Antonio Centeno

Spain

D. António Centeno (século XVI) foi um militar espanhol. Cavaleiro da Ordem de São João de Malta, exerceu o cargo de Mestre de Campo do terço espanhol nos Açores (1596-1600).

Para os cronistas, o seu governo caracterizou-se pelo autoritarismo e pela arbitrariedade. Enquanto comandante do terço espanhol, foi detestado pelos seus soldados, sangrentamente reprimidos quando contra ele se amotinaram; representante máximo de Filipe II e Filipe III de Espanha no arquipélago, no comando das gentes de guerra, incompatibilizou-se com o bispo da diocese de Angra e imiscuiu-se abusiva e desmedidamente no regimento da terra, prendendo e vexando os seus opositores, levando as Câmaras a pedirem à Corte a sua retirada da Terceira. Malgrado a sua personalidade controversa, Centeno assumiu o governo dos Açores e do presídio militar em circunstâncias particularmente difíceis, nomeadamente na Terceira onde ambos estavam sediados. O marquês de Santa Cruz deixara cerca 2.000 homens na pacificação da ilha. Dominada a rebeldia, manteve-se esse efetivo, pelo perigo que a ação dos corsários e piratas em águas açorianas representava para a segurança da navegação transoceânica que aos Açores confluía. Esgotados os proventos do saque de 1583 a Angra, com soldos em atraso, sem instalações próprias e aboletados em casas da cidade e das vilas, esses homens, na ociosidade e com enquadramento precário e a ele adversos, muitos com família entretanto constituída na ilha, eram fonte de constantes desacatos públicos, e exerciam toda a espécie de extorsões e vexames contra os habitantes, sobre os quais recaía o pesado encargo de dar sustento a todo o presídio. Ainda mal refeita da penúria em que o dito saque lançara a economia local, sobreveio a fome logo no primeiro ano do governo de Centeno, pela falta de produção cerealífera então ocorrida; como de penúria foram os três anos imediatos, agora fartos em frutos da terra, estes, porém, encaminhados para o Reino, face aos tempos improdutivos que lá se verificavam.

Pressionado pelas necessidades do presídio, com as obras do Castelo de São. Filipe iniciadas pelo seu antecessor D. António de Ia Puebla, em andamento, também elas pesando sobre as finanças locais, Centeno fintou desmesuradamente os fracos recursos da produção e do comércio, à revelia dos poderes civis; sem conseguir satisfazer as ambições incontroláveis da soldadesca; provocando o descontentamento e a oposição expressa das gentes da terra e dos seus legítimos dirigentes.

A campanha de corso levada a efeito pelo conde de Essex em 1597, reforçou a importância da presença militar espanhola nos Açores que, não tendo conseguido evitar o saque da Horta, permitiu que na estratégica baía de Angra onde arribara, a frota das Índias fosse eficazmente defendida, sob o comando do governador Centeno, gorando os intentos do inglês que a perseguia. (ver o relatório deste episódio, enviado pelo governador ao soberano, no Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, 2018, pp. 555-558).

O governo de D. António Centeno, iniciado no ano da fome, terminou com uma mortífera epidemia, o ano do mal. O terrível contágio, que atingiu a Terceira entre 1599 e 1600, ceifou a vida a cerca de 7.000 pessoas — apenas soldados espanhóis, terão morrido com a peste cerca de 170 —, e provocou significativa quebra na economia local pela impossibilidade da prática de comércio com as restantes ilhas. Finalmente, em 1600, Filipe III de Espanha, atendendo às súplicas dos terceirenses, ordenou o regresso ao reino de D. António Centeno. Foi substituído por D. Diogo de Miranda Queirós, primeiro governador do Castelo de São Filipe do Monte Brasil.

Bibliografia:

FARIA, Manuel. Governadores do Presídio Militar Espanhol nos Açores (5): D. Antonio Centeno. In Diário Insular, ano LXXII, n.º 22725, 02 jul 2019, p. 10.

Contribution

Updated at 05/07/2019 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.




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