René Duguay-Trouin

France

René Trouin, comumente referido como René Duguay-Trouin (também grafado como "Du Guay-Trouin") (Saint-Malo, 10 de junho de 1673 - Paris, 27 de setembro de 1736), foi um corsário francês. Senhor de Gué (em francês: "Sieur du Gué"), alcançou o posto de almirante (em francês: "Lieutenant-Général des armées navales du roi") e distinguido com a Comenda e a Grã-Cruz da Ordem Real e Militar de São Luís (em francês: “Ordre royal et militaire de Saint-Louis”).

Biografia

Foi o quarto filho de Luc Trouin de La Barbinais, capitão e armador - nome herdado por seu segundo filho.

O nome "Duguay" proveio de uma propriedade da família. Em suas memórias afirmou ter vindo “de família acostumada ao comércio marítimo, de um pai que comandava navios armados tanto para a guerra quanto para o comércio, segundo os tempos, tendo ganhado reputação de coragem e de muito entendido em assuntos de marinha” (Arquivos Municipais de Saint-Malo, manuscrito n.º 11-12, p. 3).

Destinado pelos pais ao sacerdócio, na juventude negligenciou os seus estudos no Colégio dos Jesuítas de Rennes em favor de uma vida desregrada. Morto o pai, foi estudar em Caen, mas voltou a preterir os estudos em favor das mesas de jogo e das armas. Regressou a Saint-Malo a pedido da mãe, e tendo o irmão mais velho embarcado como corsário, não tardou em seguir-lhe os passos, vindo a adquirir reputação por seus feitos. Com a permissão materna, em 1689 embarcou como voluntário na fragata “La Trinité”, de 18 canhões, no contexto da guerra contra a Inglaterra e os Países Baixos. Aos 18 anos, obteve o seu primeiro posto de comando e, em 1691 era capitão de uma fragata de propriedade de sua família. Aos 21 anos, Luís XIV de França (1643-1715) confiou-lhe um de seus barcos, o “Profond”, de 32 canhões. Aprisionado pelos ingleses, logrou evadir-se, continuando a seguir vida aventurosa.

Em 1696 dirigiu-se a Paris, onde foi apresentado ao monarca. Admitido na Marinha Real com a patente de Capitão de Fragata, atuou em diversas campanhas, como a Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714), e em diversas batalhas contra ingleses e neerlandeses.

Nos Açores

No contexto da Guerra da Sucessão Espanhola, no comando de uma armada constituída por oito naus de linha e três navios corsários, todos com grossa artilharia, dirigiu-se aos Açores, com o plano secreto de atacar a Frota do Brasil, furtando-se à ação da Armada das Ilhas. Nas águas da Ilha de São Jorge, em 19 de setembro de 1708, atacou a Vila das Velas. Foi rechaçado pela defesa, sob o comando do Sargento Mor Amaro Teixeira de Sousa. No dia seguinte (20), entretanto, pelas 9 horas da manhã, empreendeu um novo assalto à vila, tendo conseguido lançar em terra uma força de mais de 500 homens, que matou diversos defensores. Apossando-se da vila, a mesma esteve a saque por 5 dias, nomeadamente as igrejas e as casas mais abastadas. Os invasores vieram a ser rechaçados no sítio das Banquetas, impedidos assim de ocuparem e saquearem as povoações vizinhas.

No Brasil

Após o fracasso de Jean-François Duclerc, como ele também corsário, em invadir o Rio de Janeiro em 1710, de onde partiam as Frotas do Ouro do Brasil, foi incumbido de comandar uma esquadra com o mesmo intento. Armada e equipada em segredo em Brest, era composta pelas seguintes embarcações:

- o “Lys”, de 72 canhões, sob o comando do próprio Duguay-Trouin, general da esquadra, com mais de 20 oficiais, 10 guardas-marinha, 84 oficiais de marinha, 227 marinheiros, 56 oficiais soldados, 246 soldados, 3 voluntários, 22 criados e 6 grumetes, no total 678 homens.

- o “Brillant”, de 64 canhões, sob o comandado do cavaleiro de Gouyon-Beaufort, capitão-de-fragata, com 15 oficiais, 11 guardas-marinha, 71 oficiais de marinha, 166 marinheiros, 43 oficiais soldados, 196 soldados, 12 criados e 5 grumetes, no total 520 homens.

- o “Magnanime”, de 64 canhões, sob o comando do cavaleiro de Courserac, capitão-de-fragata, com 18 oficiais, 12 guardas-marinha, 84 oficiais de marinha, 212 marinheiros, 53 oficiais soldados, 253 soldados, 20 criados e 19 grumetes, no total 673 homens.

- o “Achille”, com 66 canhões, sob o comando do cavaleiro de Beauve, capitão-de-fragata, com 17 oficiais, 9 guardas-marinha, 72 oficiais de marinha, 174 marinheiros, 50 oficiais soldados, 207 soldados, 17 criados e 12 grumetes, no total 559 homens.

- o “Fidèle”, de 58 canhões, armado em Rochefort, sob o comando do capitão de la Moinerie-Miniac, comissionado capitão-de-fragata para a missão, com 14 oficiais, 8 guardas-marinha, 70 oficiais de marinha, 137 marinheiros, 42 oficiais soldados, 193 soldados, 15 criados, 6 grumetes, no total 486 homens.

