Forte da Piedade

Elvas, Portalegre - Portugal

O "Forte da Piedade", também referido como "Fortim de São Domingos", localiza-se na freguesia de Assunção, Ajuda, Salvador e Santo Ildefonso, cidade e concelho de Elvas, distrito de Portalegre, em Portugal.

No contexto da Guerra Peninsular (1808-1814) foi erguido por ordem de Arthur Wellesley, futuro duque de Wellington, seguindo as características dos fortes das denominadas "Linhas de Defesa de Lisboa" (Linhas de Torres) e que, juntamente com os Fortins de São Francisco, de São Mamede e de São Pedro, seus contemporâneos, reforçou o campo entrincheirado de Elvas, ficando o perímetro fortificado com cerca de 10 quilómetros.

História

Segundo o Relatório de 1875 do governador da Praça de Elvas, general Francisco Xavier Lopes, "(...) sabendo o Duque de Wellington que o General francez Soult se unira com Davoust e que Marmout passara o Tejo em Almaraz, convergindo todas as forças commandadas por estes generaes sobre Badajoz, levantou logo o cerco d'esta praça (1811) acolhendo-se a Elvas para se oppôr a tão grandes massas, que ameaçavam invadir novamente o nosso paiz; foi por esta ocasião fatal que aldeias, quintaes, pomares, Olivedos, casas, tudo em fim cahiu por terra e se destruiu! Até as próprias fontes foram inutilisadas, nada escapando á sanha destruidora dos engenheiros ingleses; surgindo apenas de todas estas ruinas e devastações, os fortes de S. Mamede, S. Pedro, Piedade e S. Francisco, que não serviram então, e que se acham hoje completamente abandonados". No mesmo relatório, o governador reafirma a autoria dos fortins referindo: "A leste e oeste d'este forte [Santa Luzia], e sobre pequenas elevações de terreno, foram construídos pelos inglezes em 1811 os reductos de S. Mamede e de S. Pedro, a oeste do baluarte da Conceição, e junto ao aqueducto da Amoreira, á distancia de 700m da praça, os reductos da Piedade e de S. Francisco".

Em 1815 o Forte da Piedade foi descrito como tendo planta hexagonal, 13 canhoneiras, 3 espaldões, fosso "informe" em todo o perímetro, esplanada e os alicerces de um corpo de guarda para alojamento do comandante, de 16 homens e ainda um armazém, referindo ainda que o paiol nunca foi começado e que existiam duas pequenas acomodações abobadadas para a guarda e para depósito de ferramentas.

De acordo com informação do tenente-coronel do Real Corpo de Engenheiros, Joaquim Jozé de Almeida e Freitas em 1823, "Estes reductos são p.te destacados da Fortificação desta Praça muito interessantes a boa defensa; por q[ue] estando elles bem reparados e bem fortificados hãode demorar tempo considerável os sitiantes dist.es do Forte de S. Luzia, e da Praça; port.o he de m.ta urg.ia a comcervação destes reductos, como Obras permanentes (...)". A sua guarnição de Infantaria era então de 353 soldados.

Segundo o relatório de 1852, do coronel graduado do Estado Maior de Engenharia, José Manços de Faria, "os quatro reductos (...) destacados da Praça formão a sua primeira linha de defensa (...)".

Pelo Relatório de 1875 do governador da Praça de Elvas, general Francisco Xavier Lopes, informa-se que os fortes destacados da praça estão "completamente abandonados" e para a sua defesa, o Forte da Piedade necessitava de 2 morteiros, 6 obuses e 4 peças estriadas. 

O Secretário da Direção-Geral da Engenharia manda dizer ao Inspetor de Engenharia da 4.ª Divisão Militar, em 26 de novembro de 1878, que se participe ao Governador da Praça de Elvas para "desistir do embargo feito à obra de exploração d'águas junto do fortim da Piedade permitindo a continuação dos trabalhos", obrigando-se José da Silva Mendes a: 1) se encontrar água no cano, a revestir convenientemente as escavações e tapá-las com abóbada, repondo o terreno como anteriormente estava; 2) no caso de não encontrar água, as escavações serão entulhadas e o terreno reposto nas mesmas circunstâncias anteriores aos trabalhos.

O Decreto do Ministério da Guerra de 25 de maio de 1911, em seu Art.º 315, item 2, define a Praça de Elvas e suas dependentes, tal como o forte da Piedade, como fortificação de 2.ª classe.

Em 1934 o forte tem o valor patrimonial de 6.600$00 escudos. Pouco depois, em 1 de maio de 1937 tem início o arrendamento das pastagens do fosso e da esplanada do forte, por 352$00 escudos anuais e pelo prazo de 10 anos, a Manuel da Cunha e Sociedade Anónima. No ano seguinte (1938), a 2 de dezembro, é celebrado o auto de entrega do forte pelo Ministério da Guerra ao Ministério das Finanças; possui então o valor patrimonial de 6.600$00 escudos e, quanto ao estado de conservação, está desmantelado; confronta por norte, sul e poente com propriedades particulares e por nascente com o aqueduto; é descrito como obra avançada ao poente da Praça de Elvas, encostado aos arcos do aqueduto da Amoreira e a c. de 500 m do baluarte da Conceição; possui quatro oliveiras ao norte e na esplanada.

