bugio.

http://www.cm-oeiras.pt/voeiras/Turismo/OndeIr/Paginas/ArquitecturaMil...

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Contribution

Updated at 15/06/2017 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: (1), Carlos Luís M. C. da Cruz (5).


  • Tower of São Lourenço

  • Torre do Bugio, Forte de São Lourenço da Cabeça Seca,

  • Fort

  • 1586 (AC)

  • 1636 (AC)

  • Tiburzio Spannocchi


  • Portugal


  • Restored and Well Conserved

  • National Protection
    Encontra-se classificada como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 41.191, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 162, de 18 de julho de 1957.





  • Federal Public Organ

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Lisboa
    City: Oeiras



  • Lat: 38 -40' 23''N | Lon: 9 17' 57''W




  • 1880: 18 peças antecarga, de alma lisa, de bronze, e 2 obuses.






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