Alvaro de Vivero y Menchaca

Spain

Alvaro de Vivero y Menchaca (Villa de Olmedo, 1606 (1607?) — 160?), señor de Encinillas, por vezes referido por A. de Vivero y Luna, foi um obre e militar espanhol. É referido na historiografia portuguesa como Álvaro de Viveiros. Era cavaleiro da Ordem de Santiago.

Biografia

Era filho de Juan de Vivero y Luna, 2.º conde de Fuensaldaña, e de sua esposa, María de Menchaca y Valázquez, sendo irmão de Alonso Pérez de Vivero y Menchaca, 3.º conde de Fuensaldaña, governador da Flandres e de Milão. Casou, por volta de 1648, com Mariana Cano de Moctezuma y Toledo Pizarro, tetraneta de Moctezuma Xocoyotzin (Moctezuma II), “Tlatoani” (governante) de Tenochtitlán (1502-1520) (SOUSA, António Caetano de (1745). Historia Genealogica da Casa Real Portugueza: desde a sua origem até ao presente, com as Familias illustres, que procedem dos Reys, e dos Serenissimos Duques de Bragança, (...). Lisboa, Na Regia Officina Sylviana e da Academia Real, pp. 187-188).

Veterano das guerras da Flandres, onde fora aprisionado pelos franceses em 1637, era capitão em 1639. Nesse mesmo ano foi promovido a Mestre-de-Campo quando foi nomeado governador do Castelo de São Filipe, em Angra, na Ilha Terceira, nas “Islas Terceras” (Açores). Aqui, afirmou-se: “Governou pacífico ano e meio, procedeu sem escândalo que notório fosse, mais piedoso que guerreiro, não tão executivo como o seu antecessor D. Diogo, o que o fazia ser querido e amado dos seus súbditos.” (MALDONADO, Manuel Luís, Fenix Angrence, 2.º vol., p. 136)

No contexto da Restauração (1640) em Portugal, a 8 de janeiro de 1641, Francisco Ornelas da Câmara chegou a Angra, a mando de João IV de Portugal (1640-1656), para “com todo o segredo ganhar o Castelo de São Filipe”. Porém, a nova de que no dia 1 de dezembro do ano anterior eclodira em Lisboa um movimento armado, que restaurara ou devolvera ao duque de Bragança a Coroa de Portugal, que conforme a ideologia restauracionista fora usurpada por Filipe II de Espanha em 1580, logo chegou a D. Alvaro Viveros que, de imediato iniciou os preparos do castelo para resistir a um assédio. A cidade manteve-se, contudo, pacífica, quiçá temendo as 80 ou 90 peças de artilharia contra ela assestadas das muralhas do castelo. Nesse ínterim, na Praia, Francisco Ornelas da Câmara fazia aclamar D. João IV no adro da Igreja Matriz, em Domingo de Ramos.

Estava-se já em 23 de março sem que qualquer iniciativa tivesse sido tomada por parte dos portugueses para ocupar a fortaleza; tomou-a, então, D. Alvaro, chamando à sua presença frei João da Assunção e Estêvão da Silveira Borges com o pretexto de com eles acordar os termos da entrega da praça. Mas chegados estes parlamentares, o castelão deu-lhes ordem de prisão, provocando a reação dos angrenses que, com os soldados das Ordenanças de ambas capitanias-mores da ilha, a 27 de março impuseram cerco ao castelo para o fazer capitular pela força.

Durante cerca de um ano, D. Alvaro resistiu com a sua guarnição, registando-se alguns episódios de violência, na expectativa de receber socorro de Espanha. Por fim, a 4 de março de 1642, já sem esperança de apoio, com os homens dizimados pela doença, esgotados os mantimentos, o castelão negociou os termos – honrosos – da rendição, com a consequente restauração da soberania portuguesa sobre a praça.

Deixaram a Terceira, embarcando num navio inglês, 207 militares espanhóis. Dos oficiais mais graduados, apenas partiram o governador, o seu tenente e o capitão de artilharia. A restante guarnição espanhola permaneceu na ilha, por serem nela casados, transitando alguns para a nova guarnição do Castelo, agora ao serviço do monarca português.

D. Alvaro continuou a participar ativamente na Guerra da Restauração (1640-1668), vindo a ser nomeado Governador das Armas de Ciudad Rodrigo (1644), com o posto de Mestre-de-Campo-General, e depois com o de General de Caballería del ejército de Extremadura, cargo que detinha quando faleceu. Nesse posto, nomeadamente, desempenhou um papel relevante nos combates na fronteira do Alentejo (MENEZES, Luís de (1759), História de Portugal Restaurado, Lisboa, tomo II, p. 335).

Bibliografia

FARIA, Manuel Augusto de (2020). Da Militia: Textos de história militar dos Açores e outros. IHIT, Angra do Heroísmo. pp. 301-302.

MALDONADO, Manuel Luís. Fenix Angrence, vol. II, Angra do Heroísmo, Instituto Histórico da Ilha Terceira, 1990.

Manuscrito de Matheus Roiz, transcrição do códice 3062 [Campanha do Alentejo (1641-1654)] da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, Lisboa, Arquivo Histórico Militar, 1952 (1ª divisão, 2.ª secção, caixa 3, nº 2), pp. 130-133.

MENEZES, D. Luiz de. História de Portugal Restaurado (2 vol.). Lisboa, 1679; 1698.

MONTEIRO, Manuel. “Relação do Cerco do Castelo de São Filipe”. In DRUMOND, Francisco Ferreira, Anais da Ilha Terceira (2.ª ed.), vol. VI, Câmara Municipal de Angra do Heroísmo / Instituto Histórico da Ilha Terceira, 2017, pp. 159-171.

VILAR Y PASCUAL, D. Luis. Diccionario Historico y Heraldico, de las Familias de la Monarquia Espanhola.

Contribution

Updated at 22/12/2020 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.




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