George Clifford

United Kingdom

Sir George Clifford (Castelo de Brougham, 8 de agosto de 1558-The Savoy, Middlesex, 30 de outubro de 1605), 3.º conde de Cumberland, 13.º barão de Clifford, 13.º Senhor de Skipton, foi um nobre, aventureiro, navegador e corsário inglês.

Foi um dos cortesãos favoritos de Isabel I de Inglaterra (1558-1603).

No contexto da Guerra anglo-espanhola (1585–1604) serviu na Royal Navy, com navios armados à sua custa e com navios da Casa Real, tendo participado da luta contra a Armada Invencível (1588). Liderou 12 expedições navais contra os interesses marítimos da Espanha e de Portugal (então sob a União Ibérica). 

Biografia

Foi filho de Henry Clifford, 2.º conde de Cumberland, que faleceu em 1570, antes do jovem George completar 12 anos de idade, a quem sucedeu nos títulos. A sua tutela foi confiada a Francis Russell, 2.º conde de Bedford, passando então a residir em Chenies ou Woburn.

Em 1571, com 13 anos de idade, foi matriculado como nobre no restigioso Trinity College, em Cambridge, onde permaneceu como aluno interno durante três anos. Prosseguiu estudos na Universidade de Oxford, tendo como tutor John Whitgift, futuro Arcebispo de Cantuária, período em que se dedicou em especial ao estudo da Matemática e da Geografia, ciências que lhe seriam de grande valia na sua posterior carreira naval.

Ainda na infância, o seu pai e Francis Russell, posteriormente seu tutor, haviam arranjado o casamento de George Clifford com a filha deste último, Lady Margaret Russell, posteriormente Margaret Clifford, condessa de Cumberland. O casamento consumou-se em 1577, quando George Clifford tinha cerca de 19 anos de idade. Desse casamento nasceram três filhos: Sir Robert Clifford e Francis Lord Clifford, ambos falecidos antes de completarem os 5 anos de idade, e Anne Clifford, que foi sua herdeira.

O matrimónio não foi feliz, dada a propensão de George Clifford para aventuras amorosas na Corte e os seus hábitos de jogo, que levaram a que viesse a penhorar e mesmo a vender parte das suas terras, comportamentos que conduziram à separação do casal.

Clifford afirmou-se como um refinado praticante de justas equestres, em cujos torneiros era exímio, e um adepto do desporto equestre, apostando grandes somas em corridas de cavalos.

Com o advento da Guerra Anglo-Espanhola (1585–1604), a sua difícil situação financeira levou a que optasse por uma carreira naval, armando, às suas expensas, 3 pequenos navios e uma pinaça e obtendo uma carta de corso, que usou na sua primeira expedição, em 1586, contra as forças sob o comando de Alessandro Farnese, duque de Parma e Piacenza. Depois de uma viagem que o levou além da foz do Rio da Prata e que demorou mais de um ano, regressou à Inglaterra em setembro de 1587 com pouco sucesso, não recolhendo saque que lhe permitisse recuperar o investimento feito no aparelhamento dos navios e na expedição.

Isso não impediu que, em 1588, com 30 anos de idade, lhe fosse confiado o comando do “Bonaventure” (“Elizabeth Bonaventure”), de 47 canhões, um galeão de 600 toneladas, de propriedade real, no combate contra a Armada Invencível. Apesar de não ter tido um papel relevante na Batalha de Gravelines, foi o navio de George Clifford que trouxe à rainha, então em Tilbury, a notícia da vitória inglesa.

A fama de galanteria que adquiriu e o continuado favor de Isabel I de Inglaterra (1558-1603) fez com que nesse mesmo ano (1588) lhe fosse concedido o “Golden Lion”, de 38 canhões, um galeão de 650 toneladas das de propriedade real, com o qual realizou nova expedição ao Atlântico Sul em busca de navios espanhóis e portugueses que pudesse pilhar.

No ano seguinte (1589), a rainha confiou-lhe o “Victory” que, em conjunto com outros 6 navios, todos aparelhados à custa de Clifford, empreendeu uma expedição que partiu de Plymouth para o Atlântico Nordeste, tentando capturar navios nas costas da Península Ibérica. Nessa viagem cruzou-se com a armada se Sir Francis Drake, que retornava de um ataque a Cádis com necessidade urgente de provisões, as quais lhe foram cedidas por Clifford.

Não tendo conseguido os seus intentos na costa ibérica, a armada posicionou-se na altura dos Açores, no aguardo da passagem dos galeões provenientes da América espanhola. Durante essa estadia nas águas do arquipélago, de 6 a 11 de setembro, atacaram e então vila da Horta, na ilha do Faial. Na ocasião os corsários apoderaram-se inicialmente de uma nau da Índia e outras sete embarcações fundeadas no porto e assaltaram a vila, cuja população buscou abrigo no interior da ilha. Quando conquistaram o Forte de Santa Cruz, defendido por apenas 7 soldados, incendiaram-no. Dedicaram-se então ao saque da vila, para além de exigir um resgate de 2 mil ducados, pago pelas autoridades locais, na maior parte com a prata das igrejas, que não foram poupados pela marinhagem. Os navios de Cumberland escalaram também as ilhas de Santa Maria, onde foram rechaçados, Graciosa e Flores, onde aprovisionaram, operação que fez sem resistência assinalável por parte dos habitantes.

Em termos gerais, apesar de não ter tido grande êxito nas suas expedições, continuou a organizar uma expedição anualmente, vindo a adquirir reputação pelos danos infligidos à navegação espanhola e portuguesa, em especial na região das Caraíbas.

A sua última expedição, a maior de todas, teve lugar em 1597, quando conseguiu reunir uma armada de mais de 30 navios, quase todos aparelhados à sua custa, e atacar a navegação e as povoações costeiras das colónias espanholas nas Caraíbas. Esta teve o efeito de aumentar a sua reputação, uma vez logrou capturar, em 1598, o Forte San Felipe del Morro, que defendia a cidade de San Juan de Puerto Rico. A ocupação foi breve, uma vez que Clifford tomou a fortaleza a 15 de junho de 1598 e, em novembro daquele ano foi forçado a retirar face à resistência da população civil.

Em 1590, após a retirada de Sir Henry Lee of Ditchley do cargo cerimonial de “campeão” da monarca, esta nomeou-o para o lugar, entregando-lhe, em sinal de favor, uma das suas luvas, a qual, cravejada de diamantes, era usada por George Clifford como ornamento do chapéu do seu traje de cerimónia.

O favor da rainha também se traduziu na sua escolha para cavaleiro da Ordem da Jarreteira (1592) e na sua inclusão no seu Conselho, o que o levou a ser um dos pares que fez parte do júri que julgou e condenou Maria Stuart, Rainha dos Escoceses (1587).

George Clifford faleceu com apenas 48 anos de idade, estando sepultado no jazigo de família em Skipton. Deixou à sua filha, única descendente que lhe sobreviveu, a quantia de £ 15,000. Legou o seu título, e parte das suas terras, a seu irmão Francis Clifford, 4.º conde de Cumberland, o que originou um prolongado conflito judicial entre a sua viúva, em representação da filha, e a família do irmão.

 

Contribution

Updated at 02/04/2021 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.




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