Forte do Cerrito de Jaguarão

Jaguarão, Rio Grande do Sul - Brazil

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O Forte do Cerrito de Jaguarão, já desaparecido, localizava-se em um pequeno cerro (monte) na atual cidade de Jaguarão, no Estado do Rio Grande do Sul, Brasil.

Segundo relatórios de obras realizadas na fortificação, o início da construção do forte se deu em 17 de junho de 1845, com projeto do Deputado do Quartel e Mestre General Alexandre Manoel Albino de Carvalho. A construção ficou a cargo do 1° Tenente Graduado do Imperial Corpo de Engenheiros João Pedro de Gusmão Vasconcellos Mariz. Era presidente da Província (equivalente a governador) do atual Rio Grande do Sul Luís Alves de Lima e Silva, futuro Duque de Caxias (Arquivo Histórico do Estado do Rio Grande do Sul; Fundo: Obras Públicas; Maços: 2 (1844 a 1847) e 3 (a parir de 1848); apud NEVES, 2009: 07).

Nessa época as defesas de Jaguarão eram compostas por um entrincheiramento (Circunvalação de Jaguarão) e por um pequeno reduto (Reduto de Jaguarão) inserido nessa mesma linha contínua de muralhas já existente. As obras projetadas por Albino de Carvalho iriam manter o reduto como estava, refazer e ampliar a circunvalação, e dar início à contrução do novo Forte do Cerrito.

Albino de Carvalho, em carta a Caxias (que o havia incumbido de fortificar aquela posição), informa-o acerca da opção pelo local em que a fortificação seria construída: “(...) julguei preferível dentre os dois cerritos aquele que escolhi para assento da fortificação, por ser o mais dominante e próximo da Vila, das estradas que dela partem, do Rio, e consequentemente da sua margem oposta; além disto tem a seu favor não pequeno comandamento sobre o outro [cerrito]” (Carta datada de 11/07/1845, apud NEVES, 2009: 05). Recomenda ainda, que “o Cerrito inferior [abaixo do principal] seja coroado de uma obra ligeira e subordinada ao Forte, para evitar ocupação estranha ou inimiga que porventura seja tentada em qualquer tempo” (apud Neves, 2009:07). Não se sabe se esta obra no outro cerrito foi efetivamente realizada.

Conforme levantamento de Albino de Carvalho, a Vila de Jaguarão possuía nessa época uma largura de 200 braças (440 m) na direção Norte/Sul (do rio para a campanha), distando 600 braças (1320 m) do centro do Cerrito mais elevado, onde o novo forte seria construído. O rio em frente à vila possuía a largura de 93 braças (204,6 m) (apud NEVES, 2009: 19).

Em sua carta, Albino de Carvalho informa que projetou e demarcou a fortificação na chapa do dito Cerrito, com a forma de “um polígono hexagonal regular abaluartado, capaz de ter por guarnição um Batalhão de Fuzileiros e uma Companhia de Artilharia que sirva a 6 canhões de calibre 18” (apud NEVES, 2009: 05), e estava inscrito numa circunferência de 116 braças de diâmetro (255,2 metros) (apud NEVES, 2009: 08).

O Tenente Mariz afirma, em junho de 1845: “tomei conta da obra, achando-se fincadas as estacas em as extremidades dos lados do hexágono, no centro, e nas capitais dos seis baluartes, e desde este dia comecei a marcar sobre o terreno as magistrais do projeto, mandando abrir as competentes sarjetas, finalizei este traço no dia 21, e a 22 marquei em as tenalhas fronteiras ao outro cerrito, e à volta do rio enfrente à Vila (por onde devo começar a obra, conforme as instruções dadas pelo Major Deputado Quartel Mestre General) a linha da contra-escarpa, e mandei principiar a aprofundar o fosso. O qual atualmente apenas tem dois palmos (0,44 m) abaixo da Superfície, em conseqüência do terreno ter só uma camada de terra de meio palmo (0,11 m) de espessura e depois aparecem grandes lagedos, que com bastante dificuldade se quebram (...). Têm trabalhado na faxina 50 praças, achando-se além destas, três carpinteiros empregados em aprontarem alguns objetos precisos para a obra, como carrinhos de mão, paviolas, cabos de enxada ” (apud NEVES, 2009: 13).

