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Thomas Cochrane
 

United Kingdom

Thomas Alexander Cochrane (Annsfield, 14 de dezembro de 1775-Londres, 31 de outubro de 1860), 10.º conde de Dundonald, marquês do Maranhão, foi um oficial naval e político britânico.

Destacou-se na história naval de diversas nações como o Reino Unido, o Chile, o Brasil e Grécia.

Biografia

Filho de um aristocrata escocês, ingressou aos 17 anos de idade na Royal Navy, onde se destacou em pouco tempo como bom navegador e estrategista. Aos 24 anos de idade, foi promovido a capitão-de-corveta e assumiu o seu primeiro comando, o brigue HMS Speedy, com o qual, em apenas 13 meses, capturou, queimou ou afundou 53 navios inimigos no contexto das Guerras Napoleónicas, com destaque para a fragata espanhola El Gamo, até ser capturado ainda em 1801 por franceses, vindo a ser libertado numa troca de prisioneiros por um oficial francês. Posteriormente comandou o HMS Arab, o HMS Pallas e o HMS Imperieuse, atacando guarnições costeiras e navios franceses e espanhóis. Em 1806 Napoleão Bonaparte apelida-o de “Lobo do Mar” por sua genialidade e eficácia em alto-mar, mas também pela rudeza com que se comportava quando em terra.

Naquele mesmo ano, ingressou no Parlamento Britânico, eleito para a Câmara dos Comuns após comprar votos a 10 guinéus cada, e iniciou a sua carreira política. A ousadia com que criticou a conduta inglesa em guerra e a corrupção na Marinha resultou em inimigos poderosos no governo.

Por ironia do destino, em 1814, acusado de ajudar a espalhar um boato de que Bonaparte havia morrido - diante da possibilidade de paz, o valor das ações na Bolsa de Valores de Londres subiu consideravelmente - e tendo vendido ações adquiridas dias antes, por um valor de £ 139,000 (equivalente a £5,826,880 em nossos dias) veio a ser expulso do Parlamento e da Marinha. Mesmo diante do testemunho de acusação de que o homem que divulgara o boato foram visto na residência de Cochrane no dia anterior, jurou inocência, mas veio a ser multado e condenado a um ano de prisão.

Libertado, aceitou uma proposta de "patriotas chilenos" para organizar e comandar a marinha de guerra do Chile, que tentava obter a sua independência da Espanha. Chegou a Valparaíso em novembro de 1818, retomando a guerra costeira e logrando, em fevereiro de 1820, capturar a cidade de Valdivia. Em seguida, integrou uma expedição para libertar o Peru, transportando as tropas de José de San Martín na fragata O’Higgins, auxiliando-o assim a declarar a independência daquele país. Entretanto, por sua personalidade forte entrou em conflito com políticos chilenos, aceitando entrar ao serviço do imperador Pedro I do Brasil em 1823, com o cargo de Primeiro-Almirante (e o dobro do que recebia a serviço do Chile) para organizar e comandar a recém-formada Armada Imperial Brasileira, no contexto da Guerra da independência do Brasil (1822-1824). Recorrendo a subterfúgios e artifícios, proveu inestimável apoio naval para as vitórias brasileiras na Bahia, em Pernambuco, Pará e Maranhão. As suas ações asseguraram os sucessos brasileiros no Nordeste e no Norte, sendo nomeado marquês do Maranhão pelo imperador logo após o fim do conflito. Quando retornou a Portsmouth, em 1825, numa fragata brasileira, deu-se a primeira saudação formal à bandeira do Império do Brasil na Europa. A fama do lorde britânico, entretanto, não é das melhores em terras brasileiras, e em especial no Maranhão. Durante a repressão à Confederação do Equador (1824) saqueou o tesouro de São Luís a pretexto de “pagar os marujos” e bombardeou a cidade. Alegando que a sua pessoa também não havia sido paga, ao partir para a Grã-Bretanha em 1825, levou consigo uma fragata da Armada Imperial.

Em pouco tempo sendo contratado pela Grécia, em luta para alcançar a sua independência. Teve um papel ativo na campanha militar e teve papel determinante na construção e entrega do Karteria, primeiro navio de guerra a vapor a atuar no mar Mediterrâneo. Tendo as suas vitórias sido insuficientes, foi acusado pela derrota grega na Batalha de Falero (1827). Renunciou ao seu posto ao final do confronto e retornou ao seu país, onde recebeu o perdão de Guilherme IV do Reino Unido (1830-1837). Reingressou na Royal Navy no posto de Contra-almirante.

Vindo a herdar o título de conde de Dundonald por morte do pai, aplicou o seu tempo na investigação científica para aplicações marítimas, pouco voltando a servir a bordo. Com a sua saúde comprometida, veio a falecer aos 84 anos de idade durante uma cirurgia para remoção de cálculo renal. Encontra-se sepultado na Abadia de Westminster, em Londres.

Contribution

Updated at 25/05/2019 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.