Forte de Santo Alberto (Lagartixa)

Salvador, Bahia - Brazil

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O Forte de Santo Alberto localiza-se na praia entre a cidade baixa e a ponta de Monte Serrat, na cidade de Salvador, no litoral do Estado da Bahia.

Sua edificação remonta à antiga Torre de São Tiago, cujos vestígios arqueológicos foram descobertos ao final do século XX, em torno da qual será erguida muralha e aterro (1590). Concluído em 1610 sob a invocação de Santo Alberto, encontra-se cartografado por João Teixeira Albernaz, "o velho" (Planta da Cidade de Salvador, 1616) como Reduto ou Estância de Santo Alberto da Praia, artilhado com duas peças.

Foi ocupado pelos holandeses na invasão de 1624-25, estando cartografada à época da invasão de 1630-54 por João Teixeira Albernaz, "o velho" (Mapa da Baía de Todos os Santos, 1631. Mapoteca do Itamaraty, Rio de Janeiro), onde se revela um polígono quadrangular regular com 30 palmos de lado e dois baluartes circulares nos vértices pelo lado de terra, artilhado com duas peças. Quando do assalto a Salvador em abr-mai/1638, sob o comando do Conde Johan Maurits van Nassau-Siegen (1604-79), BARLÉU (1974) descrevendo o assalto holandês, relata: "(...) Ocuparam os holandeses o forte de Santo Alberto, construído de pedra, o qual tinham os portugueses abandonado. Garantiu ele o nosso campo de ser sitiado e investido da banda da praia. Mandou o Conde circunvalá-lo (...)." (Op. cit., p. 62)

A atual edificação data de 1694 (GARRIDO, 1940:92), cruzando fogos com o Forte de Além do Carmo, de quem é contemporâneo, protegendo o ancoradouro e a aguada das embarcações em Àgua de Meninos. De acordo com iconografia de José Antônio Caldas (Planta e fachada do Fortinho de S. Alberto. in: Cartas topográficas contem as plantas e prospectos das fortalezas que defendem a cidade da Bahia de Todos os Santos e seu reconcavo por mar e terra, c. 1764. Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa), sua estrutura apresentava planta no formato de um polígono heptagonal irregular, com parapeitos à barbeta. Pelo lado da entrada, o conjunto é dominado por um torreão circular de um pavimento sobre o terrapleno, contendo as dependências de serviço.

SOUZA (1885) observa que a Comissão "ad hoc" nomeada pelo Conde da Ponte para examinar as defesas de Salvador em 1809, sobre esta fortificação, por seu pequeno desenvolvimento, considerou-a inútil estratégicamente, aconselhando a sua demolição (Op. cit., p. 91, 94). Com a vitória brasileira na Guerra da Independência (1822-23), é este forte quem, a 02/jul/1823, deu o tiro autorizando o embarque das forças do Coronel Inácio Luís Madeira de Melo (1775-1833) para Portugal (SOUZA, 1885:94). Mais tarde fica conhecido como Forte da Lagartixa (GARRIDO, 1940:93), provavelmente devido a um tipo de canhão assim denominado à época (BARRETTO, 1958:176). No contexto da Questão Christie (1862-65), o "Relatório do Estado das Fortalezas da Bahia" ao Presidente da Província (03/ago/1863), dá-o como reparado (ROHAN, 1896:51), citando:

"(...) É de forma irregular (hexágono), cujas baterias com sete canhoneiras apresentam um plano de fogo de 290 palmos, montando sete peças, três de calibre 24 no lado da frente para o mar e quatro de 18 nos contíguos adjacentes.

Acha-se em bom estado e pode ser considerado pronto; entretanto ressente-se da falta de plataformas para as competentes canhoneiras, cujas peças assentam hoje no mesmo solo do terrapleno, o qual, embora fosse ai nivelado e preparado de modo que parece consistente, não oferece contudo a desejada resistência para o peso e movimento das peças, está ao mesmo nível não tendo portanto o decive impediente do recuo.

Um outro defeito resulta da atual estação do pau de bandeira no espaço que devia ser ocupado pela pilha de balas da peça vizinha, a qual, por semelhante motivo, estabelecida à direita da peça, impoz a mesma alteração em todas as outras; sendo assim que a regularidade e ordem do serviço deve sofrer pela posição das pilhas em ponto diverso do que compete ao soldado encarregado do serviço das balas cujo lugar como se sabe é à esquerda da peça respectiva.

O depósito de pólvora desta fortaleza está condenado pela qualidade do material de sua construção (madeira), e precisa ser substituído por outro de alvenaria abobadado.

O desentupimento da cisterna que existe no forte, é outra necessidade que cumpre executar." (Op. cit., p. 59-60)

SOUZA (1885) computa-lhe nove peças, e considera-a uma das que apresentava melhor estado de conservação (Op. cit., p. 94).

