Praça-forte de Valença

Valença, Viana do Castelo - Portugal

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A “Praça-forte de Valença” localiza-se na freguesia de União das Freguesias de Valença, Cristelo Covo e Arãoconcelho de Valença, distrito de Viana do Castelo, em Portugal.

No extremo norte do país, em posição dominante sobre a margem esquerda do rio Minho, fronteira a Tui, na Galiza, controlava o principal ponto de travessia daquele rio.

Juntamente com as fortalezas de Viana do Castelo, Caminha e Monção, constituiu-se numa das quatro grandes fortificações em que assentava a defesa do noroeste do país, a qual era complementada por pequenos fortes, como o de São Vicente, o da Feitoria Velha e outros, erguidos nas imediações de Valença.

É a praça mais importante no género à época em Portugal, caracterizando-se, segundo o historiador da Arte Rafael Moreira, por uma planta sofisticada com impressionante sobreposição de recintos fortificados e obras defensivas ao longo da encosta, de modo a tirar o máximo proveito das condições topográficas. A sua imponência e magnificência não estarão certamente alheias à sua implantação frente a Espanha, constituindo uma "verdadeira vitrina dos recursos bélicos do País".

História

Antecedentes

Acredita-se que a primitiva ocupação de seu sítio remonte à invasão romana da península Ibérica, quando aqui pode ter existido um "oppidum", uma vez que no local se fazia a travessia do rio Minho, na estrada que ligava “Bracara Augusta” (Braga) a “Luco Augusto” (Lugo).

O castelo medieval

Sancho I de Portugal (1185-1211) coutou a povoação – então denominada Contrasta - e entregou-a a Paio Carramundo, com a obrigação de a povoar e organizar. Face à política expansionista do bispo da Diocese de Tui e do Mosteiro de Ganfei, esta fundação inseriu-se no processo de reconhecimento da autoridade régia no Alto Minho, que norteou grande parte da política real durante a primeira dinastia.

De imediato foi iniciado um reduto para a defesa do núcleo nascente, conquistado e arrasado quando da investida de Afonso IX de Leão e da Galiza (1188-1230) em 1212. À época, a população foi transferida para Sortelha. Em 1213, restabelecida a paz, as povoações conquistadas foram devolvidas a Afonso II de Portugal (1211-1223). Este soberano concedeu carta de foral a Contrasta, alçando a povoação à categoria de vila (11 de agosto de 1217), período em que se acredita que as suas muralhas estivessem concluídas. De acordo com Carlos Ferreira de Almeida estas teriam as dimensões de 300 metros de extensão por 70 metros de largo.

Sob Afonso III de Portugal (1248-1279) as "Inquirições" de 1258 relativas a São Pedro da Torre referem as ajudas prestadas na edificação dos muros e do fosso de Contrasta. Este soberano confirmou o foral da vila (11 de agosto de 1262), mudando o nome de Contrasta ("a que fica em frente") para Valença ("a valente") e mandando renovar e ampliar a cerca existente.

Sob o reinado de Dinis I de Portugal (1279-1325) registaram-se trabalhos de remodelação nas suas defesas.

No contexto da crise de sucessão de 1383-1385, o alcaide de Valença tomou o partido por Beatriz de Portugal, levando a que a vila viesse a ser assediada e submetida pelas forças de João I de Portugal (1585-1433). Este soberano, posteriormente, partiria de surpresa de Valença para conquistar temporariamente Tui.

Sob Afonso V de Portugal (1438-1481), terá recebido algumas obras. Este soberano fez ainda várias concessões e privilégios aos moradores, como o da isenção de dois terços dos homens válidos de participar nos fossados (serviços militares destinados a talar território inimigo).

Sob o reinado de Manuel I de Portugal (1495-1521) em 1502 este mandou reparar a muralha. Neste período, a povoação e o castelo sobranceiros ao rio Minho e face à também fortificada Tui, encontram-se figurados por Duarte de Armas no seu “Livro das Fortalezas” (c. 1509) em dois desenhos, onde se observam a vila cintada de muralhas, a torre de menagem e outras torres, defesa complementada por barbacãs e uma couraça, elementos que revelam a sua importância no período de transição para a pirobalística. As muralhas e torres apresentavam muitos estragos, desenhando-se já a Fonte da Vila.

Em 1542 registou-se a nomeação do escrivão das obras dos muros e fortaleza.

A fortaleza seiscentista

No século XVII registou-se a intervenção nas muralhas por Sebastião Pereira de Frias.

No contexto da Guerra da Restauração da independência de Portugal (1640-1668), a posição lindeira de Valença readquiriu importância estratégica. Já em 1643 registou-se uma tentativa, frustrada, de tomada da praça pelos espanhóis. Uma segunda tentativa teve lugar em 1657, por tropas espanholas sob o comando de D. Vicente de Gonzaga, tendo a guarnição, sob o comando do capitão António de Abreu, resistido. O então Governador das Armas da Província, D. Álvaro de Abranches, enviou socorro à praça, que desse modo resistiu a um novo ataque. Neste momento, entre 1657 e 1658, ter-se-ão aberto trincheiras, formando um reduto no outeiro do Bom Jesus, pelas forças de D. João Rodrigues de Vasconcelos e Sousa, 2.º conde de Castelo Melhor.

