Circunvalação de Jaguarão

Jaguarão, Rio Grande do Sul - Brazil

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A Circunvalação de Jaguarão, já desaparecida, localizava-se no perímetro da antiga Vila de Jaguarão, atual cidade de Jaguarão, Estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Este entrincheiramento já existia em junho de 1845, quando se iniciaram as obras de ampliação das defesas daquela vila.

Nessa época as defesas de Jaguarão eram compostas por um entrincheiramento (Circunvalação de Jaguarão) e por um pequeno reduto (Reduto de Jaguarão) inserido nessa mesma linha contínua de muralhas já existente. Não temos conhecimento do projetista dessas antigas defesas. As obras projetadas pelo Deputado do Quartel e Mestre General Alexandre Manoel Albino de Carvalho, neste ano de 1845, iriam manter o reduto como estava, refazer e ampliar a circunvalação, e dar início à contrução do novo Forte do Cerrito.

Em carta de Albino de Carvalho ao Presidente da Província do Rio Grande do Sul (Luís Alves de Lima e Silva, futuro Duque de Caxias) este informa que a dita circunvalação que defendia o povoado (1845) deveria ser substituída por outra, pois a atual “além de constranger a população por estar muito imediata, tem um fosso tão estreito e superficial que mais parece um simulacro do que uma realidade de defensor (...). A nova linha tem de abranger um espaço muito maior e de aproveitar alturas e salientes que se prestam vantajosamente à defesa” (Arquivo Histórico do Estado do Rio Grande do Sul; Fundo: Obras Públicas; Maços: 2 (1844 a 1847) e 3 (a parir de 1848), apud NEVES, 2009: 07). A circunvalação, com sua muralha e fosso, partia do Rio Jaguarão, em um dos lados da Vila, contornava todo o seu perímetro até o lado oposto, terminando novamente no rio, numa espécie de “U”, fechado pelo próprio rio. Ela possuía em seu perímetro um reduto (ver Reduto de Jaguarão) incrustado na linha de muralhas pelo lado da Campanha.

A circunvalação possuía a muralha do fosso revestida de alvenaria de pedra e argamassa de barro, e o fundo do fosso era revestido de pedra da própria região (apud Neves, 2009: 06). Segundo o desenho anexo a relatório tal (ver mídias imagem n° 2705), a circunvalação era composta de fosso com escarpa e contra escarpa revestidos de pedra, e muralha, parapeito e banqueta revestidos de tijolos. Os tijolos utilizados na construção, ao menos em sua maioria, foram doados pelos próprios moradores da região, cientes da importância da defesa para a localidade e para eles próprios.

Em junho de 1845, o 1° Tenente General do Imperial Corpo de Engenheiros João Pedro Gusmão Vasconcelos Mariz, já iniciava as marcações para a nova circunvalação, para que esta fosse aberta simultaneamente à construção do novo forte de Jaguarão (ver Forte do Cerrito de Jaguarão). Albino de Carvalho, autor do projeto do novo forte e da nova circunvalação, indica detalhadamente ao Tenete Mariz o processo de desenvolvimento da nova linha de muralhas. Determina ainda que “nos mais extensos ramais [da circunvalação] formará V. S. alguns engenhos que produzirão cruzamento de fogos”. Recomenda ainda que “a circunvalação atual só deverá ser desfeita depois de ultimada a nova, e mesmo depois disto continuarão a subsistir o reduto que tem, até que a obra do Forte [do Cerrito] ofereça proporções de defesa. Continuarão a haver três portas na circunvalação, sobre os mesmos lados em que ora existem” (apud NEVES, 2009: 09,14).

As obras foram realizadas, em sua maior parte por praças, que chegaram ao número de oitenta soldados, além de alguns pedreiros, carpinteiros, ferreiros e “cavouqueiros”. Conforme levantamento de Albino de Carvalho, a Vila de Jaguarão possuía nessa época uma largura de 200 braças (440 m) na direção Norte/Sul (do rio para a campanha), distando 600 braças (1320 m) do centro do Cerrito mais elevado, onde o novo forte seria construído. O rio em frente à vila possuía a largura de 93 braças (204,6 m).

