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Forte de Santana do Estreito

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O Forte de Santana está localizado na Avenida Oswaldo Rodrigues Cabral (Beira-Mar Norte), sob a Ponte Hercílio Luz, no lado insular, junto ao estreito de união das baías Norte e Sul, em Florianópolis, no litoral do Estado de Santa Catarina, Brasil.

Entre 1762/63, por determinação do Marquês de Pombal (1750-77), o governador do Rio de Janeiro, Capitão-general Gomes Freire de Andrade (1733-63), enviou o Engenheiro Militar Tenente-coronel José Custódio de Sá e Faria, do Real Corpo de Engenheiros, para fazer um levantamento das defesas da Ilha de Santa Catarina, erguidas pelo Engenheiro Militar, Brigadeiro José da Silva Paes. Esse oficial conclui que se as fortalezas da barra norte da Ilha fossem ultrapassadas a Vila de Nossa Senhora do Desterro (atual Florianópolis) ficaria sem defesa ante o invasor, havendo, portanto, a necessidade de construção do Forte de Santana, na ponta da Ilha mais próxima ao continente, bem como do Forte de São Francisco Xavier, mais ao norte da vila, cujos projetos foram por ele mesmo elaborados (TONERA&OLIVEIRA, 2015:42). O Forte de Santana situava-se no lugar chamado de Estreito, denominação que, com o tempo, passou para o continente fronteiro (CABRAL, 1972:40). A maioria dos historiadores data a construção desse forte em 1763, no governo de Francisco Antônio Cardoso de Meneses e Sousa (1762-65) (SOUZA, 1885:124; BOITEUX, 1912:234 apud CABRAL, 1972:13).

Já no fim do século XVIII, a posição do Forte de Santana seria reforçada com a construção do Forte de São João (cerca de 1793), localizado no continente fronteiro, com quem deveria cruzar fogos.

Segundo o levantamento de Correia Rangel, em 1786, estava artilhado com 10 canhões, sendo quatro deles de bronze: um de calibre 8 libras e três de calibre 6 lb; e seis canhões de ferro, todos de calibre 12 libras (TONERA&OLIVEIRA, 2015: 134).

Este forte foi continuamente utilizado ao longo de sua história, sendo desativado em 1907. Além de suas funções originais, abrigou a Escola de Aprendizes Marinheiros (1857); A Companhia dos Inválidos (1876); o serviço de Polícia do Porto (1880) e uma estação meteorológica do Ministério da Agricultura (1912) (GARRIDO, 1940: 143). Em 1863 e 1876, o Forte recebeu uma série de reformas, sendo esta ultima para abrigar a Companhia dos Inválidos, quando também recebeu reforços em sua artilharia. Um episódio marcante da sua história ocorreu em 1893, por ocasião da Revolução Federalista e Revolta da Armada, quando trocou tiros com a esquadra rebelde. Prevendo um ataque à cidade, que viria de fato a ocorrer, o comandante do Forte mandou reunir diversos canhões de ferro fundido, que encontravam-se então enterreados pela metade nas ruas da cidade, funcionando com simples enfeites. Com este armamento obsoleto, a fortificação trocou tiros com o poderoso Cruzador Repúblico e com o Vapor Palas, os quais fora do alcance daquela precária artilharia, bombardearam o Forte, forçando seu comandante ao imediato cessar fogo e rendição (CALDAS, 1992: 91-94).

Em 1898, o comandante do Forte de Santana relata que seria necessária uma grande restauração nos edifícios da fortificação.

O forte é constituído por um único conjunto de edificações, quase todas geminadas, tendo à sua frente uma bateria com sete plataformas de tijolos para posicionamento de seus canhões.

Esteve ocupado por construções clandestinas até 1969, quando se iniciou a sua restauração, sendo esse o primeiro trabalho dessa natureza realizado em uma fortificação catarinense. Após sua recuperação, passou a abrigar o Museu de Armas Lara Ribas, aberto ao público a partir de 1975. O forte e o museu (hoje uma construção independente no mesmo terreno) são desde então administrados pela Polícia Militar de Santa Catarina.




  • Forte de Santana do Estreito

  • Fortaleza de Santana.