Na década de 1660, o engenheiro militar francês Michel de l'Ècole desenhou uma planta para a fortificação da praça obedecendo aos planos do conde do Prado, limitando-se inicialmente a envolver o aglomerado urbano e sua respectiva muralha medieval.

Em 1662 as forças comandada pelo Mestre de Campo General D. Baltasar de Rojas y Pantoja conseguiram conquistar Valença após dois assaltos. Por volta deste período (1662), sendo Governador das Armas da Província de Entre Douro e Minho, D. Diogo de Lima Brito e Nogueira, 9.º visconde de Vila Nova de Cerveira, deu-se início às obras da Coroada.

Em 1683 l'Ècole enviou ao Conselho de Guerra uma planta da praça com o reduto da Coroada a erguer no outeiro do Bom Jesus, que substituísse a obra córnea de terra. O engenheiro militar Manuel Pinto de Vilalobos fez uma cópia dessa planta de l'Ècole.

Em 24 de setembro de 1691 o padre João Duarte e o engenheiro Francisco Pimentel e João Rodrigues (Roiz) Mouro respondem que como Miguel de l’École era "tão prático e excelente engenheiro" que não tinha nada que emendar e reparar, mas seguir o seu desenho, portanto, Miguel Vilalobos dirigiu a construção da Coroada segundo planta de l’Ècole. Em 1693 introduziu-se uma tenalha e multiplicaram-se as obras exteriores da Coroada, adicionando-se-lhe fossos, contra-escarpa e uma entrada coberta.

Em 1700 as obras estariam avançadas, dado as datas inscritas nas portas da Coroada e do Meio. Em 1704 Domingos Álvares do Rego era o empreiteiro das obras da praça, dirigidas por Vilalobos, assistido pelo capitão-mor da praça Gonçalo Teixeira Velho. Neste ano Filipe V de Espanha (1700-1724; 1724-1746) declarou guerra a Portugal (30 de abril de 1704), iniciando-se a Guerra da Sucessão de Espanha (1701-1713/1715) na península Ibérica.

Data de 1713 uma planta da Fortaleza de Valença de autoria de Manuel Pinto de Vilalobos dando-a como quase concluída, referindo-se, por exemplo, à proposta de construção do revelim da Fonte da Vila e o paiol dos Açougues que fora feito de novo à prova de bomba.

Em 1715 a direção das obras de fortificação encontra-se a cargo de Manuel Pinto de Vilalobos, de que se conservam levantamentos desenhados; a Coroada encontrava-se concluída e o corpo da Praça possuía ainda baluartes em torrão; estavam projetados para reforço da face leste o revelim das Portas da Gaviarra (então de São Vicente) e o tenalhão em frente da cortina de São Francisco.

No ano seguinte (1716) teve princípio a construção do revelim da Gaviarra sendo Governador das Armas da Província do Minho, D. António de Noronha, 2.º marquês de Angeja, com direção de Manuel de Azevedo Fortes.

Entre 1722 e 1728, o arcebispo da Arquidiocese de Braga, D. Rodrigo de Moura Teles, mandou edificar o aljube.

Nas “Memórias Paroquiais” de 1758, o padre António Lourenço Lajes informa que a praça contava com 12 baluartes altos e 5 baixos, três portas, a da Gaviarra e a da Coroada a fazer serviço e a de Monção fechada, para além de uma porta falsa de acesso à fonte da vila, guarnecida de 40 peças na sua maioria de bronze, muito grandes (23 de abril). Desse mesmo ano (1758) dispomos de um desenho da praça de autoria do Sargento-mor Gonçalo da Silva Brandão.

No ano seguinte (1759) foram procedidos reparos nas muralhas, fossos e esplanadas pelo Capitão-mor da vila e superintendente das obras, António Malheiro Bacelar.

Data de 1762 uma planta de autoria do capitão engenheiro Jean Benoit Python, e de 1764 a criação do Regimento de Artilharia de Valença pelo Coronel Luís d'Alincourt.

Em 1766 e 1777 foram procedidos levantamentos pelo Sargento-mor José Joaquim Champalimaud de Nussane. No ferrolho da porta do Paiol da Coroada inscreve-se a data de 1774.

No terceiro quartel do século registou-se a construção, no flanco do baluarte do Socorro, de uma tenalha ou "cauda de andorinha" para reforçar a defesa das Portas da Gaviarra.

No último quartel foram reforçados os muros do Paiol da Pólvora e levantado o Paiol do Açougue (1774).

Em 1783 foi criada a Aula Real da Artilharia por iniciativa de Jean Victoire Miron de Sabionne, e instalada no antigo Palácio do Governador Militar.

O relatório de Sabionne, datado de 1790, informa o estado de conservação da fortaleza: a estrada até ao rio que partia das Portas da Gaviarra ameaçava ruína; era necessário consertarem-se as abóbadas das portas com prisões, as Portas do Sol, as abóbadas dos revelins das portas do Sol e da Coroada, as passagens das comunicações da Fonte da Gaviarra, refazer-se os parapeitos das portas da Coroada e do Meio; necessitava que se construísse ao lado das Portas do Sol uma escada para que de Inverno se pudessem render as sentinelas; o aquartelamento do Regimento de Artilharia estava em ruínas.

