Manuel de Azevedo Fortes

Portugal

Manuel de Azevedo Fortes (Lisboa, 1660 — Lisboa, 28 de março de 1749) foi um engenheiro militar português.

A introdução de convenções no desenho técnico e a respectiva padronização dos códigos em tratados só ocorreu na Europa no século XVII. Azevedo Fortes é considerado o responsável pela sua divulgação em Portugal já no século XVIII, ao abordar pela primeira vez as questões referentes aos instrumentos e métodos empregados nos levantamentos de campo, assim como sobre os instrumentos, convenções e códigos empregados na elaboração dos desenhos. Em “O Engenheiro Português”, tratado, que encerrava os ensinamentos mais modernos da Escola Francesa, buscava ser didático e claro, conforme afirma no Prólogo: "(...) E porque a escuridão, e a ambiguidade dos termos he um dos maiores obstaculos para poder chegar ao perfeito conhecimento das Sciencias; puz hum grande cuidado em os definir exactamente, determinando-lhes a sua verdadeira significação". (OLIVEIRA, 2004:51)

Biografia

Fez os seus primeiros estudos na Espanha, no Colégio Imperial, tendo ingressado Universidade de Alcalá. Em seguida partiu para a França, onde estudou, por algum tempo, no prestigioso Colégio de Plessis (Sorbonne).

Completada a sua formação técnica, regeu durante 3 anos a cátedra de Filosofia em Siena, na Toscana, vindo a tornar-se professor de Matemática na Aula de Fortificação e Arquitetura Militar, em Lisboa, no período de 1695 a 1701. Em 1702 foi nomeado Capitão de Infantaria com exercício de Engenheiro e, em 1735, foi nomeado Sargento-mor de Batalha.

Foi nomeado por João V de Portugal como Engenheiro-mor do Reino (23 de outubro de 1719), tendo estado ligado entre 1730 e 1732 ao projeto de construção do Aqueduto das Águas Livres, junto com Manuel da Maia e José da Silva Pais, tanto nos estudos preparatórios como nas medições da obra.

São de sua autoria o projeto do novo armazém da pólvora da Praça-forte de Campo Maior (1734), assim como a edificação dos paióis das praças de Estremoz, Olivença e Elvas, e o plano para a nova fortificação da vila de Zebreira.

Na qualidade de Engenheiro-mor do Reino opinou sobre muitas coisas do Brasil e a ele são atribuídos os traços de algumas fortalezas, como a de São José de Macapá, no atual estado do Amapá.

Um dos primeiros Iluministas no país, Fortes fez parte do grupo de 50 académicos fundadores da Academia Real da História Portuguesa (1720), onde dirigiu os Estudos Geográficos, e publicou “Representação a Sua Majestade sobre a forma e direcção que devem ter os engenheiros para melhor servirem neste reino e suas conquistas” (1720), "Tratado do modo mais facil e o mais exato de fazer as cartas geographicas" (1722), os dois volumes de “O Engenheiro Português” (1728-1729), “Evidência apologética e crítica sobre o primeiro e segundo tomo das ‘Memórias Militares’, pelos praticantes da Academia Militar desta côrte” (1733) e “Lógica racional, geometrica e analytica” (1744). Nesta última apresentou diversos aspectos originais em português, trazendo concepções da então moderna filosofia, apresentando questões da álgebra e constituindo-se em uma das primeiras obras a tratar da geometria.

As suas fontes foram essencialmente os tratados franceses do padre jesuíta Claude François Milliet Dechalles e de Jacques Ozamam "Les Élémens d’Euclide" (2ª ed., 1653), de Jacques Ozanam, "Methode de lever les plans et les cartes, de terre et de mer, avec toutes sortes d'Instrumens, & sans Instrumens" (1693), acredita-se que de Jean-Louis Naudin, "L'Ingénieur français (...)" (1696), e do engenheiro do rei de França, Nicolas Buchotte, "Les Règles du dessein et du lavis (...)" (1722).

Por ser um profissional muito preparado e brioso, muitas vezes irritava-se com a mediocridade. Neste particular, destaca-se um parecer seu em pedido do conde de Sarzedas, quando governador da Capitania de São Paulo, para a defesa da então Vila de Santos, onde reprovava, de maneira veemente, a qualidade dos projetos que foram enviados, declarando que, com tais documentos, não se podia opinar nada.

Contribution

Updated at 14/02/2017 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.




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