John Massey

France

Jean Massé, também referido em português como João Massé (segunda metade do séc. XVII - primeira metade do séc. XVIII), foi um militar francês que serviu em Portugal e no Brasil entre 1705 e 1718.

Biografia

Embora tradicionalmente seja considerado de origem francesa, OLIVEIRA (2000), em seu trabalho sobre Robert Smith e a Engenharia Militar Brasileira, sustentou que era inglês (Op. cit., p. 274).

Mais recentemente, CORRÊA-MARTINS (2016) afirmou que Massé, um huguenote, após a revogação do Édito de Nantes (Édito de Fontainebleau, 1685), saiu da França, estabelecendo-se na Inglaterra.

No contexto da Guerra da Sucessão de Espanha (1701-1713/1715) tendo Portugal invocado o Tratado de Aliança, a Inglaterra nomeou em 1704 o militar francês huguenote Henri de Massue, 2.º marquês de Rouvigny, conde de Galway, para comandar as forças aliadas. Com ele veio Massé, um dos oficiais comissionados no exército português. (SOUZA VITERBO, 1988) encontrando-se ao serviço de Portugal desde 1705.

Massé tomou parte em 1705 no cerco e conquista da cidade de Alburquerque (ver Castelo de Alburquerque), na Estremadura espanhola e, em 1712, na defesa da Praça-forte de Campo Maior, que sustentou vitoriosa um assédio de mais de um mês, feito pelo qual os defensores foram recompensados por João V de Portugal (1706-1750), inclusive o próprio Massé, a quem “mandou dar uma joia”. (CORRÊA-MARTINS, 2016)

Após os bem-sucedidos ataques à cidade do Rio de Janeiro pelos corsários franceses Jean-François Duclerc (1710) e René Duguay-Trouin (1711), houve, por parte Metrópole, a preocupação reforçar-lhe a defesa, uma vez que era pelo seu porto que o ouro, oriundo da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro, era remetido para o reino.

Desse modo, D. João V comissionou o tenente-coronel de Infantaria João Massé com a patente de brigadeiro, enviando-o em 1713 "ao Rio de Janeiro para examinar e reparar as fortificações daquela capitania e fazer as mais que forem necessárias para defensa e conservação dela; e feita esta diligência passará a fazer a mesma na Bahia e Pernambuco”. (SOUZA VITERBO, 1988)

Massé chegou ao Rio de Janeiro em 1713, juntamente com o novo governador da capitania, Francisco Xavier de Távora (1713-1716), com quem projetou diversas fortificações, entre as quais uma nova fortaleza, no alto do morro da Conceição (Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição), e uma muralha, para fechar a cidade pelo lado de terra (Muralha da Rua da Vala). O projeto destas fortificações encontra-se em três plantas, incorretamente atribuídas a Massé. (CORRÊA-MARTINS, 2014; CORRÊA-MARTINS, 2016)

Em 1714 esteve em Santos, na Capitania de São Paulo e Minas do Outro, a inspecionar as suas defesas, tendo sugerindo obras como a Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande e o Forte da Estacada (atual Forte Augusto).

De volta ao Rio de Janeiro, seguiu para Salvador, na Capitania da Bahia, capital do Estado do Brasil.

Na Bahia, o seu projeto concentrou-se na defesa da capital, Salvador. Para esse fim Massé contou com a colaboração de militares que conheciam a realidade local, a saber o mestre-de-campo Miguel Pereira da Costa e o capitão Gaspar de Abreu, lente da Aula de Arquitetura Militar da Bahia. Desse vasto projeto, datado de 1714, que conhecemos apenas por cópias, pouco foi executado além da reforma de algumas fortificações, como o Forte de Nossa Senhora do Monte do Carmo, o Forte de São Marcelo, o Forte de São Pedro, a ampliação do dique do Tororó e a construção do Forte de São Paulo da Gamboa.

Massé retornou ao reino em 1718.

Obra

"Planta da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, Com suas Fortifficaçoins:" Desenho aguarelado, atr. João Massé, 1713.

Bibliografia

CORRÊA-MARTINS, Francisco José. "A defesa do Rio de Janeiro no início do século XVIII: ou um muro que desapareceu e um morro em conflito". Acervo, Rio de Janeiro, v. 29, n.º 1, pp. 97-115, jan./jun. 2016.

Contribution

Updated at 27/01/2017 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.




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