  • Fort

  • 1763 (AC)

  • 1763 (AC)

  • José Custodio de Saa y Faria

  • Francisco Antônio Cardoso de Meneses e Sousa

  • Portugal


  • Restored and Well Conserved
    Encontrava-se já em ruínas em 1940 (GARRIDO, 1940: 143), situação que não se alterou nos anos seguintes (BARRETTO, 1958: 278).
    Esteve bastante disfigurado e ocupado por uma favela até 1969, quando se iniciou a sua restauração, sendo o primeiro trabalho dessa natureza realizado em uma fortificação catarinense. Após sua restauração, passou a abrigar o Museu de Armas Lara Ribas, aberto a partir de 1975.

  • National Protection
    O Forte foi tombado como Patrimônio Histórico Nacional em 1938.
    Livro Histórico: Inscrição:053, Data:24-5-1938.
    Livro de Belas Artes: Inscrição:097, Data:24-5-1938.
    Nº Processo:0155-T-38.

  • União Federal (Brasil)

  • Polícia Militar do Estado de Santa Catarina

  • (48) 3229-6947


  • Museum of Armaments
    O Forte de Santana é um próprio da União, jurisdicionado ao Exército Brasileiro, e cedido para uso à Polícia Militar do Estado de Santa Catarina.

    O forte, propriamente dito, assim como uma construção contemporânea localizada junto a ele, abrigam as instalações do Museu de Armas Lara Ribas, ambos administrados pela Polícia Militar de Santa Catarina.

  • 311,00 m2

  • Continent : South America
    Country : Brazil
    State/Province: Santa Catarina
    City: Florianópolis

    O Forte de Santana está localizado na Avenida Oswaldo Rodrigues Cabral (Beira-Mar Norte), sob a Ponte Hercílio Luz, no lado insular, junto ao estreito de união das baías Norte e Sul, a cerca de 1,5 Km do centro da cidade de Florianópolis.


  • Lat: 27 35' 36''S | Lon: 48 33' 50''W


  • O Forte de Santana está localizado sob a Ponte Hercílio Luz, um Ex-libris de Florianópolis, monumento também tombado em nível nacional.
    Localiza-se muito próximo do centro da cidade de Florianópolis, às margens da Avenida Beira-Mar Norte.

  • Como chegar: o Forte está localizado na Avenida Beira-Mar Norte, sob a Ponte Hercílio Luz, no centro de Florianópolis, distante apenas poucos metros da Rodoviária Rita Maria, podendo-se chegar a ele a pé, de bicicleta ou de automóvel.

    Funcionamento: Durante todo o ano: das 8 às 12 horas e das 14 às 18 h. Não abre às segundas-feiras pela manhã.
    A entrada é franca e o forte possui estacionamento próprio.

    Veja: ao visitar o forte, não deixe de observar: o Museu de Armas (instalado num edifício anexo), a Ponte Hercílio Luz , e  o pôr-do-sol, sendo o o pátio dos canhões do Forte de Santana um dos locais mais indicados para se apreciar toda a beleza do entardecer na Ilha de Santa Catarina.


  • Em 1777, Santana contava com nove canhões (MOSIMANN, 2003, p. 35), os mesmos da época de sua construção (SOUZA, 1885, p. 124). Segundo o levantamento de Correia Rangel, em 1786, o forte estava artilhado com 10 canhões, sendo quatro deles de bronze: um de calibre 8 libras e três de calibre 6 lb; e seis canhões de ferro, todos de calibre 12 libras (TONERA&OLIVEIRA, 2011: 134).

    O Mapa de toda a artilharia, de 1812, registra 10 peças nesse forte, a mesma quantidade e distribuição de calibres informada por Rangel (CABRAL, 1972, p. 48). Em 1822 Duperrey informa que o forte possuía 12 canhões arruinados pela ferrugem (HARO, 1990, p. 250). Segundo levantamento realizado em 1850, o forte contava então com três peças de bronze, calibre 12 libras, fabricadas em Portugal, e outras quatro peças de ferro, calibre 9 libras, de origem inglesa (MELO E ALVIM, 1850, p. 1).

