Conrado Jacob Niemeyer

Brazil

O Marechal Conrado Jacob Niemeyer era filho do Coronel Conrado Niemeyer, e primeiro descendente nascido no Brasil dessa brilhante estirpe de engenheiros militares, oriunda do tronco ilustre dos Niemeyer, de Hanover.

Nasceu na então Corte Imperial do Rio de Janeiro, em 21 de abril de 1831. Em 1855 já era alferes do Estado- Maior, quando foi designado para auxiliar seu pai na comissão de dessecação dos pântanos, canalização e navegação do Rio Beberibe, em Recife, passando, depois, a colaborar com ele na elaboração da Carta Corográfica do Império.

Em 1857, como tenente do Corpo de Engenheiros, participou, no Rio Grande do Sul, da Comissão de Limites com o Estado Oriental, dirigida pelo Barão de Caçapava, inclusive do serviço de colocação de marcos, até 1862.

Em 1863 apresentou o projeto para substituir por um só arco os quatro do Aqueduto da Carioca, sobre a Rua dos Arcos.

Em 1865 foi servir no teatro de guerra contra o Paraguai, servindo de guia ao Imperador, na sua viagem a Bagé, via Alegrete e Livramento. Participou da campanha, durante cinco anos, como major do Corpo de Engenheiros, em trabalhos técnicos, reconhecimentos, abertura de estradas, organização do terreno e outros.
Integrou, em julho de 1867, com os capitões Amaral e Madureira e com o Tenente Cursino do Amarante, o grupo de quatro oficiais incumbidos do emprego, na observação e na aerotopografia, do balão de 10 metros de diâmetro, importado dos Estados Unidos, para o levantamento do território inimigo, particularmente no estudo da famosa marcha de flanco.

Era a primeira vez que se recorria, na América do Sul, a esse tipo de aparelho militar que se alçava a uma altura de 330 metros, mantendo-se em ponto fixo por meio de duas grandes cordas sustentandas por soldados.

Depois da guerra, já como tenente-coronel, Niemeyer chefiou, em 1873, uma comissão incumbida de organizar a defesa do Rio Grande do Sul e elaborar o mapa geográfico daquela pronvíncia.

Em 1875 foi nomeado fiscal da linha de carris de ferro da Empresa Pandiá Calógeras Carlos Krause, servindo, culmulativamente, no Arquivo Militar.

Em 1882 chefiou a comissão de levantamento da carta estratégica do Rio Grande do Sul.
Nessa ocasião, Niemeyer projetou a ligação ferroviária da Corte ao Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso, sendo, também, diretor de Obras da Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

Em 5 de fevereiro de 1890 foi nomeado diretor-geral de Obras Militares.

Foi, mais tarde, comandante das Armas de Mato Grosso e Amazonas, exercendo, também, o governo desta última província.

Em contestação às acusações feitas ao seu pai pelo Conselheiro Pereira e Silva, no livro Narrativas Históricas, a propósito da sua atuação como presidente da Junta Militar do Ceará, em 1825 e 1826, escreveu o Marechal Niemeyer o livro Impugnação à Narrativa Histórica, em que revelou grandes méritos de escritor.

O Decreto n° 350, de 15 de abril de 1890, alterou as denominações dos postos de oficiais generais, passando para general-de-brigada. Em 22 de dezembro foi promovido a general-de-divisão.

Foi, então, nomeado diretor-geral das Obras Militares, função que deixou em 7 de abril de 1892, quando foi nomeado conselheiro de Guerra. Em 22 de julho de 1893 foi nomeado Ministro do Supremo Tribunal Militar, cargo idêntico ao que exercia no Conselho Supremo Tribunal Militar, no qual foi mantido pelo decreto legislativo que deu nova organização ao referido Tribunal.

Com a reorganização das forças do litoral, em virtude da revolta de 6 de setembro de 1893, coube-lhe o comando da 1ª Divisão, composta das brigadas que guarneciam o litoral, desde o Morro da Viúva até a Praça da Harmonia.

Tais encargos ele recebeu sem prejuízo da direção-geral das Obras Militares que, então, exercia.

Por decreto de 15 de novembro foi graduado no posto de marechal e nomeado, logo depois, presidente da comissão incumbida de apresentar um plano de fortificações passageiras para a defesa da Capital, com base nas fortificações permanentes feitas pelos portugueses.

Em 12 de janeiro de 1894, já exonerado dessa comissão, teve o comando da divisão em operações na cidade de Niterói, até 7 de fevereiro seguinte. Foi ajudante-general do Exército em 24 de novembro de 1894 e efetivado no posto de marechal, em 5 de abril de 1895, sendo reformado por decreto de 13 do mesmo mês.

Era casado com D. Maria Luiza Mena Barreto, filha do Capitão Luiz Francisco Mena Barreto. Faleceu em 14 de fevereiro de 1905, no Rio de Janeiro, sendo sepultado no cemitério de São João Batista.

Conrado Jacob Niemeyer, que, ao contrário do seu pai, atingiu o posto de marechal, recebeu as condecorações de comendador da Ordem da Rosa, Grã-Cruz da Ordem de São Bento de Aviz e cavaleiro da Ordem de Cristo.

Fonte: TAVARES, Aurélio de Lyra. A Engenharia militar portuguesa na construção do Brasil. Rio de Janeiro: Editora Biblioteca do Exército, 2000.

Contribution

Updated at 26/09/2008 by the tutor Projeto Fortalezas Multimidia (Elisangela).




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