Afastado do mar pelas obras de ampliação e modernização do porto de Salvador, em 1958 abrigava o Serviço Veterinário do Exército (BARRETTO, 1958:176). Restaurado, está aberto ao público, dentro do Projeto de revitalização das Fortalezas Históricas de Salvador, da Secretaria de Cultura e Turismo em parceria com o Exército. Para os aficcionados da telecartofilia, sua muralha de pedra com ameias ilustra um cartão telefônico da série Fortes de Salvador, emitida pela Telebahia (jun/1998).

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Forte de Santo Alberto
Página da Enciclopédia Wikipédia versando sobre o Forte de Santo Alberto, que localiza-se sobre a praia entre a cidade baixa e a ponta de Itapagipe, em Salvador, no litoral do Estado da Bahia, no Brasil.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Forte_de_Santo_Alberto
Fortes da Bahia
Website Mar da Bahia versando sobre os Fortes de São Marcelo, Santo Antônio da Barra, Santa Maria, São Paulo da Gamboa, São Diogo, São Pedro, Monte Serrat, Santo Alberto, Jequitaia, Rio Vermelho, Santo Antônio Além do Carmo, Barbalho, Paraguassú e Morro de São Paulo, todos localizados no Estado da Bahia.

http://www.mardabahia.com.br/fortes_salv.php
Fortificações de Salvador
Website EMTURSA versando sobre os Fortes de Nossa Senhora de Monte Serrat, de Santa Maria, de Santo Antônio Além do Carmo, de Santo Antônio da Barra, de São Diogo, de São Pedro, do Barbalho, de Santo Alberto, e de São Marcelo. Todos os fortes localizam-se ou localizavam-se na cidade de Salvador, Estado da Bahia.

http://www.emtursa.ba.gov.br/Template.asp?IdEntidade=109&Nivel=0002000...
Fortificações de Salvador
Website Mar da Bahia, versando sobre as seguintes fortificações de Salvador, Estado da Bahia: Forte São Marcelo, Forte de Santo Antônio da Barra, Forte de Santa Maria, Forte de São Paulo da Gamboa, Forte de São Diogo, Forte de São Pedro, Forte do Monte Serrat, Forte de Santo Alberto, Forte da Jequitaia, Forte do Rio Vermelho, Forte de Santo Antônio Além do Carmo, Forte do Barbalho, Forte do Paraguassú e Forte do Morro de São Paulo.

http://mardabahia.com.br/fortes_salv.php

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Contribution

Updated at 17/07/2009 by the tutor Roberto Tonera.

With the contribution of contents by: Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Projeto Fortalezas Multimídia (Camila Guerreiro) (1), Projeto Fortalezas Multimídia (Jaime José S. Silva) (1).


  • Forte de Santo Alberto (Lagartixa)

  • Fortim de Santo Alberto; Fortinho de Santo Alberto; Forte da Lagartixa; Reduto de Santo Alberto da Praia; Estância de Santo Alberto da Praia.

  • Fort

  • 1590 (AC)

  • 1610 (AC)



  • Portugal


  • Restored and Well Conserved



  • Governo do Estado da Bahia



  • Tourist-cultural Center
    Após restauração em meados do século XX, está aberto ao público, dentro do Projeto de revitalização das Fortalezas Históricas de Salvador, da Secretaria de Cultura e Turismo em parceria com o Exército.

  • 0,00 m2

  • Continent : South America
    Country : Brazil
    State/Province: Bahia
    City: Salvador

    Localizado na praia entre a cidade baixa e a ponta de Itapagipe, em Salvador, no litoral do Estado da Bahia.


  • Lat: 12 57' 19''S | Lon: 38 30' 8''W




  • Estava artilhado com duas peças em 1616.
    No contexto da Questão Christie (1862-65), o "Relatório do Estado das Fortalezas da Bahia" ao Presidente da Província (03/ago/1863) informa que montava sete peças, três de calibre 24 no lado da frente para o mar e quatro de 18 nos contíguos adjacentes.
    SOUZA (1885:94) computa-lhe nove peças.

  • João Teixeira Albernaz, "o velho" (Mapa da Baía de Todos os Santos, 1631. Mapoteca do Itamaraty, Rio de Janeiro), informava qu o forte era um polígono quadrangular regular com 30 palmos de lado e dois baluartes circulares nos vértices pelo lado de terra.

    A atual edificação, que data de 1694 (GARRIDO, 1940:92), de acordo com iconografia de José Antônio Caldas (Planta e fachada do Fortinho de S. Alberto. in: Cartas topográficas contem as plantas e prospectos das fortalezas que defendem a cidade da Bahia de Todos os Santos e seu reconcavo por mar e terra, c. 1764. Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa), apresentava planta no formato de um polígono heptagonal irregular, com parapeitos à barbeta. Pelo lado da entrada, o conjunto é dominado por um torreão circular de um pavimento sobre o terrapleno, contendo as dependências de serviço.

    No contexto da Questão Christie (1862-65), o "Relatório do Estado das Fortalezas da Bahia" ao Presidente da Província (03/ago/1863), dá-o como reparado (ROHAN, 1896:51), citando:
    "(...) É de forma irregular (hexágono), cujas baterias com sete canhoneiras apresentam um plano de fogo de 290 palmos (...)".






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