Em 1795 foram construídas as pontes e respectivas abóbadas das portas do Meio, do Sol e da Coroada, demolido o Quartel do Regimento de Artilharia, reedificada a fonte do Castelo de Viana do Castelo e a respectiva canalização (4:009$793), demolido o convento de freiras junto à igreja de Santo Estêvão aproveitando-se o entulho para o cavaleiro do baluarte de São Francisco. Em junho achavam-se feitos 6480 palmos superficiais de calçada em seixo rolado entre a Ponte do Restilho e as Portas da Coroada.

No ano seguinte (1796) procedeu-se o capeamento das paredes do baluarte de São Francisco (março), reedificados os tanques das Portas do Sol (junho) e concluída uma cozinha unida aos quartéis da 4.ª e 5.ª Companhia de Infantaria na Coroada (agosto).

Em 1797 teve início a construção de um quartel para o Regimento de Artilharia no lugar onde havia existido o convento de freiras, e onde cabiam apenas 600 homens. Em novembro desse ano ordenou-se ao tenente-coronel José Carlos Mardel, do Real Corpo de Engenheiros, inspecionar o estado da Praça-forte de Valença, cujo relatório foi acompanhado por desenho da Praça pelo engenheiro militar Maximiano José da Serra, o qual passou a dirigir as obras de fortificação. A Coroada estava cheia de pequenas casas, erguidas com o consentimento dos antigos governadores.

O século XIX

A eclosão da Guerra das Laranjas (1801) levou ao encerramento das fronteiras com a Espanha, reaberta a 4 de agosto do mesmo ano. No ano seguinte (1802) a praça estava artilhada com 61 peças antecarga, de alma lisa, de ferro e bronze, e alguns morteiros.

Durante a Guerra Peninsular (1808-1814) foi assaltada, vindo a cair diante das tropas napoleónicas sob o comando de Nicolas Jean-de-Dieu Soult (10 de abril de 1809), que, ao abandonar a praça (17 de abril), lhe minaram as Portas do Sol e respectiva cortina e a porta do seu revelim (Portas de Santiago). Os trabalhos de restauro foram dirigidos pelo engenheiro Maximiano José Serra, supervisionados pelo tenente-general Matias Dias Azedo.

Em 1810 ainda dirigia os trabalhos de reconstrução o engenheiro Matias José Dias Azedo, estando aqui também a trabalhar o engenheiro Carlos Luís Ferreira da Cruz Amarante. Entre 1811 e 1813 o engenheiro Maximiano José Serra voltou a trabalhar nas obras de construção da fortaleza. Neste momento, em 1812 teve lugar a construção de um novo revelim da Fonte da Vila, com a pedra do entulho de 24 casas demolidas no perímetro da esplanada da praça, empregando-se na obra a mão-de-obra de 100 pessoas, 40 das quais eram pedreiros. Constrói-se ainda a contra-escarpa desde o baluarte de São José, na Coroada, até ao revelim da Fonte. O engenheiro Pedro Arbués Moreira trabalha nas obras. Constroem-se parapeitos e banquetas no revelim da Gaviarra, revestidas com plataformas e canhoneiras com esplanadas de adobe, bem como rampas para subir a artilharia. Faz-se a comunicação no fosso para proteger uma eventual retirada, defendida com parapeito, banquetas e paliçadas. Procede-se a terraplanagem da praça de armas semicircular da parte esquerda do revelim do Sol, que levou 22 palmos de altura de terra em toda a sua extensão e uma grande esplanada devido ao acentuado declive. Foram eliminadas as portas do revelim, as antigas Portas de Santiago, fazendo-se uma abertura pelo lado direito, entre o revelim e o baluarte da Esperança, para saída para o exterior. Transferiu-se a fonte das Barracas do baluarte do Faro para a frente das Portas do Sol e deu-se início ao desmantelamento do tenalhão da Cortina de São Francisco.

Data de 24 de fevereiro de 1813 uma perspectiva cavaleira do Novo Revelim da Fonte da Vila, de autoria do Tenente Coronel Serra, mostrando a paliçada no revelim. No mesmo ano, em novembro, o engenheiro militar Pedro Arbués Moreira substituiu o engenheiro Maximiano Serra.

Em 1814, após inspeção à praça, o engenheiro militar Carlos Frederico Bernardo de Paula, do Real Corpo de Engenheiros, elaborou relatório dando conta do mau estado dos baluartes da Esperança e do Faro, sendo visíveis as "fendas e ruínas" no paiol do cavaleiro da Esperança, causadas pelo abatimento do terrapleno naquela zona; as infiltrações deviam-se à "ruim" qualidade da pedra com que se construíram as abóbadas, que era "muito porosa e mole"; refere-se ainda ter-se colocado exteriormente telha ou tijolos bem argamassados no pequeno paiol e corpo da guarda construídos na gola revelim da Fonte da Vila. Uma carta de Manuel de Brito Mouzinho, datada de 16 de fevereiro, sugeria que para a boa defesa da praça e arranjo da guarnição, devia mandar-se construir algumas casamatas em continuação das duas casernas das Portas do Sol, o que não seria de grande despesa se nela se aplicasse a pedra da Torre de Lapela, situada a légua e meia.

No ano de 1815 as Portas de Monção estavam fechadas devido à adaptação do túnel a caserna. No mesmo ano, a 7 de novembro, uma Comissão das Fortificações, constituída pelos Tenente-General Matias José Dias Azedo (Presidente), o Brigadeiro Engenheiro Carlos Frederico de Paula e o Major Engenheiro José Maria das Neves Costa, reuniu-se em Lisboa para análise das deficiências da Praça, dando-se prioridade à construção da cortina de São Francisco e às casernas das Portas do Sol, fazendo-as "praticáveis e úteis". Construiu-se o tenalhão de São Francisco.