Apesar das obras no forte terem se iniciado no mês de junho, no mês seguinte a construção foi interrompida por ordem de Caxias, conforme informações do próprio Tenente Mariz, encarregado da fortificação. Contudo, já no mês seguinte, a construção foi retomada, como se pode ler em relatório do mesmo Tenente: “No dia 15 do mês próximo passado [agosto] mandei continuar a obra da Fortificação do cerrito em conseqüência da ordem que recebi de Sua Excelência o Sr. General Conde de Caxias Presidente da Província e Comandante em Chefe do Exército, a qual me foi comunicada em ofício, que me dirigiu o Sr. Major João Luiz de Abreu e Silva Encarregado da Repartição do Quartel Mestre General datado de 26 de julho do corrente ano, e empreguei naquele serviço trinta praças, as quais têm continuado a aprofundar o fosso do baluarte, por onde comecei a obra (...)” (apud NEVES, 2009: 17).

O forte possuía a muralha do fosso revestida de alvenaria de pedra extraída do próprio local, e a argamassa utilizada em toda a construção era de barro, segundo Albino de Carvalho (apud Neves, 2009: 06). As muralhas da fortificação, da escarpa e contra escarpa, seriam feitas de pedra, assim como o fundo do fosso ali existente. Já as muralhas do parapeito, terraplenos e banquetas seriam de tijolos e a argamassa de barro. Os tijolos utilizados na construção, ao menos em sua maioria, foram doados pelos próprios moradores da região, cientes da importância da defesa para a localidade e para eles próprios. A antiga vila e atual cidade de Jaguarão, por fazer divisa com o Uruguai (no outro lado do rio), estava em constante alerta pelo perigo de invasões. Desde 1842 as fronteiras brasileiras vinham sendo hostilizadas pelas forças uruguaias no contexto da Guerra entre Oribe e Rosas (1850-1852), o que tornou imprescindível a construção de defesas fixas nesta região do país.

Em sua carta a Caxias, em julho de 1845, Albino de Carvalho informa que a quantidade de tijolos doados pela população foi de 44 mil (apud NEVES, 2009:06). Os moradores ainda auxiliaram na construção da defesa com algumas carretas para transporte de material para o forte (apud NEVES, 2009:14).

Nas obras do forte trabalharam carpinteiros, pedreiros e soldados. No primeiro ano de construção (1845) iniciou-se o entrincheiramento e fosso do baluarte, assim como um barracão, que aparece mencionado pelo Tenente Mariz em relatório de junho de 1845: “No dia 25 requisitei do Comandante da guarnição que mandasse algumas praças cortar madeira nos matos de José Dutra, distante da Vila três léguas e meia, (depois de ter obtido licença para tal fim, a qual ele de muito boa vontade concedeu) e no dia 28 chegou a diligência, que foi de 20 praças, e um oficial, tendo cortado a seguinte porção: 300 caibros, 20 comieiras, 22 forquilhas, 33 varas e 20 freixas (...) e logo que chegue [à Vila] tenciono fazer na Fortificação um barracão, não só para a guarda, como para recolher a ferramenta, e a gente da faxina quando chover” (apud NEVES, 2009: 14).

Os materiais utilizados na abertura do fosso do forte foram broca, vareta e pólvora. A utilização da pólvora foi necessária por conta da dificuldade em se quebrar o rochedo onde o fosso estava sendo construído, no que afirma o Tenente Mariz: “e como somente o trabalho de alavanca é bastante moroso tenciono empregar a pólvora, pois existem dois soldados neste destacamento que já trabalharam em pedreira (...)” (apud NEVES, 2009: 17).

