Turghud Alì

Turkey

Turghud Alì, também referido como Turghut Reis, Turhud Rais, Turgut Reis (“reis” = almirante), Darghout Rais, Dragut e Darghouth (“dragão”) (Turgutreis, 1485 ou 1514 – Malta, 23 de junho de 1565), foi um comandante naval do Império Otomano.

Exerceu os cargos de “Bey” (comandante) de Argel, “Beylerbey” (comandante dos comandantes) do Mediterrâneo; e primeiro “Bey”, depois “Paxá”, de Trípoli. É recordado por ser um dos maiores almirantes (em turco “Kapudanpaşa”) de etnia turca, ao serviço do sultão. Sob o seu comando naval, o poder marítimo do Império Otomano estendeu-se ao Norte de África. Como Paxá, adornou e empreendeu obras na cidade de Trípoli, tornando-a uma das mais impressionantes na costa do Norte de África. Fazia chamar-se de “Espada Vingadora do Islão”, sendo protagonista de diversas lendas populares, romances e filmes. Foi pai de Amurat Dragut.

Biografia

Nasceu nas proximidades de Bodrum (atual Turgutreis), na costa turca do mar Egeu.

Foi um dos protegidos de Khair-ad-Din (“Barbarrossa”), que sucedeu, e lutou contra os cristãos em inúmeras batalhas no mar Mediterrâneo, sendo temido por sua ferocidade.

Para derrotá-lo, o Imperador Carlos V destacou o almirante genovês Andrea Doria. Turghud viria a ser capturado na batalha de Girolata (1540) pelo sobrinho de Doria (Gianetti Doria) e sentenciado às galeras como escravo. Foi resgatado por Khair-ad-Din pela quantia de 3000 ducados, em 1544.

Com a morte de Khair-ad-Din (1546), Turghud, então com 32 anos de idade, reuniu uma frota de 24 bergantins, ameaçando Nápoles e saqueando a costa da Calábria. Em 1550 capturou Mahdia e parte da costa de Túnis. A 25 de maio de 1550, como parte de sua campanha de saque do Mediterrâneo ocidental, assaltou a vila de Cullera no reino de Valência, e conseguiu um importante butim em bens e cativos. Esse evento causou uma grande comoção popular, e a vila ficou praticamente despovoada por décadas. Nas suas imediações, em nossos dias, a chamada Cueva de Dragut, onde de acordo com a tradição se realizou uma troca de prisioneiros, possui um pequeno museu temático sobre a pirataria no mediterrâneo no século XVI. No mesmo ano (1550) Turghud atacou também a povoação de Pollensa, em Maiorca, tendo sido rechaçado pela população local sob a liderança de Joan Mas. Apesar disso, retirou com numerosos cativos. Até hoje, anualmente, a 2 de agosto, celebra-se nessa localidade uma festa de mouros e cristãos recordando o feito.

Após prolongadas e ferozes batalhas, com pesadas baixas de parte a parte, em setembro de 1550 Andrea Doria e o bailio Claude de la Sengle encurralaram a frota de Turghud (20 barcos), em uma enseada na ilha de Djerba, na costa da Tunísia. Para escapar, Thurghud arrastou os seus barcos por terra fazendo-os sair do outro lado da ilha e fez vela para Constantinopla.

Naquela capital, Turghud mobilizou uma frota de 112 galeras e 2 galeotas transportando 12.000 janízaros (tropa de elite), e em 1551 tentou assenhorear-se de Malta. Embora tenha despendido grande esforço, não conseguiu conquistá-la, razão pela qual decidiu devastar os povoados vizinhos. Em julho de 1551 a vizinha ilha de Gozo também sofreu assédio por parte de Turghud, que a tomou, capturando centenas de escravos. Em agosto de 1551, atacou e conquistou Trípoli, na atual Líbia, uma importante praça costeira então defendida pela Ordem de Malta.