Em 25 de março de 1817 o General Azedo foi informado da autorização Real para o início das obras. A 18 de outubro desse mesmo ano o Tenente General Dias Azedo apresentou o orçamento das obras das portas e barreiras de que a praça precisava, referindo-se à falta de meios para apressar a construção do revestimento da muralha da cortina de São Francisco, onde faltava fazer 600 braças de alvenaria, estando já construído 1660, além da travação e conserto do antigo revestimento dos dois flancos correspondentes. Nesse mesmo ano (1817), um Relatório refere que a fortaleza acomodava, em quartéis abarracados, um regimento de Infantaria, uma companhia de Artilharia e alguns veteranos, não tendo proporções para blindados ou provas de bomba, mas tinha lugar para as fazer com pouca despesa; os corpos da guarda dos revelins da Fonte, do Sol e da Gaviarra podiam albergar, cada um, 12 homens, o da guarda principal alojava 40, o do revelim da Coroada, 20, e o das Portas do Meio da praça, 20; não possuía cisterna, mas apenas um poço de água salobra e outro de água doce na Coroada e, na praça, um poço com nora aparelhada (que precisava conserto) e outros poços particulares; havia três fontes nos fossos: a das Tripas, hoje na vertente do talude sobre a Avenida de Espanha, a de Cristelo, a Fonte da Vila, e a Fonte das Barracas, na explanada de Faro.

Em 1820 foi expedido regulamento especial devido aos abusos praticados, determinando, entre outras coisas: ser proibido lavrar, semear ou plantar sobre terraplenos, parapeitos, rampas, fossos, obras exteriores, estrada coberta, explanada e restante recinto da fortaleza; ser proibido a pastagem nos mesmos locais de carneiros, cabras, ovelhas, porcos ou outros animais que as danifiquem; foi concedido aos Governadores o arbítrio das "ervagens" que espontaneamente nascerem nos fossos e explanadas; era proibido construir no interior ou exterior qualquer barraca, casa ou muro que embaraçasse ou prejudicasse a defesa das obras; devia-se evitar dentro do possível a "comunicação" pelos terraplenos e que se fechassem as rampas ou entradas que lhes davam acesso com estacadas ou barreiras, de modo a ali apenas transitarem pessoas a pé;

Em 1821, data de 10 de outubro um orçamento para a obra de carpintaria e pedraria, pelos mestres Francisco João e João Pedro Pereira, respectivamente, para o conserto dos soalhos e das prateleiras para os barris de pólvora, no paiol do Campo de Marte, as quais tinham "colunas" e 50 palmos de largura e 20 de altura. A 6 de novembro o soberano determinou que o brigadeiro Intendente das Obras Militares fizesse aprontar e pôr à disposição do oficial engenheiro Director das Obras de Fortificação da Praça os operários e materiais para consertar o armazém-geral. A despesa orçava em 50$000. No ano seguinte (1822) regista-se o conserto das portas e pontes levadiças da Praça. Em 1825 teve lugar a ampliação da casa da guarda da prisão das Portas do Sol. Posteriormente, em 1828 registam-se obras no corpo da guarda das Portas da Gaviarra (202$475); reparações nos edifícios dos corpos da guarda principal: telhados e reboco (93$835); obras no corpo da guarda das Portas da Coroada (30$445), do revelim das Portas do Sol (20$685), o da Fonte (13$360), o da Corada (17$055) e o da Gaviarra (16$795). Em 1829 procederam-se a reparação dos telhados do paiol do baluarte de São João, dos lajeados dos trânsitos e casernas laterais das Portas da Coroada e do Meio. Em 1830 registaram-se a reparação das abóbadas do trânsito e das casernas laterais da Poterna do Sol e a reparação do paiol do baluarte de Santa Ana.

Durante a Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), em 1828 o Regimento de Infantaria n.º 21 foi substituído pelo Regimento de Caçadores n.º 7. Tendo se proclamado pelo partido liberal no contexto da "Belfastada", de 13 a 22 de junho de 1828 foi cercada pelas tropas de Miguel I de Portugal (1828-1834), sob o comando do capitão-mor das Milícias de Monção, António Pereira Álvares da Guerra, vindo a capitular. Em 1831 as paliçadas da gola da Coroada estavam arruinadas.

Em 31 de março de 1834 foi reconquistadas pelas forças liberais, sob o comando do almirante inglês Charles Napier, visconde de São Vicente. Nesse mesmo ano, em 20 de junho, D. Pedro, 16.º duque de Bragança, dissolveu o trem da Praça-forte de Valença, dando-se providências sobre a construção das obras indispensáveis, ficando os objetos ali encontrados a cargo do respectivo Almoxarife.

Suportou vitoriosa outros cercos, como por exemplo:

- quando da chamada “Revolta dos Marechais” (julho a setembro de 1837), sublevação militar fracassada, de inspiração cartista contra o setembrismo, encabeçada pelos marechais António José Severim de Noronha, 1.º duque da Terceira, e João Carlos Oliveira e Daun, 1.º duque de Saldanha.