Na fortificação também teria sido construído um Hospital, concluído em agosto de 1846, conforme relatório de obras do Tenente Mariz. A construção teria sido feita de acordo com o projeto que lhe havia sido entregue. Contudo, para as modificações da cozinha do mesmo hospital não haveria madeira e tijolos disponíveis (apud NEVES, 2009: 21). Com isso, é provável que fossem fabricados tijolos no próprio local da fortificação, pois o Tenente Mariz assim menciona a construção de uma olaria em relatório das obras de outubro: “Na olaria tenho nove praças, as quais se têm empregado em deitar o barro no pisadouro e pretendo alugar éguas para o pisar, a fim de principiar a fazer o adobe não só para o forno como também para as paredes do Hospital, poupando desta maneira alguma madeira que por aqui é muito escassa. Mandei fazer uma pequena barraca coberta de palha para guardar ferramenta” (apud NEVES, 2009: 19). Além disso, teriam sido utilizadas pedras na construção do dito Hospital, pois o Tenente Mariz dá conta do pagamento de 14 carretas de pedras para as obras neste edifício, em relatório de obras referentes aos meses de julho, agosto e setembro de 1847 (apud NEVES, 2009: 28).

No mês de novembro, novamente é repetida a afirmação de falta de materiais para a então arruinada cozinha do Hospital (que era feita de pau-a-pique). Contudo, o mesmo Tenente assim informa: “(...) e não tendo tijolo, nem dinheiro para o comprar (visto que hoje não tenho quantia alguma à minha disposição, pois as duas coletorias, que aqui existem não tem ordem alguma a meu respeito) ajustei com um homem, que entende de olaria, [de argila], e dar as éguas para amassar o barro (...) e mandei fazer um pisadouro para o que pedi madeira a Vasco Teixeira, que a deu gratuitamente (...) e gastei quatro dúzias de tábuas, e sete barrotes em assoalhos o dito pisadouro, e os pregos que foram precisos, os comprei a minha custa, para não atrasar o serviço (...) e tenciono empregar algumas praças na olaria, e conquanto este serviço feito por soldados, seja bastante vagaroso, contudo a Nação lucra por que nada despende. Tenho mandado aparelhar os barrotes, e tábuas para assoalhar o hospital e acham-se empregados neste serviço quatro carpinteiros” (apud NEVES, 2009:22-23).

Em 16 de julho de 1847 foi ordenado ao Tenente Mariz que iniciasse a construção de um Paiól para a pólvora. A ordem para tanto, era de que se gastasse uma quantia bem inferior a que o Tenente havia orçado, aproveitando os materiais que, porventura tivessem sobrado da construção do Quartel. Além disso, que a obra fosse feita com urgência. Contudo, o paiol só foi iniciado no dia 24 deste mesmo mês, pois não haviam sobrado materiais do Quartel, e os operários e fornecedores exigiam pagamento imediato (apud NEVES, 2009: 24).

Juntamente à construção do paiol, foi ordenado pelo Coronel Comandante da 2° Brigada Vicente de Paula Oliveira Vilas Boas, “em seu ofício do 1° de agosto de 1847 que além da casa da guarda fizesse uma outra ao lado, e que aguentasse as dimensões do paiol ao que dei cumprimento, conforme se verá na nova planta (...) e fiz o dito paiol com trinta palmos (6,8 m) de frente sobre 19 (4,18 m) de fundo e dezoito (3,96 m) d’alto, toda esta construção foi feita de tijolos cozidos, no que gastei quinze milheiros, sendo o paiol de [soteo] e as duas casas de telha, nas quais gastei 550 telhas; tudo está rebocado de cal; quanto aos barrotes, e frechões, tabuas para as portas, e janelas gastei dos que tinham vindo de Porto Alegre; gastei também os 50 alqueires de cal que me restavam da obra do hospital, tendo comprado somente vinte e um alqueires (...)”. Esta obra foi realizada, em geral, por soldados de três batalhões: 4° e 2° de Fuzileiros e 5° de Caçadores. Apenas um pedreiro foi contratado para tanto, pois conta da ordem de que os custos do Paiol fossem mínimos. A construção do paiol foi concluída em 21 de agosto do mesmo ano (apud NEVES, 2009: 24-25).

Em 14 de setembro o Coronel Vicente de Paula ordena a ampliação do hospital do forte, no que foi empregado um pedreiro, de acordo com informações do Tenente Mariz em relatório de obras de julho, agosto e setembro de 1847. O mesmo Tenente também alerta para a urgência de se fazer nova parede principal nesta construção, por causa das intempéries, “não provando bem neste lugar as obras de adobe pela pouca aderência, que as terras tem, e tenciono fazer mais uma meia água no fundo do dito Hospital, aproveitando a nova parede” (apud NEVES, 2009:26-27).

