José Carlos de Figueiredo

Portugal

José Carlos de Figueiredo (Lisboa, 17?? - c. 1839) foi um engenheiro militar português.

Biografia

Tendo ingressado na carreira militar, foi aluno da Academia Real de Fortificação, Artilharia e Desenho, instituída por Maria I de Portugal (1777-1816) por Carta de Lei de 2 de janeiro de 1790, tendo completado o seu curso com distinção a 27 de junho de 1795.

Foi promovido 2.° tenente do Real Corpo de Engenheiros (4 de dezembro de 1796).

Em 1807 foi encarregado de fazer o estudo da "Divisão de Distritos para Milícias e Ordenanças na Província da Beira", do que se desincumbiu com plena satisfação de quem o encarregou.

Três anos mais tarde, já com a patente de capitão, no contexto da Setembrizada (1810) foi acusado de partidário das ideias Liberais. Juntamente com outros, foi detido no Forte de São Julião da Barra por ordem da Regência do Reino, de onde foram deportados para a ilha Terceira, para onde embarcaram a 16 de setembro de 1810, na fragata “Amazona”, tendo chegado a Angra no dia 26 de setembro. Coube a José Carlos de Figueiredo e a outros, como presídio, o Convento de São Francisco, naquela cidade.

Entretanto, por ordem do Príncipe-regente D. João dada no Rio de Janeiro a 23 de janeiro de 1813, como dupla punição, foi-lhe passada a reforma no posto de Capitão do Regimento de Milícias de Tondela. No ano seguinte (1814), em sinal de regozijo pela queda de Napoleão Bonaparte, o Príncipe-regente concedeu ampla amnistia a todos os prisioneiros políticos no Reino, notícia que apenas chegou a Angra em 1815. José Carlos foi colocado em liberdade e reintegrado ao serviço militar, não tendo, entretanto, recebido autorização para retornar ao Reino.

Permaneceu na Terceira ainda alguns anos onde, vindo a conhecer-se, no meio militar, os seus méritos, foi encarregado pelo Capitão General da Capitania Geral dos Açores, Aires Pinto de Sousa Coutinho, de proceder ao estudo da ilha de Santa Maria. Em seguida foi encarregado de diversas comissões de estudo, tais como as "Fortificações para defesa das Ilhas" e o "Plano para um molhe na Ilha Terceira". O seu desempenho agradou de tal modo que, a 18 de maio de 1818, foi promovido a Major e, a 13 de maio de 1820, a Tenente Coronel Graduado, adido ao Real Corpo de Engenheiros "como galardão aos serviços prestados nas Ilhas dos Açores".

Tendo chegado à Terceira a notícia do movimento liberal da ilha de São Miguel, foi esta recebida com alegria pelos deportados da "Amazona", sobretudo por José Carlos de Figueiredo, pelo desembargador Alexandre Gamboa Loureiro e pelo Juiz de Fora Eugénio Dionísio de Mascarenhas Grade. Estes, com outros liberais do Continente e da Terceira, cogitaram imediatamente em seguir o exemplo de São Miguel e convidaram para chefiar o movimento o ex-Capitão General dos Açores, Francisco António de Araújo e Azevedo, antecessor do Capitão General Francisco de Borja Garção Stockler, que sabiam não ser adverso à causa e o único que poderia ter influência na tropa.

Tendo o General aceitado a proposta, na noite de 1 de abril de 1821, quando se fazia a recolha da patrulha na Fortaleza de São João Baptista, entraram ali de surpresa, prenderam o Governador da Praça e convencem a tropa a aderir ao movimento. Stokler, sem aquele reduto, capitulou. Porém, a 3 de abril, um contragolpe, organizado por Stokler, matou o General Araújo e prendeu todos os implicados no movimento sob a mais rigorosa incomunicabilidade.

Figueiredo retornou assim ao cativeiro, embora por pouco tempo, uma vez que, tendo o General Stokler recebido ordem de prisão e de seguir para Lisboa, o que se deu a 11 de agosto de 1821, foram os presos postos em liberdade.