- em 20 de junho de 1847 por forças sob o comando de José Vitorino Damásio, por ordem da Junta do Porto.

A instâncias do brigadeiro Duarte José Fava, decidiu-se instalar três para-raios no paiol do Campo de Marte (maio de 1864)

A Praça-forte de Valença foi classificada como fortificação de 2.ª Classe por Decreto de 13 de setembro de 1897.

Do século XX aos nossos dias

Em novembro de 1909 procedeu-se a alteração da demarcação da esplanada da praça. No ano seguinte (1910) toda a sua artilharia foi enviada para Lisboa.

Em 1912 registou-se a incursão monárquica de Paiva Couceiro em Valença

Em 5 de agosto de 1916 a Câmara Municipal solicitou o alargamento e mudança de diretriz e rebaixamento do trecho da Avenida do Cristelo e o ajardinamento entre o revelim das Portas do Sol e a muralha.

Em 1918 a Câmara pediu autorização para obras de modificação e alargamento da Av. do Cristelo; para tal, cortou a ligação entre o baluarte da Esperança e o revelim das Portas do Sol e respectivas obras exteriores. Em julho registou-se o arrendamento das Portas do Sol para instalação de um jardim (3$000).

Em 1927 registou-se a saída da última guarnição militar.

As “Fortificações da Praça de Valença do Minho” encontram-se classificadas como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 15.178, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 60, de 14 de março de 1928, e a ZEP pela Portaria n.º 65/2010, publicada no Diário da República, II Série, n.º 12, de 19 de janeiro de 2010 (altera a delimitação).

O Decreto n.º 17.902, de 30 de janeiro de 1930, alterou os limites da esplanada e reduziu a servidão militar da fortaleza. Em 1934 procedeu-se a avaliação do paiol do Campo de Marte (49.000$00) e do dos Açougues (26.440$00).

Uma carta da Administração Geral do Exército ao Director da Arma de Engenharia (3.ª Repartição), datada de 1 de junho de 1939, inquiriu se haveria inconveniente para o Ministério de Guerra da entrega do Paiol dos Açougues, então em ruína, e que havia servido de arrecadação de material de Guerra do 8.º Grupo de Metralhadoras. Este Paiol foi entregue ao Ministério das Finanças por Auto datado de 14 de setembro do mesmo ano. O Paiol do Campo de Marte foi por sua vez entregue ao Ministério das Finanças por Auto de 20 de junho de 1940. Nesse mesmo ano, em 31 de dezembro, a Praça foi avaliada em 71.409$00, e a Coroada em 50.845$00.

Em Planta na Direcção de Engenharia datada de 1941 encontra-se a marcação dos antigos quartéis do batalhão de Caçadores n.º 7 e a cozinha do regimento localizados perpendicularmente junto ao Paiol do Campo de Marte.

Em 1943, por Auto datado de 16 de novembro, a fortaleza foi entregue ao Ministério das Finanças, compreendendo as superfícies: edifícios com 857.40 m², terrenos com 73.370.23 m², muralhas com 7.320.00 m² e tendo o volume da pedra das muralhas 72.510 m³, estando em bom estado de conservação.

Data deste período, iniciada em 1939, a intervenção da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), sob a forma de trabalhos diversos de limpeza, conservação e restauro, que se estendera, nesta primeira etapa, até ao ano de 1945.

Em 1946, por Auto datado de 28 de março a Casa do Guarda do revelim da Gaviarra e o paiol do revelim foram cedidos à Câmara Municipal para recolha, observação e descanso do gado antes do abate no matadouro.

A anulação da servidão militar da fortaleza teve lugar em 1955. Neste ano, iniciou-se nova campanha de intervenção, a cargo da DGEMN, que se estendeu até 1965.

A Portaria publicada no Diário do Governo, I Série, n.º 290, de 13 de dezembro de 1958, fixou a Zona Especial de Proteção das fortificações de Valença.

Novas intervenções, a cargo da DGEMN, tiveram lugar em 1968-1969, em 1973, de 1976 a 1983 e em 1989.

Ao final da década de 1990 procedeu-se a iluminação monumental da fortificação (1997), a que se seguiram novos trabalhos de conservação, de 1998 a 2002.

Em 30 de setembro de 2000, as cidades de Valença e Tui apresentaram à UNESCO a sua campanha de candidatura conjunta a Património Cultural de Interesse para a Humanidade.

No início de 2001 a Câmara Municipal de Valença desistiu da ideia de construir parques de estacionamento nos fossos da fortaleza, depois de ter sido alertada para o fato de que tal obra poderia comprometer a candidatura da vila a património mundial.