Como recompensa pela sua bravura, o sultão Solimão o Magnífico entregou-lhe Trípoli e o território circundante, concedendo-lhe o título de "Sanjak Bey", comandante em chefe da armada otomana, a qual foi enviada à península Itálica em virtude da assinatura de um tratado entre Solimão e Henrique II de França contra os interesses de Espanha. No desempenho dessa comissão, Turghud devastou a Calábria em 1553, lançou um ataque contra a ilha de Elba e acossou Bonifacio, no sul da Córsega. Quando da capitulação de Bonifacio, tentou tomar Piombino e Portoferraio em Elba mas, sem consegui-lo, regressou a Constantinopla. Em 1554 surgiu mais uma vez na costa da Calábria, mas logo retirou para Durazzo.

Filipe II de Espanha (1556-1598) quis vingar-se da afronta a seu pai e, em 1559, armou contra Turghud uma armada com meia centena de navios de guerra e um efetivo de cerca de 13.000 mil homens sob o comando do duque de Medinacelli, que se dirigiu à ilha de Djerba. A força expedicionária ocupou a ilha, mas caiu na armadilha preparada por Turghud, que havia dispersado os seus barcos para o efeito. Turghud foi implacável e sanguinário com os prisioneiros, fazendo decapitar todos os que caíram em seu poder. Embora não existam cifras exatas, a notícia histórica afirma que foram cinco mil as cabeças com que Turghud levantou uma horripilante “torre de las calaveras”, de 11 metros de altura. Do episódio, conhecido como “matanza de Djerba” existe em nossos dias um monólito na costa da ilha.

Enquanto isso, Turghud ganhou a inimizade de vários líderes muçulmanos no norte da África, especialmente o Régulo da Tunísia, que tinham sido praticamente autónomos e não desejavam ser controlados pelo Império Otomano. A maior parte deles firmou aliança em 1560 com o vice-rei da Sicília, Cerdá, que, às ordens de Felipe II ocupou Trípoli, ainda que a sua campanha tenha terminado em fracasso quando as forças navais Otomanas derrotaram a frota siciliana e maltesa.

Quando Solimão atacou Malta em 1565, Turghud comandou vários milhares de combatentes (algumas fontes elevam o número a 16.000 homens) e 15 navios. Faleceu com a idade de 51 anos, de ferimentos recebidos no assédio ao Forte de São Telmo, quando um tiro de canhão (algumas fontes registam um tiro à distância, a partir do forte cristão de O Anjo, e outras a um disparo demasiado baixo da própria artilharia otomana) atingiu o solo próximo a si, levando a que estilhaços de pedra o atingissem, ferindo-o mortalmente abaixo da orelha. Viveu o suficiente para escutar as notícias da captura do forte. O seu corpo foi sepultado em Trípoli.

Em sua homenagem, um navio de guerra da Marinha da Turquia recebeu o seu nome. Do mesmo modo, a localidade em que nasceu, nas proximidades de Bodrum, na costa do mar Egeu, na Turquia, atualmente denomina-se Turgutreis, em sua honra.

Miguel de Cervantes retrata-o na novela “Los trabajos de Persiles y Segismunda” como “(…) el orejudo en su galeota que azota a los remeros cristianos con el brazo muerto de otro cristiano cautivo”. Em outra passagem menciona o “(…) perro de Dragut, que así se llamaba el arráez de la galeota: corsario tan famoso como cruel, y tan cruel como Falaris o Busiris, tiranos de Sicilia”. (Op. cit.)

Luis de Góngora converte-o em protagonista de um dos seus mais famosos poemas sobre um cristão cativo de Dragut e condenado às galés, que se pergunta o que terá sido de sua amada nos dez anos em que está detido nas mãos dos turcos: “Amarrado al duro banco / de una galera turquesca, / ambas manos en el remo / y ambos ojos en la tierra /, un forzado de Dragut / en la playa de Marbella / se quejaba al ronco son / del remo y de la cadena. / Tráeme nuevas de mi esposa, / y dime si han sido ciertas / las lágrimas y suspiros /que me dice por sus letras”.

Contribution

Updated at 19/02/2017 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.




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