Por portaria de 3 de janeiro de 1822, expedida pela Secretaria de Estado dos Negócios da Guerra, 2.ª Direcção, 3.ª Repartição, foi encarregado de proceder ao Reconhecimento Militar das ilhas de São Miguel, Santa Maria, Terceira, Graciosa e São Jorge, do que deu cabal cumprimento, tendo entregue todo o seu trabalho nesse mesmo ano.

Em 1823 foi encarregado de fazer o levantamento das Cartas Militares Topo-Hidrográficas das ilhas de Santa Maria, São Miguel (publicada nas "Observações sobre a Ilha de S. Miguel" por Luís da Silva Mouzinho de Albuquerque e seu ajudante, Ignácio Pitta de Castro Meneses. Lisboa: Impressão Régia, 1826.) São Jorge, Faial e parte da Terceira. Simultaneamente recolheu os elementos necessários para a organização da Estatística de todas as Ilhas dos Açores.

Regressou finalmente à Capital do Reino e foi nomeado Diretor das Pontes Militares de Punhete e Abrantes, cargo que ainda exercia em 1828.

No reino, viu-se novamente envolvido em intrigas, a ponto de lhe ser passado mandato de captura. A polícia foi à sua residência para prendê-lo, tendo ele se escusado à ordem alegando estar impossibilitado de andar devido a um forte ataque de reumatismo agudo. Tendo os polícias se retirado, voltaram pouco depois insistindo na voz de prisão. José Carlos continuou a alegar o seu precário estado de saúde, compromete-se a entregar-se à prisão, logo que o pudesse fazer. Os agentes não acreditam e José Carlos apresentou atestados médicos, conseguindo assim demorar por algum tempo a captura. A polícia insistiu na sua prisão. Sem conseguir afastar a captura iminente, oficia a 4 de novembro de 1830 argumentando: "(...) só me consta de que não é por crime que eu tenha cometido, o que é verdade, mas sim por medida de segurança pública o que me dá também direito a asilar-me por medida da minha segurança particular." Desse modo, em princípios de 1831 refugiou-se na Inglaterra. Quando se teve conhecimento da sua fuga no Ministério da Guerra, consideram-no como "desertor em tempo de paz".

Permaneceu na Inglaterra até 3 de maio de 1831, data em que em que reembarcou com rumo à Terceira no navio "Jack-o-Lantern", onde desembarcou em 20 de maio.

Apresentou-se na Secretaria do Estado da Guerra, tendo em seguida, por proposta do Brigadeiro-General Sebastião Drago Valente de Brito Cabreira, assumido o Comando do Corpo Militar de Engenheiros em todos os Açores.

A 10 de maio de 1833, embarcou para o Continente, indo ocupar um elevado cargo nas Fortificações da cidade do Porto.

Por decreto de 23 de agosto de 1832, foi promovido a Coronel Graduado e, a 25 de julho de 1833, a Coronel efetivo do Real Corpo de Engenheiros.

Bibliografia

CORTE-REAL, Miguel de Figueiredo. "Apontamentos Biográficos do Coronel de Engenheiros José Carlos de Figueiredo". Insulana, vol. XVI (2.º semestre), 1960. p. 226-231.

FIGUEIREDO, José Carlos de. "Descripção da Ilha de Sancta Maria por José Carlos de Figueiredo, Tenente Coronel d'Engenheiros, que em 1815 ali foi em Comissão". Insulana, vol. XVI (2.º semestre), 1960. p. 205-225.

FIGUEIREDO, José Carlos de. "Carta Militar e Topo-Hydrographica da Ilha de S. Miguel levantada e desenhada em 1824 pelo Tenente Coronel Eng.º Joze Carlos de Figueiredo". in MOUZINHO DE ALBUQUERQUE, Luiz da Siva. Observações sobre a Ilha de S. Miguel recolhidas pela commissão enviada a mesma ilha em Agosto de 1825, e regressada em Outubro de mesmo anno, por Luiz da Silva Mousinho de Albuquerque e seu ajudante Ignacio Pitta de Castro Menezes. Lisboa: Impressão Régia, 1826. (reeditado em versão fac-simile pela Câmara Municipal da Povoação, Açores, 1989)

Contribuições

Atualizado em 02/05/2016 pelo tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.




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