Miguel Pereira da Costa

Portugal

O Mestre de Campo Miguel Pereira da Costa teve uma ascensão rápida na carreira miltar, assentando praça de soldado em 20 de março de 1699. Serviu em Cabo Verde, na Corte e no Alentejo, como soldado, ajudante, capitão e sargento-mor engenheiro, mas sempre ligado à infantaria. Trabalhou nas fortificações de Serpa e Moura, lutando pela sua defesa e recompondo-as quando o inimigo se retirou. Trabalhou também na fortificação de Mértola.

Segundo Mário Mendonça de Oliveira, em sua obra As Fortificações Portuguesas no Brasil, Miguel Pereira foi nomeado Tenente Mestre de Campo da Bahia em 9 de janeiro de 1709, com soldo de 40$000rs. por mês, tendo a patente registrada no Brasil, em 10 de fevereiro de 1710. Nos muitos anos que viveu no Brasil, trabalhou nas edificações do sistema do Morro de São Paulo, em Itaparica e em muitas fortalezas da Cidade de Salvador, apoiado, no início, pelo então Capitão Engenheiro Gaspar de Abreu e depois por Nicolau Abreu de Carvalho.

Como engenheiro fixo da Bahia, esteve quase todo o tempo em Salvador, só se afastando para alguma missão que requeria o exercício da profissão, como as fortificações de Angola e o levantamento das estradas para as minas de Rio de Contas. Voltou, temporaroiamente, a Portugal, somente para tratar dos seus problemas de saúde, abalada pelo rigor dos trópicos, mas voltou para a Bahia para terminar os seus dias.

O primeiro grande projeto que Miguel Pereira esteve envolvido foi com a continuidade da implantação do sistema de fortificação do Morro de São Paulo. Em 1712, esteve envolvido em projeto e obras do fortim na Praia do Forte, nas vizinhanças da casa da Torre dos Ávilas. No mesmo ano, é designado para fazer um novo relatório sobre as defesas da Cidade de Salvador e seu Recôncavo, observando, principalmente, onde existiam fortificações. Neste documento, é destacada a necessidade de colocar, em sua última perfeição, os fortes de Itaparica e o antigo Forte de São Bartolomeu de Pirajá.

Enquanto trabalhou no projeto de fortificação, Miguel Pereira foi promovido de Tenente Mestre de Campo para Mestre de Campo, o que foi um reconhecimento da Coroa portuguesa à sua competência e dedicação ao trabalho. Mas, montado o projeto de fortificação, em 1716, e vinda a aprovação de sua nova patente, a responsabilidade deste engenheiro aumenta consideravelmente, pois construções de grande envergadura são iniciadas ou continuadas, como o Forte de Nossa Senhora do Pópulo e S. Marcelo, o Forte São Pedro, o Forte do Barbalho e o sistema fortificado do Morro de S. Paulo, entre outras.

Em 1728, Miguel Pereira pediu ao Rei que lhe adiantasse o seu salário para poder viajar ao Reino, viagem que tinha sido devidamente autorizada pelo soberano. Deve ter permanecido lá entre 1729 e 1731, sendo este último ano à custa de um pedido de prorrogação, porque os médicos não o achavam convenientemente restabelecido. Durante a sua estada em Lisboa, tenta, mais uma vez, conseguir do Rei a promoção ao posto de Brigadeiro pela vasta folha de serviçõs prestado à Coroa, o que não consegue, porque, mesmo o Conselho Ultramarino reconhecendo os seu grandes méritos, foi ponderado que ele seria equiparado a Manoel de Azevedo Fortes e José Massé, que ocupavam tais cargos. Foi, contudo, concedida uma gratificação. Entre 1731 e 1732, regressa para Bahia, onde ficou até o fim da sua vida (OLIVEIRA: 2004, 106-112)

Contribution

Updated at 14/11/2008 by the tutor Projeto Fortalezas Multimídia (Jaime José S. Silva).




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