Praça-forte de Campo Maior

Campo Maior, Portalegre - Portugal

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A “Praça-forte de Campo Maior" localiza-se na freguesia de São João Baptista, povoação e concelho de Campo Maior, distrito de Portalegre, em Portugal.

Localizada na raia alentejana constitui-se na segunda mais importante fortificação do distrito, após a vizinha Praça-forte de Elvas.

História

Antecedentes

A primitiva ocupação humana do seu sítio remonta a povos Galo-Celtas, sucedidos por Romanos, Visigodos e Muçulmanos.

À época da Reconquista cristã foi conquistada por cavaleiros da família Pérez de Badajoz em 1219, que posteriormente ofereceram a aldeia, pertencente ao concelho de Badajoz, à Igreja de Santa Maria do Castelo.

Afonso X de Leão e Castela elevou-a à categoria de vila (31 de maio de 1255).

O primeiro foral de Campo Maior data de 1260, outorgado pelo seu senhor, o então bispo da Diocese de Badajoz, D. Frei Pedro Pérez, com um brasão de armas onde constava a figura de Nossa Senhora com um cordeiro, e o lema: "Sigillum Capituli Pacensis".

O castelo medieval

A vila foi conquistada por forças portuguesas entre 1295 e 1296. Só seria, entretanto, incorporada definitivamente aos domínios de Dinis I de Portugal (1279-1325), juntamente com Olivença e Ouguela, em virtude do Tratado de Alcanizes (31 de maio de 1297), assinado com Fernando IV de Leão e Castela.

Na posse portuguesa, Campo Maior pertenceu sucessivamente a D. Branca, irmã de D. Dinis (1301), a D. Afonso Sanches, filho natural do monarca (1312), e ao próprio monarca (1318). Para incrementar o seu povoamento e assegurar-lhe a defesa, o soberano concedeu-lhe carta de foral e determinou a reconstrução do seu castelo (1310).

No contexto da crise de sucessão de 1383-1385, o alcaide do castelo tomou partido por Beatriz de Portugal, levando a que as forças de João I de Portugal (1385-1433) sob o comando de D. Nuno Álvares Pereira lhe impusessem um cerco de mais de um mês e meio, tendo-a ocupado pela força em fins de 1388.

Diante do crescimento da povoação e da sua importância estratégica sobre a raia, João II de Portugal (1481-1495) ampliou-lhe as defesas, fazendo erguer uma nova cerca envolvente que inscrevia toda a vila dentro das muralhas. Este soberano concedeu-lhe ainda novo brasão de armas: um escudo branco, tendo as armas de Portugal de um lado, e de outro S. João Baptista, patrono da vila.

Esses trabalhos prosseguiam sob o reinado de Manuel I de Portugal (1495-1521), quando foi figurada por Duarte de Armas no "Livro das Fortalezas" (c. 1509), em duas vistas (fls. 27 e 28, ANTT) e uma planta (fl. 124). Em 1512, o monarca concedeu-lhe o Foral Novo.

Desde os fins do século XV, muitos dos perseguidos pela Inquisição em Castela refugiaram-se em Portugal, tendo a população de Campo Maior aumentado substancialmente à custa da fixação de residência de muitos desses fugitivos. A comunidade judaica era tão numerosa na vila no século XVI, que nas listas dos apresentados em autos de fé realizados em Évora pela Inquisição, Campo Maior aparece entre as terras do Alentejo com maior número de acusados de judaísmo.

Da Guerra da Restauração aos nossos dias

No contexto da Guerra da Restauração (1640-1668) foi criado um Conselho de Guerra e o reino dividido em províncias militares: Minho, Trás-os-Montes, Beira, Estremadura, Alentejo e Algarve. Complementarmente era imperioso o reforço das defesas das fronteiras do reino, adaptando-se as antigas fortificações medievais aos tiros da artilharia. Os trabalhos em Campo Maior, a partir de 1644 ficaram a cargo do francês Nicolau de Langres, Engenheiro-mor das fortificações do Alentejo. Sob a sua orientação a vila passou a ser envolvida por novas linhas de muralhas, cercadas por campos limpos de árvores e de casas. Dez baluartes complementavam a defesa (Príncipe, Fonte do Concelho, São Francisco, Santa Rosa, Praça Baixa, Boavista, São Sebastião, Curral dos Coelhos, Santa Cruz e São João), acrescidos de revelins, meias-luas, contraescarpas. Essa defesa era complementada pelo Forte do Cachimbo e o Forte de São João, ambos demolidos no reinado de João V de Portugal por razões estratégicas. Por carta de 14 de maio de 1647 Langres solicitou materiais para continuar as obras da praça, bem como as armas necessárias para a defesa da mesma.

