Jerónimo de Ataíde

Portugal

D. Jerónimo de Ataíde, 6.º conde de Atouguia (Lisboa, c. 1610 - 16 de agosto de 1665), foi um nobre, militar e administrador colonial português.

Fidalgo da Casa Real, exerceu o cargo de governador de Peniche em 1640, Governador das Armas da Província de Trás-os-Montes em 1649 e 1652, Governador-geral do Estado do Brasil (14 de dezembro de 1640), governador das Armas do Alentejo em 1659, capitão geral da Armada Real em 25 de junho de 1662, presidente da Junta de Comércio em 1664, conselheiro da Guerra em 1661 e do Conselho de Estado em 1662; gentil-homem da Câmara de Afonso VI de Portugal.

Foi um dos fidalgos que articularam o golpe de 1 de dezembro de 1640, um dos que entraram nos Paços da Ribeira, e se dirigiu aos aposentos de Miguel de Vasconcelos para o matar.

Foi comendador de Adaúfe e de Vila Velha de Ródão, na Ordem de Cristo.

Biografia

Era filho primogénito do 5.º conde de Atouguia, D. Luís de Ataíde, e de sua esposa, D. Filipa de Vilhena, filha herdeira de D. Jerónimo Coutinho, conselheiro de Estado, e presidente do Desembargo do Paço, e de D. Luísa de Faro. D. Jerónimo de Ataíde foi um dos dois irmãos a quem D. Filipa de Vilhena armou cavaleiros, enviando-os a combater pela defesa da independência da pátria.

No governo-geral do Brasil recebeu a embaixada dos paulistas que tentou dar fim à guerra entre Pires e Camargos que perturbava a capitania do sul, redigindo a famosa portaria de 24 de novembro de 1655 em que concedia anistia geral. Determinava que os votos dos pelouros para a eleição dos edis fossem organizados por três partidários dos Pires e outros tantos contrários e um neutral. Estes organizadores das chapas seriam não “os cabeças de bando mas sim homens dentre os mais zelosos e timoratos”. A constituição das Câmaras Municipais se faria de modo que nelas sempre houvesse um juiz e um vereador de cada um dos partidos em luta, um vereador e o procurador do Conselho neutros. Foi sua provisão recebida com manifestações de júbilo em São Paulo e o rei muito encareceu a decisão de seu delegado. (“Ensaios Paulistas”. São Paulo, Editora Anhambi S.A., 1958. p. 633.

Quando governava as Armas da província do Trás-os-Montes, repeliu uma invasão espanhola pela fronteira de Chaves.

Casou duas vezes: a primeira, no ano de 1658, com D. Maria de Castro, filha de Francisco de Sá a Menezes, 2.º conde de Penaguião, e da condessa D. Joana de Castro, de quem teve D. Manuel Luís de Ataíde, que foi o 7.º conde de Atouguia. Em segundas núpcias casou com D. Leonor de Meneses, filha herdeira de D. Fernando do Meneses, e de D. Jerónima de Toledo, filha de D. Manuel da Câmara, 2.º conde de Vila Franca, de quem teve muitos filhos, contando-se entre eles D. Luís Peregrino de Ataíde, que foi o 8.º conde de Atouguia, por ter falecido sem descendência, seu irmão, o 7.º conde D. Manuel Luís de Ataíde.

Encontra-se sepultado na capela-mor do Convento de Santa Maria de Xabregas, que era padroado da sua casa. Entre os estudos que cultivou, mereceu-lhe maior atenção a Genealogia, sendo autor do “Nobiliário das Famílias deste Reino” (4 tomos), manuscrito que se conservava na biblioteca do Convento da Graça, em Lisboa.

Contribution

Updated at 09/10/2013 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.




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