Fortlet of São Pedro

Elvas, Portalegre - Portugal

O "Fortim de São Pedro" localiza-se na freguesia de Assunção, Ajuda, Salvador e Santo Ildefonso, na cidade e concelho de Elvas, distrito de Portalegre, em Portugal.

Situado sobre um pequeno outeiro a sul da cidade, tinha como função a defesa avançada daquele setor da Praça-forte.

No contexto da Guerra Peninsular (1808-1814) foi erguido por ordem de Arthur Wellesley, futuro duque de Wellington, seguindo as características dos fortes das denominadas "Linhas de Defesa de Lisboa" (Linhas de Torres) e que, juntamente com os Fortins de São Pedro, de São Mamede e de São Francisco, seus contemporâneos, reforçou o campo entrincheirado de Elvas, ficando o perímetro fortificado com cerca de 10 quilómetros.

História

Remonta ao início do século XVI a construção da Igreja de São Pedro de Fora num outeiro onde os judeus teriam o seu cemitério.

No contexto da Guerra da Restauração (1640-1668), após a obtenção de licença do bispo da Diocese de Elvas, D. Manuel da Cunha, por volta de 1641 procede-se à demolição do antigo templo, São Pedro de Fora, no então denominado Outeiro de São João, ao corte do arvoredo circundante e ao aplainamento do local, para a construção de um pequeno reduto designado de São Pedro.

Data de 1663 uma planta de João Nunes Tinoco, denominada "Obra do outeiro de S. Pedro", representando um forte pré-existente no outeiro de São Pedro.

Da segunda metade do século XVIII dispomos de outra iconografia, a planta do "fortim" de São Pedro, que não é seguido, tendo a legenda: "Das Obras de fortificações com que se podem ocupar os Outeiros de Sam Mamede e Fortim de S: Pedro" (DSE: SIDCarta, 1694-1A-13-17).

Conforme correspondência datada de 1797, entre o governador da Praça de Elvas, o tenente general Francisco Xavier de Noronha, e o marechal general D. João Carlos de Bragança e Ligne de Sousa Tavares Mascarenhas da Silva (1719-1806), 2.º duque de Lafões, "(...) não tendo o Forte de S.ta Luzia esplanada nem obras q[ue] prometão duração na Rezistencia, se julgou essencialmente preciso fazer-se hum Reduto em huma pequena altura chamada de S. Mamede (...). Justamente se imaginou outro Reduto no Fortim chamado de S. Pedro"; quando os fortes já tinham "(...) as canhoneiras construhidas, e o fosso, e mais Obra no maior adiantamento", o marechal general do exército português, D. João Carlos de Bragança, 2.º duque de Lafões, mandou parar as obras, para grande desagrado do governador da praça, o tenente general Francisco Xavier de Noronha.

Segundo o Relatório de 1875 do governador da Praça de Elvas, general Francisco Xavier Lopes, "(...) sabendo o Duque de Wellington que o General francez Soult se unira com Davoust e que Marmout passara o Tejo em Almaraz, convergindo todas as forças commandadas por estes generaes sobre Badajoz, levantou logo o cerco d'esta praça (1811) acolhendo-se a Elvas para se oppôr a tão grandes massas, que ameaçavam invadir novamente o nosso paiz; foi por esta ocasião fatal que aldeias, quintaes, pomares, Olivedos, casas, tudo em fim cahiu por terra e se destruiu! Até as próprias fontes foram inutilisadas, nada escapando á sanha destruidora dos engenheiros ingleses; surgindo apenas de todas estas ruinas e devastações, os fortes de S. Mamede, S. Pedro, Piedade e S. Francisco, que não serviram então, e que se acham hoje completamente abandonados". No mesmo relatório, o governador reafirma a autoria dos fortins referindo: "A leste e oeste d'este forte [Santa Luzia], e sobre pequenas elevações de terreno, foram construídos pelos inglezes em 1811 os reductos de S. Mamede e de S. Pedro, a oeste do baluarte da Conceição, e junto ao aqueducto da Amoreira, á distancia de 700m da praça, os reductos da Piedade e de S. Francisco".

