Mons Meg

A chamada “Mons Meg” é uma bombarda quatrocentista.

História

Foi fabricada com outras duas peças na Flandres por Jehan Cambier, fabricante de artilharia de Filipe III, o Bom, 25.º duque da Borgonha (1425-1476), e testada com sucesso em Mons, antiga capital do condado de Hainault (atual Bélgica), em junho de 1449.
A “Mons Meg” foi oferecida pelo duque como auxílio ao marido da sua sobrinha, Jaime II da Escócia (1437-1460), em 1454.

Esteve em serviço em diversos cercos sofridos pelo castelo até meados do século XVI. A partir da década de 1540 foi retirada do serviço ativo e passou a fazer fogo apenas em ocasiões cerimoniais. Quando foi disparada em 3 de julho de 1558, em celebração pelas bodas de Maria I da Escócia com o então Delfim de França, futuro Francisco II (24 de abril de 1558),os soldados da guarnição foram pagos para encontrar e recuperar a bala, encontrada em Wardie Muir, perto do Firth of Forth, onde hoje se situa o Royal Botanic Garden Edinburgh, a uma distância de 3,2 quilómetros.

A peça encontra-se inutilizada desde que um dos aros de seu cano rebentou, a 30 de outubro de 1680, quando disparava uma salva em comemoração pela visita de James, duque de Albany e de York, futuro Jaime II de Inglaterra & VII da Escócia (1685-1688). Um artilheiro inglês havia servido a peça e, à época, muitos escoceses acreditaram que o dano havia sido infligido propositadamente por ciúmes, uma vez que os ingleses não possuíam um peça tão grande como esta. Adicionalmente, o incidente também foi visto como um mau presságio para o futuro rei.

A peça conservou-se do lado de fora do Portão de Foog, no Castelo de Edimburgo até 1754, quando, juntamente com outras fora de uso na Escócia, foi levada para a Torre de Londres, em resultado dos atos de desarmamento contra os revoltosos Jacobitas.

No século XIX, Sir Walter Scott e a Society of Antiquaries of Scotland empreenderam uma campanha para seu retorno, o que se concretizou em 1829, por ordem de Jorge IV do Reino Unido (1820-1830).

"Mons Meg was a large old-fashioned piece of ordnance, a great favourite with the Scottish common people; she was fabricated at Mons in Flanders, in the reign of James IV. or V. of Scotland. This gun figures frequently in the public accounts of the time, where we find charges for grease, to grease Meg's mouth withal (to increase, as every schoolboy knows, the loudness of the report), ribands to deck her carriage, and pipes to play before her when she was brought from the Castle to accompany the Scottish army on any distant expedition. After the Union, there was much popular apprehension that the Regalia of Scotland, and the subordinate Palladium, Mons Meg, would be carried to England to complete the odious surrender of national independence. The Regalia, sequestered from the sight of the public, were generally supposed to have been abstracted in this manner. As for Mons Meg, she remained in the Castle of Edinburgh, till, by order of the Board of Ordnance, she was actually removed to Woolwich about 1757. The Regalia, by his Majesty's special command, have been brought forth from their place of concealment in 1818, and exposed to the view of the people, by whom they must be looked upon with deep associations; and, in this very winter of 1828–9, Mons Meg has been restored to the country, where that, which in every other place or situation was a mere mass of rusty iron, becomes once more a curious monument of antiquity" (Nota ao romance “Rob Roy”, de Sir Walter Scott).

Restaurada, a “Mons Meg” em nossos dias pertence ao acervo do Royal Armouries, o museu nacional britânico de armas e armaduras, cedida à Historic Scotland, e encontra-se exposta no exterior da Capela de Santa Margarida, no Castelo de Edimburgo, voltada para Norte por sobre a cidade, em direção ao Royal Botanic Garden Edinburgh.

Durante as celebrações de Hogmanay (Ano Novo) de Edimburgo, a Mons Meg é disparada no início do espetáculo de fogos de artifício, embora o efeito seja em grande parte teatral e a arma não seja descarregada.

