Forte de Santo Antônio Além do Carmo

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O Forte de Santo Antônio Além do Carmo localiza-se no bairro de Santo Antônio, e defendia a entrada norte da antiga cidade de Salvador, no Estado da Bahia.

A primeira referência a uma fortificação na posição de Santo Antonio Além do Carmo remonta a um hornaveque que consta na cartografia de Gaspar Barleus (Civitas S. Salvatoris), publicada em 1647, mas que espelha a cidade em 1624/25, na época da primeira invasão e ocupação holandesa de Salvador. Esta estrutura poderia tratar-se de uma fortificação de origem holandesa ou ainda anterior àquela primeira invasão (OLIVEIRA, 2008: 146).

Este local estava efetivamente fortificado por uma trincheira e por um reduto de forma aproximadamente quadrada, defendido com dois hornaveques quando da vitoriosa resistência empreendida pelo Conde Bagnuolo à segunda invasão holandesa comandada por Maurício de Nassau em 1638 (MIRALES apud OLIVEIRA, 2008: 147).

Segundo uma inscrição em lápide existente no edifício, uma reforma no Forte teria sido concluída em 1659, a mando de Francisco Barreto de Menezes cujo inicio de sua administração ocorreu em 1657. Nesta época (e até pelo menos 1671) a fortificação ainda era de terra, mas de boa qualidade. Era, provavelmente de pequenas dimensões, possuindo em 1660 uma artilharia composta de sete peças de ferro, sendo uma de 12 libras, duas de 10 libras e quatro de 8 libras. A estrutura em pedra e cal foi iniciada provavelmente no Governo Geral de João de Lencastro ou Lencastre (1694-1702), e concluída na gestão de D. Rodrigo da Costa (1702-05). A obra teria ficado a cargo de Francisco Pinheiro, Capitão de Artilharia improvisado de Engenheiro. Em 1710 o Mestre de Campo Miguel Pereira da Costa descreve a Fortaleza já com seus quatro baluartes em ponta de lança, na forma como foi posteriormente cadastrado pelo Engenheiro Militar José Antonio Caldas, na metade do século XVIII. (OLIVEIRA, 2008: 149-51).

A iconografia de Caldas (Planta e fachada do forte de S. Antonio alem do Carmo. in: Cartas topográficas contem as plantas e prospectos das fortalezas que defendem a cidade da Bahia de Todos os Santos e seu recôncavo por mar e terra, c. 1764. Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa), revela planta no formato de um polígono retangular com quatro baluartes pentagonais e irregulares nos vértices. Ao redor do terrapleno, a coberto das muralhas, dispõem-se edificações de um pavimento abrigando as dependências de serviço (Casa de Comando, Quartel da Tropa, Casa da Palamenta, e outras).

De acordo com Barretto, sem especificar data, mas provavelmente durante o século 18, o Forte teria sido guarnecido por um Capitão e três soldados, e artilhado com dezenove peças, sendo uma de bronze de 16 libras, e dezoito de ferro (treze de calibre 24 lb, duas de 12 lb e três de 10 lb). Em posição dominante sobre uma colina, cruzava fogos com o Forte do Barbalho, com o qual cooperava (BARRETTO, 1958: 180-81).

Em fins do século XVIII, segundo Vilhena, ainda possuía seus fossos e contra-escarpas.

Em 1813, um deslizamento ocorrido na encosta junto ao Forte teria sido a causa do desaparecimento de um dos seus baluartes, no lado sul. Já o outro baluarte, também no lado sul, teria desaparecido em função de uma reformulação da praça pública fronteira à fortificação (OLIVEIRA, 2008: 155).

Pelo Aviso de 09 de março de 1830, o imóvel foi transferido à jurisdição do Ministério da Justiça, para ser prisão de Estado (GARRIDO, 1940: 90-91). Segundo este autor, o Forte teria participado da Sabinada (1837), continuando posteriormente com a sua função de prisão. No entanto, o historiador João da Silva Campos considera que a transformação do edifício em presídio só vai ocorrer efetivamente a partir de 1863. (CAMPOS apud Oliveira, 2008: 153).

No contexto da Questão Christie (1862-65), o "Relatório do estado das fortalezas da Bahia" encaminhado ao Presidente da Província (03 de agosto de 1863), dá-o como inútil para a sua finalidade defensiva, estando sendo utilizado como prisão civil, citando: "Está assentada na borda oeste da montanha em que repousa a parte alta desta Cidade, ao lado sul do largo de Santo Antônio Além do Carmo, apresentando ao mar a face esquerda da entrada. É um retângulo abaluartado irregular, à barbeta e com um plano de fogo de 1.900 palmos. Tem algumas ruínas, o fosso da entrada entulhado e os mais arrendados a particular, que os aproveita com plantações diversas. Está transformada atualmente em prisão de condenados. Seus edifícios exigem reparações e geral caiadura" (ROHAN, 1896:51; 61).

