Diogo de Arruda

Portugal

Diogo de Arruda (14?? - 1531) foi um mestre arquiteto português.

Foi um dos expoentes do Manuelino na arquitetura, juntamente com o seu irmão Francisco e o mestre Diogo de Boytac.

Biografia

Foi irmão mais Velho de Francisco de Arruda e tio de Miguel de Arruda, que também se notabilizaram como arquitetos.

Entre 1508 e 1510 foi o arquiteto do baluarte do Paço da Ribeira erguido por ordem de Manuel I de Portugal (1495-1521) em Lisboa, numa área à margem direita do rio Tejo. Este baluarte era o remate daquele palácio real e possuía uma torre fortificada decorada com as armas do soberano, o que mais tarde seria repetido na Torre de Belém, erguida entre 1514 e 1519 por Francisco de Arruda.

Diogo de Arruda foi um dos grandes nomes associados à remodelação manuelina do Convento de Cristo, ali tendo exercido o cargo de mestre de 1510 a 1513. Nesse período ergueu no lado oeste da antiga charola templária um coro disposto em dois níveis: o superior ocupado pelo coro-alto para os monges e, no inferior, a sacristia, também referida como "Sala do Capítulo". Toda a fachada oeste do coro, flanqueada por dois grandes contrafortes, é abundantemente decorada com motivos heráldicos e naturalistas. Nela se encontra a célebre janela da sacristia da igreja, uma das obras mais célebres do manuelino. Os trabalhos no coro do Convento de Cristo foram continuados, a partir de 1515, por Juan de Castillo.

Em 1513 Diogo de Arruda passou pela Praça-forte de Azamor, no Magrebe, onde desempenhou as funções de engenheiro militar junto com o seu irmão Francisco. Ali erigiram o alcácer (castelo), baluartes e reforçaram muralhas, entre outros trabalhos. Diogo e Francisco trabalharam ainda na fortificação de Safim e na de Mazagão, também no Norte de África.

De volta a Portugal, foi nomeado pelo soberano como "Mestre de Obras da Comarca de Entre Tejo e Odiana" (1521). Esse cargo pode ser explicado pela relativa debilidade das defesas portuguesas no Alentejo, em comparação com outras regiões do país à época. Nesse período já se encontrava a dirigir as obras do "Castelo Novo" de Évora, levantado entre 1518 e 1524. O desenho dessa fortificação, de planta quadrada com torreões nos vértices, segue os modelos renascentistas de arquitetura militar e representou uma inovação no país. Apesar de muito alterado, em nossos dias conserva a planta original e as bases dos torreões, com o motivo de cordões típico do manuelino. Também se acredita que tenha realizado projetos de igrejas, como a Matriz de Viana do Alentejo, um dos melhores exemplares de arquitetura manuelina religiosa no Alentejo.

Em 1525, já sob o reinado de João III de Portugal (1521-1557), foi nomeado arquiteto dos paços reais. Nessa época é provável que tenha participado nas obras dos Paços Reais de Évora, um grande complexo palaciano que já vinha sendo construído desde o século XV.

Obra

Diogo de Arruda é um dos principais nomes da arquitetura portuguesa do período manuelino. Junto com seu irmão Francisco, com quem trabalhou frequentemente, criou um estilo próprio facilmente identificável, muito ligado à arquitetura militar, caracterizado pelo uso sistemático de volumes cilíndricos, decoração cheia de referências naturalistas (cordas, raízes, folhagem) e heráldicas.

Contribution

Updated at 17/07/2014 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.




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