A antiga vila e atual cidade de Jaguarão, por fazer divisa com o Uruguai (no outro lado do rio), estava em constante alerta pelo perigo de invasões. Desde 1842 as fronteiras brasileiras vinham sendo hostilizadas pelas forças uruguaias no contexto da Guerra entre Oribe e Rosas (1850-1852), o que tornou imprescindível a construção de defesas fixas nesta região do país.

Até o relatório correspondente ao mês de outubro de 1845, enviado pelo Tenente Mariz a Albino de Carvalho, o fosso da circunvalação encontrava-se parcialmente construído, em parte com dez palmos de profundidade (220 cm) (apud NEVES, 2009: 19). Não se sabe se esta obra teve evolução após este período relatado.

No entanto, segundo o Coronel Fausto Souza, a Vila de Jaguarão resistiu em 1864 à invasão das forças de Basilio Muñoz com auxílio de antigas trincheiras, que provavelmente referem-se a esta circunvalação, o que denota a existencia destas defesas ainda naquele ano.

Ainda segundo Souza, “em 1865 foi projetada e começada uma extensa linha contínua, circunscrevendo a cidade e apoiando as extremidades na margem esquerda do rio” (SOUZA, 1885:128). O questionamento que nos fica é se seria esta uma terceira circunvalação, ou se Souza teria se equivocado na data, querendo se referir ao projeto que Albino de Carvalho concebeu em 1845.

Segundo este mesmo autor, “o Brigadeiro Ricardo Jardim, inspecionando-a [a circunvalação] em 1867, reprovou tal projeto por dispendioso e sujeito aos inconvenientes muito conhecidos, que tem contra si linhas contínuas; e aconselhou, que fossem sustadas as obras e em seu lugar construído o forte projetado e iniciado outrora pelo general Andréa [não teria sido o forte de Albino de Carvalho?], no lugar chamado Cerrito, na proximidade da cidade. Semelhantemente manifestou-se o coronel Sebastião Chagas em sua inspeção de 1877” (SOUZA, 1885:128).



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Fortificações de Jaguarão
Página da Enciclopédia Wikipédia versando sobre as Fortificações de Jaguarão, que se localizavam na fronteira com o Uruguai, na cidade de Jaguarão, no Estado do Rio Grande do Sul, no Brasil.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Fortifica%C3%A7%C3%B5es_de_Jaguar%C3%A3o

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  • Circunvalação de Jaguarão

  • Tricheiras de Jaguarão; Entrincheiramento de Jaguarão

  • Entrenchment

  • 1845 (AC)

  • 1845 (AC)

  • Alexandre Manoel Albino de Carvalho

  • Luís Alves de Lima e Silva (Duque de Caxias)

  • Brazil

  • 1877 (AC)

  • Missing






  • Disappeared

  • ,00 m2

  • Continent : South America
    Country : Brazil
    State/Province: Rio Grande do Sul
    City: Jaguarão

    Localizava-se no perímetro da antiga Vila de Jaguarão, atual cidade de Jaguarão, Estado do Rio Grande do Sul, Brasil.


  • Lat: 32 34' 4''S | Lon: 53 22' 32''W


  • A Circunvalação contornava o perímetro da antiga Vila de Jaguarão, às margens do rio de mesmo nome, na divisa entre Brasil e Uruguai (atual cidade de Rio Branco).



  • A circunvalação, com sua muralha e fosso, partia do Rio Jaguarão, em um dos lados da Vila, contornava todo o seu perímetro até o lado oposto, terminando novamente no rio, numa espécie de “U”, fechado pelo próprio rio. Ela possuía em seu perímetro um reduto (ver Reduto de Jaguarão) incrustado na linha de muralhas pelo lado da Campanha.

    A circunvalação possuía a muralha do fosso revestida de alvenaria de pedra e argamassa de barro, e o fundo do fosso era revestido de pedra da própria região (apud Neves, 2009: 06). Segundo o desenho anexo a relatório tal (ver mídias imagem n° 2705), a circunvalação era composta de fosso com escarpa e contra escarpa revestidos de pedra, e muralha, parapeito e banqueta revestidos de tijolos.
    Até o relatório correspondente ao mês de outubro de 1845, enviado pelo Tenente Mariz a Albino de Carvalho, o fosso da circunvalação encontrava-se parcialmente construído, em parte com dez palmos de profundidade (220 cm) (apud NEVES, 2009: 19). Não se sabe se esta obra teve evolução após este período relatado.





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