Diego de Miranda Quirós

Spain

D. Diego de Miranda Quirós foi um militar espanhol. Mestre de campo, exerceu as funções de Governador do Castelo de São Filipe do Monte Brasil (1600-1607). Os cronistas açorianos, nomeadamente Maldonado e Drummond, dão-lhe o apelido de Queirós (variante portuguesa).

Biografia

Nomeado por proposta do Conselho de Guerra, de janeiro de 1599, para substituir o mestre de campo Antonio Centeno no governo do presídio espanhol em Angra, Diego de Miranda Quirós, desempenhava, à época, o cargo de capitão da Companhia de Cavalos Ligeiros dos Guardas. Após ter servido muitos anos em Flandres, na Infantaria e na Cavalaria, regressara a Espanha, e fora promovido a capitão de Infantaria, depois a capitão de Arcabuzeiros a Cavalo.

Chegou à Terceira em princípios de 1600, incumbido de embarcar cerca de 1500 soldados do "tercio" deixado na ilha pelo marquês de Santa Cruz, e de fazer recolher à fortaleza em construção no Monte Brasil, 500 soldados, efetivo espanhol fixado para, de futuro, se manter em Angra. O adiamento no embarque das tropas que deveriam regressar ao reino, levou Filipe III de Espanha (1598-1621) a chamá-lo à Corte em 1601, para dar explicações. O oficial justificou-se alegando a pressão dos corsários nos mares do Açores à época. Durante a sua ausência, comandou o presídio o capitão Pedro de Heredia. De regresso à Terceira, o mestre de campo Miranda Quirós, por dificuldades económicas e pelo atraso em que as obras da fortaleza se encontravam, nunca conseguiu fazer recolher à fortaleza a totalidade dos homens a que ficara reduzida a guarnição. O seu relacionamento com a sociedade civil foi muito difícil, quer pela falta de meios financeiros para pagar a aquisição de alimentos para os seus soldados, quer face às tentativas da Câmara de Angra para se emancipar da tutela militar espanhola. Nesse sentido, protagonizou alguns dos episódios mais emblemáticos da presença espanhola em Angra.

Foi o primeiro governador do presídio a receber a mercê da castelania do Castelo de São Filipe do Monte Brasil. Teve por tenente o seu sobrinho, o capitão Felipe Espinola y Quirós, de quem recebeu particular apoio, debelando uma revolta dos soldados quando o governador se encontrava fora da fortaleza; este capitão haveria de ser sentenciado à morte em 1627, pelo futuro castelão, D. Iñigo Hurtado de Corcuera y Mendonça.

Casou na Terceira com D. Joana de Melo y Mendonça, de quem não teve filhos e a quem deixou na pobreza, depois de lhe ter gastado o dote no sustento dos soldados. Faleceu em Angra. A historiografia açoriana dá-lhe melhor retrato do que aquele que resulta da análise das fontes, quiçá porque o compara com o seu antecessor, Antonio Centeno. Foi substituído interinamente no governo do castelo pelo capitão Francisco de la Rua, até à vinda do mestre de campo D. Pedro Sarmiento.

Bibliografia

FARIA, Manuel. Governadores do Presídio Militar Espanhol nos Açores (6): D. Diego de Miranda Quirós. In Diário Insular, ano LXXII, n.º 22731, 09 jul 2019, p. 11.

Contribution

Updated at 27/04/2020 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.




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