Forte da ponta da Vigia

Rio de Janeiro, Rio de Janeiro - Brazil

O Forte da ponta da Vigia, localizava-se no alto da ponta da Vigia, atual morro do Leme, na zona sul da cidade (e Estado) do Rio de Janeiro.

De acordo com SOUZA (1885), o Vice-rei D. Luís de Almeida Portugal (1769-79), fez levantar várias fortificações para a defesa ao sul da barra da baía da Guanabara, reforçadas à época da Independência (1822). Na praia de Copacabana relaciona os seguintes pontos: o desfiladeiro do Leme, o forte abaixo deste desfiladeiro, a ponta da Vigia, e a ponta do Anel. Todos estes pontos teriam sido desarmados e desguarnecidos pela Regência (op. cit., p. 112), através do Decreto de 24/dez/1831.

Certamente uma das obras propostas para a defesa do Rio de Janeiro pelo Brigadeiro Engenheiro Jacques Funck entre 1767-69, o "Relatório do Marquês de Lavradio, Vice-Rei do Rio de Janeiro, entregando o Governo a Luiz de Vasconcellos e Souza, que o sucedeu no vice-reinado", datado do Rio de Janeiro em 19/jun/1779, informa: "Construí outros redutos no sítio de S. Clemente e Leme para defender os desembarques e passagens da Copa-Cabana, e da Lagoa de Rodrigo de Freitas." (p. 428) (RIHGB, Tomo IV, 1842. p. 409-486).

A fortificação na ponta da Vigia, situada a aproximadamente 100 m acima do nível do mar, não era artilhada, e tinha a função de vigia (mirante), alertando as fortificações vizinhas da aproximação de embarcações pelo sul da barra da baía da Guanabara.

Com relação à passagem de Tiradentes por esta fortificação, os Autos da Devassa informam que Joaquim José da Silva Xavier (1746-92) - o Tiradentes - "sentou praça em 1º de dezembro de 1775" na 6ª Companhia do Regimento de Cavalaria Regular da Capitania de Minas Gerais, no posto de alferes, percebendo um soldo de 24$000 (vinte e quatro mil réis), do qual firmou recibo (Autos da Devassa da Inconfidência Mineira (2ª ed.). Brasília: Câmara dos Deputados; Belo Horizonte: Imprensa Oficial de Minas Gerais, 1976-1983 (10 vol.), vol. 10, p. 10, apud: OLIVEIRA, Almir. O Alferes Tiradentes. Revista Correio Filatélico. Ano 16, Março/Abril 1992, nr. 135. p. 27).

Entre 1776 e 1779 a defesa do Rio de Janeiro foi reforçada com efetivos de outras regiões, ante a ameaça de um possível ataque de forças espanholas, em ofensiva no Sul. JARDIM (1989) informa que a amizade entre o Alferes Joaquim José e o então Major da Guarda dos Vice-Reis Francisco de Paula Freire de Andrada "nascera no Rio de Janeiro, quando em 1779 lá se encontraram, estando Tiradentes e Francisco de Paula designados para conduzir soldados aos Sul do país." (p. 49). O mesmo autor complementa que Tiradentes: "Entre 1778 e 1779 ainda continuava no Rio, servindo nas forças de defesa contra as ameaças externas. Em sua companhia estavam o Ten Cel Francisco de Paula Freire de Andrada e o Capitão Francisco Antônio de Oliveira Lopes; ficaram em Copacabana. (...)" (p. 69). Confirma-se assim o episódio, uma vez que as quatro estruturas defensivas relacionadas por SOUZA (1885:112) se concentravam em torno e no morro do Leme.

No contexto da Guerra da Independência (1822-23), o Forte da Espia, ou Forte da Ponta do Leme como também foi conhecido à época, foi artilhado com cinco peças (1823), das quais três se encontram atualmente ornamentando a entrada do forte. No contexto da Questão Christie (1862-65), SOUZA (1885) informa que, em 1863, foram projetadas e tiveram início, duas obras aos lados da ponta do Anel:

* uma com o nome "Guanabara" [Forte Guanabara], fronteira à ilha de Cotunduba, onde existiam vestígios de antigas trincheiras, destinada a cruzar fogos com a Fortaleza de Santa Cruz; e

* outra no lugar da antiga Vigia ou Espia [Forte da Vigia], para varrer com a sua artilharia a "extensa praia" (atuais praia do Leme e de Copacabana). A fortificação do Leme, efetivamente, encontra-se relacionada entre as defesas do setor Sul (Fortificações de Copacabana) no "Mapa das Fortificações e Fortins do Município Neutro e Província do Rio de Janeiro" de 1863, no Arquivo Nacional (CASADEI, 1994/1995:70-71).

Ambas as obras haviam sido suspensas, defendendo o autor, à época (1885), a sua conservação, retomada e conclusão (op. cit. p. 112).

BARRETTO (1958) informa que o forte foi abandonado, encontrando-se em ruínas quando foi iniciado o Forte Duque de Caxias (op. cit., p. 247).

Fonte: Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Forte_da_Ponta_da_Vigia. Acesso em 02 de outubro de 2009.

 



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Forte da Ponta da Vigia
Página da Enciclopédia Wikipédia versando sobre o Forte da Ponta da Vigia, que se localizava no alto da ponta da Vigia, atual morro do Leme, no bairro do Leme, Zona Sul da cidade e no litoral do Estado do Rio de Janeiro, no Brasil.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Forte_da_Ponta_da_Vigia
Forte da Ponta da Vigia
Website Mega Bairro, apresenta informações acerca do Forte da Ponta da Vigia, que se localiza no alto do Morro do Vigia, atual Morro do Leme, no bairro de mesmo nome, na zona sul da cidade do Rio de Janeiro.

http://www.megabairro.com.br/turismo/pontoturistico.php?ch=276&tr=fae0...
Fortificações do Rio de Janeiro
Website da Fundação Cultural Exército Brasileiro, versando sobre as seguintes fortificações do Estado do Rio de Janeiro: Forte de Copacabana, Fortaleza de Santa Cruz, Forte do Vigia, Fortaleza da Conceição, Forte Barão do Rio Branco, Forte Tamandaré, Forte do Imbuí, Fortaleza de São João, Forte de São Luiz, Forte da Barra, Forte Marechal Hermes e Forte de Gragoatá.

http://www.funceb.org.br/espacoCultural.asp

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Updated at 23/05/2013 by the tutor Projeto Fortalezas Multimídia (Amilton Matos).


  • Forte da ponta da Vigia

  • Forte da Espia; Forte da Ponta do Leme; Forte do Vigia; Forte do Morro do Vigia; Forte da Espia.

  • Fort

  • 1776 (AC)

  • 1779 (AC)


  • Luís de Almeida Portugal Soares de Alarcão d'Eça e Melo Silva Mascarenhas (2º Marquês de Lavradio)

  • Portugal


  • Missing






  • Disappeared

  • ,00 m2

  • Continent : South America
    Country : Brazil
    State/Province: Rio de Janeiro
    City: Rio de Janeiro

    Localizava-se no alto da ponta da Vigia a aproximadamente 100 m acima do nível do mar, no atual morro do Leme, na zona sul da cidade (e Estado) do Rio de Janeiro.


  • Lat: 0 -0' 0'' | Lon: 0 -0' 0''

  • Lat: 22 57´ 48´´S | Lon: 43 9´ 44´´W



  • No contexto da Guerra da Independência (1822-23) estava artilhado com cinco peças.






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