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Gaspar Pinheiro Lobo
 

Portugal

Gaspar Pinheiro Lobo (século XVII) foi um militar português. Foi Cavaleiro da Ordem de Cristo.

Biografia

Passou para o posto de tenente de Mestre de Campo general por carta patente de Sua Magestade de 12 de julho de 1638. (Anais da Biblioteca Nacional do Brasil, 1900, vol. 22, p. 42, nº 86.)

Nessa qualidade requereu a Filipe IV de Espanha (1621-1655), em 2 de setembro de 1638, o pagamento de ajuda de custo para embarcar para o Brasil. (AHU_CU_005-02, Cx. 8, D. 860.)

Em 1642 recebeu a concessão de um forno de cozer pão da Ordem de Santiago, sito na rua das Tabernas na vila de Setúbal, em sua vida. (Carta de 11 fev 1642, Registo Geral de Mercês, Ordens Militares, ANTT, liv.12, f. 5-6.)

Em 1645, na qualidade de Mestre de Campo, comandava um Terço em operação no Alentejo, quando do sítio de Salvaterra. (MENEZES, Luís de. “História de Portugal Restaurado”, parte I, livro VIII, 1643-1646, p. 124.)

A partir de 1645 passou a receber uma tença de 50$000 réis a cada ano no Almoxarifado de Abrantes, que vagou por falecimento de Jerónimo e Melo Coutinho. (Carta de 5 out 1645, Registo Geral de Mercês, Mercês da Torre do Tombo, liv. 7, f. 271-272.)

Requereu a João IV de Portugal (1640-1656) mercê pelos serviços prestados no Alentejo e no Brasil (Lisboa, 14 de abril de 1646). (AHU_CU_005-02, Cx. 10, D. 1180.) O Conselho Ultramarino emitiu o seu Parecer sobre o requerimento do mestre-de-campo Gaspar Pinheiro Lobo, solicitando uma comenda vitalícia com tença equivalente à qualidade de sua pessoa e dos serviços por si prestados no Estado do Brasil, e a faculdade de o suplicante poder passar essa recompensa no fim de sua vida na pessoa que o próprio escolhesse (Lisboa, 1 jun 1646). (AHU-Bahia, cx.1, doc. 97. AHU_CU_003, Cx. 1, D. 48). Ainda no mesmo ano, registou-se a Consulta do Conselho Ultramarino ao soberano, sobre o mestre-de-campo Gaspar Pinheiro Lobo, mandado vir do Alentejo para passar ao Brasil (Lisboa, 29 ago 1646). (AHU_CU_005-02, Cx. 10, D. 1208-1209)

Em 1647 recebeu o cargo de Governador da Artilharia do Estado do Brasil. (Carta Patente, Registo Geral de Mercês, Mercês da Torre do Tombo, liv. 14, f. 84-85.)

Já no exercício de suas funções, registou-se a Consulta do Conselho Ultramarino ao soberano (Lisboa, 26 jun 1649) sobre carta do tenente de mestre-de-campo general, Gaspar Pinheiro Lobo, acerca da falta de artilheiros que havia no Brasil e o modo de poder remediá-la. (AHU_CU_005-02, Cx. 11, D. 1331.)

OLIVEIRA (2004) informa que, em sua carreira no Exército Português alcançou a patente de Tenente-general, com exercício de Engenharia. Foi autor do projeto ou da execução do perímetro avançado de defesas da cidade do Salvador, na Bahia, no Estado do Brasil, executado na sua maioria, no tempo do Governador Geral Antônio Teles da Silva (1642-1647).

Em 1653, já se encontrava de volta ao Reino, onde foi designado, com os engenheiros Jean Gillot e Philippe Guitau para inspecionar as obras na Praça-forte de Peniche. (Op. cit., pp. 95-96.)

Terá falecido anteriormente a 1655, uma vez que a 17 de fevereiro desse ano se fez mercê do forno de Setúbal, da Ordem de S. Tiago, a Manuel Lobo de Mello, natural de Barcelos, filho de Pedro Lobo Pinheiro, que ele pediu e vagou pela morte de Gaspar Pinheiro Lobo, cavaleiro da Ordem de Cristo, seu parente, por serviços por este prestados como Governador da Artilharia. (Inventário dos Livros das Portarias do Reino, Vol. II (1653-1664), Livro III, Lisboa, Imprensa Nacional, 1912. p. 52.)

Desposou Joana de Andrade, natural de Grândola, com quem houve João Pinheiro Lobo. Sobre este constam inquirições "de genere" que se fizeram na vila de Grândola, na vila das Alcáçovas, na vila de Sines, na vila de Ferreira, por comissões do Dr. Manuel Álvares Cidade, provisor das justificações “de genere” do Arcebispado de Évora (1733-1734), tendo o habilitando ficado impedido de auferir ordens menores por fama de mulato por parte dos avós maternos, Luís de Andrade e Águeda Gomes, e da avó paterna, Isabel dos Prazeres. (Processo de habilitação “de genere” de João Pinheiro Lobo, filho de Gaspar Pinheiro Lobo e de Joana de Andrade, natural de Grândola, para ser admitido a prima tonsura e ordens menores. (Arquivo Distrital de Évora, Proc. nº 2278, Mç. nº 166.)

Deixou-nos planta do "Atalaião que mandou fazer o príncipe Dom Theodósio na Serra da Arrábida, próximo da Torre do Outão, desenhada pelo mestre de campo Gaspar Pinheiro Lobo que serviu no Brasil." (Tinta e aguarela sobre papel, 43 cm, Fl. 7 do "Livro de varias plantas deste Reino e de Castela" de João Tomás Correia de Brito. (87 fls.), 1699-1743.)

Bibliografia

OLIVEIRA, Mário Mendonça de. "As fortificações portuguesas de Salvador quando Cabeça do Brasil". Salvador: Fundação Gregório de Mattos, 2004.

Contribution

Updated at 09/10/2013 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.