Fort Aguada

Mapusa, Goa - India

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A “Fortaleza da Aguada”, referida localmente como "Fort Aguada", localiza-se no extremo sul da praia da vila de Sinquerim, na cidade censitária de Candolim, concelho de Bardez, distrito de Goa Norte, no estado de Goa, na costa Oeste da Índia.

Situada na Península da Aguada, integrava o vasto complexo fortificado da ilha de Tiswadi, iniciado no século XVI por portugueses como primeira defesa da barra Norte do Mandovi, acesso a Goa, então capital do Estado Português da Índia.

É uma das maiores fortificações portuguesas na Índia, comparável, em dimensões, às praças de Baçaim ou Diu. A sua localização geográfica e características arquitetónicas apresentam semelhanças com a Fortaleza de Mormugão, defesa da embocadura do Rio Zuari.

História

Desde muito cedo que as embarcações que demandavam o Rio Mandovi se reabasteciam de água potável nas nascentes do atual Morro da Aguada, o que daria a denominação à fortificação.

O início da construção do complexo é posterior ao da Fortaleza dos Reis Magos de Goa. Em 1604, o fundeio de sete embarcações Neerlandesas durante um mês, numa baía perto daquela península, sem que tenham sofrido qualquer dano quer pela artilharia da Fortaleza dos Reis Magos, quer pela do Forte de Gaspar Dias, demonstrou a fragilidade defensiva dessa zona da barra. Ciente do fato, o Vice-rei do Estado da Índia, D. Aires de Saldanha (1600-1605), ordenou de imediato a edificação de uma nova fortificação que defendesse não apenas a zona de reabastecimento de água, mas também todo o flanco sul da península, de modo a guardar eficazmente a embocadura do rio e permitir a circulação de embarcações ao abrigo do varejamento da sua artilharia. 

Com traça atribuída ao engenheiro e arquiteto militar Júlio Simão, iniciados os seus trabalhos no mesmo ano, em 1606 já se encontrava operacional a denominada "Fortaleza Real", na zona ribeirinha do flanco sul da península, tendo sido concluída em 1612, no governo de Rui Lourenço de Távora, Neto (1609-1612), conforme inscrição epigráfica:

"REINANDO MUI CATHOLICO REI D. FILLIPE 2.º DE PORTUGAL MANDOU A CIDADE FAZER ESTA FORTALEZA DO DINHEIRO DE UM POR CENTO, PARA GUARDA E DEFFENSÃO DAS NÁOS, QUE A ESTE PORTO VEM, A QUAL FOI ACABADA PELOS VEREADORES DO ANNO 1612, SENDO VICE-REI DÉSTE ESTADO RUI LOURENÇO DE TAVORA."

O conjunto foi sendo ampliado ao longo dos séculos, diante das incursões de Neerlandeses e Ingleses contra Goa.

Conservou algum do seu valor estratégico até meados do século XIX, uma vez que não apenas providenciava sinalização e água às embarcações que cruzavam a barra do Mandovi como mantinha ainda a prisão militar e estruturas para exercício das tropas. No contexto da Guerra Peninsular (1808-1814) foi uma das três posições ocupadas pelos britânicos, entre 1804 e 1813, conjuntamente com Mormugão e Nossa Senhora do Cabo.

No século XX, durante o Estado Novo Português (1933-1974), as dependências da antiga fortificação foram utilizadas como prisão política.

Após a anexação do território de Goa pela União Indiana (dezembro de 1961), a fortaleza foi transformada na principal prisão do território de Goa, tendo as suas estruturas sofrido várias alterações, embora mantivessem no essencial a implantação e volumetria do período português.

Em nossos dias parte do conjunto foi preservada e requalificada com hotéis de cinco estrelas, como o "Taj Beach Resort", e o "Fort Aguada Beach Resort", da rede The Indian Hotels Co.. Foi utilizado em 2007 como locação para as filmagens da novela "Fascínios" da cadeia de televisão portuguesa TVI.

Numa de suas partes, junto ao rio Mandovi, situa-se a prisão de Goa.

Encontra-se classificado como "Monumento" pelo "Archaeological Survey of India" (ASI), sob os n.ºs N-GA-11 (Aguada / Auguda Fortress (Upper)) e N-GA-17 (Fortification Wall of Aguada / Auguda Fortress (Lower)).

Características

Exemplar de arquitetura militar, abaluartado.

A sua defesa era complementada por um extenso parapeito (cerca de 115 metros) de traçado irregular, a partir do qual podiam disparar 19 peças em seis ângulos diferentes. 

Na parte Norte da estrutura situavam ‑se as casas assobradadas do capitão, dispostas em redor de uma edificação principal, orientada no sentido Leste-Oeste. Integrada nesta edificação, e a eixo dela, situava ‑se a Capela de Nossa Senhora da Boa Viagem. Mais para Leste encontrava-se o armazém de munições, mais tarde convertido em prisão militar; próximo deste localizava ‑se ainda a Porta do Rio, sob uma estrutura que servia de aquartelamento de tropas. No extremo oposto da Fortaleza Real ficava a Porta Norte, protegida por um baluarte cavaleiro. Coroando todo o complexo, numa elevação na cota de 160 metros a Norte, ergue-se um farol, equipamento que já se encontra figurado num mapa datável de 1615.

Concluída a construção deste primeiro núcleo lançaram ‑se, a partir da Fortaleza Real, várias muralhas ou couraças, tanto para Norte, em direção à elevação do farol, e onde mais tarde se edificou a cidadela, como para Oeste e Leste, ao longo da orla da península.

