Miguel Luís Jacob

Portugal

Miguel Luís Jacob (Lisboa, c. 1710 – Almeida, 1771) foi um engenheiro militar português.

Formado pela escola portuguesa de engenharia militar a sua obra reflete a renovação promovida nessa área, no reino, pelo engenheiro-mor Manuel Azevedo Fortes (1660-1749).

Biografia

De ascendência francesa, desconhece-se a data precisa de seu nascimento.

Estudou durante dez anos na Academia Militar da Corte (antiga Aula de Fortificação e Arquitetura Militar) em Lisboa, em um período marcado pelo magistério, reformas e produção tratadística do engenheiro-mor do reino Manuel de Azevedo Fortes, que terá acompanhado diretamente o desempenho de Jacob, que desde cedo se destacou nos trabalhos de desenho.

Jacob Iniciou a sua carreira como ajudante Engenheiro das fortificações do Alentejo em 1737, província militar onde se exercitou até cerca de 1750, quando figura na documentação mencionado como capitão de Infantaria com exercício de Engenheiro na mesma região onde desenvolveu a sua formação prática. Aí desempenhou funções ao longo de vinte anos, período durante o qual procedeu ao levantamento de significativo número de praças, tendo ainda trabalhado no projeto de adaptação do denominado “castelo”, em Évora, a quartel do Regimento de Dragões.

Em 1759 encontrava-se a trabalhar em Almeida, na fronteira da Beira, onde terá permanecido até à data da sua morte.

Em 1762 foi nomeado sargento-mor mandado servir na praça de Almeida, sendo com essa patente que assinou o reconhecimento militar e projeto de uma trincheira na zona do rio Zêzere, tratando-se do único trabalho conhecido, ainda que não datado, fora do contexto da praça beirã.

Em 1764 procedeu ao levantamento de Almeida, sob as ordens do marechal-de-campo Francisco MacLean, e tendo como ajudantes Francisco João Roscio (c. 1737 – 1805) e Francisco Gomes de Lima (c. 1730 - 1791, depois), ambos também egressos da Academia Militar da Corte.

Na sequência dos estragos provocados pelo assédio espanhol a Almeida em 1762 Jacob assinou (entre 1764 e 1768) uma copiosa coleção de desenhos com a representação de todos os edifícios militares daquela praça-forte, responsabilizando-se pela reconstrução e reconversão dos mesmos.

A partir de 1767 figurava como seu assistente principal Anastácio António de Sousa e Miranda (1746 – 1825), que o veio a substituir como principal engenheiro da praça, após a sua morte em 1771, quando detinha a patente de major engenheiro.

Os seus biógrafos acreditam que provavelmente terá sido lente da Aula de Almeida, cujo indício indireto será a redação do “Tratado de Fortificação Regular e Irregular”.

Obra

Jacob deixou-nos numerosos desenhos, com grande variedade de escalas e características, e uma excecional qualidade técnica e estética.

Esse conjunto pode ser dividido em duas grandes coleções de cartas e plantas. O primeiro é relativo ao Alentejo e a Almeida, na Beira, no qual se incluem representações do levantamento do corpo de cada praça ou recinto fortificado e dos terrenos envolventes. No caso do assédio de Almeida inclui também a representação do espaço urbano e o modo como foi atingindo durante aquele episódio da chamada “Guerra Fantástica”.

O segundo grupo de desenhos documenta a reparação e renovação das obras fortificadas e de numerosos edifícios de equipamento militar. Daqui resultou uma coleção de documentos que se mostram como desenhos de arquitetura, moldando o figurino da representação obrigatória de planta, corte e alçado, segundo escalas que revelam alguma homogeneidade.

Ilustra o primeiro grupo a “Vezita Geral às Praças do Alentejo”, destinada a apurar o estado das defesas alentejanas, por ordem do sargento-mor de batalha Manuel Freire de Andrade, em 1755. As cartas, manuscritas e aguareladas, encontram-se datadas desse mesmo ano de 1755 ou de 1757, abrangendo a quase totalidade das praças dessa província: Arronches, Campo Maior, Castelo de Vide, Elvas, Estremoz, Juromenha, Marvão, Mértola, Monsaraz, Moura, Mourão, Noudar, Olivença, Ouguela, Serpa e Vila Viçosa.

Conservam-se ainda numerosos desenhos de variado tipo numa outra obra assinada por Miguel Luís Jacob, enquanto capitão de infantaria com exercício de engenheiro, o “Tratado de Fortificação Regular e Irregular”. Hoje no acervo da Biblioteca Pública Municipal do Porto (Ms. 1199), apresenta data apócrifa (1792). Trata-se, na verdade, da tradução da obra “Architecture Militaire ou l'Art de Fortifier”, de autoria de Louis de Cormontaingne, publicada nos Países Baixos em 1741.

Bibliografia

CONCEIÇÃO, Margarida Tavares da. "Os desenhos do engenheiro militar Miguel Luís Jacob e a cartografia das praças de guerra no século XVIII". In: Anais do IV Simpósio Luso-Brasileiro de Cartografia Histórica, Porto, 9 a 12 de novembro de 2011. ISBN 978-972-8932-88-6

Contribution

Updated at 14/02/2016 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.




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