O Tenente Mariz informa em relatório referente aos meses de julho, agosto e setembro de 1847: “Tive ordem do Ilmo. Sr. Coronel Comandante da 2° Brigada para mandar fazer uma casa para a guarda do Porto, ao que dei cumprimento, e mandei fazer uma barraca coberta de palha, e com paredes de pau-a-pique com trinta palmos (6,6 m) de frente e vinte de fundo (4,4 m) e gastei somente quatro couros em atar a palha da cobertura, quanto à madeira, pedi à seis praças e um cabo, mandei-a cortar e conduzir em um lanchão que também requisitei, também mandei a ferraria para próximo da dita casa da guarda, e mandei construir uma barraca com 15 palmos (3,3 m) de frente sobre 12 de fundo (2,64 m), e gastei dois couros em atar a palha da cobertura, mandando-lhe pôr uma porta e janela, no que gastei duas tábuas de forro” (apud NEVES, 2009: 27-28).

Após esta data (1848) não há mais informações a respeito do andamento ou conclusão da obra do Forte do Cerrito.

Contudo, segundo o Coronel Fausto Souza, a Vila de Jaguarão resistiu em 1864 à invasão das forças uruguaias comandadas por Basilio Muñoz com auxílio de antigas trincheiras, que provavelmente referem-se a Circunvalação de Jaguarão. Ainda segundo Souza, “em 1865 foi projetada e começada uma extensa linha contínua, circunscrevendo a cidade e apoiando as extremidades na margem esquerda do rio” (SOUZA, 1885:128). O questionamento que nos fica é se seria esta uma terceira circunvalação, ou se Souza teria se equivocado na data, querendo se referir ao projeto que Albino de Carvalho concebeu em 1845. Segundo este mesmo autor, “o Brigadeiro Ricardo Jardim, inspecionando-a [a circunvalação] em 1867, reprovou tal projeto por dispendioso e sujeito aos inconvenientes muito conhecidos, que tem contra si linhas contínuas; e aconselhou, que fossem sustadas as obras e em seu lugar construído o forte projetado e iniciado outrora pelo general Andréa [não teria sido o forte de Albino de Carvalho?], no lugar chamado Cerrito, na proximidade da cidade. Semelhantemente manifestou-se o coronel Sebastião Chagas em sua inspeção de 1877” (SOUZA, 1885:128).

É, provavelmente, no alto deste mesmo cerrito que se encontram hoje as ruínas da antiga enfermaria militar de Jaguarão, à espera de uma investigação arqueológica.



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Fortificações de Jaguarão
Página da Enciclopédia Wikipédia versando sobre as Fortificações de Jaguarão, que se localizavam na fronteira com o Uruguai, na cidade de Jaguarão, no Estado do Rio Grande do Sul, no Brasil.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Fortifica%C3%A7%C3%B5es_de_Jaguar%C3%A3o

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  • Forte do Cerrito de Jaguarão


  • Fort

  • 1845 (AC)

  • 1848 (AC)

  • Alexandre Manoel Albino de Carvalho

  • Luís Alves de Lima e Silva (Duque de Caxias)

  • Brazil

  • 1848 (AC)

  • Missing






  • Disappeared

  • ,00 m2

  • Continent : South America
    Country : Brazil
    State/Province: Rio Grande do Sul
    City: Jaguarão

    Localizava-se em um pequeno cerro (monte) na atual cidade de Jaguarão, no Estado do Rio Grande do Sul, Brasil.


  • Lat: 32 33' 35''S | Lon: 53 23' 15''W


  • O Forte do Cerrito localizava-se num pequeno monte (Cerro), ao norte da antiga vila e atual cidade de Jaguarão, às margens do rio de mesmo nome, na divisa entre Brasil e Uruguai (atual cidade de Rio Branco).



  • Em sua carta, Albino de Carvalho informa que projetou e demarcou a fortificação na chapa do dito Cerrito, com a forma de “um polígono hexagonal regular abaluartado, capaz de ter por guarnição um Batalhão de Fuzileiros e uma Companhia de Artilharia que sirva a 6 canhões de calibre 18” (apud NEVES, 2009: 05), e estava inscrito numa circunferência de 116 braças de diâmetro (255,2 metros) (apud NEVES, 2009: 08).