Pouco tempo depois de iniciada a fortaleza, construiu ‑se uma cortina ribeirinha em direção a Leste, até à zona das nascentes de água potável. Estas foram canalizadas, em 1624, para uma fonte monumental que já figura na vista das terras de Bardez incluída no códice de António Bocarro. Esta área, situada cerca de 200 metros a Nordeste da fortaleza, acabaria por congregar ainda a Bateria ou Baluarte do Mar, junto do qual se edificaram aquartelamentos e outras estruturas de apoio ao cais que, em 1635, ainda não estava concluído. Para Oeste da fortaleza partia outra cortina, acompanhando o desenho da orla numa extensão de aproximadamente 700 metros e conduzindo até ao baluarte de Oeste. No lado Noroeste da península, já sobre a praia de Candolim, foi edificado um baluarte de planta semicircular, unido à terra firme por um aterro. Conhecido posteriormente como “Baluarte de D. Maria”, foi provavelmente edificado antes de 1635, mas sofreu intervenções posteriores. A restante secção de muralha, que viria praticamente a unir o Baluarte de D. Maria ao Baluarte do Mar, rodeando os flancos Norte, Leste e Sudeste da península, aparenta ter sido obra iniciada após 1635 e executada a ritmo mais lento. Incluía outros 5 baluartes e 2 portas, sendo que a principal se integrava no Baluarte da Cava e era acedida por uma ponte levadiça. Mais a Leste, situavam ‑se os baluartes de Mamam e de São Lourenço, entre os quais havia uma extensão de orla não fortificada. Todo este perímetro defensivo, situado à cota baixa da Península de Aguada, totalizava 14 baluartes e estendia ‑se por cerca de 4,5 quilómetros, compreendendo aproximadamente 150 canhoneiras. A robustez deste perímetro defensivo era variável; contudo, as secções mais desenvolvidas, dos lados Sul e Noroeste, permitiam o transporte de peças de artilharia entre os baluartes.

Na zona mais elevada do Morro de Aguada situa ‑se a fortificação outrora designada por Cidadela, unida à fortaleza através de duas cortinas e ligada a outros pontos estratégicos da península por estradas. De planta aproximadamente quadrangular, este forte compreendia 3 baluartes regulares e um quarto reduto, no vértice Sudeste, onde se localizava a torre do farol. As dimensões desta fortificação e o traçado dos seus baluartes têm claras afinidades com o Forte de São Jerónimo, em Damão. Provavelmente, resultam da autoria do arquiteto Júlio Simão em ambas as obras. Bocarro refere que o essencial da fortificação estava completo por 1635, embora o fosso que a envolve aparente ser de uma data posterior, dado o elaborado desenho da sua contraescarpa. Os dois baluartes voltados a Norte são os mais desenvolvidos, apresentando orelhões e casamatas de flanqueamento. No reduto Sudeste, no qual se ergue o farol, rasga-se a porta principal, defendida por duas canhoneiras. A sul deste reduto situava ‑se o paiol. Daqui partiam as duas couraças que acompanhavam o declive da encosta até à fortificação ribeirinha. Estas detinham baluartes a cotas intermédias. No interior do recinto da cidadela localiza ‑se ainda uma grande cisterna de planta quadrada. Para além destes dois grandes grupos de estruturas - perímetro ribeirinho e cidadela - existiam várias outras estruturas no interior da Península de Aguada, construídas a partir do século XVII. Destas, destacam‑se a Igreja de Sinquerim e a Capela de Nossa Senhora dos Remédios, para além de diversos edifícios de aquartelamento ou armazenamento.

O atual farol também foi construído pelos portugueses, e remonta a 1864, o mais antigo de seu tipo na Ásia. Encontra-se desativado desde 1976.

Outros dispositivos arquitetónicos menores completavam o sistema defensivo de Aguada. Cruzavam fogos, na outra margem da barra do Mandovi com a Fortaleza de Aguada e a Fortaleza dos Reis Magos de Goa, respetivamente, o Forte de Nossa Senhora do Cabo (de planta no formato retangular com 220 por 55 metros) e o Forte de Gaspar Dias (com planta no formato quadrangular, com 6 metros de lado), que começou a ser erguido em 1588 também sob a direção de Júlio Simão, mas que, em 1634 ainda não se encontrava concluído.

Existiu ainda, na ilha de Goa, uma muralha que começava no Passo de Daugin e acabava no Passo de São João Batista, a qual não chegou a ser completada.



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Aguada [Goa, Índia]
Página sobre a Fortaleza da Aguada [Goa, Índia] na base de dados do Património de Influência Portuguesa (HPIP), da Fundação Calouste Gulbenkian.

https://hpip.org/pt/heritage/details/1396
Fortificações de GOA
O site aborda uma série de fortificações em Goa, na Índia, como a Fortaleza de Aguada , Fortaleza de Angediva, entre outras.

http://www.supergoa.com/pt/fortes/f_intro.asp

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Contribution

Updated at 30/11/2020 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Fernando Vieira Romão (6), Carlos Luís M. C. da Cruz (1).


  • Fort Aguada


  • Fortress

  • 1604 (AC)

  • 1612 (AC)

  • Júlio Simão


  • Portugal


  • Featureless and Well Conserved

  • National Protection
    Encontra-se classificado como "Monumento" pelo "Archaeological Survey of India" (ASI), sob os n.ºs N-GA-11 (Aguada / Auguda Fortress (Upper)) e N-GA-17 (Fortification Wall of Aguada / Auguda Fortress (Lower)).





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Asia
    Country : India
    State/Province: Goa
    City: Mapusa



  • Lat: 15 -30' 28''N | Lon: 73 -47' 36''E




  • 1612: 79 peças antecarga, de alma lisa, dos diversos calibres.






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