Calcula-se que na segunda metade do século XVII, em cada quatro pessoas residentes na vila, uma era militar. Campo Maior foi, durante algum tempo quartel principal das tropas mercenárias neerlandesas destacadas para o Alentejo. A vila tornou-se, à época, o mais importante centro militar do Alentejo, depois de Elvas.

Em 1662, registam-se obras nas muralhas, conduzidas por Luís Serrão Pimentel. Mais tarde, em 22 de maio de 1680, D. Pedro, na qualidade de regente, enviou a Campo Maior uma comissão composta por Mateus do Couto, D. Diogo Pardo e António Rodrigues para verificarem as obras e os planos de Luís Serrão Pimentel em Campo Maior.

No contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714), em 1712 a Praça-forte de Campo Maior viu-se cercada por um grande exército espanhol sob o comando do marquês de Bay. Durante 36 dias o fogo da artilharia inimiga causou severos danos às defesas da praça, logrando abrir uma brecha no baluarte de São João, onde a resistência foi heroica, contendo o assalto inimigo.

Poucos anos mais tarde, em 16 de setembro de 1732, por volta das três horas da madrugada, durante uma violenta tempestade, a queda de um raio sobre a antiga Torre de Menagem, que abrigava o paiol da fortaleza, causou a sua explosão. O paiol estocava, naquele momento, seis mil arrobas de pólvora e cinco mil munições. À violenta explosão seguiu-se um vasto incêndio, que além da morte e ferimentos a 1.300 moradores (cerca de um terço da população da vila), consumiu mais da metade das habitações da vila, arrasando não só o castelo como a antiga cerca tardo-medieval. João V de Portugal (1705-1750) determinou a rápida reconstrução das defesas: um novo armazém de pólvora foi erguido (1735) com traça de Manuel de Azevedo Fortes; Diogo Lopes de Sepúlveda foi agraciado com o posto de sargento-mor (2 de julho de 1736) em agradecimento pela sua ação na reconstrução da praça.

No contexto da chamada "Guerra das Laranjas" (1801), a praça foi cercada por tropas espanholas sob o comando de D. Manuel de Godoy, vindo a cair com honras militares após 18 dias.

Posteriormente, registou-se na vila um levante popular contra as tropas napoleónicas (1808). A sublevação saiu vitoriosa devido ao apoio do exército de Badajoz, que permaneceu na vila durante cerca de três anos. Pouco depois, em 1811 uma nova invasão francesa manteve um cerco cerrado durante um mês (13 dias?) à vila, obrigando-a a capitular. Mas a sua resistência deu tempo a que, quatro dias mais tarde chegassem os reforços luso-britânicos sob o comando de Beresford, que colocou os franceses em debandada, durante o Combate de Campo Maior, tendo então a vila ganho o título de “Vila Leal e Valorosa”, presente no atual brasão da vila. Como recompensa, Beresford recebeu o título de marquês de Campo-Maior.

As lutas entre liberais e absolutistas em Campo Maior, durante a Guerra Civil Portuguesa (1828-1834) também foram dignas de nota.

O castelo encontra-se classificado como Monumento Nacional por Decreto de 15 de março de 1911, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 63, de 18 de março.

Na primeira metade da década de 1940 a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) iniciou obras de consolidação e restauro do conjunto, caracterizadas por trabalhos de reconstrução (1943 a 1945). Uma segunda etapa de obras foi iniciada na segunda metade da década de 1960, estendendo-se até ao início da década de 1970, marcada por intervenções nas muralhas do castelo e na Capela de Nossa Senhora dos Aflitos. Uma terceira etapa teve lugar na década de 1980, passando o monumento para a afetação do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR), pelo Decreto-lei 106F/92, publicado no Diário da República, I Série A, n.º 126.

