Walter Raleigh

United Kingdom

Sir Walter Raleigh (Hayes Barton, Devonshire, 1552 ou 1554-Londres, 29 de outubro de 1618) foi um explorador, corsário, escritor e poeta inglês.

Biografia

Entre 1579 e 1583 Raleigh participou da repressão às chamadas “Rebeliões de Desmond”. Também participou no cerco de Smerwick, onde supervisionou o massacre de cerca de 700 soldados italianos e espanhóis que se haviam rendido incondicionalmente. Tornou-se proprietário de vastas terras confiscadas aos rebeldes irlandeses, incluindo as cidades portuárias da costa de Youghal e Lismore, convertendo-se num dos principais proprietários da região histórica de Munster, no Sudoeste da Irlanda. Entretanto teve pouco sucesso em atrair colonos ingleses para se estabelecerem nas suas propriedades.

Durante os 17 anos que passou como senhor de terras na Irlanda, Raleigh fez da cidade de Youghal o seu lar ocasional, tendo-a governado entre 1588 e 1589.

É lhe creditada a iniciativa de ter introduzido o plantio de batatas na Irlanda, porém é mais credível que a planta tenha chegado à Irlanda através de trocas comerciais com os espanhóis. Entre os conhecidos de Raleigh em Munster destacava-se outro inglês, que também tinha recebido terras na região: o poeta Edmund Spenser.

A sua grande ambição levou-o a explorar os territórios ingleses das Américas, tendo explorado também a Guiana. Entre 1584 e 1585 fundou, na ilha de Roanoke, o primeiro núcleo de colonização inglesa na América do Norte. Esse núcleo de povoamento, entretanto, desapareceu, possivelmente destruído pelos indígenas. É agora lembrado como "A colónia perdida da ilha de Roanoke".

Quando do episódio da Armada Invencível (1588) foi nomeado Vice-almirante de Devon, com o encargo de liderar as defesas da costa. Na década de 1590, ele e Raleigh viajaram juntos da Irlanda para a corte em Londres, onde Spenser apresentou parte do seu poema alegórico “Faerie Queene” a Isabel I de Inglaterra (1558-1603), e Raleigh se tornou um dos favoritos da rainha. 

À época, a gestão das propriedades de Raleigh passava por dificuldades, o que contribuiu para o declínio da sua fortuna pessoal. Em 1602, vendeu-as a Richard Boyle, 1.º conde de Cork. Boyle prosperou durante os reinados de Jaime I e Carlos I, e, após a morte de Raleigh, a sua família pediu a Boyle uma compensação, já que Raleigh havia vendido as terras por uma bagatela, sem ter acautelado o futuro da sua família.

Em 1591 casou secretamente com Isabel “Bess” Throckmorton, uma das damas de companhia de Isabel I, sem a permissão da mesma. Em 1592 a rainha concedeu-lhe muitas recompensas, incluindo a Durham House - uma mansão na rua Strand - e a propriedade de Sherborne, em Dorset. “Bess” esperava um filho de Raleigh, que teria sido batizado como Damerei e entregue a uma ama em Durham House. Entretanto, a criança não terá sobrevivido e “Bess” retornou aos seus deveres como dama de companhia. Pouco depois o matrimónio secreto foi descoberto, e a rainha ordenou a prisão de Raleigh na Torre de Londres e a expulsão de “Bess” da Corte. Após a sua libertação, Raleigh retirou-se para Sherborne Lodge, em Dorset, e o casal manteve-se fiel um ao outro. Durante as ausências de seu marido, “Bess” provou ser muito capaz de orientar a reputação e o património da família. O casal veio a ter mais dois filhos, Walter e Carew, mas passaram-se alguns anos até que Walter Raleigh voltasse às boas graças da soberana.

Em 1594, Raleigh soube de um mito espanhol que dava conta de uma grande cidade dourada situada na nascente do rio Caroni, um dos afluentes da margem direita do Rio Orinoco. No ano seguinte, partiu para explorar a região Leste da atual Venezuela, em busca de Manoa, essa lendária cidade.

Raleigh tomou parte na expedição contra Cádis em 1596, quando foi ferido. Em 1597 comandou o ataque e saque da ilha do Faial por uma armada de corsários ingleses que ascendia a 140 velas. De 1600 a 1603 Raleigh exerceu o cargo de Governador de Jersey, uma das Ilhas do Canal, e sendo-lhe reconhecido o mérito de modernizar as defesas da ilha, incluindo a construção de um forte para proteger a sua capital, Saint Helier – o "Fort Isabella Bellissima" (Castelo Elizabeth).

Apesar de ter sido favorecido por Isabel I, quando esta faleceu (1603), Raleigh foi novamente aprisionado na Torre de Londres, a 19 de julho. Mais tarde, nesse mesmo ano, foi julgado por traição devido ao seu suposto envolvimento em um complô - o chamado “Main Plot” - contra Jaime I de Inglaterra (1603-1625). Raleigh conduziu a própria defesa com grande habilidade, o que poderá explicar o porquê de apesar de ter sido considerado culpado, o monarca ter-lhe poupado a vida. Raleigh foi mantido na Torre de Londres até 1616, período em que escreveu diversas obras. Ainda enquanto esteve preso, Jaime I retomou Sherbone Lodge, alugou a propriedade a Robert Carr e, posteriormente, vendeu-a a Sir John Digby em 1617.

Em 1616 Raleigh foi libertado para conduzir uma segunda expedição à Venezuela, a fim de retomar a busca do El Dorado. Durante essa expedição, os homens de Raleigh, sob o comando de Lawrence Keymis, saquearam o assentamento espanhol de San Tomé de Guayana, perto do rio Orinoco, episódio no qual o filho mais velho de Raleigh, Walter, foi morto. Quando regressou à Inglaterra o embaixador espanhol, Diego Sarmiento de Acuña, conde de Gondomar, exigiu que o monarca inglês condenasse Sir Walter Raleigh à morte, no que foi atendido.

Raleigh foi decapitado em Whitehall, ocasião em que ordenou ao carrasco: "Despachemo-nos. A esta hora a minha febre domina-me. Não quero que os meus inimigos pensem que tremo de medo”. E quando viu o machado que o ia decapitar, gracejou: "Este é um afiado remédio e também um médico para todas as doenças e misérias". Segundo muitos de seus biógrafos, as suas últimas palavras, na iminência do golpe do machado foram: "Ataca um homem ímpar, ataca!".

O corpo foi sepultado na igreja de Beddington, em Surrey, local de nascença de “Bess”, a quem a cabeça, embalsamada, foi presenteada. "Os lordes," escreveu ela, "deram-me o seu corpo morto, apesar de me terem negado o meu marido em vida. Deus me conserve o meu bom humor". A sua execução foi vista por muitos como desnecessária e injusta. Um dos juízes no seu julgamento disse mais tarde: "A justiça em Inglaterra nunca foi tão degradada e ferida como com a condenação de Sir Walter Raleigh".

Os seus trabalhos literários mais conhecidos são “The Discoverie of Guiana” (1596), “A Report of the Truth of the fight about the Iles of Açores this last Summer”, também conhecido como “The Last Fight of the Revenge” (1591), e “The History of the World” (1614) cujo primeiro volume aborda a histórias das antigas Grécia e Roma. Também produziu poesia.

Em sua homenagem, a capital do estado norte-americano da Carolina do Norte denomina-se Raleigh.

Contribution

Updated at 02/04/2021 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.




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