    O forte possuía a muralha do fosso revestida de alvenaria de pedra extraída do próprio local, e a argamassa utilizada em toda a construção era de barro, segundo Albino de Carvalho (apud Neves, 2009: 06). As muralhas da fortificação, da escarpa e contra escarpa, seriam feitas de pedra, assim como o fundo do fosso ali existente. Já as muralhas do parapeito, terraplenos e banquetas seriam de tijolos e a argamassa de barro.

    Os materiais utilizados na abertura do fosso do forte foram broca, vareta e pólvora. A utilização da pólvora foi necessária por conta da dificuldade em se quebrar o rochedo onde o fosso estava sendo construído (apud NEVES, 2009: 17).

    Na fortificação também teria sido construído um Hospital, concluído em agosto de 1846, conforme relatório de obras do Tenente Mariz. A construção teria sido feita de acordo com o projeto que lhe havia sido entregue. Contudo, para as modificações da cozinha do mesmo hospital não haveria madeira e tijolos disponíveis (apud NEVES, 2009: 21). Com isso, é provável que fossem fabricados tijolos no próprio local da fortificação, pois o Tenente Mariz assim menciona a construção de uma olaria em relatório das obras de outubro: “Na olaria tenho nove praças, as quais se têm empregado em deitar o barro no pisadouro e pretendo alugar éguas para o pisar, a fim de principiar a fazer o adobe não só para o forno como também para as paredes do Hospital, poupando desta maneira alguma madeira que por aqui é muito escassa. Mandei fazer uma pequena barraca coberta de palha para guardar ferramenta” (apud NEVES, 2009: 19). Além disso, teriam sido utilizadas pedras na construção do dito Hospital, pois o Tenente Mariz dá conta do pagamento de 14 carretas de pedras para as obras neste edifício, em relatório de obras referentes aos meses de julho, agosto e setembro de 1847 (apud NEVES, 2009: 28).

    Juntamente à construção do paiol, foi ordenado pelo Coronel Comandante da 2° Brigada Vicente de Paula Oliveira Vilas Boas, “em seu ofício do 1° de agosto de 1847 que além da casa da guarda fizesse uma outra ao lado, e que aguentasse as dimensões do paiol ao que dei cumprimento, conforme se verá na nova planta (...) e fiz o dito paiol com trinta palmos (6,8 m) de frente sobre 19 (4,18 m) de fundo e dezoito (3,96 m) d’alto, toda esta construção foi feita de tijolos cozidos, no que gastei quinze milheiros, sendo o paiol de [soteo] e as duas casas de telha, nas quais gastei 550 telhas; tudo está rebocado de cal; quanto aos barrotes, e frechões, tabuas para as portas, e janelas gastei dos que tinham vindo de Porto Alegre; gastei também os 50 alqueires de cal que me restavam da obra do hospital, tendo comprado somente vinte e um alqueires (...)”.

    Esta obra foi realizada, em geral, por soldados de três batalhões: 4° e 2° de Fuzileiros e 5° de Caçadores. Apenas um pedreiro foi contratado para tanto, pois conta da ordem de que os custos do Paiol fossem mínimos.

    Quanto a ordem de construção de uma casa para a guarda do porto, o Tenente Mariz informa: “Tive ordem do Ilmo. Sr. Coronel Comandante da 2° Brigada para mandar fazer uma casa para a guarda do Porto, ao que dei cumprimento, e mandei fazer uma barraca coberta de palha, e com paredes de pau-a-pique com trinta palmos (6,6 m) de frente e vinte de fundo (4,4 m) e gastei somente quatro couros em atar a palha da cobertura, quanto à madeira, pedi à seis praças e um cabo, mandei-a cortar e conduzir em um lanchão que também requisitei, também mandei a ferraria para próximo da dita casa da guarda, e mandei construir uma barraca com 15 palmos (3,3 m) de frente sobre 12 de fundo (2,64 m), e gastei dois couros em atar a palha da cobertura, mandando-lhe pôr uma porta e janela, no que gastei duas tábuas de forro” (apud NEVES, 2009: 27-28).





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