Em 2004 foi aprovada a candidatura do "Plano Director das Fortalezas Transfronteiriças do Vale do Minho", no âmbito do Programa INTERREG III, visando proceder a inventariação do património edificado, avaliar o seu estado de conservação, determinar as suas patologias e posteriormente determinar estratégias específicas de atuação, tendentes à valorização, divulgação e fruição dos espaços fortificados, bem como a criação de percursos culturais e turísticos entre as povoações das duas margens do rio Minho. No mesmo ano foi elaborado projeto de reabilitação da fortaleza de autoria do arquiteto Eduardo Souto de Moura, pelo qual o antigo paiol do Campo de Marte passaria a ter um polo cultural e, ao redor das muralhas seria criada uma zona verde, delimitada por carvalhos alvarinho. Adicionalmente, a iluminação seria alterada, colocando-se candeeiros desenhados pelo próprio arquiteto, substituir-se-iam os pavimentos, que passariam a ser de granito, calçada à portuguesa e em saibro. Seria feito ainda o reforço da rede de abastecimento de água para incêndios. O empreendimento deveria decorrer durante 4 anos, com um investimento estimado em 7,5 milhões de euros. Ainda em 2004 procederam-se sondagens arqueológicas, pela Universidade do Minho, em sete setores na Coroada, como preparação às obras de requalificação, com prazo de execução de quatro anos, as quais confirmaram aquela zona como local de antigo aterro militar. A Câmara Municipal, entre 2004 e 2006 procedeu a requalificação da Praça-forte, com intervenção ao nível das infra-estruturas subterrâneas, pavimentos e funcionalidade das ruas. Com o apoio da DGEMN, entre 2005 e 2006 a Câmara Municipal requalificou o paiol do Campo de Marte como posto de turismo.

Ainda em 2005 a DGEMN alertou para o risco de derrocada face à deficiente drenagem das águas pluviais e à "decrepitude" das redes de infraestruturas subterrâneas. Em dezembro de 2006 registou-se a ruína de um troço de muralha e, a 4 de março de 2007, a ruína de outro troço, com 15 metros de extensão.

A praça envolve o núcleo antigo da vila, e as estruturas do conjunto que chegaram até nós encontram-se em bom estado de conservação, abertas à visitação pública.

Os vestígios que ainda subsistem do castelo medieval remontam às ampliações de D. Afonso III:

- a Porta do Açougue, a norte, ainda ostenta um escudo medieval na pedra de fecho;

- a Porta da Gaviarra, a leste, que comunicava para a zona ribeirinha e para a barca que fazia a travessia do rio Minho constituía a entrada principal da fortificação, era ladeada por duas imponentes torres de planta quadrangular.

Características

Exemplar de arquitetura militar, abaluartado, de enquadramento urbano.

Com a reconstrução das defesas, que transformaram Valença em uma Praça-forte, a povoação ficou separada do rio por uma expressiva rede de baluartes e de patamares que se comunicam entre si por meio de fossos e de passagens superiores. Possui 5,5 km de extensão de muralha, 13 baluartes, 33 guaritas, 5 revelins e 194 canhoneiras, constituindo-se em uma das maiores e mais bem conservadas fortificações do mundo.

Planimetricamente, a Praça-forte ficou dividida em duas grandes áreas que se comunicavam pelas chamadas Portas do Meio: o setor norte, que abrange a antiga vila medieval, e o setor sul, uma área menor e mais aberta: a chamada Coroada.

A sua planta é composta por dois polígonos irregulares e quase tangentes:

- a Coroada, constituída a sul por três baluartes e dois revelins, um deles incompleto, e a norte por dois meios baluartes, todos com duas linhas de defesa; e

- a praça, sensivelmente retangular, constituída por sete baluartes, dispondo-se um em cada ângulo dos extremos, dois a leste e um a oeste, a maioria com falsas bragas, e três revelins.

Ambos os polígonos são envolvidos por fossos e contraescarpa em torrão (areia com seixos do rio) cobertos por vegetação e com caminhos cobertos. Paramentos em talude, com a escarpa exterior marcada por duas seções escalonadas, em cantaria irregular, disposta a seco, e cunhais aparelhados, coroados por cordão e parapeitos, igualmente em cantaria irregular ou em tijolo de burro, disposto paralelamente ou formando quadrícula, e com canhoneiras. Virados aos terraplenos, os baluartes e revelins possuem reparos de torrão, cobertos por vegetação. Nos seus ângulos são coroados por guaritas facetadas assentes em mísulas molduradas e também facetadas, sendo inferiormente circundadas pelo cordão e superiormente rasgadas por pequenos vãos retangulares dispostos na vertical; são cobertas por cúpula facetada sobre cornija retangular e coroadas por bola sobre plinto.

