Fort Fredrick

Trincomalee, Eastern - Sri Lanka

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O “Forte de Nossa Senhora de Guadalupe de Triquinimale”, também referido como “Forte de Triquinimale” e “Fort Fredrick”, localiza-se na cidade portuária e distrito de Trincomalee, na província Oriental, no Sri Lanka. Historicamente, a importância da cidade prendia-se à segurança do seu vasto porto, operacional em todas as estações do ano.

No contexto europeu da Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), sob o reinado de Filipe III de Espanha (1598-1621), a região de Trincomalee tornou-se cenário de diversas batalhas navais, com destaque para a atuação do capitão-mor de Jaffna, Filipe de Oliveira. (GNANAPRAKASAR, Swamy. ''A critical history of Jaffna'', New Delhi: Asian Educational Services, 2003. ISBN 81-206-1686-3 pp. 153–172. Ver ainda DE SILVA, K. M.; RAY, C.M. (1959-1973). “History of Ceylon”. Colombo: Ceylon University Press. p. 112. OCLC 952216)

História

Em 1612 o soberano do reino de Jaffna, Ethirimana Cinkam, resistiu a um apelo do vice-Rei da Índia Portuguesa, D. Jerónimo de Azevedo, para auxiliar os portugueses na construção de uma fortificação em Trincomalee, sendo assim o projeto abandonado. (PERNIOLA, V.. “The Catholic church in Sri Lanka. The Portuguese period”, Vol. II, p. 366.) Embora instalado no poder pelos portugueses (e nominalmente um cliente), este soberano também resistiu às atividades missionárias e auxiliou o Reino de Kandy, no interior da ilha, em a conseguir ajuda militar do sul da Índia. Eventualmente, um usurpador do trono, Cankili II, resistiu à conquista portuguesa do reino de Jaffna (1619) e acabou por vir a ser deposto e executado em Goa, por enforcamento, pelo Capitão-mor do Ceilão, Filipe de Oliveira (1619-1627) em 1619.

Ao final de 1619 uma pequena armada da Companhia Dinamarquesa das Índias Orientais aportou em Trincomalee. Em maio do ano seguinte (1620) os dinamarqueses ocuparam a área do templo hindu de Koneswaram e começaram os trabalhos de fortificação da península onde se erguia. (BARNER JENSEN, U.. “Danish East India. Trade coins and the coins of Tranquebar, 1620-1845”, pp. 11-12; FURBEN, Holden. “Imperi rivali nei mercati d’oriente, 1600-1800”, nota n.° 66, p. 326: "[O rei] Senarate de Kandy enviou a Trincomalee 60 homens Sinhala para ajudar os Dinamarqueses na construção do seu forte. Durante a sua permanência em Trincomalee, os Dinamarqueses cunharam também alguns "Larins", dos quais, como lembrado nas palavras de ‘Don Erich Grubbe’, "(...) destas moedas, em nossos dias, não existem vestígios a não ser no diário de Ove Giedde.")

Em 14 de abril de 1622, dia do Ano Novo Tamil, a posição dinamarquesa foi conquistada por forças portuguesas sob o comando do Capitão-general do Ceilão, Constantino de Sá de Noronha, que denominou o templo hindu de “Templo dos Mil Pilares”. Aproveitando-se das festividades, os portugueses apoderam-se da principal estátua que era transportada em procissão e, disfarçados como sacerdotes, entraram no templo e saquearam-no, arrasando-o em seguida. Para escapar à ação dos portugueses, algumas estátuas foram enterradas na área circundante ao templo. Registe-se que durante a anterior dominação portuguesa, o templo pagava um tributo de 1280 "fanams" por ano. Posteriormente, pedras do templo e algumas de suas colunas esculpidas seriam reutilizadas na construção do “Fort Fredrick” e outras posições defensivas europeias ao longo da costa leste da ilha no contexto da Guerra Luso-Holandesa (1595-1663).

