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Forte de São Francisco

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O Forte de São Francisco, hoje desaparecido, estava localizado na ponta de São Francisco, dominando o ancoradouro de São Luís, no litoral do Estado do Maranhão.

Quando da chegada da expedição de La Ravardière (jul/1612) ao estabelecimento da França Antártica, no Maranhão, frades capuchinhos (franciscanos) iniciaram a construção de um convento ("Saint Françoise"), próximo ao "Fort Saint Luis", onde hoje se ergue o Palácio dos Leões no centro histórico de São Luís. Essa igreja (ou convento) de São Francisco encontra-se cartografada por João Teixeira Albernaz, "o velho" (Capitania do Maranhão, c. 1615. IHGB, Rio de Janeiro). Com a reação portuguesa, em 1615 com a chegada dos reforços comandados pelo Capitão-mor da Capitania de Pernambuco, Alexandre de Moura, inicia-se a ofensiva final.

A partir de outubro de 1615 as forças portuguesas entrincheiraram-se no Convento de São Francisco, transformado em quartel (Quartel de São Francisco), e cercaram o "Fort Saint Luis", que capitulou (02/nov/1615), encerrando-se o domínio francês no Maranhão.

A estrutura de campanha no Convento de São Francisco foi reformada a partir de 1616 pelo Engenheiro-mór do Brasil Francisco de Frias da Mesquita, que acompanhava as forças portuguesas na ocasião. De acordo com Souza (1885), face à ruína do Forte de Santo Antônio da Barra pela ação das àguas, é ordenada a reconstrução deste forte na ponta de São Francisco, próximo à foz do Rio Anil, iniciada em ago/1720, sob a invocação dos Santos Cosme e Damião (Forte dos Santos Cosme e Damião).

No século XVII, a propósito de consulta em 12/mai/1715 sobre o Forte de Santo Antônio da barra, a Coroa informou ao Governador e Capitão General Cristóvão da Costa Freire que, "como não era possível remediar a Fortaleza da barra de São Luís, situada na ponta de João Dias, conforme o exame feito pelo Capitão-mor da praça, Provedor da Fazenda e Sargento-mor de Engenheiros Custódio Pereira, e que só fazendo-se de novo e de cantaria vinda do reino poderia durar assim mesmo com dificuldade por causa da grande correnteza que ali faziam as águas, fosse tirando da dita fortaleza todas as armas e munições para se não perderem." (Carta Régia de 30/jul/1716. apud: MARQUES, 1970:281).

À vista dessa impossibilidade, reconhecida também pelo Cosmógrafo-mor Manuel Pimenta, a quem se mandou ouvir, determinou Sua Majestade, por Resolução de 22/jul/1716, depois do Parecer do Conselho Ultramarino, que fosse edificada uma fortaleza na ponta de São Francisco, para o que remeteu 2.000 cruzados, por conta dos 8.000 cruzados em que foi orçada a despesa, sendo esta quantia inicial empregada em gêneros que, no Estado do Maranhão, poderiam ter mais valor.

Dessa forma, o Capitão General Bernardo Pereira de Berredo, na ponta de São Francisco, em companhia do Bispo D. José Delgarte, do Capitão-mor da cidade de São Luís, Francisco Manoel Nóbrega e Vasconcelos, do Provedor da Fazenda Real, Jacinto de Moraes Rego, e do Tenente General de Artilharia e Sargento-mor de Engenheiros, Custódio Pereira, lançou a pedra fundamental da nova fortaleza, onde se inscreveu: "Por ordem do sereníssimo D. João V, rei de Portugal, mandou fazer esta fortaleza Bernardo Pereira de Berredo, do seu Conselho, Governador e Capitão General neste Estado do Maranhão, e lhe lançou esta primeira pedra aos 28 de agosto de 1720." (MARQUES, 1970:282).

O Governador Joaquim de Mello e Póvoas informou ao Marquês de Pombal (1750-77) que nesta fortaleza existiam vinte e uma peças montadas, porém incapazes de servir, muitas por terra e todas necessitando de reparos; que ia mandar buscar madeira e carpinteiros "para logo se montarem todas as peças desta fortaleza por ser a mesma importante para a defesa da cidade" e que cuidava de fazer-lhe uma sapata porque o tempo a ia deitando abaixo, e um parapeito de terra socada, pondo-a assim em estado de se defender de toda a invasão ou ataque (Ofício de 15/abr/1762. apud: MARQUES, 1970:282). Mais tarde, o mesmo governador, pelo Ofício de 21/jan/1777 ao Sr. Martinho de Mello e Castro, deu conta de que este forte estava artilhado com duas peças de 20, duas de 18, doze de 12, quatro de 10, e uma de calibre 6 de bala, algumas dessas arruinadas. O Relatório sobre as fortalezas de São Luís, pelo Ajudante de Ordens Luís Antônio Sarmento da Maia para o Governador da Capitania, D. Fernando Antônio de Noronha (1792-98), registra que a praça não tinha artilharia alguma capaz de fazer fogo (21/mar/1797) (MARQUES, 1970:282). SOUZA (1885) complementa que, à época (1885), ainda eram visíveis os alicerces e parte das muralhas deste forte (op. cit., p. 71).


  • Forte de São Francisco


  • Fort

  • 1612 (AC)

  • 1616 (AC)



  • Portugal

  • 1797 (AC)

  • Missing






  • Disappeared

  • 0,00 m2

  • Continent : South America
    Country : Brazil
    State/Province: Maranhão
    City: São Luís

    Localizado na ponta de São Francisco, dominando o ancoradouro de São Luís, no Estado do Maranhão.


  • Lat: 2 31' 40''S | Lon: 44 19' 16''W




  • O governador Joaquim de Mello e Póvoas, pelo Ofício de 21/jan/1777 ao Sr. Martinho de Mello e Castro, deu conta de que este forte estava artilhado com duas peças de 20, duas de 18, doze de 12, quatro de 10, e uma de calibre 6 de bala, algumas dessas arruinadas. O Relatório sobre as fortalezas de São Luís, pelo Ajudante de Ordens Luís Antônio Sarmento da Maia para o Governador da Capitania, D. Fernando Antônio de Noronha (1792-98), registra que a praça não tinha artilharia alguma capaz de fazer fogo (21/mar/1797) (MARQUES, 1970:282).










Contribution

Updated at 27/11/2008 by the tutor Roberto Tonera.

With the contribution of contents by: Carlos Luís M. C. da Cruz.