Manuel da Maia

Portugal

Manuel da Maia (Lisboa, 5 de agosto de 1677 (batismo) — 17 de setembro de 1768) foi um engenheiro militar português. Foi o último titular do cargo de Engenheiro-mor do Reino.

Biografia

Embora tenha deixado um vasto legado para a história da arquitetura portuguesa, pouco sabemos sobre a sua vida pessoal além da obra feita. Desconhecem-se o dia em que nasceu, o local de nascimento ou os nomes dos seus pais, acreditando-se que fosse de origem humilde.

Iniciou a carreira como engenheiro militar em 26 de maio de 1698 e foi regente da Aula de Fortificação e Arquitetura Militar, onde teve o Infante D. José I (futuro José I de Portugal) como aluno.

Foi incumbido das fortificações de Lisboa (1701) - tendo reforçado a linha de fortes marítimos desde Santa Apolónia até à Torre de São Julião da Barra -, de Estremoz (1703), da Beira (1704) e de Abrantes (1704).

Apresentou a planta da cidade de Lisboa completa (1718). Outra importante obra sua foi o Aqueduto das Águas Livres, cujos estudos lhe demoraram seis anos e depois delineou, tendo também com Custódio Vieira dirigido a execução da obra, sucedendo-lhe como responsáveis José da Silva Pais, Rodrigo Franco, Carlos Mardel, Miguel Ângelo Blasco, Reinaldo Manuel dos Santos e Francisco António Ferreira.

Em 1747 participou na reedificação do Hospital Termal da Rainha D. Leonor nas Caldas da Rainha, com a autoria do projeto de execução de Eugénio dos Santos, nesta altura ainda não reconhecido pelo seu trabalho.

Brigadeiro de Infantaria com exercício de Engenheiro, no reinado de José I de Portugal (1750-1777) foi nomeado Mestre-de-campo General com o exercício de Engenheiro-mor do Reino (1754). Quando do terramoto de 1 de novembro de 1755 era ele quem estava à frente dos engenheiros da Academia Militar da Corte e que procedeu ao levantamento de todos os bairros de Lisboa, para aferir as áreas mais sensíveis que precisavam de maiores intervenções, elaborando uma planta geral para a recuperação e reedificação de Lisboa, que estava praticamente em ruínas, a "Carta Topographica da parte mais arruinada de Lisboa na forma, em que se achava antes da sua destruição pra sobre ella se observarem os melhoramentos necessários", na escala de 100 varas [1:1100], abrangendo o sítio onde hoje encontramos o Largo do Corpo Santo e a Rua da Misericórdia até às Igrejas da Sé e de São Cristóvão, e para o norte até ao Largo Trindade Coelho e o Largo de São Domingos. Encarregado pelo marquês de Pombal, ministro de D. José I, de coordenar a reconstrução da Baixa pombalina, para levar avante a missão escolheu dois oficiais engenheiros da sua confiança - Eugénio dos Santos e Carlos Mardel -, sendo em conjunto responsáveis pela Baixa Pombalina tal como a conhecemos hoje. Tirando partido das experiências em digressões pela Europa, Manuel da Maia inspirou-se nas linhas do "Convent Garden" londrino para projetar o Terreiro do Paço e seguiu os modelos italianos para desenhar as habitações da Baixa com traço que ficou conhecido como pombalino.

Foi também responsável pela construção da estátua equestre de D. José I, na Praça do Comércio.

Foi nomeado guarda-mor da Torre do Tombo (12 de novembro de 1745), onde organizou o corpo cronológico desde 1161 até 1698, tendo-o salvo das chamas na altura do terramoto de 1755, com o sacrifício da própria residência. Os quase 90 mil documentos originais, reunidos em 526 tomos, ficaram armazenados num barracão improvisado próximo ao Castelo de São Jorge. Foi a sua insistência junto ao marquês de Pombal, através de sucessivas cartas advertindo para os perigos a que o seu acervo estava exposto, que o mesmo passou, poucos anos depois, para o Convento de São Bento.

Traduziu obras de natureza militar e de engenharia, por ser conhecedor de Latim, Italiano, Inglês e Francês. As suas "Dissertações" destacam-se no campo do urbanismo. Foi membro da Academia Real da História e cronista da Casa de Bragança, recebeu foro de fidalgo-cavaleiro da Casa Real em 1744 e foi-lhe concedido o hábito de Cristo para o que teve dispensa régia, face às suas origens.

Aos 88 anos de idade, doente e cansado, pediu para deixar a Torre do Tombo, vindo a falecer cinco dias depois. Foi sepultado no Convento de São Pedro de Alcântara, em Lisboa.

O Museu da Água, em Lisboa, dedicado à história do abastecimento de água à cidade, homenageia o seu nome.

Bibliografia

AYRES, C. de M. Sepúlveda. "Manuel da Maia e os engenheiros militares portugueses no terremoto de 1755". Lisboa: Imprensa Nacional, 1910.

SOUSA VITERBO, Francisco M. de. "Dicionário Histórico e Documental dos Arquitectos, Engenheiros e Construtores Portugueses ou ao Serviço de Portugal". Lisboa: Imprensa Nacional, 1989.

Contribution

Updated at 02/05/2016 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.




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