A sul, fronteira à cortina onde se abrem as Portas da Coroada, dispõem-se o Revelim da Coroada, com porta de arco em volta perfeita e aduelas em cunha, enquadrada por pilastras toscanas suportando entablamento centrado pelas armas de D. João Diogo de Ataíde, em cartela volutada e com coronel de nobreza, encimado por cornija encimada pelas armas de Portugal, entre aletas, com coroa fechada e, lateralmente dois plintos com bola. Os trânsitos da porta, em aparelho irregular, são rasgados a oeste por frestas molduradas e cobertura em abóbada de berço; na face interior, porta simples de arco em volta perfeita e casamata com acesso por porta de verga reta. A escarpa interior em torrão coberto de vegetação possui duas rampas laterais de acesso com guarda em cantaria, integrando a do lado oeste umas Alminhas. Entre os baluartes de São Jerónimo e o de Santa Ana, surge revelim em torrão coberto de vegetação. O acesso à Coroada, precedida por ponte de cantaria com guarda também de cantaria vazada, é feito por porta em arco de volta perfeita igualmente com as aduelas em cunha, enquadrada por duplas pilastras almofadadas suportando friso e frontão de volutas interrompido por tabela retangular vertical com as armas nacionais, coroadas, sobre inscrição em cartela recortada, terminada em frontão curvo; sobre o arco, dispõe-se o brasão do visconde de Vila Nova de Cerveira, D. Diogo de Brito de Brito e Nogueira, com coronel de nobreza e ladeando o frontão duas bolas sobre plinto. As cortinas que ladeiam a porta são rasgadas por quatro frestas e os trânsitos por frestas molduradas de ambos os lados, cobertos por abóbada de berço e apresentando sensivelmente a meio porta de madeira chapeada a ferro; as casamatas têm acesso pelos trânsitos através de amplo arco abatido transformado em portal de verga reta, possuindo no interior, rebocado, pintado e abobadado, chaminé fronteira à porta. Na face interna, poterna de arco em volta perfeita simples e casernas rasgadas por frestas, janelas de diferentes modinaturas e do lado oeste por portal de verga reta. A norte a Coroada possui duas portas falsas de acesso ao fosso, com trânsitos rampeados e abobadados, possuindo a meio estrutura de cantaria de suporte das portas; pelo fosso tem vão em arco de volta perfeita. Na gola do baluarte de São Jerónimo, ergue-se o Paiol do Campo de Marte, de planta em “T”, composto por antecâmara, a norte, e célula de armazenamento, a sul, e ambas retangulares, envolvidas por anteparo de proteção, alto, rasgado frontalmente por portal em arco de volta perfeita, sobreposto pelo brasão dos Ataíde, e ladeado por pilastras suportando cornija, friso convexo e cornija encimada por brasão nacional entre aletas e com coroa, e possuindo na fachada posterior pilar saliente mais alto de suporte do para-raios. O acesso às salas, com pavimento de madeira e cobertas por abóbada de berço, e exteriormente com telhado de quatro águas, faz-se lateralmente, por dois portais de verga reta rasgados na antecâmara, que se interliga à célula por vão central retangular, que possuía duplas portas. A célula, exteriormente com dois contrafortes, é percorrida interiormente por bailéu. O espaço entre a antecâmara e o anteparo é pavimentado a ladrilho cerâmico, possuindo laje sepulcral do tenente-general Jean Victoire Miron de Sabionne, Governador da Praça e fundador da Aula Real de Artilharia, e coberto por alpendre de madeira, sobrelevado na zona central da fachada principal. A Praça tem os baluartes com terrapleno de torrão, coberto de vegetação e, junto às canhoneiras, plataformas com lajes de cantaria, algumas delas possuindo bocas-de-fogo; o acesso às falsas bragas é feito por túneis abobadados e com vãos em arco de volta perfeita simples. É rasgada por cinco portas, uma a sul, por onde se faz a ligação entre a Coroada e a praça, possuindo passadiço com ponte fixa de cantaria com guarda também de cantaria, outra a leste, uma a oeste e outra a noroeste. A entrada principal, as Portas do Meio, apresentam arco de volta perfeita com aduelas em cunha enquadrado por pilastras toscanas suportando duplo friso e cornija sobrepujada por brasão nacional, com coroa fechada, entre aletas e duas bolas sobre plintos laterais. Os trânsitos são rasgados por frestas molduradas e cobertos por abóbada de berço, possuindo a meio estrutura de sustentação de porta intermédia atualmente inexistente; virada ao terrapleno, poterna simples de arco em volta perfeita e casamata disposta a oeste, rasgada por porta de verga reta e janela jacente, e tendo o interior em cantaria aparente e juntas pintadas de branco, lareira com inscrição e cobertura em abóbada de berço. A oeste, entre o baluarte da Lapa e o de São João, rasga-se uma poterna em arco de volta perfeita, com trânsito coberto de abóbada de berço conduzindo ao fosso e à fonte da vila. Fronteiro, dispõe-se o revelim da fonte da vila, com rampas laterais de acesso às canhoneiras e paiol na gola, acedido por duas portas de verga reta. Na cortina de São João, que integra troço da muralha medieval, rasga-se a Porta de D. Afonso, tendo virada ao terrapleno arco abatido e, exteriormente, no nível inferior de defesa, arco quebrado de aduelas altas, tendo na flecha escudo nacional de escudetes deitados. A primeira porta a leste as chamadas Portas do Sol ou de Santiago, com poterna em arco de volta perfeita, ladeada por duas portas em arco abatido, janelas do mesmo perfil, ambas com fecho saliente e óculos ovais gradeados das antigas casa da Guarda e prisão; os trânsitos da porta são rasgados por seteiras molduradas e cobertos por abóbada de berço, possuindo a meio a estrutura de suporte de porta intermédia, conservando as dos extremos, de madeira, chapeadas a ferro; na face virada ao fosso é igualmente em arco em volta perfeita e fecho saliente muito simples. Esta porta é protegida pelo Revelim das Portas do Sol com duas rampas de acesso às canhoneiras e tendo na gola antiga caserna, abobadada. A última porta é chamada da Gaviarra ou de São Vicente, rasgando-se na gola do Baluarte do Socorro; sob este desenvolve-se um túnel em cotovelo, abobadado, tendo logo no início um outro túnel de ligação ao nível inferior do baluarte, e integrando pouco depois a estrutura de uma das torres medievais, formando um "poço de luz" que, superiormente, ao nível da plataforma, é protegido por gradeamento de ferro; nessa estrutura abre-se a chamada Porta Afonsina, com pilastras e impostas vegetalistas suportando a verga reta, com tímpano cego, inserido em amplo vão de arco quebrado de aduelas sigladas. Do lado do terrapleno da praça e junto ao início do túnel da porta existe a antiga casa da Guarda da Gaviarra, rasgada por porta de verga reta e janela quadrangular, molduradas; junto à porta Afonsina, surge ainda vão entaipado que fecha a primitiva cisterna. Na face externa do baluarte, a porta tem estrutura convexa, apresentando arco de volta perfeita sobre impostas salientes, enquadrada por pilastras toscanas que suportam semicúpula coroada por brasão nacional entre volutas e com coroa fechada; conserva porta de madeira chapeada a ferro. A cortina entre o baluarte de São Francisco e o do Socorro é reforçada por tenalha, rasgada por porta de verga reta, através da qual se faz a ligação entre as Portas da Gaviarra e o Revelim da Gaviarra, disposto frontalmente; este tem rampa de acesso às canhoneiras e uma outra, colocada perpendicularmente à falsa braga; poterna em arco de volta perfeita, e casamata rasgada por porta de verga reta e janela jacente; trânsitos abobadados, e com frestas molduradas; virada ao fosso e atualmente sem ponte que o transponha, as chamadas Portas de Monção, em arco de volta perfeita sobre impostas salientes, ladeada por pilastras toscanas que suportam arquitrave, sobreposta por brasão dos Noronha em cartela com enrolamentos e coronel de marquês, encimada por cornija e brasão nacional com coroa fechada ao centro e dois plintos laterais. O baluarte de São Francisco apresenta cavaleiro. Fronteiro à Porta de D. Afonso, ergue-se o Paiol dos Açougues, com célula de planta retangular, interiormente abobadada e com cobertura em telhado de duas águas, envolvido por anteparo de proteção alto. Fachadas rebocadas e pintadas, com pilastras nos cunhais e terminadas em cornija, o anteparo com capeamento em cantaria convexo. O anteparo é rasgado por portal de arco em volta perfeita e aduelas em cunha ladeado por pilastras toscanas que suportam duplo friso e cornija, sobrelevada. A célula, possuindo dois contrafortes na fachada principal e posterior, com esbarro, é acedida por portal frontal, encimado por várias mísulas de suporte de antigo telheiro. Interiormente tem abóbada de berço e sistema complexo de arejamento, com condutas no interior dos muros que conduzem o ar de um menor número de frestas no exterior para um maior número no interior.