Em 1976 a Direção-Geral do Património e a Direção de Finanças de Portalegre solicitam a desobstrução do Reduto da Piedade e do Aqueduto da Amoreira.

Em 1997-1998 a Câmara Municipal de Elvas candidatou os Fortins de São Domingos, São Pedro e São Mamede ao Programa LIFE (L’Instrument Financier pour l’Environment) para obras de recuperação.

Em 1998 a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) empreendeu obras de recuperação do fortim, com limpeza e remoção de todas as formações herbáceas existentes nas alvenarias e fosso para posterior aplicação de herbicida e refechamento de juntas com argamassa de cal e areia; reconstrução de "lacunas" em alvenaria em panos de muralha e nos torreões; reconstrução do capeamento sobre as alvenarias de pedra, em argamassa de cal, areia e pedra miúda; preenchimento de "lacunas" no reboco existente nos torreões; caiação; fornecimento e assentamento de placa identificadora e de sinalização de acesso ao local, conforme modelo da Câmara Municipal de Elvas.

Em 2012 a Câmara Municipal empreendeu obras de valorização das fortificações abaluartadas da fronteira Elvas / Badajoz - Baluartes, com financiamento da União Europeia, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).

As "Muralhas e obras anexas da Praça de Elvas" encontram-se classificadas como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 30.762, publicado no Diário do Governo, 1.ª série, n.º 225 de 26 de setembro de 1940; a ZEP encontra-se definida pelo Aviso n.º 1517/2013, publicada no Diário da República, 2.ª série, n.º 242 de 13 de dezembro; integra o conjunto da "Cidade Fronteiriça e de Guarnição de Elvas e suas Fortificações" classificado como Património Mundial pela UNESCO desde 30 de junho de 2012; está incluído na Zona de Proteção do Aqueduto da Amoreira. 

Características

Exemplar de arquitetura militar, de enquadramento peri-urbano, adossado a um troço do Aqueduto da Amoreira, sobre um outeiro a sudoeste da cidade.

Apresenta planta poligonal, de pequenas dimensões, composta por reduto, fosso e esplanada. O reduto tem cinco faces desiguais, de traçado orgânico (adaptado ao terreno) e orientadas para travar a aproximação do inimigo ao aqueduto, que é aproveitado como gola, determinando algumas características que o distingue dos outros três fortins de Elvas. Por exemplo, o aproveitamento de uma inflexão do aqueduto faz com que a gola não seja completamente retilínea, como nos outros fortins, e crie como que mais uma face abrindo-se, no ângulo de inflexão, uma canhoneira, situação igualmente única.

O acesso ao interior faz-se por um dos ângulos do polígono, junto à gola, e não ao centro dessa, possuindo muros a criar corredor. Tem os paramentos da escarpa exterior em ressalto e remates em parapeito com canhoeiras, e no terrapleno interior possui três traveses na frente mais exposta ao ataque da artilharia, ruínas do corpo da guarda, de planta retangular, com alojamento para o comandante, 16 homens e um armazém, e pequeno corpo abobadado. Ao contrário do marcado em planta oitocentista, os paramentos interiores não são percorridos por banqueta. Tal como no Forte de São Francisco, o paiol nunca chegou a ser construído, ao contrário do que aconteceu nos fortes de São Pedro e de São Mamede. O reduto é circundado por fosso, com contraescarpa em alvenaria, inexistente no troço onde o aqueduto serve de gola, e esplanada, que contorna este último.

Num dos traveses possui lápide com a inscrição: "COOPERACIÓN TRANSFRONTERIZA / ESPAÑA - PORTUGAL / COOPERAÇÃO TRANSFRONTEIRIÇA / 2007 - 2013 / Entidade Responsável: / CÂMARA MUNICIPAL DE ELVAS / Designação do Projecto / Objectivo do Contrato: / VALORIZAÇÃO DAS FORTIFICAÇÕES / ABALUARTADAS DA FRONTEIRA / ELVAS/BADAJOZ - BALUARTES / Data: / 25-02-2012".

  • Forte da Piedade

  • Fortim de São Domingos

  • Fortin

  • 1811 (AC)




  • Portugal


  • Restored and Well Conserved

  • National Protection
    UNESCO World Heritage
    As "Muralhas e obras anexas da Praça de Elvas" encontram-se classificadas como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 30.762, publicado no Diário do Governo, 1.ª série, n.º 225 de 26 de setembro de 1940; a ZEP encontra-se definida pelo Aviso n.º 1517/2013, publicada no Diário da República, 2.ª série, n.º 242 de 13 de dezembro de 2013; integra o conjunto da "Cidade Fronteiriça e de Guarnição de Elvas e suas Fortificações" classificado como Património Mundial pela UNESCO desde 30 de junho de 2012; está incluído na Zona de Proteção do Aqueduto da Amoreira.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Portalegre
    City: Elvas



  • Lat: 38 -53' 21''N | Lon: 7 10' 37''W










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