Em 1881, segundo o Tenente Coronel Augusto Fausto de Souza, encontrava-se inutilizada para a defesa, por seu mau estado e grande número de habitações que tem ao redor (SOUZA, 1885: 96).

Em 1958, ainda mantinha o antigo uso como Casa de Correção de S. Salvador (BARRETTO, 1958: 181), função que perdurou até 1976, tendo recebido inclusive presos políticos durante o Regime Militar.

A fortificação original chegou aos nossos dias bastante desfigurada, seja pelos acréscimos realizados no período que funcionou como prisão, seja em função da perda dos dois baluartes do lado sul.

No início de 1979, o Forte passou a ser ocupado pelo Bloco Carnavalesco “Os Lord´s”. Em 1981, passou por uma reforma para abrigar o Centro de Cultura Popular. A implantação do Centro contou com o apoio do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural do Estado da Bahia – IPAC, Fundação Cultural do Estado da Bahia - FUNCEB e da Prefeitura Municipal de Salvador.

No período de 1982 a 1988, o Bloco Afro Ilê Ayiê realizou seus ensaios no pátio interno da fortificação. Em 1990, as atividades do Centro de Cultura Popular foram praticamente desativadas. Permaneceram funcionando no local apenas duas escolas de Capoeira, o Centro Esportivo de Capoeira Angola, do Mestre João Pequeno de Pastinha e o Grupo de Capoeira Angola Pelourinho, do Mestre Moraes.

O Forte chegou a ser ocupado por populares e depredado. O monumento de destacada importância histórica ficou em estado de ruína. Em 1997, o Ministério da Cultura e o IPAC iniciaram novos estudos para a restauração e reativação do Forte. Os trabalhos foram concluídos em 2006.

Desde 5 de novembro de 2007, o Forte de Santo Antônio Além do Carmo está sob nova gestão, através do IPAC e do Governo do Estado da Bahia. Hoje no local são desenvolvidas diversas ações de caráter social, educativo e cultural, atividades regulares das academias de capoeira, eventos e manifestações artísticas.



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Forte de Santo Antônio Além do Carmo
Página da Enciclopédia Wikipédia versando sobre o Forte de Santo Antônio Além do Carmo, que localiza-se na praça Barão do Triunfo (Largo de Santo Antônio), defendendo a entrada Norte da antiga Salvador, no Estado da Bahia, no Brasil.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Forte_de_Santo_Ant%C3%B4nio_al%C3%A9m_do_...
Fortificações de Salvador
Website EMTURSA versando sobre os Fortes de Nossa Senhora de Monte Serrat, de Santa Maria, de Santo Antônio Além do Carmo, de Santo Antônio da Barra, de São Diogo, de São Pedro, do Barbalho, de Santo Alberto, e de São Marcelo. Todos os fortes localizam-se ou localizavam-se na cidade de Salvador, Estado da Bahia.

http://www.emtursa.ba.gov.br/Template.asp?IdEntidade=109&Nivel=0002000...
Fortificações de Salvador
Website Salvador 2003, versando sobre as seguintes fortificações: Forte de São Pedro, Forte de Santo Antônio da Barra, Forte de Santa Maria, Forte de São Diogo, Forte de Nossa Senhora do Monte Serrat, Forte de São Marcelo, Forte de Santo Abelardo e Forte de Santo Antônio Além do Carmo. Todos os fortes localizam-se ou localizavam-se na cidade de Salvador, Estado da Bahia.

http://www.salvador2003.com.br/fortes.htm
Fortificações de Salvador
Website Mar da Bahia, versando sobre as seguintes fortificações de Salvador, Estado da Bahia: Forte São Marcelo, Forte de Santo Antônio da Barra, Forte de Santa Maria, Forte de São Paulo da Gamboa, Forte de São Diogo, Forte de São Pedro, Forte do Monte Serrat, Forte de Santo Alberto, Forte da Jequitaia, Forte do Rio Vermelho, Forte de Santo Antônio Além do Carmo, Forte do Barbalho, Forte do Paraguassú e Forte do Morro de São Paulo.

http://mardabahia.com.br/fortes_salv.php
Forte de Santo Antônio Além do Carmo (Blog)
Blog do Forte de Santo Antônio Além do Carmo, localizado em Salvador, Bahia. A fortificação é hoje um equipamento cultural vinculado à Secretaria de Cultura através do IPAC.

http://www.fortesantoantonio.blogspot.com
Intituto do Patrimônio Artístico Cultural da Bahia - IPAC
Página do site do IPAC que trata das ações realizadas no Forte Santo Antonio Além do Carmo em Salvador. O site divulga ainda vários projetos coordenados pelo Instituto nos planos artístico e cultural.

http://www.ipac.ba.gov.br/site/conteudo/museus/museuDetalhes.php?codMu...

