Gonzalo Mexia

Espanha

D. Gonzalo Mexia (século XVI-Angra, 1618) foi um militar espanhol. Mestre de campo, exerceu os cargos de Governador Militar dos Açores e de Castelão da Fortaleza de São Filipe do Monte Brasil (1615-1618).

Biografia

Esteve na Jornada de Inglaterra (1588) e na expulsão dos mouriscos de Aragão e da Catalunha (1609). Era capitão sargento-mor do Conselho de Guerra em Flandres, onde servia há 29 anos, quando recebeu a tenência do Castelo de São Filipe, na sequência da nomeação do proprietário, o mestre de campo D. Luis Avila Monrroy, para o governo de Aragão (A.G.S., G. y M., leg. 789, doc. s/n.º).

Quando assumiu o governo do Castelo, deu conta a Filipe III de Espanha (1598-1621) da falta de gente para as guardas ordinárias fortaleza e da grande quantidade trabalho, pois havia poucos militares aptos: muitos estavam doentes e alguns haviam falecido. Mesmo dando andamento às obras da fortaleza, empenhou-se particularmente na florestação e arranjo da grota na encosta leste do Monte Brasil, fazendo dela uma zona de lazer ou regalo, onde mandou construir a ermida de Santo António.

Pouco meses após a sua chegada aos Açores, foi a São Miguel para inteirar-se junto ao conde da Ribeira Grande sobre a situação económica e financeira daquela ilha. Deu, então, parecer negativo sobre um forte que se pretendia construir em Ponta Delgada.

Por este tempo, continuavam os corsários e piratas a infestar os mares dos Açores. Nomeadamente em Santa Maria, em junho de 1616, 500 mouros armados tomaram de assalto a ilha sem encontrarem resistência, saquearam-na durante oito dias e levaram cativos cerca de 200 habitantes. Assim, havendo informações de que de Argel iria sair uma esquadra para saquear as ilhas, Filipe III enviou a Angra o capitão e sargento-mor Marcos Fernandes de Teive para, com o governador do Castelo, o corregedor Mesquita e o Provedor das Armadas e capitão-mor de Angra, Manuel do Canto de Castro prepararem o plano defensivo da Terceira e restantes ilhas dela dependentes. Muito embora o mestre de campo fosse a autoridade militar máxima do arquipélago, foi o enviado régio quem, no terreno, promoveu o reforço da fortificação, se bem que limitado por falta de verbas, e a reorganização do serviço de Ordenanças; foi ele quem passou à Praia — vila ainda a braços com a destruição provocada pelo terramoto de 1614 — com o mesmo objetivo, e depois às mais ilhas a que vinha. Relativamente à fortaleza, houve, fundamentalmente, a preocupação de a dotar com mantimentos para resistir cercada, se viesse a ser essa a situação, por um período de seis meses, de acordo, aliás, com as instruções régias de execução permanente. Os corsários não chegaram a aparecer, mas os pormenores deste episódio são particularmente significativos do entendimento prático que havia sobre a missão da guarnição espanhola aquartelada nos Açores.

Em 9 de outubro desse mesmo ano de 1615, uma violenta tempestade, tão furiosa que de outra igual não havia memória, fez naufragar no porto de Angra 13 navios, tendo perecido muitos homens que neles estavam; não menor dano fez no Castelo, destruindo casas, arrastando artilharia, provocando mortos — no "forte de Santo António, que está na boca do porto, ruiu parte da muralha, de maneira que é preciso levantá-la desde os alicerces (...)".

Com o seu falecimento, em Angra, sucedeu-lhe no governo militar dos Açores e castelania da fortaleza o Mestre de campo Juan Ponce de León. Os cronistas açorianos — Maldonado, Drummond e Diogo das Chagas — dão do governo de D. Gonzalo Mexia a melhor notícia: fidalgo nobilíssimo, amigo dos portugueses a quem não fez agravo nem ofensa.

Bibliografia

CHAGAS, Diogo das. Espelho Cristalino em Jardim de Várias Flores (2.ª ed.). s.l., Presidência do Governo Regional dos Açores / Direção Regional da Cultura; Universidade dos Açores, Centro de Estudos Doutor Gaspar Frutuoso, 2007, pp. 264-266.

CHAGAS, Diogo das. "Relação do que aconteceu na Cidade de Angra da ilha Terceira, depois da feliz aclamação d'el rei D. João IV, que Deus guarde, na restauração do Castelo de S. João Baptista do Monte Brasil, até se embarcarem os castelhanos que o ocupavam (…)”. In Arquivo dos Açores, vol. X, 1888, pp. 193-232.

FARIA, Manuel Augusto de. Governadores do presídio militar espanhol nos Açores (11). D. Gonzalo Mexia. In Diário Insular, 20 ago 2019, p. 10.

MALDONADO, Manuel Luís. Fenix Angrence (3 vol.). Angra do Heroísmo, Instituto Histórico da Ilha Terceira, 1989-1997.

Contribuições

Atualizado em 22/12/2020 pelo tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.




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