Em termos históricos, a destruição do templo de Koneswaram é vista como um atentado europeu a um dos maiores e mais ricos templos da Ásia. Ouro, pedras preciosas e sedas, acumuladas durante mais de mil anos foram saqueados em poucas horas. ("Tamil culture". In “Tamil Literature Society (Tuticorin, South India)” 2-3: 191. 1953. OCLC 191253653)

Uma planta do local por efetuada por DE QUEIROZ informa: "(…) no início da subida ao topo do rochedo existe um pagode, um outro a meia-encosta, e o maior de todos no na eminência mais alta, visitado por um concurso de Hindus, de toda a Índia.” (PATHMANATHAN 2006:83)

Em seu relatório sobre a conquista, Constantino de Sá de Noronha informou a Filipe IV de Espanha: "A terra do Pagode tem 600 braças de comprimento e 80 pés ma sua parte mais larga, estreitando-se até 30 pés”.

O edifício principal do complexo do templo foi demolido dois anos mais tarde (1624), quando da conclusão do forte português. Sobre uma inscrição Tâmil no templo, Sá de Noronha registou: "Quando fui lá para fazer este forte, encontrei gravada no pagode, entre muitas outras inscrições, uma que dizia assim: ‘Kulakottan construiu este pagode’. (…)”. (RASANAYAGAM, M.C.. “Being a research into the history of Jaffna, from very early times to the Portuguese period”. New Delhi: Asian Educational Services, 1926 (republicado em 1993). p. 378. OCLC 249907591)

Poucos anos mais tarde, em 1639, o forte foi conquistado pelas forças da Companhia Neerlandesa das Índias Orientais (VOC), sob o comando do almirante neerlandês Adam Westerwold (1580–1639). Foi por estas arrasado a partir de abril de 1640.

Foi reconstruído pelos neerlandeses em 1665 como defesa ante os avanços inglês e francês na região, sendo então batizado como “Fort Fredrick”. Em 1672, ano em que os Países Baixos foram atacados por uma coligação integrada pela França, a Inglaterra e dois estados Germânicos, forças francesas capturaram Trincomalee e, mais tarde, Batticaloa. Em pouco tempo, entretanto, os franceses foram forçados a abandonar as suas posições.

Em 1781 os britânicos apoderaram-se do forte na sequência da declaração de guerra do Reino Unido aos Países Baixos. Os franceses, liderados por Pierre André de Suffren, recuperaram os fortes em Trincomalee em agosto de 1782 (Forte de Trincomalee e Forte d’Ostembourg) e travaram uma feroz batalha naval com as forças britânicas que chegaram como reforço.

A povoação e o seu forte retornaram às mãos da VOC com a assinatura da Paz de Paris (1784).

Em 1795 foram conquistadas definitivamente pelos britânicos, que guarneceram o forte até à independência do Sri Lanka em 1948.

Nesta fase, recebeu baterias de artilharia de costa durante a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais.

Atualmente permanece guarnecido por um destacamento do Exército do Sri Lanka (o regimento Gajaba), mas aberto à visitação turística.

Como curiosidade, Arthur Wellesley, mais tarde 1.º duque de Wellington, enquanto coronel em serviço na Companhia Britânica das Índias Orientais, visitou este forte. O bangalô em que residiu é hoje conhecido como “Wellesley Lodge”, e abriga a messe dos Oficiais do 2.º Batalhão de Voluntários do Regimento Gajaba do Exército do Sri Lanka.

Características

Exemplar de arquitetura militar, abaluartado.

O forte erguido pelos portugueses em alvenaria de “pedra e cal”, apresentava planta triangular, onde os lados menores apresentavam setenta e cinco metros de comprimento e o maior cento e cinquenta metros. Contava com baluartes nos três vértices. O mais importante, no lado sul do istmo, sob a invocação da Santa Cruz, era a chave para a defesa da baía, e estava artilhado com seis peças. Na extremidade norte do istmo, erguia-se o baluarte de Santo António, artilhado por cinco peças. Estes dois baluartes estavam unidos por uma muralha de 100 “paços” de comprimento, três braças e meia de altura e seis palmos de espessura, a fechar o istmo na sua parte mais estreita. Um terceiro baluarte, de menores dimensões, sob a invocação de São Tiago, erguia-se no lado norte sobre a península. Nele estavam montadas três peças. Toda a artilharia havia sido capturada às forças dinamarquesas.

