Geraldo Geraldes

Portugal

Geraldo Geraldes (século XII), também grafado como "Giraldo" é um personagem semilendário da história de Portugal à época das lutas da Reconquista. Tornou-se conhecido, já desde o século XII, como "Geraldo sem Pavor". Encontra-se representado em posição central no brasão de armas da Câmara Municipal de Évora, montado a cavalo e empunhando uma espada em riste.

Biografia

A sua origem é desconhecida. Tradicionalmente afirma-se que teria origem nobre, e que, de trato difícil, muito cedo abandonou o norte do país. Modernamente, o historiador José Mattoso aventou a hipótese de que Geraldo pudesse ser um dos cavaleiros vilãos de Santarém (D. Afonso Henriques, Col. Temas e Debates, 2007, p. 298). Em qualquer das hipóteses, destacou-se nas lutas pelo alargamento da fronteira portuguesa, em fossados contra os muçulmanos.

Após participar no fossado liderado pelo filho do alcaide de Coimbra, em que Beja veio a ser ocupada e subsequentemente abandonada, Geraldo constituiu o seu próprio grupo. Assaltavam as fortificações muçulmanas a coberto da noite, nelas penetrando com o emprego de escadas encostadas às muralhas. Estas ofensivas não se limitavam à Primavera e ao Verão: Geraldo não hesitava em dirigi-las nas estações frias, normalmente reservada a tréguas.

A ousadia desses assaltos e os sucessos acumulados deram-lhe o estatuto de herói junto das comunidades cristãs, que lhe deram a alcunha de "Sem Pavor", aumentando-lhe o efetivo de combatentes. Em outubro de 1165 essas forças causaram surpresa ao conquistar Évora, praça que entregou a Afonso I de Portugal (1143-1185). O soberano deslocou-se até à nova conquista, vindo a recompensar Geraldo generosamente e a outorgar foral a Évora, instituindo uma diocese, para a qual nomeou o respectivo bispo.

Encorajado pelo apoio d’el-rei, tanto moral como materialmente, Geraldo começou a apossar-se de cidades que, de acordo com o tratado de Celanova (1160), considerava-se pertencerem à zona de influência do Reino de Leão. Embora a delimitação dos territórios a norte do Guadiana não fosse muito clara, muita da nobreza portuguesa receava a reação do monarca leonês, perante as conquistas de Geraldo de Trujillo e Cáceres (1165), e Montanchéz (1166), na atual Extremadura. (Ibn Sahib al-Salâ; Al-Mann bi-l-Imâma; A. Huici Miranda (ed.). Valencia: Ed. Anubar, 1969, pp. 137-138)

Foi um dos principais entusiastas da tomada de Badajoz, campanha que, em 1169 viria a revelar-se um desastre para as forças de D. Afonso I em geral, e para as do próprio Geraldo em particular, que acabou por perder todas as suas terras excepto as do Castelo de Juromenha.

Afirma a tradição que o espírito aventureiro deste nobre o levou a Ceuta, no Norte d'África, em missão de inteligência a serviço de D. Afonso I, que lhe havia recomendado a tomada daquela praça. Quando a verdadeira finalidade da missão foi descoberta, Geraldo foi executado pelos Almóadas.

Contribuições

Atualizado em 01/08/2016 pelo tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.




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