No contexto da Guerra Peninsular (1808-1814), data de 18 de junho de 1811 um despacho do marechal Arthur Wellesley sugerindo a William Carr Beresford a construção do fortim de São Pedro: "(...) segundo, o terreno por onde passa o caminho que vem de Vila Boim não é visto de Santa Luzia ou da Praça; e parecenos que um reduto sobre a rocha, do lado direito de Santa Luzia, dominaria aquele terreno e ajudaria na defesa de Santa Luzia e da praça, dos quais receberia alguma proteção por flanqueamento. Um bom reduto paliçado deveria ser construído naquele terreno". Ainda nesse mesmo ano, forças britânicas empreenderam a construção dos fortes da Piedade, de São Francisco, de São Mamede e de São Pedro, sendo comandante do exército luso-britânico da fronteira do Alentejo o General Rowland Hill, e governador da praça de Elvas o general Francisco Leite, visando colmatar uma deficiência do campo entrincheirado sentida na Batalha das Linhas de Elvas (14 de janeiro de 1659).

Em 1815 o Fortim de São Pedro foi descrito como tendo planta poligonal, com 9 canhoeiras, 2 travesses, fosso, em quase todo o perímetro, esplanada incompleta na frente do fosso, paiol à prova de bombas com corredor de ressalva e um corpo da guarda com alojamento para o comandante, outro para 2 homens e armazém.

Segundo informação do tenente coronel do Real Corpo de Engenheiros, Joaquim Jozé de Almeida e Freitas em 1823, "Estes reductos são p.te destacados da Fortificação desta Praça muito interessantes a boa defensa; por q[ue] estando elles bem reparados e bem fortificados hão de demorar tempo considerável os sitiantes dist.es do Forte de S. Luzia, e da Praça; port.o he de m.ta urg.ia a comcervação destes reductos, como Obras permanentes (...)". A sua guarnição de infantaria era então de 257 soldados.

Em 1852 segundo o Relatório do coronel graduado do Estado Maior de Engenharia, José Manços de Faria, "(...) os quatro reductos (...) destacados da Praça formão a sua primeira linha de defensa (...)".

Conforme o Relatório de 1875 do governador da Praça, general Francisco Xavier Lopes, os fortes destacados da praça estão "completamente abandonados", e para a sua defesa, o Forte de São Pedro precisava de 2 morteiros, 4 obuses e 4 peças estriadas.

O Decreto do Ministério da Guerra de 25 maio de 1911, no seu Art.º 315, item 2, define a Praça de Elvas e suas dependentes, tal como o forte de São Pedro, como fortificação de 2.ª classe.

Em 1933 o forte tinha caminho de servidão e uma faixa circundante da obra, com 40 m de largo, e não possuia marcos delimitadores do Ministério da Guerra. No ano seguinte (1934) o seu valor patrimonial era de 6.600$00 escudos. Pouco depois, em 1 de outubro de 1936 teve início o arrendamento do forte a João Lapa Lopes, por 123$00 escudos anuais e pelo prazo de três anos. No ano seguinte, a 1 de maio de 1937, teve início o arrendamento das pastagens do fosso e esplanada do forte, por 212$00 escudos anuais e pelo prazo de três anos, a João Lapa Lopes. Em 2 de dezembro de 1938 lavrou-se o auto de entrega do forte ao Ministério das Finanças, confrontando por todos os lados com particulares

Em 1941 a Câmara Municipal de Elvas solicitou ao Ministério das Finanças a cessão do antigo prédio militar, constituído por "uma obra avançada a poente da Praça de Elvas e a cerca de 250 metros do Forte de Santa Luzia", para ali construir a nova abegoaria Municipal, pelo que, em 1942 o Ministério das Finanças pediu parecer à Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) sobre a cessão, a título precário, do Fortim de São Pedro.

Em 1967 a DGEMN promoveu obras de conservação, executadas pelo empreiteiro António Serra: demolição de construções abarracadas encostadas às muralhas do fortim, fornecimento e assentamento de pavimento de tijoleira prensada e execução de rebocos em panos de muralha.

Em 1980-1981 foram empreendidas obras de reparação e consolidação, pelo empreiteiro António Serra: escavação e remoção de terras e entulhos que obstroem o fosso do fortim, construção de alvenaria hidráulica em elevação para tapamento de rombos e consolidação de panos de muralha, empregando pedra rija e argamassa de cimento e areia, reparação de panos de muralha, compreendendo arranque de arbustos e ervas e refechamento de juntas das pedras. Trabalhos de conservação prosseguiram no ano seguinte (1982) a cargo do mesmo empreiteiro: construção de alvenaria hidráulica em elevação para tapamento de rombos e consolidação de panos de muralha, empregando pedra rija e argamassa de cimento e areia, reparação de panos de muralha, compreendendo o arranque de ervas em pavimentos, remoção dos entulhos do fosso e desinfestação de ervas e arbustos em vários locais dos panos de muralha. Nova interverção de conservação teve lugar, em 1984-1985, pelo mesmo empreiteiro: construção de alvenaria hidráulica em elevação para tapamento de rombos e consolidação de muralhas, reparação de panos de muralha, compreendendo arranque de ervas e arbustos e refechamento de juntas das pedras com argamassa de cimento em vários pontos das muralhas, arranque de ervas e arbustos em pavimentos, desinfestação de ervas em vários locais de panos de muralha, empregando herbicida.