Outra muralha, com as mesmas altura e espessura da anterior, conectava pelo lado sul o baluarte de São Tiago com o da Santa Cruz. Pelo lado norte, o de São Tiago ligava-se ao de Santo António apenas por um parapeito de "pedra e cal" que acompanhava o topo do penhasco sobre o mar. Os portugueses haviam modificado a escarpa abaixo desse muro de modo a torná-la mais íngreme. Na extremidade mais larga da península erguia-se um pequeno povoado onde viviam os portugueses casados e indígenas, num total de “vinte brancos e vinte e cinco pretos”. Os casados juntamente com 50 soldados portugueses constituíam a guarnição da fortaleza. Os soldados solteiros residiam nos quartéis da tropa no interior da fortaleza, juntamente com seu capitão, enquanto o comandante da fortaleza, nomeado pelo rei ou pelo vice-rei, residia em uma casa própria no assentamento dos casados.

De acordo com a iconografia de BOCARRO (1635), um outro baluarte erguia-se, isolado, no lado sul do promontório rochoso. No exterior da muralha que ligava os baluartes da Santa Cruz e de Santo António, um fosso parece ter estado presente. Uma pequena aldeia localizava-se entre o forte Português e a baía. A ilustração mostra ainda três templos na extremidade da península, templos esses que não estão presentes na versão da mesma obra na biblioteca do Paço Ducal de Vila Viçosa. A entrada do forte português parece ter-se situado ao longo da parede sul do lado da vila de "casados". (BOCARRO, António. "Livro Das Plantas Das Fortalezas povoacois Cidades de e do Estado da Índia Oriental", 1635. p. 238.)

Um mapa do período Português, levantado pelo governador Sá e Noronha, mostra o forte de Trincomalee situada no istmo da península, com forma triangular e três baluartes nos vértices, assim como se encontra indicada claramente a aldeia dos “casados”, na península além do forte. Sá e Noronha informa que, nos três baluartes foram montadas 16 peças de artilharia, e que, à época a guarnição era composta por 40 soldados e 30 casados. Sá e Noronha reputa o local como inexpugnável uma vez que se situa sobre altos penhascos e, de acordo com a sua opinião, também a povoação portuguesa, com algumas obras de fortificação poderia ser transformada em um dos lugares mais fortes do Oriente.

Faz parte da mesma coleção um outro mapa, de maiores dimensões, intitulado "Planta da Fortalesa de Trinquilimale" com indicação dos nomes dos três baluartes: S. Cruz (o maior), S. António, S. Tiago (o menor), este último com a indicação de que "este baluarte se acomodou ao sitio". No interior do forte lê-se o nome de Nossa Senhora de Guadalupe, assinalando o nome da igreja de Trincomalee.

No “Diário” de Caen a igreja do forte é referida como “Nossa Senhora de Garde Rope” embora o nome correto seja “Nossa Senhora de Guadalupe” (J.R.A.S. (Ceylon), n°35 (1887) “The capture of Trincomalee A.D. 1639”, p. 138.; Ver ainda Ribeiro “The historic tragedy of the island of Ceilão”, p. 36.)

O capitão João Ribeiro fornece esta descrição da fortaleza de Trincomalee: era uma fortaleza triangular com três baluartes, um em cada ângulo, armados com 10 canhões de ferro, construído em uma colina perto da “Baía dos Arcos”; dentro, erguia-se uma igreja e um armazém para as mercadorias e munições. A guarnição era composta por um capitão e 50 soldados e nela um Condestável, casados e um capelão. As dimensões dos lados menores da fortaleza eram de 75 metros, com o lado maior medindo 150 metros. (“Costantine de Sa’s maps and plans of Ceylon”, p. 57.)



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Contribution

Updated at 06/01/2016 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

With the contribution of contents by: Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (1).


  • Fort Fredrick

  • Forte de Nossa Senhora de Guadalupe de Triquinimale, Forte de Triquinimale

  • Fort

  • 1622 (AC)




  • Portugal


  • Restored and Well Conserved






  • Military Active Unit

  • ,00 m2

  • Continent : Asia
    Country : Sri Lanka
    State/Province: Eastern
    City: Trincomalee

    Cidade e distrito de Trincomalee, província Oriental, Sri Lanka.


  • Lat: 8 -35' 18''N | Lon: 81 -15' 22''E










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