Socotra Fort

Socotorá, Adan - Yemen

O “Forte de São Miguel de Socotorá” localizava-se na ilha de Socotorá, atual Socotra, no oceano Índico, em frente à costa do Chifre da África. O arquipélago, de mesmo nome, é administrado pelo Iémen em nome do Sultanato de Mahra e Socotorá.

História

Acredita-se que, à época dos Descobrimentos portugueses, o primeiro navegador a alcançar a ilha tenha sido Vicente Sodré, tio de Vasco da Gama, que ali terá feito aguada antes de se perder nas ilhas de Curia Muria (atual Omã) em 1503. O avistamento terá sido repetido pouco depois por Diogo Piteira que, de regresso ao reino, dele deu notícia a Manuel I de Portugal (1495-1591). O navegador e militar António de Saldanha, que navegara na região rumo ao estreito do mar Vermelho, confirmou em Lisboa a bondade da ilha em portos e a provável existência de cristãos, descendentes dos habitantes que o apóstolo São Tomé doutrinara quando do seu naufrágio no local, a caminho da Índia. (MONTEIRO, Alexandre. “Uma página dos Descobrimentos: a ilha de Socotorá no século XVI”. in “National Geographic Portugal”, junho de 2012, p. 42-45.)

Para além da aparente população cristã que a Coroa portuguesa considerou urgente libertar da servidão imposta pelo rei muçulmano de Fartaque (atual cabo Fartak, no Iémen), Socotorá, localizada à “mão esquerda entrando para o estreito, junto ao cabo Guardafui”, aparentava ser uma peça-chave para o controlo do mar Vermelho. Por essas razões, Manuel I de Portugal traçou um plano de conquista da ilha, confiando a missão a Tristão da Cunha e a Afonso de Albuquerque, com a incumbência de nela instalarem uma fortaleza. Para esse fim, conforme carta de D. Manuel para o vice-rei D. Francisco de Almeida, com data anterior a 6 de abri de 1506, existem instruções para que Cunha e Albuquerque o façam com “a metade de uma villa de madeira”, estrutura pré-fabricada que tinha ido do Reino, destinando-se a Malaca. O espaço que ficasse por fortificar, quer num caso, quer noutro, cercar-se-ia com cavas e reparos. (in “O Gabinete Litterario das Fontainhas”, nº 1 e segs., Nova Goa, Na Imprensa Nacional, 1846.)

A conquista da ilha teve lugar em 1507, sob o comando de Tristão da Cunha, após a tomada da Fortaleza de Çoco, guarnecida por 120 homens sob o comando do “muito valente cavaleiro e sem medo nenhum” Coje Abrahem, filho do rei de Caxem (atual Qishn), cidade a alguns quilómetros do cabo Fartak. (MONTEIRO, 2012:44.)

As obras da fortificação ficaram a cargo do mestre de pedraria Tomás Fernandes. (DIAS, Pedro (1998). “História da Arte Portuguesa no Mundo. O espaço do Índico”. Lisboa: Círculo de Leitores, pp. 356, 377 ou 387. apud LIZARDO, João. “A Identificação do Forte Português em Quíloa”. in “Al-Madan” adenda electrónica ISSN 0871-066X, IIª Série (13), Julho 2005.) Sob a invocação de São Miguel, ficou sob o comando do capitão D. Afonso de Noronha, tendo a mesquita local sido convertida em igreja, sob a invocação de Nossa Senhora da Vitória, e a orientação de Frei António do Loureiro, guardião do mosteiro franciscano de São Tomé, o primeiro fundado extramuros e também o primeiro fundado no Estado Português da Índia. (MONTEIRO, 2012:44.)

A infertilidade da terra e o isolamento da praça em pleno território controlado pelo inimigo, levou a que, tanto a guarnição militar quanto os religiosos, fossem assolados pela fome, doenças e levantamentos dos muçulmanos, vindo a receber socorro apenas após a conquista de Ormuz por Albuquerque (1507). Em pouco tempo, entretanto, a tese de que era essencial a ocupação de ilhas para o controlo das rotas marítimas, começou a perder peso na estratégia portuguesa na região. (MONTEIRO, 2012:44.) A Fortaleza de Angediva havia sido abandonada (1506) e assim o seria o Forte de Socotorá (1511) e o Forte de Quíloa (1512).

A evacuação de Socotorá fez-se com o recurso às naus de Diogo Fernandes de Beja, que não apenas fez demolir a fortificação até aos alicerces, como transportou toda a sua guarnição para reforço da de Goa e mais de duzentas mulheres e demais cristãos da terra, assim como a artilharia e demais petrechos. (MONTEIRO, 2012:44.)

Com a retirada portuguesa, o arquipélago passou para o controlo dos sultões de Mahra.

A ilha e a sua produção encontram-se referidas por CAMÕES: “Verás defronte estar do Roxo estreito / Socotorá, com o amaro Aloe famosa.” (“Os Lusíadas”, Canto X, 137.)



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Contribution

Updated at 09/07/2013 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


  • Socotra Fort

  • Forte de Socotorá

  • Fort

  • 1507 (AC)



  • Manuel I of Portugal

  • Portugal

  • 1511 (AC)

  • Missing






  • Disappeared

  • ,00 m2

  • Continent : Asia
    Country : Yemen
    State/Province: Adan
    City: Socotorá

    Golfo de Aden, Ilha de Socotorá, Yemen.


  • Lat: 0 -0' 0'' | Lon: 0 -0' 0''










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