Antonio José da Silva Paulet

Portugal

Era Oficial da Marinha quando a Corte Portuguesa se transferiu para o Rio de Janeiro, em 1808. Nessa ocasião foi selecionado para fazer parte da esquadra que veio ao Brasil com a Família Real. Exatamente devido a esse serviço foi promovido ao posto de capitão-tenente, "como recompensa por pertencer aos Estados-Maiores e às Guarnições das Reais Embarcações de que se compunha a referida Esquadra".

Serviu depois no Ceará como ajudante-de-ordens do governador Manoel Ignácio de Sampaio, de acordo com o ato de nomeação constante do Decreto de 13 de maio de 1811.
Teve vários encargos de Engenharia naquela região, terminando por ser transferido para o corpo de engenheiros, com a graduação de tenente-coronel, por medida de caráter especial que o governo adotou com a expressa declaração de que se tratava de uma graça excepcional, "não devendo servir de exemplo". Continuou, mesmo assim no exercício das funções de ajudante-de-ordens do governador do Ceará.

Exerceu mais tarde o comando da Província de Missões em substituição ao Marechal-de-Campo Francisco das Chagas dos Santos que também pertenceu ao corpo de engenheiros e serviu por muito tempo na Capitania do Rio Grande de São Pedro, no início do Século XIX.

Embora originário da Marinha de Guerra, Paulet era, tambpem, arquiteto e geógrafo.

Em 1817 elaborou a carta marítima e geográfica da Capitania do Ceará por ordem do Governador Manoel Ignácio de Sampaio (existente na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro), tendo terminado esse trabalho em 1818.

No ramo das construções militares e civis, foi autor de vários empreendimentos, entre os quais se destacam: a reconstrução em 1812 da Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, a ampliação do primitivo edificio da tesouraria da Fazenda, a construção do Mercado Público e outras edificações públicas importantes.
A Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção foi por ele projetada no mesmo local da antiga bateria existente, revestindo-se de caráter solene o início do lançamento dos seus alicerces em 12 de outubro de 1812, com a presença do Governador Manoel Ignácio de Sampaio, a Câmara, a nobreza e o povo, além do próprio Paulet, seu arquiteto. Foram batizados os quatro baluartes, com os seguintes nomes: Nossa Senhora da Assunção, o do Norte; D. João, o do Noroeste; Príncipe da Beira, o do Sudoeste; e São José, o do Sudeste.

O orçamento da obra, na parte paga pela Fazenda Real, importou em pouoco mais de vinte conto de réis, além de cerca de dezesseis contos de réis arrecadados em donativos obtidos pelo governador, uma contribuição do Capitão-Mor dos Inhamuns, José Alves Feitosa, o material fornecido espontaneamente por particulares e os serviços prestados não apenas por pessoas categorizadas da cidade, como pelos respectivos escravos.

A Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, classificada como 2ª classe, era artilhada com 29 peças instaladas, das quais 23 de almas lisa e 6 canhões de bronze, raiados, calibre 12 sistema La Hitte. Das peças da alma lisa, constavam os seguintes calibres: 4, de calibre 25; 2, de 18; 9, de 12 e 8 de 6.

Na Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção que foi a última a ser construída no Ceará, em 12 de outubro de 1812, no local de uma bateria em ruínas, de antigo forte holandês, foi inaugurada em 1817, ,na muralha norte, uma lápide com a seguinte inscrição em latim:
"As naus escarneciam de mim, quando eu era um monte informe; agora que eu sou uma grande fortaleza, de longe tomam-se de respeito. Aqui reinando D. João, Sampaio me fundou bela, o engenho de Paulet resplandece. Os donativos dos cidadãos me tormam forte pelas muralhas e os dispêndios reais me fazem forte pelas armas." (Do livro do Coronel Aníbal Barreto - Fortificações do Brasil.)

Paulet era coronel engenheiro em 1825.

Contribution

Updated at 13/11/2008 by the tutor Roberto Tonera.




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