As Portas da Coroada têm a inscrição:

PELOS ANNOS D XPO MDCC. IMPERANDO NA MONARCHIA LUSITANA D. PEDRO II E SENDO REGENTE DAS ARMAS DESTA PROVINCIA D. JOÃO DE SOUZA FOI FEITA ESTA OBRA ERECTA.

Sobre o arco, surge escudo ovalado com as armas de D. João de Sousa (do Prado), esquartelado, tendo no I e IV quartel cinco escudetes carregados de besantes e no II e III um leão rampante, inseridas em cartela encimada por coronel de Conde. Na aduela do portal do paiol de Marte escudo recortado com as armas de Ataíde (4 bandas) envolto em paquife e troféus, e encimado por coronel de nobreza e tendo como timbre uma onça deitada. Na porta do revelim da Gaviarra, chamada de Portas de Monção, surge escudo português esquartelado com as armas do Governador das Armas da Província do Minho D. António de Noronha, tendo no I e IV cinco escudetes postos em cruz, cada um deles carregado com cinco besantes de campo postos em aspa, sete castelos e um filete em contrabanda e no II e IV um castelo e dois leões afrontados. A cortina de São Francisco apresenta escudo ovalado inserido em cartela com volutas superiores com as armas de Portugal encimado por coroa fechada.



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Conjunto Abaluartado da Praça-Forte de Valença
Página dedicada ao Conjunto Abaluartado da Praça-Forte de Valença, e que integra o website “Vale do Minho. Espaço, Memória e Identidade” (http://www.emi.acer-pt.org/), projeto desenvolvido pela Associação Cultural e de Estudos Regionais - ACER - com a concepção e direção geral de Antero Leite. No menu principal do website do projeto, que aborda vários aspectos culturais da região do Vale do Minho (Portugal), na seção "Pesquisa Tipológica", opção "Arquitetura Militar", podem ser encontrados também conteúdos sobre outras fortificações dessa região.

http://www.emi.acer-pt.org/concelhos/valenca/104-valena-vila/366-conju...
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Reportagem da emissora de televisão portuguesa RTP, de 3 de outubro de 2011, acerca da candidatura de Valença a Património Mundial da Humanidade.

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Contribution

Updated at 23/02/2016 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (9).


  • Praça-forte de Valença


  • Fortified City





  • Portugal


  • Restored and Well Conserved

  • National Protection
    As “Fortificações da Praça de Valença do Minho” encontram-se classificadas como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 15.178, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 60, de 14 de março de 1928, e a ZEP pela Portaria n.º 65/2010, publicada no Diário da República, II Série, n.º 12, de 19 de janeiro de 2010 (altera a delimitação).





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Viana do Castelo
    City: Valença



  • Lat: 42 -2' 11''N | Lon: 8 38' 42''W




  • 1758: 40 peças antecarga, de alma lisa, na sua maioria de bronze, de grosso calibre.
    1802: 61 peças antecarga, de alma lisa, de ferro e bronze, e alguns morteiros.






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