    O levantamento de 1863 (Questão Christie) considera esse forte de alguma importância. (...) Tem 12 bocas-de-fogo, sendo uma peça de ferro de calibre 9 libras (lb), em bom estado, e três de bronze de calibre 12 lb, quatro de ferro de calibre 12 lb e quatro de 9 lb, todas em mau estado (RELAÇÃO, 1863). Em 1893, durante a Revolta da Armada, a fortificação ainda receberia provisoriamente dois canhões Krupp de 75 mm (CALDAS, 1992, p. 93). Originalmente o forte possuía os parapeitos das muralhas sem as atuais canhoneiras, abertas em 1893 para possibilitar o emprego desses modernos canhões Krupp.

    Um episódio marcante da sua história ocorreu nesse ano, quando trocou tiros com a esquadra rebelde. Prevendo um ataque à cidade, que viria de fato a ocorrer, o comandante do forte mandou reunir diversos canhões de ferro fundido que se encontravam então enterrados pela metade nas ruas da cidade funcionando com simples enfeites. Com este armamento obsoleto a fortificação trocou tiros com o poderoso Cruzador República e com o Vapor Palas, os quais, fora do alcance daquela precária artilharia, bombardearam o forte, forçando seu comandante ao imediato cessar fogo e rendição.

    Hoje o Forte de Santana conta com sete canhões de ferro fundido, todos de origem britânica, sendo três deles de calibre 9 libras, dois de 12 lb e outros dois de 3 lb, conforme identificação realizada pelo Iphan (CASTRO, 2000).

  • O Forte de Santana, em alvenaria de pedra e cal, foi erguido sobre um único terrapleno, sustentado por muralhas (também de pedra e cal) de 1,20 m de espessura no parapeito, planta na forma de um hexágono irregular, e uma única guarita circular sobre o respectivo pião, no vértice da muralha vigiando o canal. O projeto original de Sá e Faria compreende um conjunto linear de edificações de um pavimento que se abrem para o terrapleno onde se dispunham sete bases para canhões posicionados à barbeta, apresentando apenas o estritamente necessário para o funcionamento regular da fortificação. Na fachada, destacam-se o ritmo e proporção das aberturas com molduras de pedra, alternando vergas retas e em arco abatido.

    Percebe-se também a preocupação em identificar, mesmo que modestamente, a entrada do forte através de uma portada de granito. A forte inclinação dos telhados, em especial sobre o Paiol da Pólvora, remete a arquitetura oiental. Originalmente, o Forte possuía os parapeitos das muralhas sem as atuais canhoneiras, abertas em 1893, para possibilitar o emprego dos modernos canhões Krupp.

    O conjunto de edifícios originais compreendia: Quartel do Comandante, Quartel dos Soldados, Cozinha, Paiol da Pólvora, Casa da Palamenta. Os mesmos edifícios aparecem no levantamento de Coreia Rangel, alguns anos depois (RANGEL, 1876: 27).

    Somente o aposento de acesso ao Paiol da Pólvora (a ante-sala denominada na iconografia de Sá e Faria como Trânsito da Casa da Pólvora) não está presente na construção atual, tendo sido equivocadamente demolido durante as obras de restauração do forte.

  • Em 1863 e 1876, o Forte recebeu uma série de reformas, sendo esta ultima para abrigar a Companhia dos Inválidos, quando também recebeu reforços em sua artilharia. Em 1898, o comandante do Forte de Santana relata que seria necessária uma grande restauração nos edifícios da fortificação.

    Em 1969, iniciou-se a sua restauração, sendo o primeiro trabalho dessa natureza realizado em uma fortificação catarinense. Essas obras ainda se encontram em curso em 1972, quando são mencionadas pelo historiador Oswaldo Cabral (CABRAL, 1972: 42).

  • A padroeira dessa fortificação é Santana ou Santa Ana. Santana e São Joaquim foram os pais da Virgem Maria. Deve-se ao Proto-evangelho de São Tiago, do século III, a difusão da história e devoção a estes santos, sendo sua festa celebrada a 26 de julho. Santana é representada sob diversas formas, entre as quais a de Santana Mestra, anciã de semblante sereno, sentada com um livro sobre o colo, no qual ensina a Virgem Menina, que aparece representada a seu lado. A grafia antiga, Sant’Anna, também aparece em vários documentos e iconografias do forte.