Fortress of Diu

Diu, Daman and Diu - India

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A “Fortaleza de Diu” localiza-se na ilha de Diu, no extremo sul da península de Katiavar, à entrada do golfo de Cambaia, na costa de Guzerate, na Índia.

Erguida por forças portuguesas em 1535-1536, é considerada pelos estudiosos de arquitetura militar como a mais importante e bem fortificada estrutura defensiva erguida no Estado Português da Índia. Devido à sua importância estratégica, foi alvo da cobiça e resistiu a inúmeros cercos e ataques de árabes, turcos, indianos e às diversas tentativas Neerlandesas para dela se apoderarem em finais do século XVII. Reputada como inexpugnável, acompanhou o declínio de Diu a partir do século XVIII até à sua queda final em dezembro de 1961 frente às forças da União Indiana.

História

Diu era um importante entreposto comercial à época da chegada dos portugueses à costa da Índia. Desse modo, desde 1513, com Afonso de Albuquerque, ali tentaram estabelecer uma feitoria, sem sucesso. Algumas tentativas de conquista empreendidas em 1521, por Diogo Lopes de Sequeira, em 1523 e em 1531, por D. Nuno da Cunha, também não tiveram êxito.

Pelo Tratado de Baçaim, assinado entre Martim Afonso de Sousa por Portugal, e o sultão Bahadur Xá de Guzerate, em 23 de dezembro de 1534, a bordo do galeão São Mateus, em troca de ajuda militar portuguesa prestada contra o Grão-Mogol de Déli, que expulsara o sultão de seus domínios, Portugal obteve o controlo da cidade de Baçaim, assim como dos seus territórios, ilhas e mares. No ano seguinte (1535), o Gujarate foi ocupado pelos Mughals, e o sultão foi forçado a concluir uma aliança com os Portugueses para retomar o seu reino, concedendo-lhes Damão e Diu, Bombaim (ilhas de Colaba, Pequena Colaba, Bombaim, Mazagaon, Worli, Matunga e Mahim), a ilha de Salsete, Taná, Kalyan e Chaul.

As obras em Diu foram iniciadas pelo sétimo governador do Estado Português na Índia, D. Nuno da Cunha, em 20 de novembro de 1535, estando concluídas no ano seguinte.

Livre da ameaça e arrependido da sua liberalidade, Bahadur Xá pretendeu reaver Diu, assassinando o governador da praça, ao mesmo tempo que chamava em auxílio uma frota turca. Ao tomar conhecimento da traição, o governador mandou prender Bahadur, que acabou por ser morto numa refrega (fevereiro de 1537). Seguiu-se um período de guerra entre os portugueses e a gente do Guzerate. O novo sultão celebrou um acordo com a Sublime Porta, e, em 1538, forças Guzerates, sob o comando de Coja Sofar, senhor de Cambaia, com o reforço de uma armada egípcia do Paxá Al Khadim (turca de Solimão, o Magnífico ?), impôs cerco a Diu, defendida por tropas portuguesas sob o comando de António da Silveira. Essas forças foram dispersadas com o auxílio de Martim Afonso de Sousa.

Com a sua estrutura reparada e reforçada, foi duramente castigada em novo cerco, imposto por um novo exército Guzarate, sob o comando do mesmo Coja Sofar, no Verão de 1546. Durante cinco meses os seus defensores resistiram, sob o comando de D. João Mascarenhas, recebendo alguns reforços e suprimentos pelo mar até que, em 11 de novembro, um reforço naval, sob o comando de D. João de Castro, posteriormente recompensado com o cargo de quarto Vice-rei da Índia, decidiu a vitória em favor dos Portugueses.

Neste cerco, pereceram Coja Sofar e um filho de D. João de Castro, D. Fernando. Assim lhe foi comunicada a perda por seu outro filho, também enviado em socorro da praça: "Meu irmão, que Deus haja, achei morto; é certo que Vossa Mercê perdeu um filho e eu um irmão para muito sentir, mas nós havemos de morrer e o manjar da Guerra são homens e os melhores" (carta de D. Álvaro de Castro a D. João de Castro, Diu, 27 de agosto de 1546).

Os episódios foram registados por CAMÕES:

"Vereis a inexpugnável Dio forte

Que dous cercos terá, dos vossos sendo.

Ali se mostrará seu preço e sorte,

Feitos de armas grandíssimos fazendo.

Envejoso vereis o grão Mavorte

Do peito lusitano, fero e horrendo.

Do mouro ali verão que a voz extrema

Do falso Mahamede ao céu blasfema."
(Júpiter a tranquilizar Vênus, protetora do Gama, descrevendo o que os portugueses farão na Ásia, mesmo depois da viagem dele. In: "Os Lusíadas", Canto II, 50).

E adiante, no canto X, novamente por meio de profecias, desta vez de Calíope, refere as vitórias em Diu, por doze estrofes. O poeta conclui a história do cerco dizendo:

"Feitos farão tão dinos de memória

Que não caibam em verso ou larga história"
(Os Lusíadas, Canto X, 71 7-8)

D. João de Castro, necessitando reconstruir as muralhas da fortaleza, arruinadas pelo cerco (segundo a sua própria informação, a fortaleza encontrava-se tão gravemente destruída que nela não havia de aproveitável um só palmo de parede), solicitou à Câmara Municipal de Goa um empréstimo de 20 mil pardaus, dando em garantia a própria barba. A Câmara liberou o empréstimo, rejeitando, no entanto, o precioso penhor. As obras de reconstrução foram conduzidas pelo mestre de pedraria Francisco Pires que, tendo saído do reino para a Índia em 1546, de passagem trouxera ainda o risco para a Fortaleza de São Sebastião na ilha de Moçambique.