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  • Forte de Santo Antônio Além do Carmo


  • Fort

  • 1624 (AC)

  • 1705 (AC)



  • Portugal


  • Restored and Well Conserved
    A última restauração do forte foi finalizada em 2006.

  • State Protection


  • Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia - IPAC

  • (71) 3117-1488; (71) 3117-1492

  • fortesantoantonio@gmail.com

  • State Public Organ
    Hoje no local são desenvolvidas diversas ações de caráter social, educativo e cultural, atividades regulares das academias de capoeira, eventos e manifestações artísticas, sob a tutela do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural do Estado da Bahia – IPAC

  • 0,00 m2

  • Continent : South America
    Country : Brazil
    State/Province: Bahia
    City: Salvador

    Praça Barão do Triunfo, Largo de Santo Antônio s/n - CEP: 40301-330 - Salvador, Bahia, Brasil.


  • Lat: 12 57' 46''S | Lon: 38 30' 12''W



  • O Forte de Santo Antônio Além do Carmo está situado na Praça Barão do Triunfo mais conhecida como Largo de Santo Antônio, no bairro de Santo Antônio Além do Carmo. É um equipamento tombado e administrado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural, autarquia da Secretaria da Cultura do Governo do Estado da Bahia.
    O espaço está aberto à visitação pública das 09h ás 18h, mas nos finais de semana e feriados somente o pátio externo pode ser visitado, no mesmo horário. Possui uma biblioteca com um acervo de aproximadamente 400 livros, além de revistas e outras publicações, sobre cultura, cultura baiana e capoeira, história do Brasil e da Bahia, religião e antropologia. Possui também uma videoteca especializada em capoeira, com cds, dvds, discos, fitas de áudio e vídeo cassete.
    Outras informações podem ser obtidas pelos telefones 3117- 1488 e 3117- 1492 ou através do fortesantoantonio.blogspot.com.


  • Por volta de 1660, a estrutura encontrava-se artilhada com sete peças de ferro, sendo uma de 12 libras, duas de 10 libras e quatro de 8 libras (RAVASCO, 1660 apud OLIVEIRA, 2008: 149).

    De acordo com Barretto, sem especificar data, o Forte teria sido guarnecido por um Capitão e três soldados, e artilhado com dezenove peças, sendo uma de bronze de 16 libras, e dezoito de ferro (treze de calibre 24 lb, duas de 12 lb e três de 10 lb) (BARRETTO, 1958:181).

    “O Forte é um retângulo abaluartado irregular, à barbeta e com um plano de fogo de 1.900 palmos" (ROHAN, 1896: 61).

  • De meados do século XVII até pelo menos 1671 era, provavelmente de pequenas dimensões.

    A estrutura em pedra e cal foi iniciada provavelmente no Governo Geral de João de Lencastro ou Lencastre (1694-1702), e concluída na gestão de D. Rodrigo da Costa (1702-05). A obra teria ficado a cargo de Francisco Pinheiro, Capitão de Artilharia improvisado de Engenheiro.

    A iconografia de Caldas (Planta e fachada do forte de S. Antonio Além do Carmo. in: Cartas topográficas contem as plantas e prospectos das fortalezas que defendem a cidade da Bahia de Todos os Santos e seu recôncavo por mar e terra, c. 1764. Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa), revela planta no formato de um polígono retangular com quatro baluartes pentagonais e irregulares nos vértices. Ao redor do terrapleno, a coberto das muralhas, dispõem-se edificações de um pavimento abrigando as dependências de serviço (Casa de Comando, Quartel da Tropa, Casa da Palamenta, e outras).

  • Em 1997, o Ministério da Cultura e o IPAC iniciaram novos estudos para a restauração e reativação do Forte. Os trabalhos foram concluídos em 2006.

    Prospecções arqueológicas realizadas no local encontraram uma imensa cisterna de armazenamento de água com cobertura em forma de abóbada (OLIVEIRA, 2008: 155)

  • No início de 1979, o Forte passou a ser ocupado pelo Bloco Carnavalesco “Os Lord´s”. Em 1981, passou por uma reforma para abrigar o Centro de Cultura Popular. A implantação do Centro contou com o apoio do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural do Estado da Bahia – IPAC, Fundação Cultural do Estado da Bahia - FUNCEB e da Prefeitura Municipal de Salvador.

    No período de 1982 a 1988, o Bloco Afro Ilê Ayiê realizou seus ensaios no pátio interno da fortificação. Em 1990, as atividades do Centro de Cultura Popular foram praticamente desativadas. Permaneceram funcionando no local apenas duas escolas de Capoeira, o Centro Esportivo de Capoeira Angola, do Mestre João Pequeno de Pastinha e o Grupo de Capoeira Angola Pelourinho, do Mestre Moraes.



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