Características

Exemplo notável deste tipo de peça, foi uma das maiores de seu tempo e destinava-se a demolir muralhas de castelos.

Foi fabricada a partir de barras longitudinais de ferro, em aro com anéis fundidos em uma única massa. O cano é anexado à câmara da pólvora por meio de uma ranhura na câmara em que os ressaltos na extremidade do cano se encaixam, e, em seguida, fixo permanentemente pelos aros. A câmara de polvora em si foi feita a partir de pequenos pedaços de ferro soldados juntos para constituir uma mole sólida de ferro forjado.

O cano tem 4 metros de comprimento, um diâmetro interno de 480 mm (externo de 510 mm) e pesa 6.970 quilogramas. Era capaz de disparar balas de pedra 175 quilogramas.

Nos seus primeiros anos, a arma, como o outro canhão real, foi pintada com chumbo vermelho para evitar que enferrujasse. Esse tratamento custou 30 xelins em junho de 1539.

Nessa época, o bombarda assentava em uma reparo simples de madeira, sem rodas. Quando a peça foi removida para Lodres, em 1754, o seu reparo havia apodrecido. Um relato coevo descreve-a como jazendo "no chão" perto do portão mais interior do castelo.
Acredita-se que o Ordnance Board tenha construído um novo reparo para ela após a sua chegada à Torre de Londres. Em 1835, quando do retorno da Mons Meg ao Castelo de Edimburgo, o reparo londrino também se encontrava apodrecido, e foi fabricado um novo, em ferro fundido.

A peça está montada em uma réplica de carreta retratada em uma escultura de cerca de 1500 em uma parede do Castelo de Edimburgo, construída em 1934 a um custo de £ 178 e paga pelo Lorde Reitor de Edimburgo.

As outras duas bombardas, uma encontrava-se na França, tendo desaparecido há muito, e outra foi utilizada pela cidade de Gante no cerco de Oudenaarde (1452), vindo a cair em mãos dos defensores quando da retirada dos atacantes. Retornou a Gande em 1758 e, em nossos dias, conhecida como "Dulle Griet", encontra-se exposta próximo ao Mercado de Sexta-Feira, no centro histórico da cidade.

Origem do nome

O nome “Mons Meg” não é encontrado em nenhuma fonte coeva até 1678.

Em 1489, a bombarda é referida pela primeira vez documentalmente como "Monss" e, no relato de um pintor de 1539, ela é chamada de "Monce no castell", a única peça com um nome individualizado. Em 1650 ela foi referida como "Muckle Meg". "Meg" pode ser uma simples alusão à esposa de Jaime III da Escócia (1460-1488), Margarida da Dinamarca, enquanto “Mons” foi um dos locais onde a peça foi originalmente testada. McKenzie registra que este tipo de artilharia era conhecida como “assassina” e “Mons Meg” certamente descreve-a como tal (MCKENZIE, Agnes Mure (1948). Scottish Pageant 1513–1625. Edinburgh, Oliver & Boyd, p. 319).

Uma lenda escocesa acerca do seu fabrico, a que Walter Scott de crédito no século XIX, pretende que esta bombarda foi feita por um ferreiro local para o cerco do Castelo de Threave no condado de Kirkcudbright. Ela narra que, quando James II chegou a Threave para sitiar o conde de Douglas, o clã MacLellan presenteou-o com esta peça. Afirma-se que o primeiro tiro por ela disparado passou limpo pelo castelo, amputando a mão de Margaret, condessa de Douglas, em sua trajetória. A arma foi posteriormente nomeada em homenagem a "Mollance", as terras doadas ao ferreiro por seu serviço, e "Meg", o nome de sua esposa. Historiadores posteriores não levam esta lenda particularmente a sério, nomeadamente pela improbabilidade de uma arma dessas dimensões poder ser forjada por um ferreiro de aldeia.

Contribution

Updated at 06/12/2020 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

 


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