Curvo Semedo

Portugal

Belchior Manuel Curvo Semedo Torres Sequeira (Montemor-o-Novo, 15 de março de 1766 — Lisboa, 28 de dezembro de 1838) foi um fidalgo português da Casa Real, moço fidalgo da câmara do Príncipe Regente, cavaleiro professo da Ordem de Cristo e, na carreira militar atingiu o posto de 1.º Tenente do Real Corpo de Engenheiros.

Biografia

Desde os seus primeiros anos deu provas do seu talento e inspiração invulgares, que viriam a fazer dele um dos maiores poetas do país em seu tempo. Pretendendo seguir o ensino militar, alistou-se como cadete no Regimento de Engenharia de Lisboa. Destacou-se como aluno da Academia Real de Marinha, em Lisboa, distinguiu-se de modo a alcançar prémios em todos os atos.

Foi promovido ao posto de 2.º Tenente do Real Corpo de Engenheiros e encarregado de levantar a Carta Corográfica do País e de outras comissões importantes de serviço, que desempenhou com plena aprovação. Por circunstâncias que não são bem conhecidas, preferiu, ao serviço da sua arma, o lugar de escrivão da Alfândega de Lisboa, vindo a reformar-se no posto de capitão. A sua nova ocupação permitia-lhe entregar-se ao cultivo das letras, onde se assinalou como poeta.

Foi membro da Nova Arcádia, de que foi fundador em 1790, tendo rivalizado com Bocage. O seu nome arcádico era "Belmiro Transtagano". A sua poesia, apesar de ter vivido os últimos anos no período romântico, é neoclássica. Destacam-se na sua obra os quatro volumes das "Composições Poéticas" (vol. I e II, 1803; vol. III, 1817; vol. IV, 1835) e, em tradução livre, "As melhores fábulas de La Fontaine" (1820).

Foi por duas vezes alvo de processos do Tribunal do Santo Ofício, com base em denúncias de posições heréticas e blasfemas. A primeira foi em 1803, acusado de ter sustentado que não havia Inferno, o qual seria útil apenas para "conter o povo". Na ocasião foi apenas advertido por aquele tribunal. O segundo processo, em 1819, foi suscitado por um rol de afirmações blasfemas registadas por escrito pelo denunciante, entre as quais a de que Jesus Cristo era filho adulterino, "porque sendo Nossa Senhora casada com S. José, tinha copulado com o Espírito Santo". Neste momento, às vésperas da extinção do Santo Ofício pela Revolução Liberal (1820), não chegou a sofrer qualquer condenação.

Contribution

Updated at 18/10/2018 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.




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