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Giovanni Battista Cairate
 

Italy

Giovanni Battista Cairate, também referido como João Baptista Carrato e João Baptista Cairato (Cairate, Ducado de Milão, 15?? – Goa, Índia portuguesa, janeiro de 1596) foi um arquiteto militar milanês. Ao serviço da Coroa Portuguesa exerceu o cargo de Engenheiro-mor da Índia.

Biografia

Oriundo da vila de Cairate, na Lombardia, iniciou a sua atividade como engenheiro militar ao serviço do Ducado de Milão.

Em 1560, a pedido do Grão-Mestre da Ordem de São João de Jerusalém foi encarregado de dirigir as fortificações de Malta. Trabalhou ainda nas da Sardenha. Dois anos mais tarde (1562), de volta a Milão, a serviço do marquês de Pescara foi nomeado “engenheiro da cidade”. Foi um dos fundadores do “Collegio di Ingegneri ed Architetti” (1563).

Entre os finais da década de 1560 e durante a década de 1570 viveu um período de intensa atividade profissional, entre trabalhos de reforma de fortificações e elaboração de relatórios: em 1569, foi encarregado de inspecionar o Castelo de Placência; entre 1570 e 1571, fiscalizou diversas obras na cidade de Milão.

A sua reputação chegou ao conhecimento de Filipe II de Espanha (1556-1598) que, em 1577 mandou-o chamar à Espanha, colocando-o sob as ordens de D. Álvaro de Bazán y Guzmán, 1º marquês de Santa Cruz de Mudela. Em 1581, inspecionou as fortificações de Tânger, junto com o duque de Medina-Sidonia.

No contexto da União Ibérica (1580-1640) tendo-se destacado nas campanhas de ocupação de Portugal e dos Açores, foi nomeado Engenheiro-mor da Índia, para onde partiu em 1583. Em Damão e Baçaim, dedicou-se ao levantamento das fortificações. Durante as obras da fortaleza de Manar, no Ceilão, Filipe II recomendou que ouvissem a sua opinião sobre essa obra de fortificação. Em 1588, foi enviado a Malaca - de elevada importância estratégica como porto de ligação com o Extremo Oriente - para inspecionar as obras de fortificação. Ali efetuou algumas melhorias à fortaleza e projetou outras que nunca chegariam a ser erigidas, embora o seu projeto possivelmente figure, segundo Manuel Lobato, num desenho de Manuel Godinho de Erédia, de 1604. Durante o tempo em que permaneceu na Índia, passou também por Ormuz e Mascate.

Além destas obras, Rafael Moreira atribui a Cairate uma série de outras efetuadas na Índia: é possível que tenha sido o autor das portas da cidade e das igrejas dos agostinhos e jesuítas em Baçaim e Chaul. O mesmo autor aponta também a hipótese da intervenção de Cairate nos planos das igrejas jesuítas do Bom Jesus de Goa (cf. carta de 1586, onde o jesuíta Alexandre Valignano informa que desenhou a Casa Professa, residência da Companhia de Jesus em Goa, com a assistência do Engenheiro-mor, numa clara referência a Cairate), de São Paulo de Diu e do Santo Nome em Baçaim.

Perante a necessidade da edificação de uma fortaleza em Mombaça, Filipe II encarregou-o de traçar a sua planta. A 11 de abril de 1593, teve início a construção do Forte Jesus, do qual o mestre-de-obras foi Gaspar Rodrigues. De acordo com Rafael Moreira, Cairate inspirou-se em Pietro Cattaneo para este projeto. O Forte de Jesus destacou-se entre as demais fortalezas no Índico, inclusivamente entre outras do próprio Cairate. Com uma planta antropomórfica, protótipo da teoria arquitetural do Alto Renascimento, a fortaleza caracterizava-se pela sua planta quase quadrada, com baluartes nos vértices.

De acordo com Carlos de Azevedo, o Forte Jesus terá sido, possivelmente, a última obra de Cairate no Ultramar. Após o seu termo, pediu para regressar à Europa, não tendo obtido resposta imediata. Em 1596, Filipe II respondia informando que teria de esperar por um substituto naquele cargo, dado o carácter peremptório da questão da fortificação na Índia e a necessidade de sempre se encontrar ali um profissional. Porém, não existem informações se Cairate teria alguma vez regressado à Europa. Tal seria pouco possível, visto que acabou por falecer em Goa, quando ainda esperava a chegada do seu sucessor, Júlio Simão. No seu testamento, o único herdeiro foi o Hospital Maior.

Bibliografia

BOXER, Charles; AZEVEDO, Carlos de. "A Fortaleza de Jesus e os Portugueses em Mombaça". Lisboa: Centro de Estudos de História Ultramarina, 1960. pp. 79-105.

"CARRATO, João Baptista". In: "Dicionário dos Italianos estantes em Portugal". Cátedra de Estudos Sefarditas "Alberto Benveniste". Universidade de Lisboa.

DIAS, Pedro. "A construção da casa professa da Companhia de Jesus em Goa". In: “Carlos Alberto Ferreira de Almeida: in memoriam”. Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

"Fort Jesus, Mombasa". Relatório da UNESCO.

LOBATO, Manuel. “Fortalezas do Estado da Índia: do centro à periferia”. In: "A Arquitectura Militar na Expansão Portuguesa". Lisboa: Comissão Nacional para a Comemoração dos Descobrimentos Portugueses, 1994. p. 49.

MOREIRA, Rafael. “O Engenheiro-mor e a circulação das formas no Império Português”. In: "Portugal e Flandres. Visões da Europa (1550-1680)". Lisboa: Instituto Português do Património Cultural, 1992. p. 102.

MOREIRA, Rafael. “Os primeiros engenheiros-mores do Império Filipino, Portugal e Espanha entre a Europa e Além-Mar". In: "Actas do IV Simpósio Luso-Espanhol de História de Arte". Coordenação de Pedro Dias, Coimbra, Instituto de História da Arte – Universidade de Coimbra, 1988. pp. 528-530.

VALLA, Margarida. "O papel dos arquitectos e engenheiros militares na transmissão das formas urbanas portuguesas". Comunicação apresentada no IV Congresso Luso-Afro-Brasileiro, Rio de Janeiro, 1996.

Contribution

Updated at 28/08/2013 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.