Na primeira metade do século XVII, a sua artilharia era:

“Ha nesta fortaleza de Dio, repartidos pellos baluartes e couraça (que na planta se vê) corenta e sinco peças de artelharia groça, camellos, bazaliscos, esperas (algüas de ferro), onde entra hum espalhafato que esta a porta. É a mayor parte de bronze, toda em seus repairos, e na de ferro entrão doze peças meudas de seis ate dês libras de pilouro de pedra.” (BOCARRO, António. "Discripção da Fortaleza de Dio", 1635.)

A partir do século XVIII, o progresso levado pelos ingleses às cidades vizinhas do Katiavar, retiraram importância econômica a Diu, cuja importância estratégica encerrou-se ao final do século XIX com a abertura do Canal do Suez, assim como aconteceu com as costas de Oman e do Gujarate.

Em 18-19 de dezembro de 1961 a intervenção militar das forças armadas da União Indiana ("Operação Vijay"), anexou Goa, Damão e Diu à Índia. A fortificação, sem possibilidade de receber reforços, após esgotada a sua munição, caiu. Foi diante dos seus muros que se desenrolou o episódio da lancha "Veja", que sucumbiu ante os ataques de duas esquadrilhas de aviões a jato indianas.

Encontra-se classificado como Monumento de Importância Nacional pelo "Archaeological Survey of India" com a referência N-DD-10.

Características

Uma das primeira manifestações do estilo renascentista nas praças do Oriente português, destaca-se pela imponente muralha pelo lado de terra que ascendia a 250 metros de comprimento, reforçada por baluartes, apoiada por numerosos fortes e fortins espalhados pelos 40 quilómetros quadrados da ilha.

Considerando-se a informação de D. João de Castro acerca do estado das fortificações no Estado Português da Índia, de que "(...) são estas fortalezas tão fracas que tirando Diu nenhuma é capaz de se poder defender oito dias dos nossos inimigos" (carta de 30 de outubro de 1540), Gaspar Correia, nas "Lendas da Índia" (c. 1560), ao referir-se à fortaleza de Diu, registou: "(...) nunca outra tal nestas partes se viu".

A defesa era composta, pelo lado de terra por uma primeira linha, sobre o fosso exterior, amparada pelos:

- Baluarte de São Domingos (defendendo o Portão de Armas);

- Baluarte de São Nicolau; e

- Baluarte de São Filipe.

A segunda linha, interna, era integrada, pelo lado de terra, pela:

- Torre de Menagem; e pelos:

- Baluarte Cavaleiro; e

- Baluarte de São Tiago;

pelo lado do mar, pelos:

- Baluarte Chato (Sueste);

- Baluarte de Santa Luzia (Este);

e pelo lado do canal, pela:

- Couraça;

- Baluarte de Santa Teresa; e

- Baluarte de São Jorge.

A defesa era complementada ainda pelo chamado "Fortim do Mar", um forte de pequenas dimensões estrategicamente erguido em meio às águas, na embocadura do canal, e que, em nossos dias, controla a atividade dos numerosos barcos de pesca na área.

Curiosidades

D. João de Castro, dirigindo-se ao filho D. Fernando, enviado a socorrer a praça sitiada pela segunda vez, afirmou: "Por cada pedra daquela fortaleza arriscarei um filho".

O episódio da libertação da fortaleza de Diu pelas tropas de D. João de Castro encontra-se retratado numa tapeçaria em fios de lã, seda, ouro e prata, confeccionada em 1557, em exposição no Kunsthistorisches Museum em Viena, na Áustria.

Em 1992 o Museu de Marinha em Lisboa adquiriu um modelo em pedra da Fortaleza de Diu, com o nome do seu artífice e a data do trabalho ("Deuchande Narane mestre – fez 1894").

Bibliografia

ANDRADE, Francisco de. O primeiro cerco que os turcos puserão ha fortaleza d Diu nas partes da Índia. Coimbra, 1589.

CASTANHEDA, Fernão Lopes de. História do Descobrimento e Conquista da Índia pelos Portugueses. Lisboa, 1833.

CORTE REAL, Jerônimo. Sucesso do Segundo Cerco de Diu. Estando Dom Joham Mazcarenhas por capitam da fortaleza. Anno de 1546. Fielmente copiado da Ediçam de 1574. Por Bento Jose de Sousa Farinha. Lisboa: na offic. de Simam Thaddeo Ferreira, 1784.

COUTINHO, Lopo de Sousa. O primeiro cerco de Diu. Lisboa: Publicações Alfa ("Biblioteca da Expansão Portuguesa"), 1989. (1ª ed.: Lisboa, 1556)

COUTINHO, Lopo de Sousa, "Livro primeiro do cerco que os turcos poseram a fortaliza de Diu". In: MACHADO, Diogo Barbosa (collegida por). Notícia dos cercos heroicamente sustentados pelos portuguezes nas quatro partes do mundo, Tomo 1, que comprehende o anno de 1538. Coimbra, 1556.

ROSSA, Walter. Cidades Indo-Portuguesas. Contribuição para o estudo do urbanismo português no Hindustão Ocidental. Lisboa. Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1997, 117p.



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    Encontra-se classificado como Monumento de Importância Nacional pelo "Archaeological Survey of India" com a referência N-DD-10.







  • ,00 m2

  • Continent : Asia
    Country : India
    State/Province: Daman and Diu
    City: Diu



  • Lat: 20 -43' 7''N | Lon: 70 -60' 14''E




  • 1635: 45 peças de artilharia grossa, de bronze (camelos, basiliscos, esperas - algumas de ferro -, e um espalhafato), montadas em seus reparos, e 12 peças miúdas de ferro, dos calibres de 6 até 10 libras de pelouros de pedra.






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