Em 1997-1998 a Câmara Municipal de Elvas candidatou os Fortins de São Domingos, São Pedro e São Mamede ao Programa LIFE (L’Instrument Financier pour l’Environment) para obras de recuperação.

Em 1998 teve lugar projeto de obras de recuperação do fortim contemplando a limpeza e remoção de todas as formações herbáceas existentes nas alvenarias e fosso para posterior aplicação de herbicida e refechamento de juntas, com argamassa de cal e areia; reconstrução de "lacunas" em alvenaria de pedra nos panos de muralha, torreões e ruína da casa do guarda; reconstrução doe capeamento dos panos de muralha e fosso em alvenaria de pedra, em argamassa de cal, areia e pedra miúda; preenchimento de "lacunas" no reboco existente nos torreões, casa do guarda e muralhas; caiação; fornecimento e assentamento de placa identificadora do Fortim; fornecimento e assentamento de placas de sinalização de acesso ao local, conforme modelo da Câmara.

Em 2012 a Câmara Municipal empreendeu obras de valorização das fortificações abaluartadas da fronteira Elvas / Badajoz - Baluartes, com financiamento da União Europeia, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).

As "Muralhas e obras anexas da Praça de Elvas" encontram-se classificadas como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 30.762, publicado no Diário do Governo, 1.ª série, n.º 225, de 26 de setembro de 1940. A ZEP encontra-se definida pelo Aviso n.º 1.517/2013, publicado pelo Diário da República, 2.ª série, n.º 242, de 13 de dezembro. Integra o conjunto da "Cidade Fronteiriça e de Guarnição de Elvas e suas Fortificações" classificado como Património Mundial pela UNESCO desde 30 de junho de 2012.

Em 2012 a Câmara Municipal empreendeu obras de valorização das fortificações abaluartadas da fronteira Elvas / Badajoz - Baluartes, com financiamento da União Europeia, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).

Características

Exemplar de arquitetura militar, abaluartado, de enquadramento urbano, isolado. Ergue-se sobre um pequeno outeiro na cota de 308 metros acima do nível do mar, adaptado ao declive do terreno, a sul da praça de Elvas, a cerca de 600m do baluarte de Olivença e da porta do mesmo nome, e a cerca de 500m a poente do Forte de Santa Luzia, de que é padrasto.

De pequenas dimensões, apresenta planta poligonal orgânica (adaptado ao terreno em que se inscreve) composta por reduto, fosso e esplanada.

O reduto tem três faces desiguais, orientadas para travar a aproximação do inimigo e bater uma das frentes do Forte de Santa Luzia e da cidade, para onde se vira a gola, com os paramentos da escarpa exterior em ressalto e remates em parapeito liso, na gola, ou com canhoneiras, nas faces, tendo hoje menos uma do que as nove iniciais. A meio da gola tem o acesso ao interior, onde ainda conserva dois traveses, dispostos na frente mais exposta ao ataque da artilharia, estruturas do corpo da guarda, de planta retangular, com alojamento para o comandante, para os seus homens e um armazém, e um paiol à prova, com armazém e sala de receção. Ao contrário do marcado em planta oitocentista, os paramentos interiores não são percorridos por banqueta. O reduto é circundado por fosso, com contraescarpa em alvenaria rebocada, a partir da crista da qual se desenvolvia a esplanada, exceto na frente poente, devido ao grande declive de terreno e à existência de afloramento rochoso, que impedia a progressão do inimigo.

  • Fortlet of São Pedro


  • Fortin

  • 1811 (AC)




  • Portugal


  • Restored and Well Conserved

  • National Protection
    UNESCO World Heritage
    As "Muralhas e obras anexas da Praça de Elvas" encontram-se classificadas como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 30.762, publicado no Diário do Governo, 1.ª série, n.º 225, de 26 de setembro de 1940. A ZEP encontra-se definida pelo Aviso n.º 1.517/2013, publicado pelo Diário da República, 2.ª série, n.º 242, de 13 de dezembro. Integra o conjunto da "Cidade Fronteiriça e de Guarnição de Elvas e suas Fortificações" classificado como Património Mundial pela UNESCO desde 30 de junho de 2012.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Portalegre
    City: Elvas

    R. Colégio Britânico 6, Elvas


  • Lat: 38 -53' 42''N | Lon: 7 9' 56''W










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