- o “Mars”, de 94 canhões, armado em Dunquerque, sob o comando do capitão de la Cité-Danican, comissionado capitão-de-fragata para a missão, com 14 oficiais, 6 guardas-marinha, 66 oficiais da marinha, 140 marinheiros, 40 oficiais soldados, 176 soldados, 18 criados, 19 grumetes, no total 480 homens.

- o “Glorieux”, de 66 canhões, sob o comando do capitão M. de la Jaille, tenente, com 14 oficiais superiores, 11 guardas-marinha, 68 oficiais de marinha, 170 marinheiros, 43 oficiais soldados, 212 soldados, 3 voluntários, 16 criados, 14 grumetes, em total de 552 homens.

- a “Aigle”, fragata de 40 canhões, armada em Rochefort, sob o comando do capitão senhor de La Mare de Can, comissionado para a campanha, 10 oficiais superiores, 3 guardas-marinha, 47 oficiais de Marinha, 63 marinheiros, 16 oficiais soldados, 77 soldados, 11 criados e 10 grumetes, no total 238 homens.

- a “Amazone”, fragata de 36 canhões, sob o comando do senhor de Chesnay-le-Ferm comissionado para a campanha, 7 oficiais superiores, 6 guardas-marinha, 35 oficiais de marinha, 90 marinheiros, 24 oficiais soldados, 122 soldados, 9 criados, 10 grumetes, total de 318 homens.

- a “Bellone”, galeota de 36 canhões, sob o comando do capitão de Kerguelen, 6 oficiais superiores, 5 guardas-marinha, 35 oficiais de marinha, 67 marinheiros, 17 oficiais soldados, 83 soldados, 8 criados, 7 grumetes, no total 229 homens.

- a “Astrée”, fragata de 22 canhões, sob o comando do senhor de Rogon, comissionado para a campanha, 11 oficiais superiores, 31 oficiais de marinha, 50 marinheiros, 9 oficiais soldados, 40 soldados, 1 voluntário, 7 criados, 10 grumetes, no total 160 homens.

- a “Argonaute”, fragata de 44 canhões, sob o comando do capitão senhor du Bois-de-la-Motte, 7 oficiais superiores, 7 guardas-marinha, 51 oficiais de marinha, 98 marinheiros, 38 oficiais soldados, 113 soldados, 9 criados, 12 grumetes, no total 336 homens.

- a “Le Chancelier”, fragata de 40 canhões, armada em Rochefort, sob o comando do capitão senhor Durocher-Danican, 18 oficiais, 67 oficiais de marinha, 100 marinheiros, 2 oficiais soldados, 12 soldados, 37 voluntários, 9 grumetes, no total 246 homens.

- a “La Glorieuse”, fragata de 34 canhões, armada em Port-Louis, sob o comando do capitão senhor de la Perche, 19 oficiais, 34 oficiais de marinha, 120 marinheiros, 8 oficiais soldados, 33 soldados, 6 voluntários, 6 grumetes, no total 227 homens.

- o “La Concorde”, barco de carga de 14 canhões, sob o comando do capitão senhor de Pradel-Daniel, 7 oficiais, 15 oficiais de marinha, 30 marinheiros, 4 oficiais soldados, 21 soldados, 1 voluntário, 2 criados, 10 grumetes, no total 91 homens.

Outros barcos menores, armados em Rochefort, foram o “Patient”, com 3 oficiais marinheiros, 9 marinheiros, 10 soldados, 23 homens no total; e o “Françoise”, com 3 oficiais de marinha, 7 marinheiros, 1 oficial soldado, 8 soldados, 20 homens no total.

A esquadra aproximou-se da barra da Baía de Guanabara a 12 de setembro de 1711, que ultrapassou dois dias mais tarde, a 14. Esquivando-se ao fogo da Fortaleza de Santa Cruz da Barra, conquistou a Fortaleza da Ilha das Cobras, a partir de onde efetuou o desembarque e se apossou da cidade sem resistência. Um ultimato ao governador e capitão-geral da capitania do Rio de Janeiro, Francisco de Castro Morais, de quem obteve vultoso resgate, tendo regressado em novembro para a França, onde chegou em fevereiro de 1712. A viagem de retorno foi difícil, pois em 29 de janeiro de 1712, na altura dos Açores, tendo-se abatido violenta tempestade, perderam-se o “Magnanime” e o “Fidèle”, o que muito foi lamentado pelo corsário, não apenas por estimar particularmente o capitão do primeiro, mas pela perda da carga de 600 mil libras em ouro e em prata, além de grande quantidade de mercadorias.

Em 1715 foi feito Chefe de Esquadra (em francês: “chef d'escadre”) e, em 1728, Lugar-tenente Geral (em francês “lieutenant général”).

Uma estátua em sua homenagem, com 4 metros de altura, ergue-se Palácio de Versalhes, considerada a obra-prima do escultor Dupasquier.

Bibliografia

DUGUAY-TROUIN, René. Mémoires de Monsieur du Guay-Trouin, Lieutenant Général des Armées de France, et Commandeur de l'Ordre Militaire de Saint Louis. Paris, G. de Beauchamps, 1740.

 

Contribution

Updated at 02/04/2021 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.




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