Em janeiro de 2010 registou-se a derrocada parcial das muralhas do castelo devido ao mau tempo ocorrido na região.

Características

Exemplar de arquitetura militar, medieval e moderna, de implantação urbana, a leste da povoação, no alto do outeiro de Santa Vitória, na cota de 299 metros acima do nível do mar. Tanto o castelo como a cerca tardo-medieval estão orientados para o território espanhol, fazendo parte de uma primeira linha de defesa do Alentejo, a par dos castelos de Ouguela, Elvas, Olivença e Juromenha.

As muralhas do castelo, ameadas, foram confecionadas em alvenaria de pedra em fiadas, argamassas com cal, identificando-se alguns jorramentos e cunhais de silharia. O seu topo é percorrido em toda a volta por um adarve e eram reforçadas, originalmente, por seis torres de planta retangular, também ameadas, das quais restam hoje, apenas duas. Tanto as ameias das muralhas, quanto as das torres, apresentam terminação tronco-piramidal com arredondamento no topo. As torres apresentam, em seu interior, sala com teto abobadado ao nível do adarve; a torre a norte ostenta uma janela em estilo renascentista.

A cerca da vila, a sul, apresenta planta no formato trapezoidal, reforçada com sete torreões: seis de planta retangular e uma octogonal, a nordeste, defendendo o portão de entrada. As muralhas apresentam-se rebaixadas, assim como as torres, permitindo o tiro à barbeta das canhoneiras. Apenas uma das torres, a sudoeste, junto a uma das portas falsas, apresenta ameias; no setor sudeste, destaca-se a Capela do(a) Senhor(a) dos Aflitos.

A fortificação abaluartada apresenta planta no formato de um polígono irregular de 10 lados com alguns troços de cortina desaparecidos. Flanqueando as cortinas e partindo do setor sul e no sentido dos ponteiros do relógio, erguem-se: baluarte da Boa Vista, meio baluarte de São Sebastião, Portas da Vila, meio baluarte de Lisboa, meio baluarte do Curral dos Coelhos, baluarte de Santa Cruz, baluarte do Cavaleiro ou de São João, meio baluarte do Príncipe, baluarte da Fonte do Concelho, meio baluarte de São Francisco, meio baluarte de Santa Rosa e poterna. O conjunto ainda possui o fosso e a contraescarpa em boa parte da sua extensão, nomeadamente de sul e nordeste, bem como 4 revelins. O fosso é notável, uma vez que se trata do único exemplar de fosso aquático construído no país, tendo, no projeto, três ribeiras que confluíam para a sua alimentação.

Em seu interior inúmeros edifícios militares têm hoje ocupação civil, conservando a traça original (armazéns, quartéis, cavalariças, habitações, etc.).



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Castelo de Campo-Maior
Website Lifecooler, versando sobre o Castelo de Campo-Maior, que se localiza na cidade de Campo Maior, Portugal.

http://www.lifecooler.com/edicoes/lifecooler/desenvRegArtigo.asp?reg=3...
Castelo de Campo Maior
Página com fotos e informações sobre o castelo no website da Câmara Municipal de Campo Maior.

http://www.cm-campo-maior.pt/pt/component/content/article/134-informac...
Castelo de Campo Maior
Artigo de Apoio na Infopédia, da Porto Editora, sobre a fortificação.

https://www.infopedia.pt/$castelo-de-campo-maior

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Contribution

Updated at 26/05/2018 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

With the contribution of contents by: Ion Cibotari.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (4).


  • Praça-forte de Campo Maior


  • Fortified City

  • 1310 (AC)




  • Portugal


  • Featureless and Semiconserved

  • National Protection
    O castelo encontra-se classificado como Monumento Nacional por Decreto de 15 de março de 1911, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 63, de 18 de março.



  • +351 266 769 800 (DRE) / +351

  • dre.ippar@ippar.pt

  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Portalegre
    City: Campo Maior



  • Lat: 39 -1' 16''N | Lon: 7 4' 14''W



  • Visitação do castelo:
    De Terça a Domingo: das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 17h00.
    Encerra à segunda-feira e terça-feira de manhã
    Encerrado nos feriados de 1 de janeiro, Domingo de Páscoa, 1 de maio e 25 de dezembro.








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